Muito obrigada, Ana Café e Núcleo Integrado por todo apoio e confiança!!!! Não tenho palavras para traduzir a minha gratidão!!!!!!!!! Nosso grupo de apoio vai ser um sucesso!!!! :)
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Núcleo Integrado apoia o Sem Transtorno!
Muito obrigada, Ana Café e Núcleo Integrado por todo apoio e confiança!!!! Não tenho palavras para traduzir a minha gratidão!!!!!!!!! Nosso grupo de apoio vai ser um sucesso!!!! :)
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Matéria sobre o Sem Transtorno no Conexão Jornalismo
Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014
Jornalista,
produtora de TV e blogueira, Karen Terahata organiza para o próximo dia 22 de
fevereiro, na Barra, no Rio, o primeiro encontro de pacientes, parentes e amigos
de vítimas das chamadas síndromes do Pânico e ansiedade generalizada. O encontro
está sendo organizado via Internet e Karen espera reunir alguns dos seus 1.500
seguidores que acompanham o seu blog na Internet. Saiba mais.
A síndrome do Pânico é uma doença de difícil diagnóstico e, em geral, muitas vezes é confundida com problemas cardíacos graves. "a dormência no braço esquerdo, dores no peito e falta de ar muitas vezes confundem médicos e pacientes com um ataque cardíaco". Entretanto, com a impossibilidade de determina-la por meios de equipamentos, o diagnóstico muitas vezes só chega a partir de uma avaliação psicológica. Karen mantém na Internet o blog Semtranstorno.blogspot.com que recebe 15 mil visitas/mês.
Karen Terahata experimentou seu problema há nove anos. Durante o período ela teve altos e baixos até aprender a conviver com o problema: "o acompanhamento psicológico e medicamento são fundamentais", diz.
Os interessados em participar do encontro deverão enviar e-mail para semtranstorno@gmail.com . O encontro será no dia 22 de fevereiro, sábado, das 9 às 11 horas.
Ouça a entrevista completa com Karen Terahata.
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Saúde - Bem Estar
Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014
Blogueira organiza o primeiro encontro de pacientes de Síndrome do Pânico do Rio
Blogueira organiza o primeiro encontro de pacientes de Síndrome do Pânico do Rio
Da Redação
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A síndrome do Pânico é uma doença de difícil diagnóstico e, em geral, muitas vezes é confundida com problemas cardíacos graves. "a dormência no braço esquerdo, dores no peito e falta de ar muitas vezes confundem médicos e pacientes com um ataque cardíaco". Entretanto, com a impossibilidade de determina-la por meios de equipamentos, o diagnóstico muitas vezes só chega a partir de uma avaliação psicológica. Karen mantém na Internet o blog Semtranstorno.blogspot.com que recebe 15 mil visitas/mês.
Karen Terahata experimentou seu problema há nove anos. Durante o período ela teve altos e baixos até aprender a conviver com o problema: "o acompanhamento psicológico e medicamento são fundamentais", diz.
Os interessados em participar do encontro deverão enviar e-mail para semtranstorno@gmail.com . O encontro será no dia 22 de fevereiro, sábado, das 9 às 11 horas.
Ouça a entrevista completa com Karen Terahata.
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Sem Transtorno
O que são os Transtornos de Ansiedade? - Entrevista com o professor Sergio Machado
A partir de hoje, o Sem Transtorno conta com o auxílio luxuoso do professor e pesquisador Sergio Machado. Nesta primeira entrevista, ele nos explica o que são os transtornos de ansiedade, suas principais características, e afirma que estamos diante de um dos maiores problemas de saúde pública dos últimos anos.
ST - Professor Sergio, o que são os transtornos de ansiedade?
SM - Se não sentíssemos ansiedade, estaríamos vulneráveis aos perigos e ao desconhecido. A ansiedade é um sinal de alerta que nos faz ficarmos atentos a um perigo iminente e, assim, tomarmos as decisões corretas e necessárias frente a uma ameaça. Dessa forma, a ansiedade pode ser considerada um sentimento de grande utilidade para nós seres humanos. Ela faz parte de nosso desenvolvimento normal, das mudanças e das novas experiências que vivemos. A ansiedade é considerada um transtorno quando ela se dá em situações que não se justificam ou quando ela passa a interferir em nossas vidas devido à sua intensidade e duração constantes.
ST - E o que é a síndrome do pânico (ou transtorno do pânico)?
SM - O transtorno do pânico é um dos transtornos de ansiedade mais comuns, juntamente com a ansiedade social, o estresse pós-traumático e a ansiedade generalizada. O transtorno de pânico tem como manifestação central o ataque de pânico, que é um conjunto de manifestações de ansiedade com diversos sintomas físicos que dura em torno de 10 minutos. Normalmente, os primeiros ataques vêm inesperadamente, sem nenhum tipo de aviso. Após certo tempo, os ataques surgem por meio de um maior nível de ansiedade, ansiedade antecipatória ou podem ser desencadeados por algum tipo de situação específica.
ST - Quais são os sintomas mais comuns?
SM - Os sintomas mais comuns são taquicardia, dor torácica, hiperventilação (ritmo de respiração acelerado), medo de morrer, boca ressecada, sensação de sufocação, tonteiras, sudorese, tremores, sensação de perda do controle ou de "ficar louco".
ST - Por que o pânico atinge determinadas pessoas?
