domingo, 19 de outubro de 2014

Remédios psiquiátricos: vilões ou injustiçados?

Por Karen Terahata

Agora há pouco, Padre Marcelo Rossi e o ginasta Diego Hypólito contaram no programa Altas Horas, da TV Globo, que sofreram de depressão. (assista)

Parei para ouvir animada, já que o Padre Marcelo começou falando que devíamos levar a depressão a sério, que não era frescura e que tinha aprendido isso sofrendo na pele e tal... "Uau", pensei, "que legal um padre dando um depoimento desse"!

Aí vem Diego Hypólito dizendo que também sofreu com a doença, que também teve preconceito, e que 
os remédios só o fizeram dormir e se sentir chapado. Que só se sentiu melhor quando teve contato com Deus, graças à ajuda de dois tios que também são padres.
Pronto.
Padre Marcelo pega o gancho e também diz algo como: "vamos viver livres de remédios", antes de começar a cantar.


Diego Hypólito
Diego travou uma dura batalha, de quase um ano, para se curar da patologia. O problema surgiu no período em que ele ficou sem clube e treinava de favor no Pinheiros, em São Paulo. Foram 15 meses entre a demissão no Flamengo até a contratação pelo São Bernardo, em junho deste ano. Depois de inúmeras sessões de terapia e alguns medicamentos, o ginasta de 28 anos de idade está recuperado e pronto para chegar com tudo nas Olimpíadas do Rio 2016 e realizar o sonho de conquistar a sua primeira medalha olímpica. (fonte: Globo Esporte)

O que me preocupa é essa constante menção aos medicamentos psiquiátricos como grandes vilões. 
Certamente, eles só devem ser usados com indicação e acompanhamento de um médico; não é por acaso que a venda é controlada.
Mas, como bem disseram os dois entrevistados, a depressão não é "frescura", é uma doença, e deve ser tratada como uma doença. Inclusive com remédios, quando necessário.

Padre Marcelo no Altas Horas
Em entrevista ao Fantástico, em dezembro de 2013, Padre Marcelo disse que não usou nenhum remédio psiquiátrico e nem procurou psicólogos. No entanto, revelou que toma remédio para calvície. Este tipo de remédio apresenta diversos efeitos colaterais, da mesma forma que anticoncepcionais, analgésicos e diversos outros.

Aliás, de acordo com uma matéria publicada no portal UOL, segundo o IMS Health, consultoria especializada em dados de saúde, até o descongestionante nasal Neosoro, que foi o item mais comercializado em 2012, oferece riscos e não deve ser utilizado por períodos prolongados sem orientação médica.

Leia: Nenhum remédio é livre de efeitos colaterais

"Completamente curado da depressão?", questionou Renata (Vasconcellos). "Graças a Deus, quase completamente", respondeu o padre. "O senhor não pensou em buscar ajuda nesse sentido?", indagou a jornalista. "Eu não busquei nenhum psicólogo, ninguém", retrucou padre Marcelo. "Mas padre faz terapia?", insistiu Renata. "Tem vários padres que eu conheço que fazem", respondeu o religioso. (fonte: Folha de S.Paulo)


Os sintomas da depressão, assim como os de transtornos de ansiedade, são extremamente desagradáveis e incapacitantes se não forem amenizados. Por isso, devemos buscar informação e orientação médica antes de condenarmos o uso de qualquer remédio com essa finalidade.


(imagens retiradas da internet)

10 comentários:

  1. Eu tinha muito preconceito com remedios, tanto que eu demorei 2 anos para procurar ajuda. Sofri 2 anos com o panico, ansiedade e correndo pra hospitais toda vez que eu tinha uma crise. Até que eu coloquei um basta! Estou tomando remedios hoje e não sinto mais as minhas crises, e é logico que a terapia também me ajuda a entender esse meu problema.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Natália, comigo aconteceu a mesma coisa. É muito importante que exista responsabilidade e bom senso ao falarmos sobre esse assunto. Não estou aqui para fazer apologia aos remédios psiquiátricos, mas também não podem simplesmente condená-los. Eu diria que eles são essenciais no nosso tratamento, seja por pelo menos um curto período ou por toda a vida, e que essas declarações só ajudam a aumentar o preconceito que existe em torno não só dos remédios, mas de quem, como nós, se sente melhor ao consumi-los. Beijos e obrigada por deixar seu depoimento aqui no blog! :)

