sábado, 6 de junho de 2015

ACALME-SE, a estratégia de Bernard Rangé

(fonte: psiquiatrarj.com.br)
A ansiedade é uma sensação comum a todos nós, e essencial para continuar nos movendo na vida e nos protegendo dos perigos. Mas há momentos em que ela é excessiva e disfuncional, pois não há nenhum perigo real nos ameaçando e lá está ela, nos impedindo de fazer nossas atividades normalmente. 

Algumas vezes, a ansiedade vem sob a forma de crises agudas, acompanhadas por sintomas somáticos como suor excessivo, tremores, coração disparado e falta de ar – são os ataques de pânico, que, se frequentes, podem caracterizar o Transtorno do Pânico. 


Outras vezes, a ansiedade está presente o tempo todo, e pode até ter sido assim pela vida toda – é o que acontece no Transtorno de Ansiedade Generalizada.

Seja qual for a forma como a ansiedade se manifesta, é importante ter em mente que ela passa e não mata. E, principalmente, que podemos aprender a viver com ela. Bernard Rangé, um psicólogo especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, estruturou alguns passos para conseguir lidar melhor com a ansiedade: é a estratégia ACALME-SE.

Se você sofre com a ansiedade, esta estratégia pode te ajudar. Leia com calma, item por item, e tente incorporar esta técnica ao seu cotidiano. Note que cada letra da palavra ACALME-SE fala de um dos oito passos da estratégia. Experimente! Não tem contra-indicações e é gratuito! :)
                                            
                                           A.C.A.L.M.E.-S.E.

A chave para lidar com um estado de ansiedade é aceitá-lo totalmente. Permanecer no presente e aceitar a sua ansiedade fazem-na desaparecer. Para lidar com sucesso com sua ansiedade você pode utilizar a estratégia “A.C.A.L.M.E.-S.E.”, de oito passos.

ACEITE a sua ansiedade. Um dicionário define aceitar como dar “consentimento em receber”. Concorde em receber as suas sensações de ansiedade. Mesmo que lhe pareça absurdo no momento, aceite as sensações em seu corpo assim como você aceitaria em sua casa um visitante inesperado ou desconhecido ou uma dor incômoda. Substitua seu medo, raiva e rejeição por aceitação. Não lute contra as sensações. Resistindo você estará prolongando e intensificando o seu desconforto. Ao invés disso, flua com elas.

CONTEMPLE as coisas em sua volta. Não fique olhando para dentro de você, observando tudo e cada coisa que você sente. Deixe acontecer com o seu corpo o que ele quiser que aconteça, sem julgamento: nem bom nem mau. Olhe em volta de você, observando cada detalhe da situação em que você está. Descreva-os minuciosamente para você, como um meio de afastar-se de sua observação interna. Lembre-se: você não é sua ansiedade. Quanto mais você puder separar-se de sua experiência interna e ligar-se nos acontecimentos externos, melhor você se sentirá. Esteja com ansiedade, mas não seja ela; seja apenas um observador.

AJA com sua ansiedade. Aja como se você não estivesse ansioso(a), isto é, funcione com as suas sensações de ansiedade. Diminua o ritmo, a velocidade com que você faz as suas coisas, mas mantenha-se ativo(a)! Não se desespere, interrompendo tudo para fugir. Se você fugir, a sua ansiedade vai diminuir mas o seu medo vai aumentar: se isso acontecer, na próxima vez a sua ansiedade vai ser pior. Se você ficar onde está – e continuar fazendo as suas coisas bem devagar – tanto a sua ansiedade quanto o seu medo vão diminuir. Continue agindo, bem devagar!

