segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Ansiedade antecipatória e agorafobia

Logo que tive minha primeira crise de pânico, comecei a tomar os remédios (antidepressivo e calmante) e a fazer psicanálise. Achava essa terapia bem chatinha... eu ficava de costas para a psicanalista, deitada num divã, chegava a dar sono. Então parei cerca de um ano depois, ou nem isso. Passei anos sem tomar medicamento e sem acompanhamento psicológico, segurando a onda sozinha. As crises de pânico diminuíram, mas alguns sintomas continuaram - palpitação, falta de ar e pensamentos negativos. Convivi com isso diariamente até que, em 2004, meu pai ficou muito doente e eu entrei em parafuso. Por recomendação da minha chefe, que ficou preocupada ao me ver perdendo peso e muito deprimida, procurei um psiquiatra e uma outra psicóloga. O psiquiatra me receitou a fluoxetina, a psicóloga uma vida com menos cobranças...


ANSIEDADE ANTECIPATÓRIA E AGORAFOBIA

Dr. Drauzio Varella entrevista o psiquiatra Marcio Bernik (parte 3)



Drauzio – Quais são os gatilhos mais freqüentes para as crises do transtorno de pânico? Por que uma pessoa passa 30 anos sem ter nada e um dia, por ter ficado fechada dentro de um elevador quebrado, começa a manifestar o problema em situações que nada tem a ver com esse fato?
Bernik – O transtorno de pânico é uma doença que se manifesta especialmente em jovens e acomete mais as mulheres do que os homens. A maioria dos pacientes tem a primeira crise entre 15 e 20 anos desencadeada sem motivo aparente.Com o passar do tempo, as crises vão se repetindo de maneira aleatória. Não prever quando podem surgir novamente gera uma ansiedade chamada de antecipatória. A pessoa fica preocupada com o fato de que os sintomas possam aparecer numa situação para a qual não encontre saída nem ajuda, como dentro de elevadores, metrô, aviões, salas-de-espera de médicos e dentistas, congestionamentos de trânsito. Se reagir de forma a evitar esses lugares a partir dessa experiência, desenvolverá uma segunda doença, a agorafobia, um quadro fóbico provocado pelo pânico não tratado e que se caracteriza por fugir de situações nas quais uma crise de pânico possa representar perigo, causar embaraço ou a sensação de estar presa numa armadilha. Geralmente os pacientes com pânico sofrem mais pela agorafobia do que pelo pânico em si. É o medo do medo.


Drauzio
– Isso não seria de certo modo inevitável?
Bernik
– Não é inevitável. É raro, mas algumas pessoas com personalidade mais robusta, mesmo com crises freqüentes, não desenvolvem agorafobia. Outras, depois de duas ou três crises, praticamente ficam presas ao lar. Nos casos mais graves, o paciente não consegue sair de casa sozinho. É importante registrar que a maioria das pessoas rapidamente desenvolve algum grau de limitação. Em geral, só conseguem ir trabalhar, se puderem percorrer o mesmo caminho. Pegar um avião ou uma estrada congestionada num feriado é hipótese fora de cogitação. Outra característica importante da agorafobia é que, uma vez estabelecida, não constitui uma fase passageira da doença e não cura sozinha. Além disso, as crises não desaparecem com a idade. Começam quando a pessoa é jovem e se manifestam até a idade madura.Até pouco tempo atrás, as crises de transtorno do pânico eram atribuídas ao nervosismo ou desequilíbrio psicológico. Nos prontos-socorros, recebiam o diagnóstico de peripaque ou distúrbio neurovegetativo, uma maneira mais ou menos pejorativa de os médicos dizerem que o paciente não tinha nada, embora estivesse apresentando um episódio patológico de origem cerebral.

15 comentários:

  1. Querida,
    Parabéns pela iniciativa de criar um blog tão especial. Além de partilhar sua rica experiência, está cheio de informações importantes para quem sofre de algum tipo de transtorno de pânico e com as limitações (pequenas ou não) que ele traz. Trata-se de um exercício de amor ao outros e um serviço de utilidade pública também.

    Beijos de quem te admira muito.

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  2. Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu

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  3. BEM E COMPLICADO VC TER ESSE TIPO DE PROBLEMA E AS PESSOAS ACHAREM Q ISSO E FRESCURA,ESTOU MUITO MAL,NO FUNDO DO POSSO,TENHO 4 FILHOS 1ENTEADO E MEU MARIDO Q DEPENDEM EMOCIONALMENTE DE MIM,SO Q NAO QUERO MAIS FINGIR Q TA TUDO BEM NEM SE QUIZESSE NAO POSSO,CHORO 10 VX POR DIA QUANDO NAO ME SEPARO UMAS 5 E TUDO E MOTIVO PRA UMA BRIGA FEIA,TENHO PARECE CHOQUES NA CABECA,Q DEPOIS DISSO FICO COM A BOCA DORMENTE,OU O LADO ESQUERDO DO CORPO OU AS MAOS,TENHO VONTADE D ME MATAR SEI LA...NAO QUERO MAIS VIVER ASSIM....

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  4. Olá amiga, agradeço muito ao seu blog por abordar um tema tão importante. Tenho esse problema há bastante tempo. Achava que não tinha solução. Mas, agora, vc me deu uma luz. Obrigada. é muito bom saber que não sou a única.

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  5. a 9 meses estou convivendo diariamente com o tp.vou ao medico regularmente.tomo medicação, mas......melhora mesmo .nada.e bem dificil.........sai do emprego, me afastei das coisas que mais gostava de fazer.............so choro........e ainda por cima desenvolvi, o medo de ter medo.......gente é horrivel.........

