sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Otimismo

OTIMISMO PROLONGA TEMPO DE VIDA


(Artigo publicado no Jornal Estado de São Paulo e Revista Gestão RH Jan/Fev)


Um estudo publicado recentemente por pesquisadores da conceituada Clínica Mayo, nos Estados Unidos, mostrou que as pessoas otimistas têm em geral maior tempo de vida do que as pessimistas e céticas. E esta diferença, em alguns casos, pode chegar até a 12 anos.
Segundo o doutor Isaac Efraim, psiquiatra especializado em consultoria comportamental, autor do livro "Tudo o que a Grande Mente Capta" sobre alterações comportamentais, ser otimista é ter uma expectativa positiva em relação ao que pode acontecer na vida pessoal e profissional, ou seja, sentir, acreditar e reagir física e psiquicamente a um fato positivo. Uma pessoa que tem uma expectativa positiva sente-se bem, relaxada, tranqüila e confiante, não tem o sentimento de medo ou temor. Nada pode ser mais confortante e gerar bem-estar num indivíduo. "Por outro lado, ser pessimista é esperar pelo pior, achar que alguma coisa negativa pode acontecer. Isto gera tensão, medo, o corpo trava, as descargas de adrenalina são constantes e crônicas. Evidentemente, o estresse é inevitável e a incidência de doenças físicas e psicossomáticas aumenta. Ser pessimista é viver no inferno e tentar proteger-se o tempo todo disto."
O psiquiatra dá dicas de como superar o pessimismo. "A questão é complexa", explica Efraim. "Se a pessoa é cronicamente pessimista, olha tudo pelo lado negativo, isto é fruto de um problema ou uma doença do humor, pois o mau humor exagerado é doença e pode e deve ser tratado. E você pode não acreditar, mas até remédio já existe para tratar de mau humor."
Já se o pessimismo é menos doentio, há maneiras de se conseguir otimismo:

  • Estar sempre de consciência limpa, livre de sentimentos de culpa;
  • Ter uma atitude de vida pró-ativa, procurando melhorar o ambiente e clima à sua volta;
  • Ter um espírito empreendedor e desapegado, procurando sempre melhorar a vida das pessoas em volta.
"Tudo isso é muito fácil de falar, porém difícil de realizar, mas com certeza trata-se de uma receita eficiente para se viver bem e mais", finaliza Efraim.
Digo de carteirinha que o Dr. Efraim tem razão: pode parecer mentira, mas existe remédio para tratar o mau-humor. No meu caso, o pessimismo crônico. É impressionante como às vezes estamos tão absorvidos por determinadas situações que não enxergamos além; não percebemos o quanto estamos equivocados. Passei anos vivendo assim, pensando sempre no pior, enxergando a vida em preto e branco. As cores aliás que costumo me vestir. Agora tenho conseguido ver cores onde sempre houve cores mas que não conseguia notar. E tenho encarado a falta das cores também, aonde elas realmente não estão, com muito menos sofrimento.
A gente tem que acreditar na cura, na melhora das coisas! Vamos ser otimistas e viver mais uns 20 anos de lambuja!!! Eu quero cores!!!!! Chega de pretinho básico!!!!! ;)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

"As flores de plástico não morrem"... mas também não vivem!

Nem tudo na vida são flores... e ainda assim é possível ser feliz! :)
É chato e estranho se dar conta disso sob efeito de medicamentos, mas pelo menos me dei conta, né?
Como a vida pode ser tão diferente, tão menos desgastante! Consegui recuperar dois quilos que eu tinha perdido, e olha que tomando um remédio que tem como efeito colateral a perda de peso, heim? Sinal de que as coisas realmente não andavam boas pro meu lado.

Hoje fui à consulta mensal com a psiquiatra que me acompanha (é isso aí, prá tomar remedinho só com recomendação médica e acompanhamento, ok?) e ela me perguntou como eu andava me sentindo e tals. Falei que estava bem, mais animada, cheia de projetos e os executando, o que é ainda melhor. Só que me sentia meio "devagar" de vez em quando. "Mas tá bom assim", eu disse. Prefiro. Como falou sabiamente uma amiga minha dia desses, ser maluco e burro às vezes deve ser legal. Malucos e burros não entendem nada - por conseqüência, não sofrem...
Não é que eu queira ficar alienada (só um pouquinho) e fingir que não estou vendo as coisas. A ideia não é essa. Eu quero é dar a verdadeira importância que as coisas têm. Nem mais, nem menos. Principalmente "nem mais". A gente sofre muito por coisas e pessoas que não merecem; supervaloriza sentimentos, necessidades, e acaba perdendo o rumo. Esquece de dar valor ao que realmente importa na nossa vida, àquilo que nos faz verdadeiramente feliz. E se você não sabe o que te faz verdadeiramente feliz, tá na hora de parar prá pensar.

Aí vão mais algumas dicas de como se livrar da ansiedade (fonte: ansiedade.com.br).

Fique bem!

1- Respire fundo, lenta e compassadamente pelo maior tempo que você for capaz, pois isto ajuda a desacelerar fisiologicamente o cérebro e por conseqüência a mente.

