quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Índice de transtorno de ansiedade e depressão em São Paulo é igual a de país em guerra

E aí eu pergunto: como pode ainda termos que conviver com tanto estigma quando o problema é, comprovadamente, cada vez mais recorrente e - como afirma abaixo o pesquisador Wang Yuan Pang, do Hospital das Clínicas de São Paulo - altamente incapacitante?
Ainda há muito trabalho pela frente!! ;)

Saúde, paz e coragem para todos nós!


Transtorno de ansiedade atinge 
19,9% da população da região metropolitana de São Paulo e depressão 11%, diz estudo


A região metropolitana de São Paulo tem índices de depressão e transtornos de ansiedade semelhantes ao de áreas de guerra como o Líbano e a Síria. Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e que integra uma base de dados internacional identificou que 19,9% da população sofre de algum transtorno de ansiedade. Já em relação à depressão, os dados mostram que ela atinge 2,2 milhões, ou 11% dos 20 milhões de pessoas que moram na grande São Paulo.

(...) “Acreditamos que o nível de violência tenha relação com a ansiedade e a depressão”, disse Wang Yuan Pang, pesquisador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e coordenador da pesquisa São Paulo Megacity, que integra um estudo da Organização Mundial da Saúde realizado concomitantemente em vários países.

Wang afirma que 54% dos entrevistados relataram ter vivido pelo menos um evento violento traumatizante. (...) Além do alto índice, outra preocupação dos pesquisadores é o fato de não haver serviço suficiente para atender a demanda. “A gente não tem pessoal suficiente para atender esta população” disse.

No estudo, os problemas de saúde mental foram divididos em três níveis de acordo com a gravidade. Apenas um terço destes 10% de pessoas na categoria grave de fato receberam tratamento.


A taxa de depressão está entre as maiores do mundo. (...) Mas são os casos mais sérios de transtornos de ansiedade que deixaram os pesquisadores alarmados, aqueles que englobam casos como fobias e até síndrome do pânico.

Só a síndrome do pânico, um grave transtorno de ansiedade, atinge 1,1% da população, ou 220 mil pessoas só na região metropolitana de São Paulo. De acordo com Wang, no entanto, ela é mais percebida do que a depressão, por exemplo, porque é mais difícil de esconder. “Ela é extremamente incapacitante. O indivíduo não consegue sair de casa, pegar o metrô cheio."

O estudo também mapeou os locais onde há mais casos de ansiedade e depressão. Percebeu-se que as áreas periféricas, onde há menos segurança e saneamento - as chamadas áreas de privação social -, são justamente aquelas com menos casos de depressão e transtornos de ansiedade. “Não quer dizer que as pessoas são mais felizes, não é isso. O que acontece é que nessas áreas periféricas há um alto número de migrantes, que se mudam para São Paulo para trabalhar. Quem não está saudável, com boa saúde mental, não aguenta e volta. Nessas áreas os problemas são outros: há muitos casos de alcoolismo e uso de drogas.”

(fonte: Ig, reportagem de Maria Fernanda Ziegler, 16/05/2014) 

Leia ainda:
São Paulo lidera as estatísticas mundiais de transtornos mentais

Cerca de 30% dos paulistas apresentam algum distúrbio mental, de acordo com um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 24 países. A prevalência é a maior em relação a pesquisas semelhantes feitas em outros lugares do mundo.

O estudo foi coordenado pelo sociólogo Ronald Kessler, da Universidade Harvard e publicado na revista PLoS One em fevereiro, no artigo São Paulo Megacity Mental Health Survey e aqui no Brasil realizado no âmbito do Projeto Temático “Estudos epidemiológicos dos transtornos psiquiátricos na região metropolitana de São Paulo: prevalências, fatores de risco e sobrecarga social e econômica”, financiado pela FAPESP e encerrado em 2009. 
Entre os autores do artigo está Laura Helena Andrade, professora do Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade de São Paulo (USP).

(...) Eles descobriram que os transtornos de ansiedade foram os mais frequentes, acometendo cerca de 20% das pessoas, seguido do transtorno de humor (11%), impulsividade (4,3%) e uso de substâncias (3,6%). É previsto que o crescimento da população mundial se concentre nas grandes cidades, especialmente nos países em desenvolvimento. São Paulo fornece um aviso prévio sobre a carga de transtornos mentais associados ao aumento de desigualdades sociais, econômicas, estressores ligados à rápida urbanização e deterioração da saúde.

(...) Ao cruzar as variáveis, os pesquisadores concluíram que as mulheres que vivem em regiões de alta privação, são as que mais sofrem de transtorno de humor, enquanto que homens migrantes têm mais transtornos de ansiedade.
“É necessário que haja rápida expansão no sistema brasileiro de saúde do setor primário e trabalho focado na promoção da saúde mental. Essa estratégia pode se tornar um modelo diante de poucos recursos em uma área altamente habitada como São Paulo”, diz Kessler.


Para Laura, não é possível ter um serviço especializado em todas as unidades, por isso é preciso equipar a rede com pacotes de diagnóstico e de conduta a serem utilizados pelos profissionais de cuidados primários. É preciso capacitar não só os médicos, mas também os agentes comunitários, que devem ser orientados para identificar casos não tão comuns como os quadros psicóticos, levando em conta os fatores de risco associados aos transtornos mentais.


(fonte: site Psicologado.com; imagem retirada da internet)


2 comentários:

  1. Triste realidade. O nosso futuro depende de um voto conciente no domingo, vomos acertar.

    ResponderExcluir
  2. o Brasil está em guerra!!! guerra urbana!!! infelizmente!!!

    ResponderExcluir

Obrigada por deixar seu comentário no Sem Transtorno! Não deixe de curtir a nossa página no facebook.com/semtranstorno.