quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Marília Gabriela entrevista Presidente da ABP

No domingo, dia 2 de novembro, às 22h, a apresentadora Marília Gabriela entrevistará o Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) Antônio Geraldo da Silva, no GNT. Vamos prestigiar!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Reunião do Grupo de Apoio neste sábado!

Pessoal, este sábado, dia 1º de novembro, tem reunião do Grupo de Apoio Sem Transtorno!
Nossas reuniões acontecem sempre no primeiro sábado do mês, na Barra da Tijuca, Rio.
Clique aqui para mais informações e junte-se a nós! :)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Síndrome do pânico é mais comum em mulheres e jovens. Conheça os sinais do problema

Por Camilla Muniz
(Jornal Extra)

Cerca de 5% dos adultos já tiveram pelo menos uma crise de pânico na vida. O dado, proveniente da Associação Americana de Psiquiatria, é um sinal de alerta para a incidência da síndrome do pânico. Caracterizada como um transtorno de ansiedade, a doença é mais comum entre mulheres e tem cura se tratada adequadamente.
Segundo o psiquiatra Bruno Pascale Cammarota, o problema é causado pela combinação de componentes genéticos e fatores sociais ligados ao estresse, como perdas de pessoas queridas e cobranças no trabalho.
— As situações vão se acumulando e acabam eclodindo de uma hora para outra — diz o médico, do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla. — A síndrome do pânico atinge duas mulheres para cada homem, porque elas sofrem mais cobranças da sociedade. Ter que estar sempre bonita e enfrentar, muitas vezes, uma jornada tripla de trabalho gera muita ansiedade. Além disso, há fatores hormonais que contribuem para o desenvolvimento da doença. 

A maior parte dos pacientes têm entre 15 e 30 anos, mas o problema também pode afetar crianças (sobretudo na faixa entre 7 e 10 anos) e idosos. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de cura.
— Em geral, a pessoa demora muito para procurar o especialista certo. Além disso, é comum confundirem o ataque de pânico com um princípio de enfarte, o que retarda o diagnóstico — ressalta Cammarota.
O tratamento da síndrome do pânico combina medicamentos com psicoterapia e dura, no mínimo, seis meses, podendo se estender por anos. De acordo com Cammarota, esse tempo longo faz com que muitos pacientes abandonem o programa de recuperação, o que aumenta os riscos de reincidência da doença.
— Existem pessoas que pensam que já estão curadas e se dão alta, sem completar o tratamento. E ainda há aquelas com preconceito contra o próprio transtorno, que acreditam que o problema não requer terapia medicamentosa, mas espiritual — explica o especialista.

Medo de locais públicos leva ao isolamento
As crises de pânico ocorrem geralmente em lugares públicos. Acredita-se que estar fora de casa seja, por si só, um fator gerador de ansiedade. Isso faz com que o paciente associe o problema ao local onde ele está e se isole cada vez mais.
— A agorafobia (medo de espaços abertos) é um fator complicante. Por isso, às vezes, a síndrome do pânico vem associada à depressão, já que a pessoa não consegue qualidade de vida e se restringe a fazer o que lhe dá prazer — completa Bruno Cammarota.

O abuso de álcool é outro problema que pode decorrer da doença. O papel da família para orientar o paciente com síndrome do pânico a procurar tratamento e seguir nele até o fim é fundamental.
Como agir para ajudar

Ao presenciar um ataque de pânico, é importante falar palavras positivas para a pessoa, com o objetivo de acalmá-la. Em seguida, deve-se buscar ajuda médica.

Segundo o psiquiatra, crianças com síndrome do pânico apresentam, durante a crise, palpitações, mãos geladas e mal-estar inexplicável:
— Muitas vezes, elas têm vergonha de falar e, na escola, se sentam perto da porta, porque acham que ninguém olhará para elas ali.


(foto: divulgação)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

AMBAN - Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (SP)

O Ambulatório de Ansiedade (AMBAN), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, iniciou suas atividades em 1985 com o objetivo de realizar estudo multidisciplinar em diferentes aspectos do tratamento do TRANSTORNO DE PÂNICO.

Visando pesquisar transtornos ansiosos - anteriormente denominados neuroses -, o AMBAN utiliza a infra estrutura do Instituto de Psiquiatria para o desenvolvimento de estudos Científicos. O estudo da ansiedade foi uma das áreas da Psiquiatria em que ocorreram significativos progressos, com desenvolvimento de tratamentos de grande eficácia.

Uma das maiores preocupações dos participantes do AMBAN tem sido multiplicar o conhecimento de técnicas através de treinamentos de profissionais e trabalhos de pesquisa para alcançar novos conhecimentos em uma área tão complexa. A equipe do Ambulatório vem colaborando com o desenvolvimento desse progresso através de um intenso intercâmbio científico com profissionais nacionais e estrangeiros.

Além de ser um grupo de pesquisa e educação em saúde, o AMBAN presta serviços à comunidade e à população em geral através de atendimentos pré agendados, tratamentos dos transtornos ansiosos e divulgação de material informativo técnico e científico junto ao Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Atividades em Ensino e Divulgação Científica

Uma linha de atuação que é considerada essencial pelo AMBAN é a formação e qualificação de profissionais, tanto para a realização de pesquisas, como para a utilização dos modernos recursos terapêuticos em Psiquiatria.

A partir de 1989 foi colocado em funcionamento o Ambulatório de Ansiedade Didático (AMBAN - Didático). Este serviço tem por objetivo oferecer treinamento, sob supervisão, para psiquiatras e outros profissionais de Saúde Mental, no tratamento de transtornos ansiosos. Já recebem treinamento no AMBAN-Didático, anualmente, cerca de 20 profissionais médicos, além de psicólogos e assistentes sociais.

