quarta-feira, 20 de março de 2013

A síndrome do desânimo profissional - Burnout


Pessoal,
Preciso compartilhar com vocês esse artigo que acabei de ler. E gostaria que todos os profissionais de RH e todos os gestores de empresas (particularmente da empresa onde trabalho há mais de 13 anos) também tivessem acesso a este texto - além de interesse por ele, claro - e aprendessem um pouco sobre como incentivar um profissional, proporcionar oportunidades de crescimento e um ambiente saudável para seus funcionários, ao invés de sugar suas energias, cortar suas asas e fazer com que eles não sintam mais desejo de voar nem em pensamento!

Tenho certeza de que muitos de vocês também irão se reconhecer nas próximas linhas. 

Como o texto é longo e alguns não terão paciência para ler tudo (conheço meu gado... rss), destaquei alguns trechos importantes.

Saúde a todos, paz e coragem.

 
A síndrome do desânimo profissional


O trabalho pode ser fonte de prazer ou de dor, mas, quando a motivação desaparece, é preciso ter cautela. Aprender a lidar com as próprias emoções pode ser a saída para evitar doenças, a exaustão física e mental.

Ganhar o pão de cada dia com o suor do próprio rosto já foi considerado uma pena a ser cumprida. Com o passar dos anos, o trabalho foi perdendo essa característica e incorporou valores capazes de conferir às pessoas dignidade, respeito e admiração: o homem é o que ele faz. Quando alguém escolhe uma profissão não deseja apenas obter um bom salário e um padrão de vida compatível, ou mesmo um futuro bem estruturado. O que o move, para além das vantagens econômicas de determinada carreira, é o desejo de se realizar como indivíduo. 


Superados os desafios da conquista de um bom emprego, pode acontecer que a repetição das tarefas diárias desencadeie um mal-estar que se manifesta por meio de uma profunda insatisfação. Primeiro vem o desânimo. Depois, a motivação desaparece, seguida do completo desinteresse pelas relações no trabalho. Um processo de isolamento se inicia e são comuns estados de tensão e ansiedade, que estimulam as faltas ao emprego. O que parecia ser um cansaço passageiro pode ser a sídrome de Burnout ou exaustão física e emocional crônica, decorrente da constante exposição ao estresse no ambiente laborativo.
   
A síndrome se manifesta por meio de diversos sintomas, podendo ser físicos (mal-estar geral, distúrbios do sono, problemas gastrointestinais, cefaléia intermitente e/ou dificuldades sexuais); comportamentais (impaciência excessiva, impulsividade, irritabilidade e agressividade, uso excessivo de medicamentos, conflitos em família ou com o parceiro) ou cognitivo-afetivos (destacamento afetivo, incapacidade de concentração e de ouvir o que as pessoas dizem, rigidez de pensamento e resistência a mudanças, sensação de falência, raiva, ressentimento, senso de culpa e perturbação do humor/da tonalidade afetiva). O resultado é um esgotamento físico e mental que mina todas as energias do sujeito, levando-o à perda do interesse pela vida em geral, comprometendo sua identidade, motivação e produtividade.
   
Nenhuma profissão está livre, porque o Burnout é inerente à atividade laborativa. Entretanto, nas atividades em que as pessoas se colocam diretamente em ação, utilizando as habilidades sociais e psíquicas para satisfazer as necessidades dos outros, que, por sua vez, nem sempre expressam gratidão ou reconhecimento, a síndrome tende a aparecer com maior frequência.
  
A vulnerabilidade aos sintomas dependerá da forma como cada indivíduo reage ao estresse – situação que varia conforme o sexo e a idade (pessoas com idade avançada ou jovens que esperam demais da própria carreira são perfis de risco). Personalidades em que se identificam o que o especialista denomina de ansiedade neurótica (característica típica de quem se impõe metas impossíveis que, não alcançadas, estimulam a autopunição), baixa auto estima, excessiva idealização da profissão e rigidez (incapacidade de adaptação às demandas, sempre mutáveis do ambiente externo), além de introversão também estão mais predispostas.
   
Uma vez identificada a síndrome, muitas pessoas tomam decisão de mudar de emprego. Como terapeuta holístico digo que esta estratégia funciona por determinado tempo (no outro emprego vai encontrar os mesmos problemas): a longo prazo pode agravar os sintomas pois é preciso entender por que determinada situação é prejudicial para aprender técnicas que diminuam essas reações negativas ao estresse.
   
A melhor forma de prevenir o Burnout é por meio de terapia holística, pois potencializará seu auto conhecimento através da abordagem psicológica, social, profissional, familiar e física aprendendo a traçar limites entre a vida pessoal e profissional, equilibrando os próprios sentimentos. O aprendizado de técnicas de relaxamento físico e mental, além da freqüência a grupos de apoio que permitam ajuda direta, conforto, compreensão e comparação são muito úteis e devem envolver toda a comunidade corporativa.
   
As organizações precisam desenvolver projetos preventivos: o ideal seria que as empresas mantivessem programas de treinamento para levar os funcionários a importantes mudanças comportamentais, como novas propostas para trabalhar menos e melhor, traçar objetivos realistas, chegando até a implantação de estratégias administrativas que pudessem auxiliar a redução do estresse emocional.  A falta de liderança é a principal causa do aumento de estresse no ambiente profissional. O resultado é que as habilidades da equipe adormecem, o interesse míngua, e tudo se transforma numa tarefa desagradável. Os métodos tradicionais de liderança e motivação parecem não funcionar mais. Daí a importância de encontrar novas formas de vivenciar o trabalho.

