sábado, 20 de abril de 2013

Entendendo o TDAH


Ultimamente, e cada vez mais, tenho atribuido grande parte dos meus problemas de ansiedade e depressão ao Déficit de Atenção (TDAH).
 

Na minha infância o TDAH não tinha esse nome pomposo, era mais conhecido por relaxamento, distração e preguiça mesmo. Mas os prejuízos eram os mesmos.

Na minha busca incessante por explicações e novas perspectivas, desta vez sobre o TDAH, encontrei o site do médico neurologista Mario Peres.
Não o conheço pessoalmente, como não conheço a maioria dos profissionais que menciono no blog. Mas procuro divulgar qualquer informação ou mensagem que me toque positivamente de alguma forma e que eu ache que também possa tocar da mesma maneira quem sofra com o mesmo problema que eu.

Os pacientes com TDAH, com certeza, irão se enxergar aqui. Sempre que leio alguma coisa sobre esse assunto, me dá vontade de chorar de tanto que já sofri e ainda sofro com isso.

 
Quem convive com algum portador de TDAH vai se lembrar dele. Mais do que isso, espero que passem a enxergá-lo de forma mais benevolente, com mais compaixão e, por que não, paciência!
Rotular alguém de forma negativa não vai ajudar em nada, pelo contrário, só fará com que essa pessoa se sinta ainda mais incapacitada, desmotivada e deprimida. Para superarmos essas limitações e levarmos uma vida mais feliz, precisamos de compreensão e um pouquinho de generosidade.

Boa leitura, saúde e paz para todos.
:)


O que é o TDAH?

TDAH é o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, uma doença caracterizada por desatenção, inquietude e impulsividade, que acomete crianças e adultos.  


Crianças com TDAH costumam ser vistas como bagunceiras, irrequietas, hiperativas, distraídas, sonhadoras, que vivem no mundo da lua. Geralmente, na idade adulta, a hiperatividade, agitação e impulsividade diminuem de intensidade e a distração fica mais evidente.
O TDAH pode acometer os adultos, apesar de ser uma doença mais conhecida na infância.

Uma característica marcante do Transtorno do Déficit de Atenção é sua alta taxa de associação com outras doenças (comorbidades). Em crianças, calcula-se que mais da metade dos casos ocorrem acompanhados de outros transtornos. Em adultos, estima-se que esse índice seja ainda maior.
Na infância, as comorbidades mais comuns são os distúrbios de aprendizado, de comportamento, os transtornos ansiosos (ansiedade, fobias, TOC, pânico), transtornos depressivos e tiques.
Em adolescentes, além desses transtornos citados, surge o abuso de drogas.

Causas do TDAH adulto

Nas crianças, os sintomas mais comuns são o esquecimento excessivo, desatenção, bem como uma incapacidade de se manter quieto. No adulto, os sintomas do déficit de atenção e hiperatividade se manifestam de maneira diferente, mais sutil. Isto pode tornar mais difícil reconhecer e diagnosticar o TDAH adulto.
Acredita-se que genes podem desempenhar um importante papel. As questões ambientais, como a exposição a cigarros ou álcool, enquanto no útero, também podem ser importantes.
Existe a teoria de que os neurotransmissores no cérebro estejam funcionando mal, como a dopamina, noradrenalina e serotonina, principalmente na região do córtex pré frontal.

Em adultos são também comuns os transtornos ansiosos, os transtornos depressivos, o abuso de drogas (incluindo álcool e tranqüilizantes), transtornos do apetite e do sono.

Os 10 sintomas mais comuns em adultos com déficit de atenção

Sintoma n.º 1: Problemas com a organização

O aumento das responsabilidades da idade adulta – trabalho, contas a pagar, e filhos, para citar algumas – pode causar grandes problemas com a organização em pessoas com TDAH. E embora alguns sintomas do TDAH sejam mais irritantes para as pessoas que convivem com o paciente do que para o próprio paciente, a desorganização é frequentemente identificada por adultos com TDAH como um grande aspecto prejudicial à sua qualidade de vida.