Em 1997 foi criada a Liga de Ansiedade, que visa a aquisição da experiência do Ambulatório pelos alunos da Faculdade de Medicina da USP, e a partir de 1999 também para os alunos da Faculdade de Medicina do ABC.
Vários componentes da equipe têm participação ativa e regular como docentes em cursos de Graduação, Residência Médica e Pós-graduação.

Com o intuito de discutir os trabalhos de pesquisa que desenvolve e promover o intercâmbio com profissionais ou pesquisadores que trabalhem em áreas afins, o AMBAN realiza semanalmente reuniões científicas abertas aos interessados no Instituto de Psiquiatria.

O Instituto tem também organizado cursos com professores nacionais e estrangeiros seminários e simpósios científicos.


Contato: 
Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo 
Rua Dr. Ovídio Pires de Campos, 785 
Cerqueira César – São Paulo – SP
CEP: 05403-903  

Tel.: (11) 2661-6988
www.amban.org.br

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Ex-nadadora Rebeca Gusmão também se manifesta sobre declaração de Padre Marcelo Rossi: "O tratamento com o psiquiatra e o psicólogo são de fundamental importância"

A ex-nadadora Rebeca Gusmão
A recente declaração do padre Marcelo Rossi trouxe à tona um debate sobre depressão. O líder religioso disse que não teve acompanhamento médico e nem recorreu a remédios para curar a doença e que conseguiu superar o problema somente com a fé. Em carta enviada ao jornal EXTRA, a ex-nadadora Rebeca Gusmão* conta sobre a experiência que teve para superar o distúrbio. No texto, Rebeca defende o uso de medicina para a cura da doença.

Confira:

De todas as lesões e problemas que tive na minha vida, a depressão foi a pior. Em 2007, com a minha suspensão do esporte, fiquei transtornada e optei por não procurar ajuda psicológica. Com a opção, ganhei peso e cheguei aos 104 kg. Fui massacrada por muitas pessoas, motivo de chacota nas rodas porque o pior veneno que existe é o ser humano. Minha família me perguntou várias vezes se eu não precisava de um acompanhamento psiquiátrico, mas sempre respondia: ''Eu preciso sentir isso, essa dor, isso vai me ajudar a ser mais forte''. Deus foi um porto para mim naquela época, o que não imaginava era o que aconteceria alguns anos depois...

Já deprimida com a perda do que mais amava e a frustração do meu casamento, com o término entrei em uma depressão profunda. Você entra em um mundo estranho, sem sentido, não consegue ter sentimento por nada e por ninguém, mas sente uma dor que parece ser física e que nunca passa. É aí que você começa a pedir para Deus te levar, te dar força, fazer parar aquele sofrimento. Só quem tem ou teve depressão sabe como é. Antes, eu achava que era frescura, mas é uma coisa química assim como a diabetes, problema de tireoide. Você precisa tratar... Cheguei a pesar 64kg e tenho 1,78m de altura. Estava doente de verdade e foi quando gritei por ajuda e fui internada pela primeira vez.

O tratamento com o psiquiatra e o psicólogo são de fundamental importância. Estava indo para a igreja todos os dias e não tenho dúvida de que Deus esteve comigo em todos os momentos. Mas meu grito por ajuda foi por Ele. Ele que me fez gritar. A depressão é ausência de serotonina no nosso corpo e somente a medicação pode ajudar a melhorar. E ela não tem cura imediata. Devo ficar sempre atenta às pequenas baixas porque cada crise é pior que a outra.

Vi pessoas próximas de mim morrerem... O que muitos acreditam é que você tem que se entupir de remédio e não é verdade. Como todo tratamento, por um tempo você passa, sim, a tomar mais medicamentos, mas com o tempo vai diminuindo. Às vezes me sentia tão bem que pensava: "Pronto estou curada, não preciso tomar mais nada". E ficava duas, três semanas sem medicamento. Depois, começavam a vir pensamentos ruins, aquela tristeza, e quando ia ao psicólogo, ele logo perguntava pelo tratamento. Era só voltar a tomar e alguns dias depois me sentia bem de novo.

Hoje tomo somente um remédio. Acredito que Deus deu o dom da medicina para o homem justamente para isso: ajudar a se sentir bem. Respeito a decisão das pessoas, mas como passei por isso, percebi que ter uma equipe especializada é a melhor coisa do mundo. Assim como o atleta precisa do técnico, do preparador físico. Tenho certeza que se eu tivesse procurado ajuda médica da primeira vez, poderia ter evitado uma segunda crise. Hoje já prefiro evitar uma terceira.

A família e os amigos foram fundamentais porque no início do tratamento, quando você passa a voltar a ter sentimentos, tudo vem como um turbilhão. Raiva, ódio, amor, choro, alegria, euforia (...), tudo misturado de uma vez só. A paciência é fundamental. Minha madrinha ia todos os dias me tirar de cima da cama e me levava para nadar na academia; minhas amigas me pegavam e me levavam para fazer crossfit. E a família também precisa de auxilio psicológico. Minha psicóloga chegou a fazer sessão em família e separada com meus pais e pessoas mais próximas de mim. Nada é fácil. Hoje graças a Deus, à medicina, a minha família e aos meus amigos estou bem. Estou melhor física, mental e espiritualmente. Dou até palestras sobre depressão. Sem dúvida, nos dias de hoje, a doença é a maior "epidemia" que existe. 

* Rebeca Gusmão passou por duas depressões e teve variações de peso após o afastamento do esporte e o término de seu casamento.

(fonte: Jornal Extra; fotos retiradas da internet)

Em resposta à declaração de Padre Marcelo Rossi, especialista é taxativo: "cura espontânea não existe"

Padre Marcelo Rossi
Por Pedro Zuaco
(Jornal Extra) 


A declaração feita por padre Marcelo Rossi em entrevista ao EXTRA, na última segunda-feira, de que não teve acompanhamento médico e nem recorreu a remédios para curar a depressão levantou uma discussão sobre o tema.