2- Entenda que quando um problema novo se configura à sua frente, a solução não está na sua mente, não está no seu pensamento, e sim no fato em si. Quando for possível, olhe para o novo, procure entendê-lo, aumente as suas informações e o seu conhecimento sobre ele. Não busque referências anteriores, pois isto aumentará a sua ansiedade. Se não for possível olhar para o problema, procure não pensar nele, tente distrair a sua mente com outra coisa.

3- Aceite a falta de controle, abra mão da prepotência da sua mente e entenda que não somos deuses superpoderosos que tudo podemos controlar. Uma parte de nossa vida tem que se entregar a Deus, ao destino, à sorte e... seja o que Deus quiser...

4- Problemas e novidades se resolvem com ação e não com pensamento, é preciso fazer o melhor que está ao nosso alcance, focado, ligado no real. O que está além do nosso melhor esforço, não podemos controlar.

5- Aceitar a possibilidade de perder, não querer ganhar a qualquer custo, pois isto acelera a mente e aumenta e muito a chance de derrota.

6- Aceite conviver com a insegurança quando ela surgir à sua frente, não queira se livrar dela, não tenha pressa. Quanto mais você aceitar conviver com a insegurança, mais calmamente ela irá embora e mais a sua mente se acalmará. Quanto mais você tentar se livrar dela, mais ela se tornará ansiedade.

7- Não se deixar enganar pela mente. Quando ela ficar buzinando internamente que o pior vai acontecer, usar as palavras mágicas: "Seja o que Deus quiser..." ou "foda-se"!

Resumindo, mente acelerada é mente desequilibrada, para livrar-nos da ansiedade devemos aprender a desacelerar a nossa mente. 

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Dicas para combater a ansiedade

Ontem fui almoçar com três colegas do trabalho e fizemos uma triste constatação: numa mesa com quatro pessoas, três estão se tratando da Síndrome do Pânico. Curiosamente, três mulheres.

E pelo visto isso vai ser bastante comum daqui pra frente. De acordo com um texto que eu li no site Terra, o pânico e a depressão (que aliás costumam caminhar juntos) vão ser os males do século XXI. Não sei se chega a isso tudo, mas certamente vai vir uma avalanche de novos casos por aí.
As dicas a seguir foram retiradas de um texto enviado pelo Fernando Mineiro, do GruPan. Vale a pena ler.

bjo.



DICAS PARA COMBATER A ANSIEDADE


Introdução:
Ansiedade e medo são emoções tão corriqueiras que o dicionário está repleto de sinônimos para elas. A principal diferença entre medo e ansiedade é que o primeiro ocorre como uma resposta a um perigo real, enquanto a segunda ocorre sem que qualquer tipo de perigo objetivo esteja presente.

A ansiedade é um estado emocional parecido com o medo, porém dirigido para o futuro, desproporcional (a uma ameaça reconhecível) e que traz intenso desconforto físico.
A ansiedade pode manifestar-se de várias maneiras: em forma de ataques de pânico, de fobias (medos específicos de altura, avião, situações sociais, etc), como conseqüência de uma experiência traumática (assaltos, acidentes, etc) e de maneira generalizada (quando os sintomas persistem constantes ao longo do tempo). Em todos estes casos é possível lidar com a ansiedade utilizando técnicas psicológicas e/ou tratamentos farmacológicos adequados. Além desses recursos, alguns procedimentos simples têm-se mostrado eficazes e serão descritos a seguir.


1) Aprenda a relaxar. As técnicas de relaxamento são úteis em relação a todos os sintomas ansiosos. Uma maneira prática de fazer isso: feche os olhos e percorra toda musculatura do corpo, contraindo-a e relaxando-a em seguida. Comece pelo pé e vá passando gradativamente para as outras partes até chegar à cabeça. Isso pode ser feito na posição sentada ou deitada. Fique atento à sua respiração.

2) Respirar é algo tão automático na nossa existência que poucos imaginam o quanto este ato tão simples está relacionado à ansiedade. A respiração ansiosa é curta, concentra-se no peito. Por isso, mesmo no decorrer de uma crise de ansiedade, é necessário que se procure uma respiração completa e profunda. Para isso, inspire o ar até que a barriga fique cheia como um balão de ar. Depois, expire lentamente até sentir se totalmente "vazio". Repita o procedimento quantas vezes forem necessárias.

3) Praticar esportes ou simplesmente caminhar são recursos úteis na diminuição da ansiedade e do estresse. Tente praticar algum esporte pela manhã. Faça isso sempre que possível mas não exagere. O exercício compulsivo pode ter o efeito inverso.

4) Evite café, cigarro, bebidas do tipo cola e outros estimulantes. Estas substâncias aumentam a ansiedade e desencadeiam ataques de pânico. Entretanto, o momento em que se inicia um tratamento para ansiedade não é o melhor momento para parar de fumar. A parada brusca do cigarro leva aos sintomas de abstinência que piorarão a sua ansiedade.

5) Se você tiver interesse em técnicas de meditação, saiba que lhe serão extremamente úteis no controle da ansiedade. A meditação, seja ela Zen-Budista, Yoga ou religiosa, orienta a experiência do momento presente, trabalha a respiração e facilita o contato consigo mesmo.