SM - Até o presente momento não se sabe a causa para o transtorno de pânico. A causa genética é um possível fator. Embora pesquisas como as de gêmeos idênticos indiquem que em 40% dos casos se um dos gêmeos tiver síndrome do pânico o outro também terá, em geral a síndrome ocorre sem que haja nenhum histórico familiar.
ST - Como os transtornos ansiosos têm afetado a nossa sociedade?
SM - Bom, os transtornos de ansiedade são os mais comuns dentre todos os transtornos psiquiátricos, com prevalência de 20%, e vem se tornando juntamente com a depressão um dos maiores problemas de saúde pública nos últimos anos.
ST - Existe uma faixa etária mais propensa às primeiras crises?
SM - O transtorno de pânico é mais comum em adolescentes e jovens adultos. Desses indivíduos, cerca de metade deles tem o primeiro ataque entre os 15 e os 30 anos. As mulheres são duas vezes mais propensas a desenvolverem o transtorno do pânico do que os homens.
ST - Qual deve ser o primeiro passo a ser tomado quando temos a primeira crise ansiosa?
SM - Quando acontecer de um indivíduo ter a primeira crise, e isso vale para todas, deve manter-se calmo e procurar atendimento médico com um psiquiatra.
ST - Qual seria o tratamento adequado?
SM - Depende sempre do nível do transtorno de ansiedade. O tratamento primário é o farmacológico, com medicamentos. De forma adicional, normalmente os pacientes fazem psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC), atividade física, exposição por meio de realidade virtual, e atualmente alguns consultórios médicos vem realizando estimulação magnética transcraniana e estimulação transcraniana de corrente contínua.
ST - O senhor acredita em cura para a síndrome de pânico?
SM - Não. Não acredito em cura para transtornos psiquiátricos, como o pânico por exemplo. O que há são tratamentos que podem levar a remissão dos sintomas, ou seja, a redução no nível dos sintomas a um ponto que não incomode ou incapacite o indivíduo.
* Sergio Machado é neurocientista, Ph.D., graduado em Educação Física (UNESA), Mestrado e Doutorado pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ), Pós-Doutorado em Neurofilosofia pelo Instituto de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia (IFILO/UFU), é professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) do IPUB/UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). É pesquisador na área de transtornos de humor e ansiedade.
Envie suas dúvidas e sugestões para semtranstorno@gmail.com
ST - Professor Sergio, o que são os transtornos de ansiedade?
SM - Se não sentíssemos ansiedade, estaríamos vulneráveis aos perigos e ao desconhecido. A ansiedade é um sinal de alerta que nos faz ficarmos atentos a um perigo iminente e, assim, tomarmos as decisões corretas e necessárias frente a uma ameaça. Dessa forma, a ansiedade pode ser considerada um sentimento de grande utilidade para nós seres humanos. Ela faz parte de nosso desenvolvimento normal, das mudanças e das novas experiências que vivemos. A ansiedade é considerada um transtorno quando ela se dá em situações que não se justificam ou quando ela passa a interferir em nossas vidas devido à sua intensidade e duração constantes.
ST - E o que é a síndrome do pânico (ou transtorno do pânico)?
SM - O transtorno do pânico é um dos transtornos de ansiedade mais comuns, juntamente com a ansiedade social, o estresse pós-traumático e a ansiedade generalizada. O transtorno de pânico tem como manifestação central o ataque de pânico, que é um conjunto de manifestações de ansiedade com diversos sintomas físicos que dura em torno de 10 minutos. Normalmente, os primeiros ataques vêm inesperadamente, sem nenhum tipo de aviso. Após certo tempo, os ataques surgem por meio de um maior nível de ansiedade, ansiedade antecipatória ou podem ser desencadeados por algum tipo de situação específica.
ST - Quais são os sintomas mais comuns?
SM - Os sintomas mais comuns são taquicardia, dor torácica, hiperventilação (ritmo de respiração acelerado), medo de morrer, boca ressecada, sensação de sufocação, tonteiras, sudorese, tremores, sensação de perda do controle ou de "ficar louco".
ST - Por que o pânico atinge determinadas pessoas?
SM - Até o presente momento não se sabe a causa para o transtorno de pânico. A causa genética é um possível fator. Embora pesquisas como as de gêmeos idênticos indiquem que em 40% dos casos se um dos gêmeos tiver síndrome do pânico o outro também terá, em geral a síndrome ocorre sem que haja nenhum histórico familiar.
ST - Como os transtornos ansiosos têm afetado a nossa sociedade?
SM - Bom, os transtornos de ansiedade são os mais comuns dentre todos os transtornos psiquiátricos, com prevalência de 20%, e vem se tornando juntamente com a depressão um dos maiores problemas de saúde pública nos últimos anos.
ST - Existe uma faixa etária mais propensa às primeiras crises?
SM - O transtorno de pânico é mais comum em adolescentes e jovens adultos. Desses indivíduos, cerca de metade deles tem o primeiro ataque entre os 15 e os 30 anos. As mulheres são duas vezes mais propensas a desenvolverem o transtorno do pânico do que os homens.
ST - Qual deve ser o primeiro passo a ser tomado quando temos a primeira crise ansiosa?
SM - Quando acontecer de um indivíduo ter a primeira crise, e isso vale para todas, deve manter-se calmo e procurar atendimento médico com um psiquiatra.
ST - Qual seria o tratamento adequado?