O especialista Egídio Nardi*, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, explica que ainda há muito preconceito em relação às doenças mentais e é taxativo a respeito da depressão: "A cura espontânea não existe".
— Quando as pessoas têm um problema no coração, no fígado ou nos rins, não pensam duas vezes antes de procurar tratamento. Mas quando se trata de uma doença psiquiátrica, acham que é fraqueza ou questão de força de vontade — diz o psiquiatra, que faz um alerta: — Depois que a pessoa tem o primeiro episódio depressivo, há 50% de chances de ter o segundo. Após o segundo, as chances de se ter o terceiro são de 75%. Depois do terceiro, certamente outros virão. Só o tratamento diminui essas chances.

A depressão de padre Marcelo foi desencadeada por um acidente na esteira de corrida, em 2010. Ele quebrou a perna, ficou numa cadeira de rodas por seis meses usando anti-inflamatórios e ganhou peso. Diante dos comentários dos fiéis sobre seu sobrepeso, o homem sempre atlético, formado em Educação Física, acabou desenvolvendo uma anorexia: medindo 1,95m, passou dos 125kg para cerca 60kg. Hoje aos 80kg, o padre reconhece que passou por episódios depressivos mas diz que está curado, e atribui a melhora à fé.

“A oração foi a minha salvação. Não tive acompanhamento médico e também não usei remédio antidepressivo, só minha conexão com Deus”, disse ele na entrevista.

Para o dr. Egídio, a religiosidade ajuda no tratamento, mas não basta por si só.
— Fé e pensamentos positivos ajudam não só nas doenças, mas a vencer as dificuldades do dia a dia. A fé é importante, mas o tratamento médico também, e a fé ajuda inclusive no tratamento médico. São coisas que devem se complementar, e não se anular.


* Antonio Egidio Nardi é Professor Titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina – IPUB/UFRJ, coordenador do LABPR. Graduação em Medicina (UFRJ), mestrado e doutorado em Psiquiatria, Psicanálise e Saúde Mental (UFRJ). Pós-Doutorado no Laboratório de Fisiologia da Respiração (UFRJ). Título Livre-Docente em Psiquiatria (Unirio). Experiência em Medicina/ Psiquiatria, com ênfase em: diagnóstico, diagnóstico diferencial, tratamento, transtornos de ansiedade, transtorno de pânico, depressão e transtorno bipolar. Coordenador da sede Rio de Janeiro do INCT - Translacional em Medicina (CNPq).
(fotos retiradas da internet)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Mensagens dos leitores

Parque Flamboyant, Goiânia
Olá! Meu nome é André, vi a matéria sobre a Síndrome do Pânico exibida no programa da Fátima Bernardes 
e o interessante é que muitas pessoas, falam, falam, quando na verdade só quem passa por esse tipo de problema é que sabe de fato como é. Respeitando, é claro, os profissionais da área. 

Há um ano exatamente passei por isso, fiquei cerca de dez dias sentindo os piores sintomas, a ponto de não conseguir me locomover até a esquina próxima de casa, sem querer ver ninguém, exceto minha mãe e minha esposa, pessoas em quem 
tivesse total confiança. Tentei resistir, mas ao mesmo tempo fraquejava pensando que não sairia daquela. Procurei então um profissional e enfim... o diagnostico: Transtorno do Pânico. "Medo de tudo"!
Daí então travei uma batalha comigo mesmo, uma vez que já sentia que as pessoas ao meu redor estavam a ponto de surtarem também, devido à tanta preocupação. Foi aí que resolvi levantar a cabeça. Levantar literalmente...

Já fazendo uso da medicação prescrita, mas ainda sem muita melhora, lembro-me que ao levantar em um certo dia, saí no quintal de casa e olhei pro sol já bem quente - coisas simples que não conseguia mais fazer, pois tinha medo da 
luz, e o som do dia também me incomodava bastante.
Enfim... mesmo assim, busquei lá de dentro um resto de força e coragem 
que ainda tinha. Pensei então: vou sair! Dar uma volta, visitar algumas pessoas, conversar, tentar sorrir de novo... 
Mas só eu sabia o quão difícil estava sendo aquele momento.
Imagina só! Um personagem de história de ficção, congelado! 
Começando a andar e o gelo se quebrando. Ou uma engrenagem voltando a funcionar. 

Isso foi tremendamente importante, pois foi nesse momento que parte da angústia passara a se transformar em algum tipo 
de alegria.
Algo que contagiava, vontade de viver outra vez, uma alegria que me dizia que ali seria o recomeço. 


Daí em diante foi um processo de reabilitação, no qual até hoje faço uso de algum medicamento. 
Ainda assim me sinto ótimo, graças a Deus, e diria até que aprendi algo com isso. 
No entanto, o mais importante que pude observar nesses casos é que, como esse trabalho que vocês desenvolvem aí no Rio, a melhor forma de conter esse problema é poder dividir tudo isso com alguém que também já passou ou passa por essa dolorosa experiência. Essa sim é, com toda certeza, a forma mais eficaz de entender que é possível  viver com isso... e o mais importante: viver feliz! 

Parabéns pela iniciativa.

André, Goiânia/GO

domingo, 19 de outubro de 2014

Remédios psiquiátricos: vilões ou injustiçados?

Por Karen Terahata

Agora há pouco, Padre Marcelo Rossi e o ginasta Diego Hypólito contaram no programa Altas Horas, da TV Globo, que sofreram de depressão. (assista)

Parei para ouvir animada, já que o Padre Marcelo começou falando que devíamos levar a depressão a sério, que não era frescura e que tinha aprendido isso sofrendo na pele e tal... "Uau", pensei, "que legal um padre dando um depoimento desse"!

