sábado, 26 de janeiro de 2013

TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)


Todos nós temos as nossas manias, não é mesmo? Quando criança eu não podia ver um sapato virado ao contrário que desvirava, senão minha mãe poderia morrer! Porta de armário aberta na hora de dormir, não. Trazia azar. Passar embaixo de escada, nem pensar! Pra afastar um pensamento ruim? "Toc toc toc" na madeira. Se falasse a mesma coisa, ao mesmo tempo com alguém, corria pra tocar em alguma coisa verde. Se tropeçava, era porque estavam querendo roubar a pessoa que eu gostava. Então mordia o dedo indicador e dava três chutinhos no chão dizendo "não dou, não dou, não dou"! Pode parecer engraçado (e é), mas quando essas simples "manias" passam a interferir de forma incontrolável na rotina de uma pessoa, podemos estar falando de um transtorno de ansiedade conhecido como TOC, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo.



O TOC é descrito no “Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais” da Associação de Psiquiatria Americana como um distúrbio psiquiátrico de ansiedade, que se caracteriza pela presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões. 

As obsessões são pensamentos repetitivos, negativos, estressantes, de natureza sempre ruim ou desagradável, que surgem de forma persistente e incontrolável. Mesmo que seja improvável que tais pensamentos se concretizem, os portadores desenvolvem comportamentos repetitivos (compulsões) na tentativa de evitar que eles ocorram. Geralmente, os portadores dessa desordem acham que se não agirem assim algo terrível pode acontecer. 

Estatísticas

Curiosamente, ao contrário da maioria dos transtornos de ansiedade, o TOC é mais comum entre os homens do que entre as mulheres. Ele aparece com mais frequência durante a infância e, anos depois, na vida adulta. 

Atualmente, acredita-se que 4% da população em geral sofre do problema, a doença é mais comum que o diabetes! E é possível que esse número seja bem maior, já que muitas pessoas não procuram ajuda médica, principalmente por vergonha do que elas mesmas consideram ser "absurdo" e por acharem que vão conseguir controlar seus pensamentos sozinhas. 

O portador de TOC

Na linguagem popular costuma-se dizer que a pessoa com TOC tem várias "manias esquisitas". Normalmente, ele sabe que suas manias, obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais, no entanto não consegue controlar esses impulsos porque eles aliviam sua ansiedade. 

As diferentes manifestações do TOC causam grandes sofrimentos aos seus portadores, que podem se sentir fracos, loucos, incapazes, autocríticos, gerando culpa e depressão.

Os traços de personalidade que colocam uma pessoa sob o risco de desenvolver o TOC são a ansiedade, o perfeccionismo, o desejo de controlar tudo e um senso exagerado de responsabilidade e de dever.

A importância da família (cuidadores)

O TOC não afeta apenas a vida do portador do transtorno, mas também a de seus familiares, em especial a daqueles que convivem mais com o paciente (cuidadores).  

Informar-se sobre a doença é muito importante para lidar com seus sintomas e efeitos. Muitas vezes os familiares acham que os hábitos repetitivos do portador de TOC são meras esquisitices e, por falta de informação, não acreditam se tratar de uma doença.

Causas

As causas do TOC não estão bem esclarecidas. Estudos sugerem a existência de alterações na comunicação entre determinadas zonas cerebrais que utilizam a serotonina. Fatores psicológicos e histórico familiar também estão entre as possíveis causas desse distúrbio de ansiedade.

As compulsões mais frequentes

MANIA DE LIMPEZA - banhos intermináveis, mãos que chegam a sangrar de tanto serem lavadas, medo de se contaminar ao tocar determinados objetos, limpar objetos com diversos produtos de limpeza etc.

MANIA DE ORDENAÇÃO OU SIMETRIA - ritual de guardar ou ordenar determinados objetos sempre da mesma forma. Pode ser do maior pro menor, do menor pro maior, por cores, em linha reta, por número par o ímpar de peças e por aí vai.

MANIA DE VERIFICAÇÃO OU CHECAGEM - conferir inúmeras vezes se trancou a casa, se desligou o gás do fogão, se apagou todas as luzes, se pegou a carteira...

MANIA DE CONTAGEM - a pessoa não consegue subir uma escada, por exemplo, sem contar o número de degraus, conta o número de botões ou de listras que tem a camisa de seu interlocutor...

MANIA DE COLECIONAMENTO - guardar inutilidades, como jornais velhos, garrafas vazias ou outros objetos específicos acreditando que algo de ruim possa acontecer caso se desvencilhe deles.

MANIA DE REPETIÇÃO - ligar e desligar o interruptor de luz, escrever a mesma frase várias vezes etc.

MANIA MENTAL - pensar em uma determinada frase ou som para "anular" determinados pensamentos ruins.

MANIAS DIVERSAS - não usar uma determinada cor, cuspir ao passar por uma esquina com velas, não cortar o cabelo por medo que algo aconteça etc.

A diferença entre as compulsões e as simples superstições é que estas não geram intenso sofrimento.

Tratamento

A maioria dos especialistas recomenda tratamento medicamentoso a fim de corrigir os baixos níveis cerebrais de serotonina. E como nos outros transtornos de ansiedade, a psicoterapia de abordagem cognitivo-comportamental também é de grande importância para que os portadores de TOC mudem suas ideias distorcidas em relação à vida em geral, bem como seus comportamentos repetitivos.

O tratamento deve conter também um componente de mudança de estilo de vida para minimizar a suscetibilidade ao estresse.

Não sinta vergonha de pedir ajuda! Quanto mais adiamos o tratamento, mais a doença se agrava. É preciso ter muita persistência, paciência e força de vontade. 
Terapia e remédios estão aí pra isso mesmo, pra nos ajudar nessa caminhada! 

Coragem a todos e paz! :)

Fonte: ASTOC (Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-Compulsivo), PsiqWeb, livro Mentes Ansiosas, Drauzio Varella.

2 comentários:

  1. Sofro com o TOC em segredo ha mais de 15 anos, e gostaria muito de dividir experiências e conversar com alguém sobre isso. Meu skype é andrefk2

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  2. Tenho toc desde criança, e quase ninguém sabe, quando tento dividir isso com alguém as pessoas riem infelizmente é muita falta de informação.

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