Sintoma n.º 2: Dirigir carro distraidamente (acidentes de trânsito)
O adulto com TDAH tem dificuldade de manter a atenção em uma tarefa. Por esse motivo, algumas pessoas ficam mais suscetíveis a acidentes de trânsito, sem falar nas multas e na consequente perda de pontos na carteira...

Sintoma n.º 3: Problemas conjugais
Naturalmente, um casamento conturbado não deve ser visto como um sinal de alerta apenas para adultos com TDAH. No entanto, existem alguns problemas que tornam pessoas com TDAH mais suscetíveis a terem problemas em seus relacionamentos. Muitas vezes, seus parceiros se aborrecem com sua dificuldade de escutar pedidos feitos e até da incapacidade de honrar seus compromissos. Se você é a pessoa que sofre de TDAH, pode não entender por que seu parceiro está chateado e ainda sentir-se culpado por algo que, realmente, não é sua culpa.

Sintoma n.º 4: Distração extrema
A pessoa pode ter grande difículdade em focar em alguma coisa e essa distração pode levar a uma história de baixa performance na carreira, especialmente em cargos de alta competitividade. Se você tem TDAH, pode descobrir que telefonemas, e-mails, ruídos ou qualquer solicitação externa afetam a sua atenção, o que torna difícil para você terminar de fazer alguma coisa. É comum ver pessoas com déficit de atenção que começam as coisas e nunca terminam.

Sintoma n.º 5: Dificuldade em ouvir
Você viaja no pensamento durante as longas reuniões? Será que seu marido esqueceu de pegar seu filho na escola, que é melhor fazer purê de batata do que batata frita pro jantar... Problemas com atenção resultam em má compreensão oral em muitos adultos com TDAH, o que conduz a uma série de mal-entendidos.

Sintoma n.º 6: Inquietação, problemas para relaxar
Embora muitas crianças com TDAH sejam hiperativas, este sintoma freqüentemente aparece de forma diferente em adultos. Os adultos com TDAH estão mais propensos a apresentar agitação ou achar que não podem relaxar.

Sintoma n.º 7: Problemas ao iniciar uma tarefa
Assim como as crianças com TDAH frequentemente adiam o início da realização da lição de casa, os adultos com TDAH frequentemente se arrastam para iniciar tarefas que exijam muita atenção. Esta procrastinação agrava muitas vezes os problemas já existentes, incluindo desavenças conjugais, problemas no trabalho e com amigos.

Sintoma n.º 8: Atraso crônico
Existem diversas razões para adultos com déficit de atenção se atrasarem para seus compromissos. Eles são muitas vezes distraídos a caminho de um evento, por exemplo, percebendo que o carro precisa ser lavado e, em seguida, que ele está com pouca gasolina, e que esqueceu de sacar dinheiro, e, antes que se perceba, já passou uma hora.
Pessoas com TDAH também tendem a subestimar o tempo que levam para finalizar uma tarefa, seja ela uma tarefa importante no trabalho ou uma simples tarefa de casa. "Em dez minutinhos eu termino". No final, percebe que não termina e fica angustiado.


Sintoma n.º 9: Ímpetos de raiva
O TDAH frequentemente leva a problemas com o controle das emoções. Muitos adultos com TDAH são explosivos com pequenas questões, tem o chamado pavio curto. Muitas vezes sente como se não tivessem controle sobre suas emoções e a sua raiva aparece mais rapidamente do que a capacidade de controlá-la.

Sintoma n.º 10: Dificuldade para dar prioridade
Pessoas adultas com TDAH têm dificuldade para priorizar as obrigações mais importantes que deverá cumprir, como o término de um trabalho. Enquanto isso, gasta inúmeras horas em algo insignificante, como um jogo no vídeo game.

Tratamento do TDAH no adulto
Existem boas opções de tratamento do adulto. Em primeiro lugar, o tratamento começa com o diagnóstico correto feito por um médico. 