6) As pessoas ansiosas costumam ter pensamentos catastróficos a respeito de toda e qualquer situação. Observe seus pensamentos e, se lhe parecerem excessivamente catastróficos, anote-os e procure uma interpretação mais realista da situação.

7) Se sua ansiedade tiver começado após a vivência de uma situação traumática como assalto, estupro, etc., você deve procurar ajuda para enfrentá-la. Neste caso, evitar as situações relacionadas à experiência traumáticas também só piorará sua ansiedade e limitará sua vida.

8) Se a ansiedade é fóbica, ou seja, medo de um objeto ou situação que o obriga a evitá-la e acaba por limitar sua vida, é importante lembrar que o único meio de lidar com o problema é enfrentando-o. Evitar uma situação temida só colabora para que a ansiedade em relação a ela seja cada vez maior. Se, aos poucos, enfrentamos estes "fantasmas" e nos reconhecemos capazes de lidar com eles (respirando fundo, por exemplo), o medo diminui e nos sentimos mais seguros. O que tecnicamente é conhecido como "terapia de exposição" consiste no planejamento desta aproximação à situação temida e a ansiedade associada a ela.

9) Se a ansiedade é imensa e desencadeia ataques de pânico, não se apavore. O ataque de pânico é uma reação fisiológica que, por mais terrível que seja, vai embora num tempo determinado. Se você enfrentar o ataque de pânico, ou seja, apenas esperar que ele acabe, verá que seu tempo de duração não é tão longo quanto se imaginava. Respirar e relaxar são recursos que ajudam a suportar estes minutos tão difíceis. Não acredite que evitando as situações onde você imagina que terá um ataque de pânico vai ajudá-lo a livrar-se dele. O melhor a fazer é dar-lhe a devida proporção: é "apenas" uma descarga de adrenalina que não mata, nem deixa seqüelas e dura poucos minutos.

10) Quando a ansiedade aumenta em situações sociais, a melhor maneira de lidar com ela também é enfrentá-la. Não deixe de estar com pessoas por medo de uma crise de ansiedade. Nestas situações, é possível utilizar outros recursos apropriados:


  • procure prestar atenção nas pessoas à sua volta. Tire o foco de si mesmo e pare de criticar-se. As demais pessoas podem ser interessantes e certamente também estão vulneráveis a críticas.

  • se perceber que está ruborizado, suando ou tremendo, lembre-se de que estes sinais são mais perceptíveis para você do que para os demais. Além disso, ficar ansioso não é sinal de fraqueza e não precisa se envergonhar disso. Assim como ataques de pânico, em poucos minutos estas sensações mais intensas cedem e desaparecem.

  • aprenda a colocar sua opinião sempre que tiver algo a dizer. Participe. Falar em público e expor suas idéias é uma questão de treino.Quando a ansiedade for demasiadamente intensa e as orientações descritas forem insuficientes para ajudá-lo, é indicado o tratamento farmacológico e/ou psicoterápico. Muitas vezes, é necessário iniciar o tratamento de sua ansiedade com medicações que diminuam as crises mais intensas e lhe permitam maior estabilidade para realização de uma psicoterapia ou para utilização das orientações apresentadas aqui.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Para relaxar

Cada um tem seu jeitinho particular para relaxar. Eu também tenho os meus, alguns meio ridículos, mas... eis alguns deles:

  1. A minha principal forma de me desligar desse mundo frenético é mergulhar nos passatempos das revistinhas Coquetel. Desafios de lógica e palavras cruzadas são meus prediletos. E agora descobri que tem palavra cruzada on line, vejam só (http://www.coquetel.com.br/).
  2. Outra alternativa é uma boa leitura. "Boa" no sentido de positiva, benéfica! No momento estou lendo "O Poder dos Pais que Oram" e "O Caçador de Pipas", romance premiado do afegão Khaled Hosseini. Além dos livros, assinei a revista Crescer, mas essa dica é só para pais ou para quem pretende ter filhos. É um mundo delicioso.
  3. Filminhos água-com-açúcar reinam lá em casa. Só dá Julia Roberts, Hugh Grant & Cia. De violenta, basta a vida. E nada melhor do que dormir depois de um belo final feliz!
  4. Tocar piano. Isso infelizmente não é pra qualquer um. Infelizmente mesmo, porque tocar piano é uma dádiva. Aliás, tocar qualquer instrumento é maravilhoso. Se puder, aprenda. Sempre há tempo.
  5. Adoro música, então procuro trilhas relaxantes, ainda mais no trabalho. Tenho uma pasta no meu pc com várias músicas tranqüilinhas - reggae, new age... pra quem dormia ouvindo Sepultura, é uma grande mudança! Depois vou fazer uma lista com algumas sugestões de músicas para que vocês também possam relaxar.
  6. Artesanato. Essa é a minha última novidade. Adorei a primeira aula, pude recortar, pintar, colar... me senti numa das aulas de educação artística da dona Marilu, nos tempos de primário.
    E você? O que faz para relaxar?
    Bjo.

