quinta-feira, 3 de julho de 2014

Conheça a terceira e última história sobre a convivência com o pânico selecionada para receber o livro "A garota que tinha medo", da Editora Schoba.
Aguardem os próximos concursos! :)



Tenho 23 anos e há aproximadamente um ano venho tentando aceitar tudo isso que está acontecendo comigo. Ainda tenho as minha dúvidas, ainda tenho medo de ser algo mais grave e ao mesmo tempo tenho esperança de ser apenas a ansiedade explodindo dentro de mim.

Aos 19 anos, saí de casa para trabalhar e fui para outra cidade. No início foi angustiante, primeiro emprego, muita cobrança e o desejo enorme de voltar para casa. Ligava todos os dias para os meus pais chorando, querendo desistir, e o meu maravilhoso pai sempre me deu força para continuar.

Os anos se passaram, eu estava na busca desenfreada de passar no vestibular, fazia "n" coisas, trabalhava, estudava e tentava viver nos fins de semana. Passei por crises no namoro e fui caminhando. Até que um dia minha companheira de quarto me expulsou, até hoje eu não sei a verdade, e com isso tive que voltar para a minha terrinha natal. A sorte é que a cidade que trabalho é perto.

Passei na faculdade de física e conheci uma garota. Ela foi morar comigo e com os meus pais, depois disso voltamos para a cidade dos sonhos de todo jovem da Zona da Mata mineira, Juiz de Fora. Moramos juntas por cerca de um ano e eu já não aguentava mais a presença dela, me sentia sufocada.
No mesmo período, consegui um novo emprego. Eu morria de medo do meu atual chefe, ele chegava e eu saia da sala.

Até que um belo dia, mais precisamente numa segunda feira às nove da manhã, eu comecei a sentir uma dor no braço e no peito e logo pensei: "estou tendo um infarto"! Me desesperei e já estava esperando a hora em que eu iria cair no chão, mas graças a Deus não foi "nada". Fui para o hospital, demorei a ser atendida, fiz um eletro. Diagnóstico: estresse.

Depois de seis meses, também em uma segunda feira, passei mal falando ao telefone. No outro dia, fui ao cardiologista, fiz vários exames e graças a Deus, nada. Depois desse episódio, passei a pesquisar tudo sobre arritmia e ansiedade. Tudo mesmo. E comecei a sentir coisas estranhas no meu corpo. Acordava de madrugada com o coração na boca, certa vez o susto foi tanto que fui parar no hospital sozinha de camisola, foi horrível.

Fui a vários cardiologistas e todos eles falaram que era ansiedade. Coração disparado, boca seca, falta de ar, tontura, enjoo, vozes falando "você vai morrer, vai ter um ataque cardíaco", tudo isso é terrível. 
Comecei a fazer o tratamento, já estou na minha terceira psicóloga e com o mesmo psiquiatra, e estou caminhando.

Hoje tento viver, trabalho, estudo, tento curtir a vida.
Tenho fé, mas ao mesmo tempo me pergunto: "Deus, o Senhor existe??"
É angustiante passar por tudo isso. A vontade que dá é de largar tudo e ficar trancada no quarto, mas não posso fazer isso, tenho que trabalhar e estudar e eu quero vencer esse desafio que me foi dado.

Sofrer longe de casa é muito ruim e ninguém entende, ninguém mesmo. A vida está me ensinando a crescer de uma forma muito dolorosa, e eu sei que eu vou vencer. Já consigo dormir sem ouvir musica e ficar em casa sozinha, já não tenho medo do meu patrão. Estou aprendendo a amar, estou aprendendo a me enxergar como um ser, estou aos poucos me descobrindo.
Não desejo isso para ninguém, mas se alguém algum dia sentir o coração disparar, é só tomar uma água, se deitar e respirar fundo, e crer que, mesmo passando por tudo isso, existe alguém que vela por nós.

Ana Beatriz

Bicas - MG

Um comentário:

  1. Minha história é bem parecida. Me identifiquei muito com tudo o que li aqui. Decidi dividir tb minhas experiências para desabafar e, quem sabe, ajudar outras pessoas que passam pelas mesmas coisas que eu, nós.

    http://deloucotodomundotemmuito.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Obrigada por deixar seu comentário no Sem Transtorno! Não deixe de curtir a nossa página no facebook.com/semtranstorno.