Aí vem Diego Hypólito dizendo que também sofreu com a doença, que também teve preconceito, e que 
os remédios só o fizeram dormir e se sentir chapado. Que só se sentiu melhor quando teve contato com Deus, graças à ajuda de dois tios que também são padres.
Pronto.
Padre Marcelo pega o gancho e também diz algo como: "vamos viver livres de remédios", antes de começar a cantar.


Diego Hypólito
Diego travou uma dura batalha, de quase um ano, para se curar da patologia. O problema surgiu no período em que ele ficou sem clube e treinava de favor no Pinheiros, em São Paulo. Foram 15 meses entre a demissão no Flamengo até a contratação pelo São Bernardo, em junho deste ano. Depois de inúmeras sessões de terapia e alguns medicamentos, o ginasta de 28 anos de idade está recuperado e pronto para chegar com tudo nas Olimpíadas do Rio 2016 e realizar o sonho de conquistar a sua primeira medalha olímpica. (fonte: Globo Esporte)

O que me preocupa é essa constante menção aos medicamentos psiquiátricos como grandes vilões. 
Certamente, eles só devem ser usados com indicação e acompanhamento de um médico; não é por acaso que a venda é controlada.
Mas, como bem disseram os dois entrevistados, a depressão não é "frescura", é uma doença, e deve ser tratada como uma doença. Inclusive com remédios, quando necessário.

Padre Marcelo no Altas Horas
Em entrevista ao Fantástico, em dezembro de 2013, Padre Marcelo disse que não usou nenhum remédio psiquiátrico e nem procurou psicólogos. No entanto, revelou que toma remédio para calvície. Este tipo de remédio apresenta diversos efeitos colaterais, da mesma forma que anticoncepcionais, analgésicos e diversos outros.

Aliás, de acordo com uma matéria publicada no portal UOL, segundo o IMS Health, consultoria especializada em dados de saúde, até o descongestionante nasal Neosoro, que foi o item mais comercializado em 2012, oferece riscos e não deve ser utilizado por períodos prolongados sem orientação médica.

Leia: Nenhum remédio é livre de efeitos colaterais

"Completamente curado da depressão?", questionou Renata (Vasconcellos). "Graças a Deus, quase completamente", respondeu o padre. "O senhor não pensou em buscar ajuda nesse sentido?", indagou a jornalista. "Eu não busquei nenhum psicólogo, ninguém", retrucou padre Marcelo. "Mas padre faz terapia?", insistiu Renata. "Tem vários padres que eu conheço que fazem", respondeu o religioso. (fonte: Folha de S.Paulo)


Os sintomas da depressão, assim como os de transtornos de ansiedade, são extremamente desagradáveis e incapacitantes se não forem amenizados. Por isso, devemos buscar informação e orientação médica antes de condenarmos o uso de qualquer remédio com essa finalidade.


(imagens retiradas da internet)

sábado, 18 de outubro de 2014

Grupo de apoio a portadores de pânico e ansiedade generalizada (TAG) "Sem Transtorno" - Rio de Janeiro


Ambiente saudável e descontraído nas reuniões :)
(fotos: arquivo pessoal)
Objetivo do grupo: 
O grupo de apoio Sem Transtorno tem como objetivo ajudar portadores de transtorno do pânico e/ou de ansiedade generalizada encorajando-os através da troca de informações e experiências com outros portadores, sempre num ambiente generoso e que preza o respeito mútuo. Nossas atividades não interferem na relação médico - paciente.

Quem pode participar?
Portadores dos transtornos do pânico e de ansiedade generalizada (TAG). 

Familiares e amigos de portadores também são muito bem-vindos.
Não somos um grupo anônimo e nossas reuniões são sempre abertas.

Aonde e quando são feitas as reuniões
Realizadas no primeiro sábado de cada mês, as reuniões do grupo Sem Transtorno acontecem na Barra da Tijuca, em uma das salas da clínica Núcleo Integrado, gentilmente cedida por sua proprietária. 

As reuniões são pagas?
Não. As reuniões do grupo de apoio Sem Transtorno são gratuitas. O grupo é mantido por seus frequentadores através de contribuições espontâneas (quanto e quando  puderem / desejarem).

Como se inscrever?
Os interessados deverão enviar um e-mail para semtranstorno@gmail.com informando nome, idade e um telefone para contato.
As reuniões acontecem das 9:30 às 11:30h.
Estacionamento pago no local.

Clique aqui e assista a um vídeo sobre o Grupo de Apoio feito pelo programa "Encontro com Fátima Bernardes".

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Você tem coragem de desligar?

Por Elaine Ribeiro

Você já sentiu isso alguma vez? Aquele desespero, aquela ansiedade por imaginar pessoas ligando ou mandando mensagem, e você sem poder ao menos lhes responder? E aquelas noites em que você fica horas e mais horas respondendo mensagens instantâneas, WhatsApps, SMSs, redes sociais… Ufa! Você sofre muito com isso?Passa horas em frente a esse aparelhinho como se não ficasse satisfeito enquanto não visse todas as mensagens, todas as notícias do momento e respondesse todos os recadinhos, deixando tantas outras coisas de lado?

Na maioria das vezes, nós perdemos a noção e o bom uso do tempo com essas ferramentas e prejudicamos nossa vida, nosso sono, nossos relacionamentos. Sei o quanto é difícil desligar, desconectar e parar. Mas que tal um desafio? Você consegue esperar 30 minutos para responder uma mensagem? E uma hora? Você conseguiria?
Penso que qualquer meio de comunicação, como o nome diz, é um meio e não um fim. Não deve nunca ser a arma que nos aprisiona, mas que sirva para estreitar laços. Mais ainda, que não nos percamos em nossos relacionamentos pelo uso abusivo desses equipamentos.