SM - Depende sempre do nível do transtorno de ansiedade. O tratamento primário é o farmacológico, com medicamentos. De forma adicional, normalmente os pacientes fazem psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC), atividade física, exposição por meio de realidade virtual, e atualmente alguns consultórios médicos vem realizando estimulação magnética transcraniana e estimulação transcraniana de corrente contínua.
ST - O senhor acredita em cura para a síndrome de pânico?
SM - Não. Não acredito em cura para transtornos psiquiátricos, como o pânico por exemplo. O que há são tratamentos que podem levar a remissão dos sintomas, ou seja, a redução no nível dos sintomas a um ponto que não incomode ou incapacite o indivíduo.
* Sergio Machado é neurocientista, Ph.D., graduado em Educação Física (UNESA), Mestrado e Doutorado pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ), Pós-Doutorado em Neurofilosofia pelo Instituto de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia (IFILO/UFU), é professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) do IPUB/UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). É pesquisador na área de transtornos de humor e ansiedade.
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Sem Transtorno inicia atividades de grupo de apoio no Rio de Janeiro
Amigos,
É com muita alegria, muita emoção, muito orgulho e muitos outros sentimentos mais que convido vocês para a primeira reunião do nosso Grupo de Apoio a Portadores da Síndrome do Pânico e Ansiedade Generalizada.
Este tão aguardado encontro acontecerá no dia 22 de fevereiro, sábado, de 9h às 11h da manhã, na Barra da Tijuca. A partir de então, nos reuniremos em todo primeiro sábado de cada mês, no mesmo horário.
A ideia do grupo de apoio é ajudar através de informação, orientação, convívio e troca de experiências com outros portadores de transtornos de ansiedade num ambiente descontraído, que nos permita tirar o foco dos sintomas e do medo. Tudo isso sem interferir na relação médico / paciente.
Será um prazer receber também familiares e amigos de portadores, assim como pessoas interessadas em entender melhor o problema.
É importante lembrar que não teremos qualquer vínculo ou influência religiosa.
Os interessados deverão enviar um e-mail para semtranstorno@gmail.com informando nome completo, idade e telefone para contato.
Gostaria de agradecer à psicóloga Ana Café e ao Núcleo Integrado pela confiança e apoio irrestrito ao projeto. Ao Fernando Mineiro, do GruPan de Belo Horizonte, pelas orientações e incentivo à criação do grupo. Às preciosas profissionais que cuidam de mim, minha psicóloga e minha psiquiatra, por todo o incentivo e parceria. À minha família e aos meus amigos, pela compreensão e respeito à minha causa. E àqueles que nunca entenderam meu problema também, meu agradecimento; não deixou de ser um grande estímulo. ;)
Um grande abraço! Esperamos por vocês!
Saúde, paz e coragem!
Karen Terahata
Sem Transtorno - www.semtranstorno.blogspot.com.br
semtranstorno@gmail.com
twitter: @semtranstorno
É com muita alegria, muita emoção, muito orgulho e muitos outros sentimentos mais que convido vocês para a primeira reunião do nosso Grupo de Apoio a Portadores da Síndrome do Pânico e Ansiedade Generalizada.
Este tão aguardado encontro acontecerá no dia 22 de fevereiro, sábado, de 9h às 11h da manhã, na Barra da Tijuca. A partir de então, nos reuniremos em todo primeiro sábado de cada mês, no mesmo horário.
A ideia do grupo de apoio é ajudar através de informação, orientação, convívio e troca de experiências com outros portadores de transtornos de ansiedade num ambiente descontraído, que nos permita tirar o foco dos sintomas e do medo. Tudo isso sem interferir na relação médico / paciente.
Será um prazer receber também familiares e amigos de portadores, assim como pessoas interessadas em entender melhor o problema.
É importante lembrar que não teremos qualquer vínculo ou influência religiosa.
Os interessados deverão enviar um e-mail para semtranstorno@gmail.com informando nome completo, idade e telefone para contato.
Gostaria de agradecer à psicóloga Ana Café e ao Núcleo Integrado pela confiança e apoio irrestrito ao projeto. Ao Fernando Mineiro, do GruPan de Belo Horizonte, pelas orientações e incentivo à criação do grupo. Às preciosas profissionais que cuidam de mim, minha psicóloga e minha psiquiatra, por todo o incentivo e parceria. À minha família e aos meus amigos, pela compreensão e respeito à minha causa. E àqueles que nunca entenderam meu problema também, meu agradecimento; não deixou de ser um grande estímulo. ;)
Um grande abraço! Esperamos por vocês!
Saúde, paz e coragem!
Karen Terahata
Sem Transtorno - www.semtranstorno.blogspot.com.br
semtranstorno@gmail.com
twitter: @semtranstorno
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Queridos,
Quero agradecer pela confiança que vocês têm depositado em mim, por todos os e-mails, comentários deixados aqui e mensagens no facebook que tenho recebido. Peço desculpas por não responder a todos prontamente, é humanamente impossível!
Infelizmente este não é meu trabalho, não ganho meu sustento me dedicando ao Sem Transtorno (ainda!), faço por amor, e com muito amor, sempre que consigo um tempinho. Mas responderei a todos, sem falta, ok?
Tardo, mas não falho!
Caso seja urgente, por favor, insistam.
Um grande abraço, contem comigo. Conto com vocês também. <3
Karen
Quero agradecer pela confiança que vocês têm depositado em mim, por todos os e-mails, comentários deixados aqui e mensagens no facebook que tenho recebido. Peço desculpas por não responder a todos prontamente, é humanamente impossível!