As mesmas medicações usadas na criança podem ser usadas no adulto. O tratamento medicamentoso deve ser reservado para os casos nos quais aconteça algum prejuízo, alguma dificuldade na vida do paciente. Considerando que o TDAH pode estar associado a problemas diversos, como quadros depressivos, ansiedade, problemas com álcool e drogas, estas condições devem ser tratadas também.

Várias linhas de psicoterapia podem ser indicadas. No caso de adultos casados, algumas intervenções necessitam ser realizadas com o cônjuge. No caso de crianças e adolescentes, há programas de orientação e treinamento para pais e professores. Existem propostas muito interessantes de reestruturação do ambiente escolar e doméstico para crianças com TDAH. Existem também várias recomendações que podem ser fornecidas ao paciente de acordo com cada caso em particular, que amenizam suas dificuldades no dia-a-dia (tais como esquecimentos, uso de agenda, foco em uma tarefa, etc). Associação de técnicas Cognitivo Comportamentais com tratamento medicamentoso tem eficácia comprovada.

Pacientes robotizados? Remédio da obediência?
Existem muitos profissionais que prestam um grande desserviço à comunidade quando afirmam em meios de comunicação que os medicamentos “entorpecem” os pacientes, os tornam “robotizados”, “zumbis” e que este é um meio artificial de controle da doença. Provavelmente nunca acompanharam de perto um número suficiente de pessoas com Déficit de Atenção, com ou sem Hiperatividade, antes e depois do tratamento farmacológico, para observar a enorme diferença na vida destes indivíduos.
Existia uma crença de que o uso de estimulantes retardaria o crescimento de crianças e por isso se recomendava os “feriados” (alguns dias ou o final de semana) ou “férias” (meses) terapêuticas. Estudos recentes mostram que isto não acontece.

ATENÇÃO, não se automedique! Consulte sempre um médico para fazer o seu diagnóstico e iniciar o melhor tratamento.

Fonte: Dr. Mario Peres (médico neurologista e pesquisador senior do Hospital Albert Einstein), ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção)

6 comentários:

  1. Mais um excelente material, Karen. Vou te indicar para falar sobre o tema com uma amiga minha, que está à frente de um pgm de rádio na MPB FM.
    Abs,
    Bernardo Torrico.

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  2. Muito obrigada, Bernardo! Seria ótimo!!!

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  3. Excelente materia.Sou TDAH ha mais de 20 anos,iniciei o tratamento aos 13 anos e passei por todas as etapas.aos 22 anos abandonei o tratamento e cheguei ao fundo do poço voltei a tratar com psiquiatra ha um ano e estou numa fase mais controlada hj tomo o carbolitum, ritalina 30 e o paxil mas nao existe medicamentos que faça ,milagre se o tdah nao se organizar e nessa nova etapa do tratamento a peça mt importante esta sendo a minha familia.

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    1. Poxa! Eu tentei usar Ritalina no ano passado, mas não me senti bem e suspendi depois de quase duas semanas tentando. Uma pena, estava bastante esperançosa!
      E com certeza o apoio da família é muito importante. Fico feliz por saber que está melhor. Continue mandando notícias, por favor!
      Muito obrigada pelo seu depoimento!
      Abraços.

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  4. visão espirita do assunto!
    https://www.youtube.com/watch?v=uVzHEZIdC5A

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  5. Olá, me trato da depressão,transtorno do pânico e bipolaridade há 6 anos (tenho 25 anos). Há duas semanas fui diagnosticada com o TDAH..na verdade vários médicos já haviam dito,mas eu resistia pela quantidade de medicamentos que tomava.. Mas isso já estava atrapalhando mto minha vida,principalmente a acadêmica. Aumentei a medicação do concerta há dois dias e não to me sentindo legal no momento, mas tenho um concurso domingo e soh penso na minha concentração e vi que houve melhoras nesse quesito..nas vontades, nas questões de terminar atividades,enfim. Eh uma barra mesmo. Gostei muito do texto,e identifiquei com tudo e vc ta de parabéns pelo blog. Bj.Babs.

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