Coloco para todos nós a necessidade de parar, perceber e reavaliar o uso dos equipamentos de tecnologia, mas, claro, sem deixá-los de lado. Todos estamos nesse barco, e a grande maioria de nós já se viu rodeado de mensagens e de pessoas lhes procurando. Em certos momentos, tenho a sensação de que fazemos tudo no “modo automático”, e com isso nem ao menos paramos para pensar como respondemos e o que respondemos nessas tais mensagens.

E aquela rede social que serve de desabafo? Aquela exposição excessiva de uma vida supostamente feliz ou exibicionista? Será que precisamos disso tudo de verdade?

Quantas vezes prejudicamos nossos relacionamentos com palavras mal colocadas, brigas desnecessárias e a aquela perseguição desenfreada ao que é postado?

Tudo em excesso é prejudicial. Então, deixo a reflexão: “Está na hora de apertar o botão ‘desligar’ e conectar-se a outras coisas em sua vida”.

Elaine Ribeiro é psicóloga.
Contato: www.facebook.com/elaine.ribeiropsicologia


(imagens retiradas da internet)

A campanha da ABP contra a Psicofobia ganha a internet!

Para combater o preconceito contra os portadores de Transtornos e de Deficiências Mentais, chamado de Psicofobia, a ABP criou a campanha "Psicofobia é um crime"!

Além de divulgar mensagens explicando o que é o preconceito e como combatê-lo, a ABP está divulgando em suas redes sociais fotos de psiquiatras, psicólogos, profissionais da área de saúde, estudantes e toda a sociedade se manifestando contra o preconceito.


Para participar é muito fácil, basta fazer uma foto sua com a placa da Psicofobia (BAIXE A PLACA DA PSICOFOBIA) ou com qualquer placa ou papel com a mensagem: Psicofobia é um crime. Compartilhe em suas redes sociais com a hashtag #psicofobiaéumcrime, marque a página da ABP ou envie para psicofobia@abpbrasil.org.br. 


Participe dessa campanha! Milhões de pacientes psiquiátricos no mundo agradecem! :)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Aula Experimental Gratuita Happiness Program

Programa prático e dinâmico, que combina conhecimentos antigos e contemporâneos. O curso oferece poderosas técnicas de respiração e meditação que, aliadas à sabedoria compartilhada durante o curso, constituem ferramentas para uma vida com mais felicidade e liberdade. 

Recebi um e-mail fazendo este convite e fiquei com muita vontade de participar. Já ouvi comentários positivos sobre esse grupo e gostaria de conhecer o trabalho deles, mas i
nfelizmente, por compromissos familiares, não terei como participar dessa vez.

Caso se interessem também, cliquem aqui e inscrevam-se gratuitamente. E depois me contem como foi, por favor! :)
Aulas no Centro, Botafogo e Tijuca.

Saúde, paz e coragem!!!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dicas para superar o transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

O sintoma principal do transtorno de ansiedade generalizada é a preocupação crônica. É importante entender o que alimenta a sua preocupação, desde as suas crenças, medos, receios, sentimentos e pensamentos negativos. Você pode sentir como se as suas preocupações viessem de fora, de outras pessoas, dos eventos ou situações difíceis que você está enfrentando. Mas, de fato, a preocupação é auto-gerada. Certamente o gatilho vem de fora, mas depois, a forma como você pensa no assunto e o diálogo interno (usualmente negativo) que mantém com você mesmo é o responsável pelo disparo da sua ansiedade para níveis intoleráveis.

CONECTE-SE COM OS OUTROS


O transtorno de ansiedade generalizada pode piorar quando você se sente impotente e sozinho. O contato com outras pessoas é importante para sentir-se mais apoiado e seguro, diminuindo o sentimento de vulnerabilidade. Por exemplo, a ansiedade e a constante preocupação com os seus relacionamentos próximos podem deixá-lo sentir-se carente e inseguro. Talvez você tenha tendência para prestar atenção excessiva ao que as pessoas dizem, ou então assumir o pior quando alguém não responde da maneira que você esperava. Como resultado, você pode precisar que lhe transmitam muita confiança, tranquilidade, e caso isso não aconteça pode ter tendência para tornar-se paranoico e desconfiado. Essas coisas podem colocar uma pressão enorme nos seus relacionamentos. 
Para que seja mais fácil reforçar os laços com os outros e certificar-se que o faz de forma saudável, leve em consideração o seguinte:


Identificar padrões de relacionamento tóxico. 
Pense sobre as maneiras que você tende a agir quando está sentindo-se ansioso num relacionamento. Você testa o seu parceiro? Termina tudo antecipadamente? Faz acusações desmedidas? Torna-se pegajoso? Uma vez que você fique ciente de quaisquer padrões de ansiedade que dirigem o relacionamento, pode procurar por melhores formas de lidar com todos os seus medos e inseguranças.

Construa um sistema de apoio forte. 

Todos nós somos seres sociais. Nós não fomos feitos para viver em isolamento. Conectar-se com os outros é vital para a sua saúde emocional. Um forte sistema de apoio não significa, necessariamente, uma vasta rede de amigos. Não subestime o benefício de algumas pessoas que você pode confiar e contar quando necessário.

Quando as suas preocupações começarem a disparar, procure o suporte de alguém próximo. 
Se você começar a sentir-se oprimido e angustiado com a ansiedade, procure um membro da família ou amigo de confiança. Fale e desabafe com essas pessoas. A família ou o parceiro são a sua primeira linha de apoio, procure aproximar-se deles e comunicar eficazmente as suas preocupações. É útil trocar opiniões sobre as suas preocupações, isso pode lhe dar uma perspectiva mais equilibrada e objetiva.