Reação da Família


Dr. Drauzio Varella entrevista o psiquiatra Marcio Bernik (última parte)


Drauzio – Como a família deve portar-se diante de um portador do transtorno de pânico?
Bernik – O pânico, como todas as doenças psiquiátricas, não dá pintas vermelhas na cara como o sarampo nem 39º de febre. Por isso, é muito comum a família entendê-lo como uma forma de fraqueza moral e de personalidade e reagir da seguinte maneira: “eu também não gosto de trânsito, mas vou trabalhar todos os dias”. Por isso, é de importância fundamental a conscientização da família. Grupos de auto-ajuda, livros sobre o assunto ou mesmo a internet podem ser úteis para que os familiares entendam a natureza da doença. O mal-estar que o paciente experimenta num congestionamento é muito diferente do desconforto que qualquer um de nós possa sentir. Por outro lado, o excesso de compreensão pode favorecer a esquiva fóbica e a pessoa não sai mais de casa nem para ir à padaria. Na verdade, a agorafobia cresce com os bons cuidados. A família deve incentivar a atividade do doente. “Eu sei que você não se sente bem, mas é importante continuar indo à escola”, ou “se você conseguisse ir ao clube, ir trabalhar e não pedisse demissão seria melhor para sua auto-estima” são estímulos importantes para os pacientes com síndrome do pânico. Repouso é bom para gripe. Para doenças crônicas como depressão e pânico que muitas vezes a pessoa carrega pela vida afora, o pior é ficar em casa repousando. O certo é levar vida o mais normal possível apesar das dificuldades.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Maconha


Fumei maconha na adolescência e mais uma meia dúzia de vezes depois de adulta. Sempre ouvi dizer que a maconha relaxava, mas na maioria das vezes eu me sentia angustiada, meu coração acelerava, me dava a maior fobia, a tal bad trip. Não conseguia relaxar e entrar na onda, então parei.

Pois é, talvez mesmo tendo fumado pouco, posso com isso ter contribuído para o surgimento da Síndrome do Pânico na minha vida. Uma psiquiatra me explicou que a maconha não causa Síndrome do Pânico, mas ela pode estimular a síndrome em uma pessoa que já tenha predisposição genética. Tese confirmada pelo psiquiatra Marcio Bernik, como você poderá ver abaixo.
(Meu amigo Larica vai querer me esganar, então vou tentar amenizar: não é só a maconha que pode desencadear uma crise de pânico, qualquer droga pode, tá?)

MACONHA

Dr. Drauzio Varella entrevista o psiquiatra Marcio Bernik (parte 8)

Drauzio – Qual o papel da maconha nos pacientes com transtorno do pânico?
Bernik – Um dos mecanismos de ação da maconha é o estímulo serotonérgico, também provocado pelo LSD, uma droga alucinógena ligada às crises de pânico. Não há quem não tenha ouvido falar no bad trip, a viagem sem volta, caracterizado por um mal-estar intenso que pode levar ao suicídio. Embora haja relatos de que a maconha é relaxante, dá sono e fome, está demonstrado que pode desencadear crises de pânico em pessoas predispostas. Por isso,
pacientes com transtorno de pânico não devem fumar maconha.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Atividade física


Que praticar uma atividade física é importante, todos nós sabemos. Mas como convencer uma pessoa que sofre de síndrome do pânico que ela não vai ter um piripaque durante o exercício?

Sempre pratiquei esportes. Natação, balé, ginástica localizada, aeróbica, musculação, jiu-jitsu, capoeira, boxe tailandês... No colégio só tirava "notão" em Educação Física. Era fominha de bola, capitã do time de handebol. Mas com o pânico ficou muito difícil praticar qualquer coisa. No máximo subir escada e olhe lá. Tudo dá medo, você acha que seu coração não vai aguentar! Eletro e ecocardiograma algum te convence do contrário. E olha que eu já fiz vários!


ATIVIDADE FÍSICA

Dr. Drauzio Varella entrevista o psiquiatra Marcio Bernik (parte 7)

Drauzio - Qual é o papel do exercício físico nos transtornos de pânico?

Bernik - Além de fazer bem para todo o mundo porque é excelente para o condicionamento cardiovascular, o exercício físico provoca algumas sensações semelhantes às da síndrome do pânico. É impossível fazer um exercício físico vigoroso sem sentir taquicardia, sudorese, perna bamba. Por isso, não se pode diagnosticar transtorno de pânico se os sintomas ocorrerem após atividade física extenuante. Entretanto, experimentar essas sensações de pânico num contexto agradável, por exemplo, numa partida de vôlei ou num jogo de futebol, ajuda no processo de dessensibilização. Por isso, se não houver contra-indicações, exercícios físicos mais vigorosos representam uma forma de terapia de exposição às sensações internas que o pânico causa.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Terapias Alternativas

Tenho muita vontade de fazer yoga, meditação, alongamento, dança de salão... qualquer atividade que relaxe e que ao mesmo tempo melhore um pouquinho a silhueta desta pobre e incansável mãe, que não tem quase tempo algum para cuidar de si.
Na falta de tempo e de uma boa academia perto de casa, acabei me matriculando num curso de artesanato. Pelo menos cumpre com o primeiro objetivo que é relaxar!
Vou fazer "pintura em madeira". Decoupage, mosaico... Chega a ser engraçado. Quem me conhece sabe como sou "jeitosinha". Estou contando com a paciência oriental que deve correr no meu sangue e que anda meio em falta comigo.