Infelizmente este não é meu trabalho, não ganho meu sustento me dedicando ao Sem Transtorno (ainda!), faço por amor, e com muito amor, sempre que consigo um tempinho. Mas responderei a todos, sem falta, ok?
Tardo, mas não falho!
Caso seja urgente, por favor, insistam.
Um grande abraço, contem comigo. Conto com vocês também. <3
Karen
sábado, 18 de janeiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Professor da UFRJ recruta voluntários para pesquisas relacionadas à ansiedade
Amigos,
Acabo de receber esta mensagem do professor Sergio Machado, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
Caso tenham interesse em participar de pesquisas relacionadas aos transtornos de ansiedade e de humor, entrem em contato com ele.
Eu já me ofereci! :)
Grande abraço, saúde a todos e paz!
Neurociência Da Atividade Física postou na linha do tempo de Sem Transtorno
"Novos tratamentos vêm sendo desenvolvidos para o tratamento dos transtornos de ansiedade, como exercício físico, estimulação magnética transcraniana, realidade virtual e outros.
A Neurociência é a responsável por isso, já que nos fornece muitos conhecimentos sobre o funcionamento cerebral em psiquiatria. É com muito prazer, que eu Prof. Sergio Machado, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e do departamento de Ciências da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira, venho oferecer a oportunidade de participação de pessoas com transtornos de ansiedade e humor de meus projetos de pesquisa em tratamentos para essas doenças.
Para maiores informações: secm80@gmail.com
Parabéns pelo espaço criado para discussões sobre os transtornos!"
Acabo de receber esta mensagem do professor Sergio Machado, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
Caso tenham interesse em participar de pesquisas relacionadas aos transtornos de ansiedade e de humor, entrem em contato com ele.
Eu já me ofereci! :)
Grande abraço, saúde a todos e paz!
Neurociência Da Atividade Física postou na linha do tempo de Sem Transtorno"Novos tratamentos vêm sendo desenvolvidos para o tratamento dos transtornos de ansiedade, como exercício físico, estimulação magnética transcraniana, realidade virtual e outros.
A Neurociência é a responsável por isso, já que nos fornece muitos conhecimentos sobre o funcionamento cerebral em psiquiatria. É com muito prazer, que eu Prof. Sergio Machado, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e do departamento de Ciências da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira, venho oferecer a oportunidade de participação de pessoas com transtornos de ansiedade e humor de meus projetos de pesquisa em tratamentos para essas doenças.
Para maiores informações: secm80@gmail.com
Parabéns pelo espaço criado para discussões sobre os transtornos!"
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Dicas preciosas e não medicamentosas para superar a ansiedade - última parte
TÉCNICAS DE RELAXAMENTO
- Incluir exercícios de relaxamento no tratamento da ansiedade e do estresse tem dado um feedback muito positivo. A grande maioria dos pacientes relata uma sensação de maior bem-estar com utilização das técnicas de relaxamento e também assinala melhoras significativas em sua saúde física.
- As pessoas com sintomas constantes de ansiedade e tensão nervosa são invadidas por um fluxo contínuo de ideias negativas. Ao longo do dia, sua mente consciente é inundada por pensamentos e fantasias que geram sentimentos conturbados. A maioria desses sentimentos refere-se aos problemas de saúde, de finanças ou de relações pessoais e de trabalho. Essa implacável repetição mental de questões não resolvidas pode reforçar os sintomas de ansiedade e ser algo extenuante. É fundamental, para essas pessoas, aprender como deter esse constante diálogo interior e aquietar a mente.
- Existe uma série de exercícios e técnicas de relaxamento, todas muito boas e recomendadas. O mais importante é que você utilize aquela que lhe possibilite atingir paz física e mental. Experimente algumas e observe o resultado: se sua mente começar a se esvaziar e depois de algum tempo permanecer quieta, como se nada mais importasse na vida, a não ser aquele estado mágico de paz e harmonia, saiba que você encontrou a sua técnica ideal.
EXERCÍCIOS FÍSICOS
- O exercício físico é uma parte importante em um programa de redução de ansiedade e do estresse. A descarga de tensão física e emocional, que acompanha uma vigorosa sessão de exercícios, reduz direta e imediatamente a ansiedade e o estresse. Além disso, os benefícios físicos reforçam a sua resistência ao estresse e promovem mudanças psicológicas benéficas.
- Além de melhorar o funcionamento cardiovascular, o exercício regular também reduz a ansiedade pelo aperfeiçoamento do funcionamento cerebral. O exercício desobstrui e dilata os vasos sanguíneos do corpo e do cérebro, favorecendo a oxigenação e a circulação. Assim, mais nutrientes podem fluir para a execução das funções cerebrais e mais tóxicos podem ser removidos do cérebro.
- O exercício regular não só induz progressos funcionais no cérebro, mas também altera de forma surpreendente a própria química cerebral de um modo muito positivo, através das endorfinas beta. Estas substâncias, além de possuírem efeito sedativo para a dor, apresentam um efeito espetacular sobre a disposição e o ânimo. Reduzem também a ansiedade e a tensão nervosa.
- Muitas pessoas transformam a prática de exercícios físicos em um bom hábito. E isso é muito salutar, pois substituem, conscientemente, os modos mais prejudiciais como lidavam com o estresse no passado, como abusar do álcool, comer em excesso ou adotar um comportamento agressivo.