Saiba quem deve evitar quando estiver se sentindo ansioso. 
Lembre-se que há uma boa chance de que sua tendência a olhar a vida de maneira ansiosa seja algo que pode ter aprendido na sua infância e adolescência. Por exemplo, se sua mãe se preocupava de forma excessiva, ela não é a melhor pessoa para você pedir ajuda quando estiver ansioso. Quando quiser recorrer a alguém, leve em consideração se você tende a sentir-se melhor ou pior depois de falar sobre o problema com essa pessoa.
Um estilo de vida saudável e equilibrado desempenha um grande papel na redução dos sintomas de transtorno de ansiedade generalizada. Em seguida, veja um conjunto de hábitos de vida que promovem a capacidade  de lidar com a ansiedade e preocupação crônica:

ADOTE HÁBITOS ALIMENTARES SAUDÁVEIS

Comece bem o seu dia tomando o café da manhã e continue com pequenas refeições ao longo do dia. Se ficar muito tempo sem comer, corre o risco dos níveis de açúcar no sangue baixarem, o que pode fazer você sentir-se ansioso e irritado. Coma em abundância cereais integrais, frutas e legumes. Os hidratos de carbono ajudam a estabilizar os níveis de açúcar no sangue, e também aumentam a serotonina, um neurotransmissor com efeitos calmantes. Reduza a ingestão de cafeína e açúcar. A cafeína pode aumentar a ansiedade, interferir com o sono, e até mesmo provocar ataques de pânico. Reduza a quantidade de açúcar refinado.

EXERCITE-SE REGULARMENTE

O exercício físico é um redutor natural e eficaz para aliviar a ansiedade. Para obter o máximo de resultados  na melhoria do transtorno de ansiedade generalizada, é importante praticar pelo menos 30 minutos de atividade aeróbica na maioria dos dias. O exercício aeróbico alivia a tensão e estresse, aumenta a energia física e mental e melhora o bem-estar através da libertação de endorfinas (químicos que nos fazem sentir bem).

EVITE O ÁLCOOL E A NICOTINA


O álcool pode temporariamente reduzir a ansiedade e a preocupação, no entanto pode exacerbar ainda mais os sintomas de ansiedade quando o seu efeito desaparece. Usar o álcool para aliviar os sintomas do transtorno de ansiedade generalizada pode levar ao abuso de álcool e dependência. Fumar quando você está se sentindo ansioso também é uma má ideia. Embora possa parecer que os cigarros são calmantes, a nicotina é realmente um poderoso estimulante. Fumar aumenta os níveis de excitação, aumentando a ansiedade.

DURMA O SUFICIENTE


A ansiedade e a preocupação excessiva podem causar insônia. Qualquer pessoa que esteja preocupada com alguma coisa, certamente terá dificuldade para adormecer. Mas a falta de sono pode também contribuir para a ansiedade. Quando você está privado de sono, a sua capacidade de lidar com o estresse fica comprometida. Quando você tem um sono restaurador, é muito mais fácil manter o seu equilíbrio emocional, um fator chave para lidar com a ansiedade e parar de se preocupar.

(fonte: site Escolapsicologia.com; imagens retiradas da internet)

domingo, 12 de outubro de 2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Dia Mundial da Saúde Mental

A Organização Mundial da Saúde afirma que não existe definição "oficial" de saúde mental. Diferenças culturais, julgamentos subjetivos, e teorias relacionadas concorrentes afetam o modo como a "saúde mental" é definida. Saúde mental é um termo usado para descrever o nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional. A saúde mental pode incluir a capacidade de um indivíduo apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as atividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica. Admite-se, entretanto, que o conceito de Saúde Mental é mais amplo que a ausência de transtornos mentais.

COMO A SAÚDE MENTAL PODE SER DEFINIDA?

1. Equilíbrio emocional entre o patrimônio interno e as exigências ou vivências externas. É a capacidade de administrar a própria vida e as suas emoções dentro de um amplo espectro de variações sem contudo perder o valor do real e do precioso. É ser capaz de ser sujeito de suas próprias ações sem perder a noção de tempo e espaço. É buscar viver a vida na sua plenitude máxima, respeitando o legal e o outro. (Dr. Lorusso);

2. Estar de bem consigo e com os outros. Aceitar as exigências da vida. Saber lidar com as boas emoções e também com as desagradáveis: alegria/tristeza; coragem/medo; amor/ódio; serenidade/raiva; ciúmes; culpa; frustrações. Reconhecer seus limites e buscar ajuda quando necessário.

Os seguintes itens foram identificados como critérios de saúde mental:

1. Atitudes positivas em relação a si próprio

2. Crescimento, desenvolvimento e auto-realização
3. Integração e resposta emocional
4. Autonomia e autodeterminação
5. Percepção apurada da realidade
6. Domínio ambiental e competência social


Fonte:
SPP/DVSAM - Saúde Mental

Secretaria da Saúde - Estado do Paraná

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Karen Terahata no Programa "Encontro com Fatima Bernardes" (9/10/2014)

Karen Terahata e Fatima Bernardes
(foto: Igor Igarashi)
Não sei se por nervosismo, mas o fato é que não falei nem metade do que gostaria - e deveria - ter falado.

Esta não é nem de longe "A" entrevista sobre o Transtorno do Pânico, de qualquer forma o importante é que aos pouquinhos vamos aparecendo para o grande público, mostrando nossas dificuldades, nossas necessidades, e nossas conquistas também.

E chegar ao
 programa da Fatima Bernardes, por si só, já é uma coisa incrível, não é não?!! Eu adoro a Fatima!!!! E devo isso a vocês, que confiam em mim, que me acompanham no blog, no facebook, que me incentivam tanto a continuar.

