domingo, 13 de janeiro de 2013

Falando em público (vencendo a timidez / fobia social)

No ano passado, depois de quase uma década afastada das salas de aula, voltei a estudar. Que experiência ótima, nunca me senti tão focada nos estudos, tão madura, tão preparada. Até que veio meu primeiro desafio: apresentar um trabalho para a turma de Comunicação Comunitária. Certamente eu era uma das mais velhas, senão a mais velha da turma. Não podia demonstrar "medinho", insegurança, mas como não lembrar do professor que me reprovara três vezes numa mesma matéria porque eu simplesmente não conseguia apresentar um seminário imposto por ele? Bom, pelo menos o trabalho não era individual, eu teria outros três parceiros para dividir comigo aquele momento de terror. Mas, como diz a lei de Murphy: "se alguma coisa pode dar errado, ela dará", e no dia da apresentação meus prezados companheiros de trabalho resolveram "perder a hora" e eu tive que apresentar tudo sozinha. Pra piorar, a turma era notoriamente a mais barulhenta e insuportável de todo o curso... Bom, como eu havia feito o trabalho todo sozinha mesmo, sabia exatamente o que precisava falar. E falei. E foi ótimo, consegui controlar o nervosismo inicial, deixei fluir os pensamentos com calma, respondi a todas as perguntas que a até então barulhentíssima turma me fez (inacreditavelmente, todos ficaram em silêncio), foi incrível! Para coroar minha glória, recebi nota máxima no trabalho e, posteriormente, na prova. Fiquei com 10, nota 10! E o trauma foi pro beleléu! 

Leiam abaixo o texto que a Martha Medeiros também escreveu sobre o assunto:

Falar em Público


Martha Medeiros
"Uma amiga me pede socorro: foi convocada a falar por 20 minutos num evento profissional, ela que nunca palestrou ou participou de qualquer debate com plateia. 
Depois de anos de prática, hoje em dia já não me estresso, mas, no início, madrecita, era um castigo. A boca secava num grau que me impedia de articular as palavras com desenvoltura. No meio da conversa, eu ficava em pânico com a possibilidade de perder o fio da meada, e acabava perdendo, claro. Tinha pavor de estar sendo analisada pelo que estava dizendo, e mais ainda pelo que não era o assunto em pauta: minha excessiva gesticulação, por exemplo. 

Algumas pessoas se sentem mais seguras se há algum conhecido no recinto: a esposa, o marido, um colega. Eu, ao contrário, me sinto mais tranquila - ou menos aflita - diante de estranhos. Sempre me apavorou a ideia de decepcionar meus afetos mais íntimos. Logo, pode-se imaginar o meu estado de nervos quando, em 1999, recebi uma homenagem da Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, e na plateia encontravam-se pai, mãe, irmão, cunhada, madrinha, tias e todas as melhores amigas: a máfia reunida. Na hora de agradecer os discursos feitos em plenário, falei por cronometrados dois minutos, nem um segundo a mais - e entre gaguejos. Vexame, vexame, vexame. 

Não era timidez, e sim imaturidade. Não tolerava a ideia de errar, o que é uma autoexigência absurda. Ora, erramos. Trememos. Dizemos bobagens. Não somos doutores em nada, e sim pessoas esforçadas, o que já é um valor. Se alguém tem interesse no que temos a dizer, isso, por si só, já deveria tranquilizar: estamos apenas atendendo a um gentil convite para dividirmos nossa opinião e nosso conhecimento com os outros. Palco, púlpito e microfone são intimidantes, mas não passam de instrumentos para facilitar a comunicação. O segredo, que nem é segredo, é procurar se divertir e não levar esses poucos minutos de visibilidade tão a sério. 
Minha amiga acabou se saindo muito bem. Já esqueceu o sofrimento e está pronta para outra. Sabia. Depois que os fantasmas são exorcizados, a vida destrava." 

2 comentários:

  1. Parabéns pelo site!
    Muito bom!
    Adorei!
    Vou voltar sempre!
    Beijão

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  2. Obrigada, Fred!!! Fico feliz por ter gostado. Volte sempre mesmo!!!

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