- Exercitar-se regularmente, entre três e cinco vezes por semana, pode até ser considerado um "vício" para alguns, mas ninguém pode negar que se trata de um vício muito positivo que acarreta efeitos benéficos para a saúde.
TERAPIAS COMPLEMENTARES
- Ouse buscar outras técnicas terapêuticas como coadjuvantes no processo da sua recuperação. Dentre elas, destacamos a ioga, a meditação, a acupuntura, o shiatsu, entre muitas outras disponíveis e aprovadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
- A procura por outras técnicas traz resultados bastante satisfatórios quando associadas ao tratamento estabelecido. Em geral, as terapias complementares estão voltadas para o bem-estar do indivíduo como um todo (corpo, mente e alma), proporcionando conforto, autoconhecimento e, consequentemente, autocontrole.
- E por fim, reforce os laços afetivos com as pessoas queridas, procure ser generoso e não se descuide da sua espiritualidade, seja qual for a sua fé!
(texto retirado do livro Mentes Ansiosas, de Ana Beatriz Barbosa Silva; imagens: reprodução internet)
- Incluir exercícios de relaxamento no tratamento da ansiedade e do estresse tem dado um feedback muito positivo. A grande maioria dos pacientes relata uma sensação de maior bem-estar com utilização das técnicas de relaxamento e também assinala melhoras significativas em sua saúde física.
- As pessoas com sintomas constantes de ansiedade e tensão nervosa são invadidas por um fluxo contínuo de ideias negativas. Ao longo do dia, sua mente consciente é inundada por pensamentos e fantasias que geram sentimentos conturbados. A maioria desses sentimentos refere-se aos problemas de saúde, de finanças ou de relações pessoais e de trabalho. Essa implacável repetição mental de questões não resolvidas pode reforçar os sintomas de ansiedade e ser algo extenuante. É fundamental, para essas pessoas, aprender como deter esse constante diálogo interior e aquietar a mente.
- Existe uma série de exercícios e técnicas de relaxamento, todas muito boas e recomendadas. O mais importante é que você utilize aquela que lhe possibilite atingir paz física e mental. Experimente algumas e observe o resultado: se sua mente começar a se esvaziar e depois de algum tempo permanecer quieta, como se nada mais importasse na vida, a não ser aquele estado mágico de paz e harmonia, saiba que você encontrou a sua técnica ideal.
EXERCÍCIOS FÍSICOS
- O exercício físico é uma parte importante em um programa de redução de ansiedade e do estresse. A descarga de tensão física e emocional, que acompanha uma vigorosa sessão de exercícios, reduz direta e imediatamente a ansiedade e o estresse. Além disso, os benefícios físicos reforçam a sua resistência ao estresse e promovem mudanças psicológicas benéficas.
- Além de melhorar o funcionamento cardiovascular, o exercício regular também reduz a ansiedade pelo aperfeiçoamento do funcionamento cerebral. O exercício desobstrui e dilata os vasos sanguíneos do corpo e do cérebro, favorecendo a oxigenação e a circulação. Assim, mais nutrientes podem fluir para a execução das funções cerebrais e mais tóxicos podem ser removidos do cérebro.
- O exercício regular não só induz progressos funcionais no cérebro, mas também altera de forma surpreendente a própria química cerebral de um modo muito positivo, através das endorfinas beta. Estas substâncias, além de possuírem efeito sedativo para a dor, apresentam um efeito espetacular sobre a disposição e o ânimo. Reduzem também a ansiedade e a tensão nervosa.
- Muitas pessoas transformam a prática de exercícios físicos em um bom hábito. E isso é muito salutar, pois substituem, conscientemente, os modos mais prejudiciais como lidavam com o estresse no passado, como abusar do álcool, comer em excesso ou adotar um comportamento agressivo.
- Exercitar-se regularmente, entre três e cinco vezes por semana, pode até ser considerado um "vício" para alguns, mas ninguém pode negar que se trata de um vício muito positivo que acarreta efeitos benéficos para a saúde.
TERAPIAS COMPLEMENTARES
- Ouse buscar outras técnicas terapêuticas como coadjuvantes no processo da sua recuperação. Dentre elas, destacamos a ioga, a meditação, a acupuntura, o shiatsu, entre muitas outras disponíveis e aprovadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
- A procura por outras técnicas traz resultados bastante satisfatórios quando associadas ao tratamento estabelecido. Em geral, as terapias complementares estão voltadas para o bem-estar do indivíduo como um todo (corpo, mente e alma), proporcionando conforto, autoconhecimento e, consequentemente, autocontrole.
- E por fim, reforce os laços afetivos com as pessoas queridas, procure ser generoso e não se descuide da sua espiritualidade, seja qual for a sua fé!
(texto retirado do livro Mentes Ansiosas, de Ana Beatriz Barbosa Silva; imagens: reprodução internet)
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Dicas preciosas e não medicamentosas para superar a ansiedade - alimentos que aliviam a ansiedade
Certos grupos de alimentos são tolerados por quase todas as pessoas, até mesmo por aquelas que são ansiosas ou extremamente preocupadas. Esses alimentos incluem a maioria das verduras, frutas, féculas, alguns cereais, quinoa, amaranto, milho, arroz e nozes. No início do tratamento, eles devem constituir o núcleo de sua alimentação. À medida que você se sentir melhor, podem-se adicionar mais frutas, cereais, óleos, peixes, aves e carnes (com moderação).