Agradeço a todos
os membros do Grupo de Apoio Sem Transtorno, especialmente àqueles que atenderam ao meu pedido (pedido não, apelo desesperado mesmo! rsss) e que se deslocaram até o local dos nossos encontros em pleno dia de semana, horário de rush, para dar seu depoimento pro programa. Assistindo hoje, ao vivo, fiquei muito emocionada!!!! Obrigada!!!! <3

Obrigada também ao Núcleo Integrado por ter nos recebido mais uma vez, assim como à equipe da TV Globo.

A sensação é de dever cumprido e de esperança por novas oportunidades! 

Saúde, paz e coragem para todos nós!!! :)

Vídeo sobre o Grupo de Apoio Sem Transtorno



Depoimento Karen



Terapeuta Moisés Groisman


Ansiedade normal X ansiedade patológica



Isabelle foi diagnosticada há dois anos e está sem crises



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Amanhã, quinta-feira, dia 9 de outubro, estarei no programa "Encontro com Fatima Bernardes" para falar sobre o Transtorno do Pânico e o Sem Transtorno. A partir das 10:45h, na TV Globo. Torçam por mim! :)
Karen

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Ansiedade Generalizada (TAG) - saiba o que é


Como o "carro chefe" do Sem Transtorno é o Transtorno de Pânico e como a maior parte das pessoas que me procuram estão sendo acometidas por ataques de pânico, acabo falando mais sobre ele e menos do TAG, o Transtorno de Ansiedade Generalizada, que eu também sofro e trato aqui no blog e nas reuniões do grupo de apoio.

Então vamos entender melhor o que é o TAG?

O QUE É O TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA?

A ansiedade, como sabemos, faz parte da vida do ser humano. É natural que todos nós tenhamos momentos de maior preocupação quando estamos diante de situações estressantes. Mas a ansiedade deixa de ser algo normal e passa a ser patológica quando essa preocupação é constante e não está ligada a nenhum motivo aparentemente real.
De acordo com o manual de classificação de doenças mentais (DSM), o TAG é um distúrbio caracterizado pela "preocupação excessiva ou expectativa apreensiva" persistente e de difícil controle, que perdura pelo menos por seis meses e vem acompanhado por três ou mais dos seguintes sintomas: 
inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono. (É importante que o diagnóstico seja feito sempre por um especialista.)

Ao contrário de uma fobia, que o medo está ligado a alguma coisa ou situação específica, o TAG não tem um agente estressor específico. Essa ansiedade é menos intensa do que num ataque de pânico, mas muito mais duradoura, e torna a vida da pessoa muito difícil, já que ela fica num estado de alerta constante. Causa muito sofrimento e interfere na qualidade de vida e no desempenho familiar, social e profissional dos pacientes.

A pessoa que sofre de transtorno de ansiedade generalizada pode preocupar-se com as mesmas coisas que as outras pessoas. Questões de saúde, dinheiro, problemas familiares ou dificuldades no trabalho. Mas essas preocupações são elevadas a um nível estratosférico. Por exemplo: depois de assistir a uma reportagem sobre um atentado terrorista ocorrido em um país distante, a pessoa comum pode sentir uma sensação temporária de desconforto e preocupação. Mas quem tem transtorno de ansiedade generalizada, provavelmente, vai continuar preocupado durante vários dias e fantasiar sobre um cenário idêntico que possa ocorrer no local onde vive.

Se o telefone toca ou se liga para alguém e não é imediatamente atendido, já acha que algo grave pode ter acontecido. Às vezes, apenas o pensamento de ter que esperar que o dia passe, produz ansiedade. Suas atividades são encaradas com preocupação exagerada e tensão, mesmo quando há pouco ou nada que provoque essa preocupação.

“Está ficando tarde, ele já deveria ter chegado! Deve ter tido um acidente!“
“Eu não consigo dormir, só sinto medo… e não sei porquê!”


Nem todas as pessoas que têm transtorno de ansiedade generalizada possuem os mesmos sintomas. Mas a maioria das pessoas pode experimentar uma combinação de um número de sintomas emocionais, comportamentais e físicos.


Sintomas emocionais de transtorno de ansiedade generalizada:

- Preocupações constantes
Sente-se como se a sua ansiedade fosse incontrolável, não há nada que possa fazer para parar de preocupar-se
Pensamentos intrusivos sobre coisas que fazem você sentir-se ansioso; tenta evitar pensar sobre eles, mas não consegue deixar de pensar
- Incapacidade de tolerar a incerteza; tem uma necessidade enorme de saber o que vai acontecer no futuro
Sentimento generalizado de apreensão ou temor

Sintomas comportamentais de transtorno de ansiedade generalizada:


- Incapacidade de relaxar, desfrutar de momentos de quietude, ou ser ele próprio
Dificuldade de concentração 
Dificuldade em expressar-se, porque sente-se oprimido
- Evita situações que fazem sentir-se ansioso

Sintomas físicos do transtorno de ansiedade generalizada:


- Sensações de tensão, rigidez muscular ou dores no corpo- Sentimento de inquietação
- Problemas de estômago, náuseas, diarreia
- Tem problemas para adormecer ou manter o sono porque a sua mente fica muito ativa

Grupo de Risco

As mulheres são duas vezes mais acometidas pela ansiedade generalizada do que os homens. A prevalência desse transtorno na população é relativamente alta e é também o tipo de transtorno de ansiedade mais freqüente. Nos períodos naturais de estresse, os sintomas tendem a piorar, ainda que o estresse seja bom, como o próprio casamento ou um novo emprego. As mulheres abaixo de 20 anos são as mais acometidas, podendo, contudo, começar antes disso, desde a infância, ou pelo contrário, em idades mais avançadas, apesar de a idade avançada diminuir as chances do surgimento de transtornos de ansiedade.


Tratamento

O tratamento recomendado é a associação de medicação psiquiátrica (antidepressivos) com terapia, de preferência a cognitivo-comportamental.