      Excluir
  2. É o que eu falo: as causas podem ser externas e internas. no caso do Diego ele ficou deprimido porque perdeu o patrocínio, logo que voltou a treinar e ser patrocinado, o problema acabou. se ele não voltasse a treinar certamente continuaria deprimido, seu problema era externo. no caso do padre não deu pra perceber a causa, pode ser interna. no meu caso tenho certeza que a causa é externa, só melhorei porque mudei meu ambiente de trabalho. o medicamento é fundamental pra podermos sair da crise, no caso deles acho que a depressão foi branda. no meu caso o grau de ansiedade foi ao extremo, logo o medicamento foi e ainda é fundamental. se eu tiver que tomar a vida toda não vejo problema nenhum. mas tenho certeza que quando me aposentar não precisarei mais de remédio.

    ResponderExcluir
  3. Oi Karen, decepção, este é o meu sentimento, quando o preconceito vem de pessoas que são lideranças, e "esclarecidas". Quando a gente acha que a sociedade esta evoluindo vem essas declarações infelizes. Que bom que pra algumas pessoas não precise de remédios, mas pra outras é fundamental para ter uma qualidade de vida melhor, que é o meu caso. M.A.

    ResponderExcluir
  4. Existe uma extensa variedade de remédios para depressão e ansiedade, são medicamentos seguros e efeitos colaterais diversos como qualquer outro tem, que varia de pessoa pra pessoa.O médico com base no que o paciente diz, receita o fármaco que mais se adequá. Geralmente efeitos indesejados acontecem no inicio do tratamento. O ideal sempre é usar medicação com receita. Um registro importante é que não se tem falado como se deveria do flagelo dos dependentes de álcool e as drogas ilícitas, isto sim que tem causado tantas tragédias nas estradas e violência incontrolável. Karen, admiro seu trabalho, sua luta, seu empenho em ajudar as pessoas a superar essa dor profunda que infelizmente o ser humano padece. Abraços!!!

    ResponderExcluir
  5. É isso mesmo, esse tipo de declaração só aumenta o preconceito contra remédios que são necessários para tantas pessoas como nós. Obrigada pelos comentários e palavras tão gentis. Saúde e coragem para todos! :)

    ResponderExcluir
  6. Karen, permita-me discorrer mais sobre este assunto por ser pertinente. Acredito que o grande vilão seja o preconceito. No consultório não são raras as vezes que a primeira consulta, o paciente esta em desespero e chorando pedindo ajuda, nesse primeiro momento somente a medicação pode trazer alivio, e depois é claro que vale a combinação com outras terapias, psicólogos, grupos de apoio e frequentar alguma igreja, desde que isto não seja imposto. Depende muito da força que a pessoa tem de tirar lá do fundo da mente. Percebo também que falta apoio da pro pia família. Estamos melhorando, mas esta arraigado na cultura popular que quem procura psiquiatras, psicólogos, psicanalistas entre outros é "doido". Mas acredito na evolução. Abraços!!

    ResponderExcluir
  7. Corretíssimo!
    E é a favor da informação e contra o preconceito nossa grande batalha aqui no Sem Transtorno. Vamos em frente! :)

    ResponderExcluir
  8. karen procurei este espaço pq me identifico com os sintomas da ansiedade generalizada. No entanto, não estou achando postagens novas e endereços de grupos de apoio ou programação de reuniões, vc pode me responder se continua trabalhando neste grupos ou espaço, ou se conhece outros?








    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, tanto o blog Sem Transtorno quanto o grupo de apoio no Rio de Janeiro continuam em atividade. Segue link com a relação de grupos de apoio em todo o Brasil. Lembrando que não tenho vínculo com nenhum outro além do Sem Transtorno. Boa sorte!
      http://semtranstorno.blogspot.com.br/2013/05/grupos-de-apoio.html

      Excluir

Obrigada por deixar seu comentário no Sem Transtorno! Não deixe de curtir a nossa página no facebook.com/semtranstorno.