O que importa é termos um tempinho só prá gente. Temos que relaxar um pouco todos os dias, pensar em coisas boas, pra quem acredita fazer uma boa oração, pedir proteção e apoio mesmo. 

TERAPIAS ALTERNATIVAS


Dr. Drauzio Varella entrevista o psiquiatra Marcio Bernik (parte 6)

Drauzio – Terapias alternativas como meditação e ioga fazem algum efeito?
Bernik - Sou fã dessas duas que você mencionou nem tanto para o pânico que, às vezes, é uma doença biológica. No entanto, para os problemas de ansiedade e para as pessoas que manifestam preocupação excessiva chamada de ansiedade generalizada, atividades contemplativas como a meditação e ioga ajudam a assumir uma atitude menos agressiva perante o mundo, menos carregada de espírito competitivo, ou seja, a desenvolver um comportamento oposto ao que as empresas preconizam.Terapias alternativas que incluem remédios como o Hipericum ou à base de flores não têm sua eficácia comprovada e, aparentemente, funcionam como placebos. No caso específico do Hipericum, há relatos de hemorragia por causa de sua propriedade anticoagulante. O fato de ser uma erva não quer dizer que não faça mal.Drauzio – É sempre bom lembrar que muitos dos piores venenos que conhecemos vêm de ervas.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Duração do Tratamento

Um dos meus maiores receios era (e ainda é) ficar dependente de remédios pro resto da vida. Mas escutei a mesma coisa de três médicos diferentes: "melhor ficar dependente de remédio e ter qualidade de vida do que não tomar remédio e passar o resto da vida sofrendo". Verdade.

Só tem uma coisa: a gente tem que tomar remédio sim, mas não só isso. Tem que cuidar da cabeça também, do espírito, as duas coisas. Não adianta só tomar remédio, assim como não adianta só fazer terapia. Tem que associá-las. Cada uma tem sua função. O remédio vai atuar na química do nosso sistema nervoso meio "desajustadinho", e a terapia vai nos ajudar a desvendar e a enfrentar as causas do problema.
Tem que ter perseverança, força de vontade. É difícil, mas tem que ter coragem prá enfrentar tanto medo.


DURAÇÃO DO TRATAMENTO

Dr. Drauzio Varella entrevista o psiquiatra Marcio Bernik (parte 5)
Drauzio – O tratamento deve ser mantido por quanto tempo?
Bernik – O tratamento deve ser mantido por seis meses no mínimo e idealmente por um ano. A melhora costuma ocorrer entre duas e quatro semanas, mas parece que as alterações biológicas demoram meses para desaparecer. Desse modo, se o tratamento for interrompido nos primeiros sinais de melhora, 80% dos pacientes vão sofrer recidiva em quatro a seis semanas.

Drauzio – O tratamento leva de duas a três semanas para começar a surtir resultados e os medicamentos dão alguns efeitos colaterais. Essas duas razões podem levar o paciente a abandonar o tratamento?
Bernik - Mesmo que o médico inspire confiança e haja ótimo relacionamento entre ele e o paciente, um a cada três abandona o tratamento porque, numa equação infeliz, os efeitos colaterais aparecem no primeiro dia e a melhora, só duas ou três semanas depois. Há ainda a agravante de que as crises de pânico pioram nas primeiras 48 horas do tratamento com remédios.

Drauzio – Há pacientes que precisam tomar remédio a vida inteira como em certos casos de depressão?
Bernik – Procuro manter meus pacientes tomando remédio pelo menos por um ano, o tempo ideal para evitar uma recidiva precoce.O pânico é mais recidivante do que a depressão. No entanto, o remédio que funcionou na primeira crise vai funcionar nas outras. De qualquer forma, é importante alertar os pacientes de que, em 80% dos casos, as crises podem voltar. Mas, se voltarem, os medicamentos serão os mesmos porque não induzem tolerância.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Tratamento da Síndrome do Pânico

Além das palpitações e da falta de ar, o que mais me incomodava eram os pensamentos negativos que me acompanhavam o tempo todo. Como se eu andasse com uma nuvenzinha negra - daquelas de desenhos, sabe, com trovoadas - em cima da cabeça. Pra onde quer que eu fosse, a tal nuvenzinha carregada ia comigo.
"Ó, céus... ó, vida... ó, azar..."
Abençoados sejam os descobridores da fluoxetina! :)

TRATAMENTO

Dr. Drauzio Varella entrevista o psiquiatra Marcio Bernik (parte 4)