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  6. a 9 meses convivo com essa doença horrivel, sai do emprego, me fastei do quie gostava de fazer e ainda desenvolvi o medo de ter medo.........não e facil

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  7. À 3 anos que sofro transtorno de panico, à uns meses comecei a ter agorafobia. Encontrei a ajuda certa com uma psicologa e hoje sinto-me muito melhor. Com terapia, alguma medicação e muita força de vontade tudo volta ao sitio! Eu achava que não havia solução, mas há! Sejam fortes e acreditem em vocês! A melhor maneira de vencer o medo é enfrenta-lo aos poucos. Ao principio custa mas depois vão começando a sentir-se cada vez melhor!! É uma batalha dificil mas no fim sentimo-nos pessoas muito mais fortes!! FORÇA!!! NÃO DESISTAM!!

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  8. À 3 anos que sofro transtorno de panico, à uns meses comecei a ter agorafobia. Encontrei a ajuda certa com uma psicologa e hoje sinto-me muito melhor. Com terapia, alguma medicação e muita força de vontade tudo volta ao sitio! Eu achava que não havia solução, mas há! Sejam fortes e acreditem em vocês! A melhor maneira de vencer o medo é enfrenta-lo aos poucos. Ao principio custa mas depois vão começando a sentir-se cada vez melhor!! É uma batalha dificil mas no fim sentimo-nos pessoas muito mais fortes!! FORÇA!!! NÃO DESISTAM!!

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  9. Boa noite. Desenvolvi infelizmente o medo de ter medo e decidi procurar ajuda.

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  10. Gostava de saber se alguém tem este problema de agarofobia se pode dar me alguma esperança de que é superavel. Obrigada

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  11. TENHO SP DESDE OS 14 ANOS , HJ TENHO 29 , AOS POUCOS SEM SABER AINDA DO DIAGNÓSTICO , NISSO TENDO MUITAS CRISES NA RUA , COMEÇEI A PASSAR MAL TODA VEZ QUE SAIA DE CASA , TINHA CRISES , PERDI 8 ANOS DA MINHA VIDA DENTRO DE CASA , PAREI ESTUDOS TUDO , MAL IA NO PORTÃO , DIAS QUE ATÉ PRA FAZER MINHAS NECESSIDADES , COMER ERA DIFICIL , MEU CÉRBRO PARECIA QUE ESTAVA ALERTA AO PERIGO 24 HS ,TINHA UMA BAIXA ESTIMA , DEPOIS DE MAIS DE 3 ANOS QUANDO REALMENTE TIVE O DIAGNÓSTICO , TIVE QUE ROMPER O PRECONCEITO E PROCURAR UM PSIQUIATRA , FOI QUANDO AS COISAS COMEÇARAM A MUDAR , AS CRISES DIMINUINDO , E ASSIM COMEÇEI A BATALHA PRA SAIR DE CASA , IA ATÉ O PORTÃO RESPIRAVA FUNDO E PROCURAVA RELAXAR ALI MESMO , OLHAVA PRA RUA E IA UM POUCO MAIS ADIANTE E QUANDO A CRISE ESTAVA PRA VIR FOCAVA MINHA ATENÇÃO EM OUTRA COISA (TAREFA ÁRDUA MAIS NÃO IMPOSSÍVEL) , QUANDO E VOLTAVA ME SENTIA TÃO MAS TÃO BEM QUE PARECE QUE EU ERA A PESSOA MAIS FELIZ DESSE MUNDO , E ISSO ME IMPULSIONAVA A IR MAIS LONGE . BOM É CLARO QUE TEM LUGARES QUE EVITO , QUE RELMENTE NÃO ME SINTO BEM , MAS ME SINTO UMA PESSOA NÃO MAIS DOMINADA PELA SÍNDROME DO PANICO E AGORAFOBIA , SOU EU QUEM AS DOMINO

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  12. Muito bacana seu depoimento, anônimo do dia 24/03. Obrigada por compartilhar conosco! :)

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  13. É, Karen, não é fácil. Sofro disso há alguns anos, já estou bem melhor, mesmo sem terapia, pois os preços que cobram de TCC fica impossível pagar e a rede pública vive na penúria. Após dois anos de tratamento com Venlafaxina e Alprazolam, e também muita pesquisa, leitura e interação em grupos relacionados ao tema no facebook, eu melhorei muito. Não tenho mais crises de pânico, mas ainda persistem alguns sintomas, entre eles a ansiedade antecipatória que ocorre quando tenho que enfrentar algo novo. Pode ser um encontro, uma estreia num emprego, etc.

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    1. Sim, sei que fazer terapia e mesmo ir a um psiquiatra não é tarefa das mais fáceis... mas espero que com o tempo isso se torne mais acessível. Fico feliz que esteja se sentindo melhor. Esses sintomas persistem mesmo, mas é bem menos desconfortável do que as crises de pânico! Abraços, obrigada pelo seu comentário!

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  14. Eu tive minha primeira crise aos 16 anos dentro de um ônibus! Hoje tenho 19 anos e não saio pra lugar nenhum sozinha, (muito menos pegar um onibus) Infelizmente nao tenho coragem, sempre tem que ter alguem do lado pra me acompanhar é horrivel nao desejo a ninguem! Nao ando de onibus nem apé nem nadaa, é muito ruim. Larguei os estudos pois dependia de onibus para ir a escola, por esse motivo larguei! Nunca procurei ajuda, mas ja está passando da hora :/ Infelizmente sofro de Agorafobia e gostaria muuuuuuito que isso saísse rapido de mim, pois ja nao aguento mais :(

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