Verduras
- São alimentos excepcionais para o alívio da tensão e do estresse. Muitas são ricas em minerais importantes para melhorar o vigor físico, a resistência e a vitalidade, como o cálcio, o magnésio e o potássio. Algumas das melhores fontes desses minerais incluem a acelga, o espinafre, o brócolis, a couve, as folhas de beterraba e as folhas de mostarda.
- Muitas verduras são ricas em vitamina C, que é uma importante substância antiestresse. As verduras ricas em vitamina C incluem a couve-de-bruxelas, o brócolis, a couve-flor, a couve-manteiga e a salsa.
Frutas
- As frutas também possuem uma ampla gama de nutrientes que podem aliviar a tensão e o estresse. Morangos, amoras, framboesas, melões e laranjas são excelentes fontes de vitamina C.
- As uvas, amoras e bananas são ricas em cálcio e magnésio, dois minerais essenciais ao funcionamento adequado do sistema nervoso e da função muscular. As uvas e as bananas são também fontes excepcionais de potássio, que é muito bom para a fadiga excessiva e o inchaço.
- Em fase de muito estresse, consuma a fruta e evite os sucos de fruta. O suco de frutas não contém o volume de fibras da fruta inteira, dessa forma age mais como o açúcar de mesa, desestabilizando o nível de glicose no sangue quando consumido em excesso. Isso pode exacerbar a ansiedade, fadiga e as variações de humor.
Féculas
- Batatas, batatas-doces e inhames são carboidratos leves, bem-tolerados, fontes adicionais de proteínas de fácil digestão para pessoas com ansiedade e tensão nervosa.
- Tal como os carboidratos complexos, as féculas são calmantes, pois ajudam a regularizar o nível de açúcar no sangue.
Legumes
- Feijões e ervilhas são excelentes fontes de cálcio, magnésio e potássio, necessários ao funcionamento saudável do sistema nervoso, e têm propriedades de relaxamento emocional e muscular.
- Os legumes também são fontes de proteínas que podem ser facilmente utilizadas e, por isso mesmo, substituem as carnes em muitas refeições.
Cereais integrais
- Os cereais integrais são fontes de nutrientes estabilizadores do humor, como o complexo da vitamina B, a vitamina E, muitos minerais essenciais, carboidratos complexos, proteínas, ácidos graxos essenciais e fibra. Os cereais integrais ajudam a estabilizar o nível de açúcar no sangue e, dessa forma, previnem os sintomas de ansiedade desencadeados pela hipoglicemia.
- O arroz integral e o milho são boas escolhas para pessoas com sintomas moderados de ansiedade. Nessa categoria estão também o trigo sarraceno e as alternativas exóticas, como a quinoa e o amaranto.
Sementes e nozes
- Sementes e nozes são as melhores fontes dos dois ácidos graxos essenciais, o ácido linoico e ácido linolênico.
- Níveis elevados de ácidos graxos essenciais em uma dieta são muito importantes na prevenção dos sintomas físicos da TPM, menopausa, transtornos emocionais e alergias.
- As sementes que possuem ambos os ácidos graxos são a linhaça e as sementes de abóbora. As sementes de gergelim e de girassol são excelentes fontes de ácido linolênico.
- Nozes e sementes são extremamente ricas em calorias e podem ser de difícil digestão, principalmente se forem torradas e salgadas. Portanto, devem ser ingeridas somente em pequenas quantidades.
Carnes, aves e peixes
- As carnes vermelhas e as aves devem ser comidas em pequenas quantidade. A melhor escolha é o peixe. Ao contrário das demais carnes, o peixe contém ácido linolênico, ajudando a relaxar o estado de ânimo, assim como os músculos tensos.
- O peixe é também uma excelente fonte de minerais, sobretudo de iodo e potássio. Escolhas particularmente boas para pessoas ansiosas são o salmão, o atum, a cavala e a truta.
(texto retirado do livro Mentes Ansiosas, de Ana Beatriz Barbosa Silva; imagens: reprodução internet)
Verduras
- São alimentos excepcionais para o alívio da tensão e do estresse. Muitas são ricas em minerais importantes para melhorar o vigor físico, a resistência e a vitalidade, como o cálcio, o magnésio e o potássio. Algumas das melhores fontes desses minerais incluem a acelga, o espinafre, o brócolis, a couve, as folhas de beterraba e as folhas de mostarda.
- Muitas verduras são ricas em vitamina C, que é uma importante substância antiestresse. As verduras ricas em vitamina C incluem a couve-de-bruxelas, o brócolis, a couve-flor, a couve-manteiga e a salsa.
Frutas
- As frutas também possuem uma ampla gama de nutrientes que podem aliviar a tensão e o estresse. Morangos, amoras, framboesas, melões e laranjas são excelentes fontes de vitamina C.
- As uvas, amoras e bananas são ricas em cálcio e magnésio, dois minerais essenciais ao funcionamento adequado do sistema nervoso e da função muscular. As uvas e as bananas são também fontes excepcionais de potássio, que é muito bom para a fadiga excessiva e o inchaço.
- Em fase de muito estresse, consuma a fruta e evite os sucos de fruta. O suco de frutas não contém o volume de fibras da fruta inteira, dessa forma age mais como o açúcar de mesa, desestabilizando o nível de glicose no sangue quando consumido em excesso. Isso pode exacerbar a ansiedade, fadiga e as variações de humor.
Féculas
- Batatas, batatas-doces e inhames são carboidratos leves, bem-tolerados, fontes adicionais de proteínas de fácil digestão para pessoas com ansiedade e tensão nervosa.
