segunda-feira, 9 de março de 2015

Mensagens dos leitores

Floresta da Tijuca (ao fundo, a Pedra da Gávea) - foto: Wikipedia
Olá Karen,

Li sobre você e seu trabalho na Revista de Domingo e achei muito relevante para as pessoas que passam por este sofrimento. Por isso resolvi entrar em contato, uma vez que também passei por tudo isso e talvez agora possa ajudá-la, ou a quem precise, de alguma forma. 
Farei um relato breve da minha história para que você tenha noção de como eu entendo a sua.

Não sei se durante a minha infância e adolescência fui acometido deste mal, entretanto tenho recordação de momentos de muita tristeza. Tive a primeira crise aos 22 anos mais ou menos. Fazia escola técnica na Universidade Rural do Rio de Janeiro (a cerca de 75 km do Rio) e já tinha carro naquela época. No caminho precisava levar uma garrafa de 2 litros de água pois minha boca ficava seca e a angústia tomava conta de mim. Namorava uma menina que estudava Zootecnia e que ia comigo. Ela tinha dificuldade de entender o que se passava, mas foi uma heroína por me apoiar.     

O tempo passou, acabei estudando Direito na PUC à noite (no bairro da Gávea, Zona Sul do Rio) e morava na Tijuca (na Zona Norte). Para não passar pelo túnel Rebouças, subia pelo Alto da Boa Vista e descia pela estrada das Canoas, e isso durou pelo menos uns dois anos.

Me casei e no meu primeiro filho tive mais uma violenta crise e resolvi então fazer análise, que durou 20 anos.  
A análise me fez uma pessoa melhor, mas minha fobia de avião estava lá. Eu com 45 anos ainda não tinha viajado para o exterior e muitos dos temores que me assombraram por muitos anos tinham determinado o que ainda era.


Agora vem a melhor parte: dois anos depois de eu ter saído da análise e inconformado ainda com estes assombros, resolvi me tratar com uma psiquiatra e enfrentar em caráter definitivo tudo o que me destruiu. E aos 48 anos beijei a torre Eiffel como um marco de superação. 
Hoje tenho 57 anos, sou paisagista, empresário, e me transformei num bem sucedido e premiado case de inovação na minha área. 

No ano de 2014 viajei seis vezes para o exterior, inclusive para o Vietnã, e o mais importante de tudo foram as habilidades que desenvolvi, uma vez que todos estes medos encurralam vários talentos que temos - nos tornando pessoas aquém do que poderíamos ser -, e uma delas é a capacidade de criação.


Parabéns pela sua iniciativa,
Abraços,

S. - Rio de Janeiro, RJ


3 comentários:

  1. Muito rica e reconfortante esta história de vida.

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  2. Incrível mas uma das piores crises de pânico que tive foi indo para Rural, para fazer uma prova de um concurso na universidade, e é claro que não fiz, fui parar na enfermaria achando que estava morrendo. Na época já me tratava e achei que era efeito colateral da medicação. Só voltei ao tratamento anos depois.
    É muito bom saber que tem muita gente vivendo de forma plena , mesmo que tenha ou tenha tido a Síndrome.

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  3. Bad Trip com LSD (preciso de ajuda)

    Bom, eu sempre fumei maconha com meus amigos e nunca me aconteceu nenhuma bad. Um dia resolvi experimentar LSD e só tive viagem boa. Tomei mais dois e só tive viagem boa também. Resolvi tomar um quarto em um rolê pra ficar mais sossegado. Tomei, fumei bastante e novamente tive muita viagem boa. Quando a pira passou, fui à casa de um amigo e lá fumamos no bong. Mas uns 10 minutos depois de fumar, a pira voltou muito forte. Comecei a ver coisas e ficar escamado. Comecei a achar que o meu amigo estava me controlando de alguma forma e via as coisas frame por frame. Fiquei com muito medo e fui embora, sozinho. Indo pra casa de bicicleta comecei a achar que alienígenas estavam controlando meu corpo e todas as pessoas do mundo inteiro estavam na terra por causa de mim. Como se eu fosse um experimento ou algo do tipo. Nunca tinha sentido algo parecido. Todo carro que passava, na minha cabeça estava passando só pra me assustar. Com muita dificuldade consegui chegar em casa, ainda louco. Comecei então a pensar que minha família também fazia parte de tudo isso, mas logo o efeito foi diminuindo e eu fiquei de boa. Foi horrível, pior sensação da minha vida.

    Duas semanas depois tomei metade de mais um doce e senti quase a mesma coisa. A sensação era a mesma, mas era MUITO mais fraca. Não associei à alienígenas mas só às pessoas, novamente achando que estavam tentando me controlar. Eu não consegui prestar atenção em nada que os outros falavam e ficava só pensando nessa viagem. Resolvi nunca mais tomar LSD e continuei a fumar maconha. Mas agora toda vez que fumo, tenho uma pequena BAD. Nada comparado à bad do LSD, mas já me causa um desconforto.

    Gostaria de saber se isso se deve ao fato do LSD ser muito forte ou pode ser outra coisa. Obrigado!

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