sábado, 25 de maio de 2013

Adoção e depressão

Por Karen Terahata

Hoje, dia 25 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Adoção. Não sou adotada e nem tenho pessoas na minha família ou círculo de amigos que tenham sido, mas este é um assunto que sempre me interessou bastante, por tudo que acredito representar: doação e amor ao próximo. Bom, mas o tema adoção não tem nada a ver com o blog, certo? Errado! Você já parou pra pensar no que pode acontecer com o emocional de uma pessoa que passa por esse processo?
Então veja só:


Estudo avalia causas e sintomas da chamada "depressão pós-adoção"

Depressão pós-parto não é exclusividade de mamães biológicas. Pais adotivos também podem passar por um período turbulento, segundo um estudo realizado pela Universidade de Purdue, nos EUA. A chamada depressão pós-adoção afeta tanto a vida dos adultos como o bem estar das crianças. Em geral, o problema é causado por expectativas não correspondidas e resposta negativa da sociedade.

"As pessoas geralmente ouvem falar de depressão pós-parto após dar a luz a um bebê, mas o bem estar emocional dos pais adotivos quando a criança chega em casa não é muito falado", diz Karen Foli, co-autora do livro "Depressão pós-adoção: superando os imprevisíveis desafios da adoção", resultado de entrevistas e análise de 21 pessoas que passaram pela experiência. "Neste estudo, a maioria dos pais adotivos que se declararam depressivos após o filho adotivo chegar em casa descreveram expectativas não atendidas ou irreais sobre eles mesmos, as crianças, as famílias ou a sociedade".

Entre os problemas detectados por Karen, estão a tentativa dos pais em se mostrarem superpais, dúvidas quanto à legitimidade, surpresa se o vínculo com o bebê ou a criança não é facilmente estabelecido. Outros fatores incluem expectativas em relação ao apego da criança pelos pais, acordos mal estabelecidos com pais biológicos e a atitude da sociedade com as famílias adotivas. Há também o cansaço decorrente da espera pela criança e a pressão pelo rigoroso processo de adoção

"Alguns pais, por exemplo, não anteciparam que a aproximação com seus filhos seria uma luta, ou que os membros da família e amigos não iriam dar o suporte que pais biológicos desfrutam", explica Karen. "Os sinais e sintomas de depressão incluem humor deprimido, diminuição do interesse ou prazer nas atividades, alteração significativa no peso, dificuldade em dormir ou sono excessivo, sensação de agitação, fadiga, culpa excessiva, vergonha e indecisão". (fonte: site Ciência Diária)


Para tranquilizar e inspirar pais adotivos, vou contar a história da estudante de farmácia Nanda Torezani, de 26 anos, adotada aos oito anos.
A mãe biológica de Nanda era usuária de drogas. Um dia a deixou na casa onde trabalhava como empregada doméstica e nunca mais voltou.  
"Além do problema com as drogas, minha mãe tinha um caráter duvidoso e demonstrava que fui uma gravidez indesejada. Por isso, nunca quis procurá-la", explica. Quanto aos pais adotivos, ela é categórica: "A relação aqui em casa é de pai, mãe e filho, sem adjetivos, sem nada diferente do que acontece num lar em que o amor incondicional exista"!

Nanda Torezani: "Sou muito feliz"!
Extremamente grata por ter sido adotada, hoje Nanda procura retribuir o gesto dos pais dando apoio a outras pessoas que queiram adotar uma criança também. Incentiva inclusive a adoção de perfis menos procurados. "A adoção de crianças com down, TDAH ou síndrome de Aspenger, por exemplo, não é estimulada. É um perfil novo de adoção que ninguém fala, a sociedade enche de preconceito". 

Quanto à depressão pós-adoção, Nanda pede que pais adotivos não se cobrem tanto. "Não existe modelo perfeito de educação, filho adotivo não é condenação de ser traumatizado, nunca será se a verdade prevalecer. Cobranças, superproteção, fantasias de pais perfeitos, isso não pode existir na educação", acredita. "Adoção apenas é uma forma diferente da chegada de uma criança num lar. O amor é incondicional, supera todos os obstáculos, seja filho adotivo sem transtorno, com transtorno, filho biológico, o que prevalece é o amor"! :)

Nanda indica ainda a página do grupo Adoção Tardia e Especial, no Facebook. "Depois que conheci essa página, percebi o quanto a galerinha com down e outras síndromes eram pouco lembradas na hora de adotar".

Indico também o site Adoção Brasil.
E ainda o vídeo: Passo a passo para adotar uma criança.  

Saúde a todos, paz, coragem e solidariedade! ;)

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