- Tal como os carboidratos complexos, as féculas são calmantes, pois ajudam a regularizar o nível de açúcar no sangue.
Legumes
- Feijões e ervilhas são excelentes fontes de cálcio, magnésio e potássio, necessários ao funcionamento saudável do sistema nervoso, e têm propriedades de relaxamento emocional e muscular.
- Os legumes também são fontes de proteínas que podem ser facilmente utilizadas e, por isso mesmo, substituem as carnes em muitas refeições.
Cereais integrais
- Os cereais integrais são fontes de nutrientes estabilizadores do humor, como o complexo da vitamina B, a vitamina E, muitos minerais essenciais, carboidratos complexos, proteínas, ácidos graxos essenciais e fibra. Os cereais integrais ajudam a estabilizar o nível de açúcar no sangue e, dessa forma, previnem os sintomas de ansiedade desencadeados pela hipoglicemia.
- O arroz integral e o milho são boas escolhas para pessoas com sintomas moderados de ansiedade. Nessa categoria estão também o trigo sarraceno e as alternativas exóticas, como a quinoa e o amaranto.
Sementes e nozes
- Sementes e nozes são as melhores fontes dos dois ácidos graxos essenciais, o ácido linoico e ácido linolênico.
- Níveis elevados de ácidos graxos essenciais em uma dieta são muito importantes na prevenção dos sintomas físicos da TPM, menopausa, transtornos emocionais e alergias.
- As sementes que possuem ambos os ácidos graxos são a linhaça e as sementes de abóbora. As sementes de gergelim e de girassol são excelentes fontes de ácido linolênico.
- Nozes e sementes são extremamente ricas em calorias e podem ser de difícil digestão, principalmente se forem torradas e salgadas. Portanto, devem ser ingeridas somente em pequenas quantidades.
Carnes, aves e peixes
- As carnes vermelhas e as aves devem ser comidas em pequenas quantidade. A melhor escolha é o peixe. Ao contrário das demais carnes, o peixe contém ácido linolênico, ajudando a relaxar o estado de ânimo, assim como os músculos tensos.
- O peixe é também uma excelente fonte de minerais, sobretudo de iodo e potássio. Escolhas particularmente boas para pessoas ansiosas são o salmão, o atum, a cavala e a truta.
(texto retirado do livro Mentes Ansiosas, de Ana Beatriz Barbosa Silva; imagens: reprodução internet)
domingo, 12 de janeiro de 2014
Dicas preciosas e não medicamentosas para superar a ansiedade - alimentos a serem evitados
Muitas pessoas não se dão conta do importante papel que a seleção de alimentos pode desempenhar na intensificação ou na redução de sintomas de ansiedade, pânico e estresse excessivo. As pesquisas médicas nas áreas de dieta e nutrição, nos últimos trinta anos, demonstraram que muitos alimentos, bebidas e suplementos alimentares podem agravar ou desencadear sentimentos de ansiedade. Em contrapartida, outros estudos concluíram que certos alimentos são benéficos por suas propriedades calmantes e estabilizadoras do estado de ânimo ou humor.
ALIMENTOS A SEREM EVITADOS
Cafeína (café, chá preto, refrigerante à base de cola etc.)
- A cafeína deflagra ansiedade e até mesmo sintomas de pânico porque excita diretamente vários mecanismos de estimulação do corpo. Eleva o nível de noradrenalina do cérebro, um neurotransmissor que aumenta a vivacidade. Além disso, a cafeína estimula a descarga de hormônios do estresse, principalmente o cortisol, a partir da estimulação das glândulas suprarrenais, intensificando ainda mais os sintomas de nervosismo e agitação. - Se você sofre de sintomas de ansiedade, independente da causa, recomendo que reduza o seu consumo de café a uma xícara diária e tente eliminar os refrigerantes à base de cola e chás que contenham cafeína. Muitos chás de ervas como camomila, cidreira, erva-doce e hortelã-pimenta podem exercer um efeito relaxante sobre o corpo, ajudando a reduzir a ansiedade.
Açúcar
-
A glicose é uma forma simples de açúcar que proporciona ao corpo a sua
principal fonte de energia. (...) Entretanto, a forma como introduzimos
esse importante alimento em nosso organismo pode afetar de maneira
profunda nosso estado de humor. - O ideal é ingerir maiores quantidades de carboidratos (açúcares) complexos, como cereais integrais, batatas, legumes e frutas. Os açúcares desses alimentos são digeridos lentamente e liberados na circulação sanguínea de forma muito gradual. Assim, a quantidade de glicose obtida com a digestão desses alimentos não sobrecarrega a capacidade do corpo para absorvê-la.- A excessiva ingestão de açúcar pode ser um importante fator no surgimento de sintomas de ansiedade.
- A pessoa pode se sentir inicialmente eufórica após ingerir açúcar, e depois sentir um rápido choque e uma redução profunda em seu nível de energia. Quando o nível de açúcar no sangue fica demasiadamente baixo, a pessoa sente-se ansiosa, agitada e confusa porque o cérebro é privado do seu combustível maior.
- Não há dúvidas de que o excesso de açúcar estressa muitos sistemas do organismo, o que piora a saúde e intensifica a ansiedade, a tensão nervosa e a fadiga. Procure satisfazer seu desejo de doce mudando para alimentos mais saudáveis. Prefira as sobremesas baseadas em frutas ou cereais, como biscoitos de farinha de aveia com suco de fruta ou mel. Peça também orientações a um bom nutricionista, pois ele conhece várias opções saborosas e saudáveis de sobremesas que poderão satisfazer seus desejos sem perturbar o seu humor e a sua disposição física.