Hoje as pessoas esperam e anseiam serem vistas e tratadas como peças necessárias para que as empresas alcancem seus objetivos. Tudo depende da forma como se avalia a relação com o trabalho, superiores e/ou colegas. Nesse universo de expectativas, existem muitas coisas que podem causar frustração e, consequentemente, a perda de motivação. Assim como o corpo precisa de vitaminas e proteínas para ter boa saúde, certos nutrientes também são essenciais para sustentar o entusiasmo no ambiente de trabalho. Quando a pessoa obtém resultados positivos em suas ações, alcança um bom equilíbrio entre profissão e sentimento. É assim que ela evita o risco de se “apagar”.
   

Quando as iniciativas profissionais não resultam em recompensas positivas, especialmente aquelas esperadas, a motivação desvanece. Quando a pessoa acha que não há mais nada a fazer, experimenta emoções como frustração, raiva, ansiedade, culpa e, às vezes, depressão e desespero. Mesmo que as condições mudem, ela não consegue enxergar e aprender com a experiência e continua agindo de forma negativa.
   
O único caminho para superar o Burnout é libertar-se de idéias mágicas e onipotentes no ambiente de trabalho. Isso significa saber que é desnecessário ser amado por todos, ou mesmo ter a simpatia irrestrita dos superiores. Também é importante entender que ninguém precisa ser sempre competente e ter sucesso, nem é imprescindível ocupar-se de todos os problemas. Um profissional para ser eficiente e não se apagar deve se sentir responsável exclusivamente por si mesmo. Deve saber que seu trabalho é difícil e que não receberá muita ajuda, que precisará lidar com situações e pessoas desagradáveis, com ponto de vista diferentes do seu. É bom que aceite o fato de ser absolutamente imperfeito, assim como todos os demais, e que renuncie à vontade de salvar o mundo, procurando apenas elaborar e realizar metas realistas, ressaltando mais os sucessos que as derrotas, e focando mais nos processos que nos resultados.    

DE QUE MANEIRA O BURNOUT AFETA A SUA SAÚDE:
1) Sintomas físicos: fadiga constante e progressiva; Dores musculares ou dor na nuca, transtornos cardiovasculares (hipertensão arterial, infartos); Distúrbios do sistema respiratório (bronquite, asma, suspiros profundos); impotência, alterações menstruais) etc.

2) Sintomas comportamentais: Impaciência; Sentimento de impotência; Agressividade; Perda de iniciativa; Comportamento de alto risco etc.

3) Sintomas cognitivos-afetivos: Falta de concentração; Alteração da memória; Lentidão dos pensamentos; Sentimento de solidão; Desânimo; Baixa auto-estima; Dificuldade para relaxar e aceitar mudanças etc.


FORMAS DE EVITAR O BURNOUT:
1) Administre as emoções: Estabeleça objetivos, programando um passo por vez, dando créditos a si mesmo por apoiar seu próprio progresso. Desenvolva o senso de competência e eficiência, que nada mais é do que a certeza de que você pode fazer.

2) Controle o estresse: Quando você consegue administrá-lo, entende que é possível lidar com situações difíceis sem ser intimidado por elas. Isso aprimora o “eu posso fazer”.

3) Adquira habilidades: Se você sabe que é possível adquirir as habilidades necessárias para enfrentar desafios, sente-se poderoso e decidido para vivenciar problemas, ficando mais disponível para avançar e alcançar o sucesso.

4) Desenvolva bom suporte social: Uma forte rede social ajuda a diminuir os efeitos do Burnout. Existem associações profissionais que fornecem sistemas de suporte para seus membros.

5) Encontre um trabalho que se ajuste a você: O trabalho é elástico e não fixo. Existem várias formas de alcançar seus objetivos. Até o mais rígido deles pode ser adaptado ao seu próprio estilo.

6) Mudança de emprego: Essa é uma técnica clássica para prevenir a síndrome. Entretanto, é importante aprimorar a forma de lidar com a situação no trabalho atual. Em primeiro lugar, lembre-se de que você é mais valioso para sua empresa do que outra pessoa com as mesmas qualificações: você sabe como as coisas funcionam ali; conhece a cultura da empresa e os outros funcionários; sabe como as coisas são feitas.

7) Pense Positivo: A forma como você pensa influencia sua motivação. As pessoas que lutam com o Burnout tendem a enxergar tudo como sem importância. Outra pessoa que pense positivo responderá de forma diferente. Uma situação com possibilidades é mais motivadora do que outra que parece ser inútil.

8) Desenvolva o desapego: Esse é um comportamento zen para a prevenção ou superação da síndrome. Trata-se de esquecer os resultados. É um pouco como ter espírito esportivo: O bom esportista entra em campo e trabalha duro para vencer, deixando de lado a vitória; já o mau esportista, quando perde, desconta no outro time.   

 
*Jorge Machado é escritor, ontoterapeuta e terapeuta - RH Formado pela UERJ. Autor dos livros:“Cronologia da Filosofia”, “Ontoarte, a arte do ser”, “Empreendedorismo, uma questão de vontade”, “Como se precaver do Bullying & do Cyberbullying”, entre outros.
Contato: jorgemachadorh@gmail.com.
Tel.: (21) 9372-9628, consultório (21) 3592-6649 (Barra da Tijuca, Rio de Janeiro)

Texto retirado do site da revista Saúde e Lazer.

2 comentários:

  1. Nossa, muito bom esse texto, Karen! Recebi o link de uma amiga no facebook e adorei conhecer a proposta do seu blog. Passarei por aqui com frequência! Tks. :-)

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  2. Oi, Bernardo! Obrigada!
    O texto é muito bom mesmo, é do ontoterapeuta Jorge Machado.
    Espero que volte sempre mesmo e que deixe sempre seus comentários! :)
    Saúde e paz!!!

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