Drauzio – Como você orienta o tratamento de uma pessoa que diz ter crises de pânico em determinadas situações?
Bernik – O pânico pode indicar um problema primário próprio do transtorno de pânico ou ser a manifestação secundária do uso exagerado de medicamentos que podem provocar crises de pânico em pessoas propensas, como os corticóides e a maioria das anfetaminas, no Brasil, largamente usadas por mulheres jovens que querem emagrecer. É preciso pesquisar também o uso de psico-estimulantes, como a cocaína e o ecstasy, uma anfetamina halogenada de ação serotonérgica extremamente rápida. Portanto, é fundamental verificar se o quadro de pânico é secundário a outras patologias. O hipertireoidismo, por exemplo, pode provocar sintomas muito parecidos com os das crises de pânico. Uma vez afastadas essas possibilidades, é relativamente simples firmar o diagnóstico clínico do transtorno de pânico. Os sintomas são muito claros. Deve-se, ainda, tentar fazer uma análise funcional para estabelecer as limitações que a doença acarretou a fim de estimular uma melhora na qualidade de vida do paciente.

Drauzio – O tratamento implica uma parte medicamentosa e outra comportamental. Qual é a orientação que se dá aos doentes?
Bernik – O que se sabe hoje é que a técnica de combinar medicamentos e terapia comportamental é mais eficiente, pois é muito penoso para o paciente adotar um programa comportamental baseado na exposição a situações que provocam pânico, sistematicamente, de forma gradual e progressiva, até que ocorra a dessensibilização.A terapia de exposição baseia-se na capacidade de o ser humano habituar-se ao estresse. É como se assistisse a um filme de terror 15 vezes. Na primeira vez, os cabelos ficam em pé. Na segunda, como já sabe o que vai rolar e que vai espirrar sangue no teto, a reação é menos intensa. Na última, o filme não desperta mais nenhuma resposta emocional. Todavia, os pacientes aceitam melhor o tratamento e melhoram mais depressa se simultaneamente tomarem antidepressivos, medicação que se torna obrigatória para os 60% daqueles que têm depressão associada ao pânico.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Ansiedade antecipatória e agorafobia

Logo que tive minha primeira crise de pânico, comecei a tomar os remédios (antidepressivo e calmante) e a fazer psicanálise. Achava essa terapia bem chatinha... eu ficava de costas para a psicanalista, deitada num divã, chegava a dar sono. Então parei cerca de um ano depois, ou nem isso. Passei anos sem tomar medicamento e sem acompanhamento psicológico, segurando a onda sozinha. As crises de pânico diminuíram, mas alguns sintomas continuaram - palpitação, falta de ar e pensamentos negativos. Convivi com isso diariamente até que, em 2004, meu pai ficou muito doente e eu entrei em parafuso. Por recomendação da minha chefe, que ficou preocupada ao me ver perdendo peso e muito deprimida, procurei um psiquiatra e uma outra psicóloga. O psiquiatra me receitou a fluoxetina, a psicóloga uma vida com menos cobranças...


ANSIEDADE ANTECIPATÓRIA E AGORAFOBIA

Dr. Drauzio Varella entrevista o psiquiatra Marcio Bernik (parte 3)



Drauzio – Quais são os gatilhos mais freqüentes para as crises do transtorno de pânico? Por que uma pessoa passa 30 anos sem ter nada e um dia, por ter ficado fechada dentro de um elevador quebrado, começa a manifestar o problema em situações que nada tem a ver com esse fato?
Bernik – O transtorno de pânico é uma doença que se manifesta especialmente em jovens e acomete mais as mulheres do que os homens. A maioria dos pacientes tem a primeira crise entre 15 e 20 anos desencadeada sem motivo aparente.Com o passar do tempo, as crises vão se repetindo de maneira aleatória. Não prever quando podem surgir novamente gera uma ansiedade chamada de antecipatória. A pessoa fica preocupada com o fato de que os sintomas possam aparecer numa situação para a qual não encontre saída nem ajuda, como dentro de elevadores, metrô, aviões, salas-de-espera de médicos e dentistas, congestionamentos de trânsito. Se reagir de forma a evitar esses lugares a partir dessa experiência, desenvolverá uma segunda doença, a agorafobia, um quadro fóbico provocado pelo pânico não tratado e que se caracteriza por fugir de situações nas quais uma crise de pânico possa representar perigo, causar embaraço ou a sensação de estar presa numa armadilha. Geralmente os pacientes com pânico sofrem mais pela agorafobia do que pelo pânico em si. É o medo do medo.


Drauzio
– Isso não seria de certo modo inevitável?
Bernik
– Não é inevitável. É raro, mas algumas pessoas com personalidade mais robusta, mesmo com crises freqüentes, não desenvolvem agorafobia. Outras, depois de duas ou três crises, praticamente ficam presas ao lar. Nos casos mais graves, o paciente não consegue sair de casa sozinho. É importante registrar que a maioria das pessoas rapidamente desenvolve algum grau de limitação. Em geral, só conseguem ir trabalhar, se puderem percorrer o mesmo caminho. Pegar um avião ou uma estrada congestionada num feriado é hipótese fora de cogitação. Outra característica importante da agorafobia é que, uma vez estabelecida, não constitui uma fase passageira da doença e não cura sozinha. Além disso, as crises não desaparecem com a idade. Começam quando a pessoa é jovem e se manifestam até a idade madura.Até pouco tempo atrás, as crises de transtorno do pânico eram atribuídas ao nervosismo ou desequilíbrio psicológico. Nos prontos-socorros, recebiam o diagnóstico de peripaque ou distúrbio neurovegetativo, uma maneira mais ou menos pejorativa de os médicos dizerem que o paciente não tinha nada, embora estivesse apresentando um episódio patológico de origem cerebral.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Sintomas do transtorno do pânico