LIBERE o ar de seus pulmões! Respire bem devagar, calmamente, inspirando pouco ar pelo nariz e expirando longa e suavemente pela boca. Conte até três, devagarinho, na inspiração, outra vez até três, prendendo um pouco a respiração e até seis, na expiração. Faça o ar ir para o seu abdômen, estufando-o ao inspirar e deixando-o encolher-se ao expirar. Não encha demais os pulmões. Ao exalar, não sopre: apenas deixe o ar sair lentamente por sua boca. Procure descobrir o ritmo ideal de sua respiração, neste estilo e nesse ritmo, e você descobrirá como isso é agradável.

MANTENHA os passos anteriores. Repita cada um, passo a passo. Continue a: (1) aceitar sua ansiedade; (2) contemplar; (3) agir com ela e (4) respirar calma e suavemente até que ela diminua e atinja um nível confortável. E ela irá, se você continuar repetindo estes quatro passos: aceitar, contemplar, agir e respirar.

EXAMINE seus pensamentos. Você talvez esteja antecipando coisas catastróficas. Você sabe que elas não acontecem. Você mesmo já passou por isso muitas vezes e sabe que nunca aconteceu nada do que você pensou que fosse acontecer. Examine o que você está dizendo para você mesmo(a) e reflita racionalmente para ver se o que você pensa é verdade ou não: você tem provas de que o seu pensamento é verdadeiro? Há outras maneiras de você entender o que está lhe acontecendo? Lembre-se: você está apenas ansioso(a): isto pode ser desagradável, mas não é perigoso. Você está pensando que está em perigo, mas você tem provas reais disso?

SORRIA, você conseguiu! Você merece todo o crédito e reconhecimento. Você conseguiu, sozinho(a) e com seus próprios recursos, tranqüilizar-se e superar este momento. Não é uma vitória pois não havia um inimigo, apenas um visitante de hábitos estranhos que você passou a compreender e aceitar melhor. Você agora saberá como lidar com visitantes estranhos.

ESPERE o futuro com aceitação. Livre-se do pensamento mágico de que você terá se livrado definitivamente de sua ansiedade, para sempre. Ela é necessária para você viver e continuar vivo(a). Em vez de se considerar livre dela, surpreenda-se pelo jeito como você a maneja, como você acabou de fazer agora. Esperando a ocorrência de ansiedade no futuro, você estará em uma boa posição para lidar com ela novamente.

Confira!

A psicóloga Patrícia Silveira gravou um ótimo vídeo, aonde explica, passo a passo, como aplicar a técnica ACALME-SE. Assista: https://www.youtube.com/watch?v=x4yJeq1qiXk



6 comentários:

  1. É por essas e outras que este blog é fantástico, devo muito a Karen pela minha mente estar em paz, evoluí, estou forte e confiante. Grato!!!

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  2. Estava precisando encontrar esse blog. Estou com ansiedade e pensamentos intrusivos a 7 meses, antes era pior. Via coisa onde não tinha, por causa do medo e ansiedade. Agora estou melhorando, mas estou me sentindo muito mal ainda, não consigo dormir, me sinto depressiva as vezes, tenho medo. Mas estou me recuperando aos poucos... sempre fui ansiosa, mas dessa maneira nunca fui, tenho 18 anos, uma família muito boa e um ótimo namorado. Mas infelizmente não podemos escolher os pro lemas que adquirimos

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  3. Karen, excelente postagem! Escrevo de outro Estado e há muito tempo queria te parabenizar por este blog e pela sua atuação. Parabéns!
    Sofro de transtorno de ansiedade e já o trato há algum tempo. Agora estou aliando a terapia ao meu tratamento. Uma dificuldade que tenho tido é encontrar o antidepressivo certo e na dose certa para a manutenção do tratamento. Passo por uma fase de erros e acertos nesse ponto. Mas acredito que a psiquiatria é assim, não?
    Um abraço fraterno!

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  4. Esse texto está de parabéns. O melhor texto que já li desde quando comecei a procurar na net ajuda para o que sinto. Eu realmente amei o texto. Sò em ler, um sentimento de calmaria foi se instalando em mim. Até o sono veio mais depressa. AMEI!!!
    Sou nova aqui. 😉

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