Assista a esta entrevista com a Dra. 
Denise Amino, Diretora Técnica do AME Psiquiatria Dra. Jandira Masur (SP). Ela explica muito bem o que é a ansiedade generalizada, suas possíveis causas e tratamento ideal. 

"Transtorno de Ansiedade Generalizada - você sabe o que é?"



(fonte: Psicosite, site Escolapsicologia.com, Uol, Drauzio Varella; imagem retirada da internet)



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Índice de transtorno de ansiedade e depressão em São Paulo é igual a de país em guerra

E aí eu pergunto: como pode ainda termos que conviver com tanto estigma quando o problema é, comprovadamente, cada vez mais recorrente e - como afirma abaixo o pesquisador Wang Yuan Pang, do Hospital das Clínicas de São Paulo - altamente incapacitante?
Ainda há muito trabalho pela frente!! ;)

Saúde, paz e coragem para todos nós!


Transtorno de ansiedade atinge 
19,9% da população da região metropolitana de São Paulo e depressão 11%, diz estudo


A região metropolitana de São Paulo tem índices de depressão e transtornos de ansiedade semelhantes ao de áreas de guerra como o Líbano e a Síria. Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e que integra uma base de dados internacional identificou que 19,9% da população sofre de algum transtorno de ansiedade. Já em relação à depressão, os dados mostram que ela atinge 2,2 milhões, ou 11% dos 20 milhões de pessoas que moram na grande São Paulo.

(...) “Acreditamos que o nível de violência tenha relação com a ansiedade e a depressão”, disse Wang Yuan Pang, pesquisador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e coordenador da pesquisa São Paulo Megacity, que integra um estudo da Organização Mundial da Saúde realizado concomitantemente em vários países.

Wang afirma que 54% dos entrevistados relataram ter vivido pelo menos um evento violento traumatizante. (...) Além do alto índice, outra preocupação dos pesquisadores é o fato de não haver serviço suficiente para atender a demanda. “A gente não tem pessoal suficiente para atender esta população” disse.

No estudo, os problemas de saúde mental foram divididos em três níveis de acordo com a gravidade. Apenas um terço destes 10% de pessoas na categoria grave de fato receberam tratamento.


A taxa de depressão está entre as maiores do mundo. (...) Mas são os casos mais sérios de transtornos de ansiedade que deixaram os pesquisadores alarmados, aqueles que englobam casos como fobias e até síndrome do pânico.

Só a síndrome do pânico, um grave transtorno de ansiedade, atinge 1,1% da população, ou 220 mil pessoas só na região metropolitana de São Paulo. De acordo com Wang, no entanto, ela é mais percebida do que a depressão, por exemplo, porque é mais difícil de esconder. “Ela é extremamente incapacitante. O indivíduo não consegue sair de casa, pegar o metrô cheio."

O estudo também mapeou os locais onde há mais casos de ansiedade e depressão. Percebeu-se que as áreas periféricas, onde há menos segurança e saneamento - as chamadas áreas de privação social -, são justamente aquelas com menos casos de depressão e transtornos de ansiedade. “Não quer dizer que as pessoas são mais felizes, não é isso. O que acontece é que nessas áreas periféricas há um alto número de migrantes, que se mudam para São Paulo para trabalhar. Quem não está saudável, com boa saúde mental, não aguenta e volta. Nessas áreas os problemas são outros: há muitos casos de alcoolismo e uso de drogas.”

(fonte: Ig, reportagem de Maria Fernanda Ziegler, 16/05/2014) 

Leia ainda:
São Paulo lidera as estatísticas mundiais de transtornos mentais

Cerca de 30% dos paulistas apresentam algum distúrbio mental, de acordo com um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 24 países. A prevalência é a maior em relação a pesquisas semelhantes feitas em outros lugares do mundo.

O estudo foi coordenado pelo sociólogo Ronald Kessler, da Universidade Harvard e publicado na revista PLoS One em fevereiro, no artigo São Paulo Megacity Mental Health Survey e aqui no Brasil realizado no âmbito do Projeto Temático “Estudos epidemiológicos dos transtornos psiquiátricos na região metropolitana de São Paulo: prevalências, fatores de risco e sobrecarga social e econômica”, financiado pela FAPESP e encerrado em 2009. 
Entre os autores do artigo está Laura Helena Andrade, professora do Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade de São Paulo (USP).

(...) Eles descobriram que os transtornos de ansiedade foram os mais frequentes, acometendo cerca de 20% das pessoas, seguido do transtorno de humor (11%), impulsividade (4,3%) e uso de substâncias (3,6%). É previsto que o crescimento da população mundial se concentre nas grandes cidades, especialmente nos países em desenvolvimento. São Paulo fornece um aviso prévio sobre a carga de transtornos mentais associados ao aumento de desigualdades sociais, econômicas, estressores ligados à rápida urbanização e deterioração da saúde.

(...) Ao cruzar as variáveis, os pesquisadores concluíram que as mulheres que vivem em regiões de alta privação, são as que mais sofrem de transtorno de humor, enquanto que homens migrantes têm mais transtornos de ansiedade.
“É necessário que haja rápida expansão no sistema brasileiro de saúde do setor primário e trabalho focado na promoção da saúde mental. Essa estratégia pode se tornar um modelo diante de poucos recursos em uma área altamente habitada como São Paulo”, diz Kessler.


Para Laura, não é possível ter um serviço especializado em todas as unidades, por isso é preciso equipar a rede com pacotes de diagnóstico e de conduta a serem utilizados pelos profissionais de cuidados primários. É preciso capacitar não só os médicos, mas também os agentes comunitários, que devem ser orientados para identificar casos não tão comuns como os quadros psicóticos, levando em conta os fatores de risco associados aos transtornos mentais.


(fonte: site Psicologado.com; imagem retirada da internet)