Minha primeira crise de pânico aconteceu em 1997. Estava numa situação comum, no carro de um ex-namorado, indo para um bar com meus primos de São Paulo que nos visitavam. Todos felizes e contentes. De repente, do nada, senti um calor subindo pelo meu corpo e uma sensação de pavor. Meu braço - acho que o esquerdo - pesou, ficou dormente, me deu falta de ar, pressão no peito, na cabeça, pensei que estivesse tendo um infarto e um derrame ao mesmo tempo.

Já na emergência do Hospital Miguel Couto, pra onde fui levada, eu não conseguia ficar quieta. Andava de um lado pro outro como se não pudesse ficar parada ou então perderia os sentidos. Se não me engano, me deram um calmante na veia. Acho que Lexotan. E apaguei.


Um médico comentou que eu estava tendo uma crise nervosa e me aconselhou a procurar um especialista. Lembro também de terem me perguntado várias vezes se eu tinha usado alguma droga. "Não. Nem nunca usei." Só pouca maconha e muitas porradinhas (Coca-Cola com cachaça) na adolescência.
Procurei um bom clínico geral, indicado por uma amiga da minha mãe, que fez o diagnóstico: Síndrome do Pânico. Mas o que era isso???

"Isso" significava que eu teria que tomar um tal de Aropax e um outro tal de Frontal durante algum tempo e que teria que ser acompanhada por uma psicóloga. Que algumas vezes não conseguiria dormir nem tomar banho sozinha, que seria acometida por medos absurdos dentro do ônibus e teria que descer no meio do caminho. Que minha vida mudaria completamente a partir dali e que eu teria que ter muita força.


SINTOMAS DO TRANSTORNO DO PÂNICO

Dr. Drauzio Varella entrevista o psiquiatra Marcio Bernik (parte 2)
Drauzio – Os sintomas que o transtorno do pânico provoca são semelhantes ao da ansiedade normal, apenas mais intensos, ou são diferentes?
Bernik – Os sintomas são relativamente similares. As sensações físicas da ansiedade são uma reação normal, por exemplo, caso a pessoa tenha fobia de lagartixa ou de falar em público e se veja diante de uma dessas situações. O que caracteriza o pânico é a forma abrupta e inesperada que os sintomas aparecem e o fato de a crise atingir o ápice em dez minutos. Na verdade, bastam 30 segundos para o paciente, que estava se sentindo bem, ser tomado inexplicavelmente por sintomas que de certa forma todos conhecemos: boca seca, tremores, taquicardia, falta de ar, mal-estar na barriga ou no peito, sufocamento, tonturas. Muitas vezes, tudo isso vem acompanhado da sensação de que algo trágico, como morte súbita ou enlouquecimento, está por acontecer. Nesses casos, é comum a pessoa ter uma reação comportamental de pânico e sair à procura de socorro. Aliás, a sala de espera dos prontos-socorros é um dos lugares onde o médico mais se depara com transtornos de pânico.

Drauzio – Nessa hora a sensação é terrível. Muitos acham que realmente vão morrer, não é?

Bernik – No episódio de pânico, a sensação de morte iminente provocada por um problema cardíaco tem duas explicações: a rapidez e a forma inesperada com que a crise acontece. A ansiedade normal tende a ocorrer em ondas, não em picos intensos. Mesmo o pânico que as pessoas sentem numa montanha-russa extremamente radical pode ser até agradável se estiver dentro de um contexto compreensível. Entretanto, a reação será muito diferente, se ele vier do out of the blue, como dizem os americanos, ou do azul do céu, como dizemos nós.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O que é a síndrome do pânico?


Para início de conversa, vamos procurar entender o que é a síndrome do pânico. Afinal, precisamos saber se você realmente está doente ou se está precisando só tirar umas férias e esfriar a cabeça.
No site do médico Drauzio Varella, o psiquiatra Márcio Bernik (coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo) define:


SÍNDROME DO PÂNICO
A síndrome do pânico, na linguagem psiquiátrica chamada de transtorno do pânico, é uma enfermidade que se caracteriza por crises absolutamente inesperadas de medo e desespero. A pessoa tem a impressão de que vai morrer naquele momento de um ataque cardíaco porque o coração dispara, sente falta de ar e tem sudorese abundante.Quem padece de síndrome do pânico sofre durante as crises e ainda mais nos intervalos entre uma e outra, pois não faz a menor idéia de quando elas ocorrerão novamente, se dali a cinco minutos, cinco dias ou cinco meses. Isso traz tamanha insegurança que a qualidade de vida do paciente fica seriamente comprometida.

Ansiedade normal e ansiedade patológica - qual é a diferença?

Dr. Drauzio Varella entrevista o psiquiatra Marcio Bernik (primeira parte)

Drauzio – Que diferença existe entre ansiedade normal e a que caracteriza a síndrome do pânico?
Bernik – Ansiedade é um estado emocional normal. Uma das características do sucesso da espécie humana é a capacidade de antecipar o perigo, o que requer uma preparação geradora de ansiedade. A ansiedade é patológica quando deixa de ser útil e passa a causar sofrimento excessivo ou prejuízo para o desempenho da pessoa. O transtorno do pânico é uma das formas de manifestação da ansiedade patológica.

Drauzio – No dia-a-dia, quando as pessoas dizem que estão ansiosas a que exatamente estão se referindo?
Bernik - Provavelmente se referem a um estado emocional normal, um tipo de ansiedade que as faz ficar acordadas até mais tarde na véspera de uma prova ou de uma entrevista para um emprego novo. É a ansiedade que nos permite, apesar do cansaço, jogar bola até o final do segundo tempo sem deitar e dar um cochilo no campo.A ansiedade advinda da preocupação de que alguma coisa possa dar errado é útil dentro do contexto apropriado. Por isso, quando as pessoas se dizem ansiosas, estão mesmo, e isso pode não representar inconveniente maior.A ansiedade patológica é desproporcional ao contexto. As sensações que o paciente com transtorno do pânico experimenta nas crises podem ser absolutamente normais e apropriadas se a pessoa estiver dentro de um prédio pegando fogo, com a diferença de que, nesse momento, sua atenção estará voltada para a própria sobrevivência e ela não dará importância às manifestações de taquicardia, sudorese e falta de ar que se instalaram.


Entendeu? A ansiedade só é considerada uma doença se nos impede de levar uma vida normal. Todos podem se sentir um pouco agitados de vez em quando, principalmente às vésperas de tomar uma decisão importante ou de uma prova na faculdade, por exemplo. Mas quando isso se torna constante e vem acompanhado de sintomas físicos bastante desconfortáveis, como mencionado acima, chegou a hora de procurar um médico. De preferência um psiquiatra.

Bjo.

Primeirão

Sou uma mulher de 31 anos, mãe de um menino lindo de um ano e meio, produtora de TV, tecladista de uma banda de reggae e, dentre vários outros predicados, vítima de transtorno de pânico (ou síndrome do pânico).

Minha intenção é fazer desse espaço uma fonte de informações e de boas inspirações, de bons pensamentos, para mim e para outras pessoas que também sofrem com o mesmo problema ou similares.

Para a estréia do meu blog, escolhi um texto que li há poucos dias e que tem a ver com o momento que estou passando:

“Companheira, sei que você vai chorar quando ler esta carta, mas quero deixar de ver você por uns tempos.
Vai ser difícil para mim, pois me acostumei à sua presença, porém não vejo mais motivos para continuarmos juntas. Não nego sua importância; em diversos momentos difíceis da minha vida você permaneceu comigo, mesmo quando todos se afastaram. Só que, com você, sinto que não ando para a frente. Esse seu pessimismo me atrapalha.
Tenho tentado evitar você de todas as maneiras, e isso não é legal. Ainda mais porque sei que se magoa por qualquer coisinha. Mas basta você chegar e lá se vai minha alegria. Não agüento mais os seus assuntos mórbidos, a sua cara desanimada. Até sexo, com você, ficou sem graça. Nada mais broxante do que gente que chora durante a transa.
Perdi anos de minha vida ao seu lado, tristeza, acreditando em tudo que você dizia. Que o amor não existe e o mundo não tem jeito. (...) Agora, chegou a hora de dar chance à alegria, que há muito tempo tem mostrado interesse em passar uns tempos comigo. Ela me elogia, sabe? Você? O único elogio que eu me lembro de ter ouvido de você foi que eu fico bem de olheiras. (...)
Desde pequena, abro mão de muita coisa pela sua companhia. Festas a que não fui porque você não me deixou ir, paisagens lindas nas quais não reparei porque você exigiu de mim total atenção, amigas que perdi porque insisti em levar você comigo a todos os lugares. Ora, tristeza, tente ao menos ser mais leve. Sorria de vez em quando, pare um pouco de se lamentar. Ou vai continuar sendo assim: ninguém querendo ficar com você.
Não vou cobrar o que deixei de ganhar por sua má influência, pois sei que tristezas não pagam dívidas. Mas quero de volta meus discos de dance music, que você tirou da prateleira. E minhas roupas estampadas, que sumiram do meu armário depois que você se instalou aqui.
Por favor, não tente entrar em contato comigo com as mesmas velhas razões de sempre. Não é a fria lógica dos seus argumentos que irá guiar meu coração daqui por diante. Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim. Cansei da sua falta de senso de humor, do seu excesso de zelo. Vá resolver as suas carências em outro endereço.
Como me disse o Lulu, hoje de manhã, no carro, a caminho do trabalho: “Não te quero mal, apenas não te quero mais”.
Bye, bye.”

(texto de Fernanda Young – revista Cláudia, agosto de 2007)


Vida nova, galera. Um grande beijo e sejam todos bem-vindos.