Álcool

- Tal como os açúcares, o álcool aumenta os sintomas de hipoglicemia, e o seu uso excessivo pode aumentar a ansiedade e as oscilações de humor.- O álcool pode causar profundas mudanças comportamentais quando consumido em excesso. Os principais sintomas incluem a ansiedade, a depressão, os acessos irracionais de cólera, a baixa capacidade de julgamento, a perda de memória, vertigens e a coordenação motora deficiente.
- Mediante essas informações, recomenda-se que as pessoas com sintomas de ansiedade usem muito raramente bebidas alcoólicas e, quando o fizerem, que seja de forma cuidadosa: nunca exceder duas taças de vinho, duas latinhas de cerveja ou apenas uma dose de qualquer destilado (uísque, vodka, aguardente etc.)
Suplementos alimentares
- Podem produzir sintomas alérgicos e desencadear ansiedade em muitas pessoas. - Alguns pacientes se queixaram de que o uso do adoçante artificial aspartame precipitara neles sintomas pré-pânico, tais como taquicardia, respiração superficial, dores de cabeça, ansiedade e vertigem.- Glutamato monossódico: algumas pessoas reclamam de dores de cabeça e ansiedade quando consomem alimentos preparados com esse tempero.
Laticínios e carnes vermelhas
(texto retirado do livro "Mentes Ansiosas", de Ana Beatriz Barbosa Silva; imagens: reprodução internet)
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Dicas preciosas e não medicamentosas para superar a ansiedade
Não escondo de ninguém que tenho como bíblia os livros da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, principalmente o Mentes Ansiosas, que trata o medo "além dos limites". Adoro a forma simples e sensível como ela explica os transtornos. Mais do que isso, adoro o otimismo dela quando fala sobre a superação dos transtornos.
Por isso, compartilho com vocês alguns trechos do meu livro de cabeceira e espero que os ajudem, assim como tem me ajudado.
- O primeiro e decisivo passo para superar a ansiedade e o medo excessivos é reconhecer e aceitar os seus próprios medos. Todos, sem exceção, têm medos - grandes ou pequenos -, e você não fica de fora. Se isso estiver trazendo prejuízos significativos em diversos setores da sua vida, o segundo passo é procurar ajuda especializada. Você de fato pode estar sofrendo de um transtorno de ansiedade e necessitará de diagnóstico e tratamento adequados.
- Caso o diagnóstico seja dado, leve o problema e os tratamentos a sério. Os tratamentos de ansiedade devem ser encarados como qualquer outra doença (hipertensão, diabetes, enfisema etc.). Não se envergonhe nem esconda o seu problema, pois isso só faz o "monstro" interno crescer.
- Aprenda tudo sobre os seus medos e os transtornos que eles podem lhe causar. Procure literaturas especializadas, troque experiências com outras pessoas, assista a filmes que retratem o problema. Quanto mais souber sobre o assunto, mais aumentará sua munição contra o "inimigo".
- Procure suporte de outras pessoas. Tentar melhorar sozinho é sempre muito mais difícil. Familiares, amigos próximos e associações de portadores de transtornos de ansiedade podem ser bases de apoio importantes e ajudam bastante no tratamento.
- Participe ativamente do processo da sua recuperação. Busque alternativas de melhora, empenhe-se nas tarefas propostas por seu terapeuta e mantenha sempre um diálogo franco e aberto com o seu médico. Esperar passivamente que os sintomas aliviem não é suficiente.
- Vencer os medos depende de você querer se ajudar e, lembre-se, ninguém poderá fazer isso por você.
Grande abraço a todos! Saúde e coragem!
(imagem: reprodução internet)
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Auto-piedade
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| Imagem: reprodução internet |
Costumo dizer que nós, portadores de transtornos de ansiedade, deveríamos ser enxergados sim como vítimas: vítimas de uma doença real, que merece ser encarada com respeito, seriedade e tratamento adequado.
Por outro lado, digo que não devemos nos vitimizar...
"A auto-piedade é um alimento venenoso, uma espécie de erva daninha que
intoxica por completo o espírito, dificulta as relações e promove medo,
desconfiança, solidão e melancolia.
É filha do egoísmo e da
lamentação, afilhada do orgulho e irmã da necessidade de aprovação e de
atenção especial. O auto-piedoso teme o futuro e lamenta-se do passado,
reclama do que não tem, não percebe a vida e não vive o hoje. Faz-se
vítima, a pior possível, até se tornar único em seu sofrimento. Também
tem o hábito de responsabilizar os outros por sua dor, justificando seu
estado, retro-alimentando-se e escondendo-se no sentimento de menos
valia.
Depois, quando plenamente tomado por essa toxina, e por
não suportá-la, passa a distribuí-la gratuitamente às pessoas que mais
ama, através do pessimismo,do derrotismo e às vezes da vingança.
É bom estar atento, pois este sentimento pode tomar posse de qualquer
um. É democrático, não tendo preferência por idade, sexo ou raça e
geralmente vai surgindo devagarinho, assim como a noite sobre o dia,
tomando conta da gente, expulsando a alegria de viver e podendo durar
muito.
Os sintomas iniciais podem estar relacionados à necessidade
de atenção especial, ao dar exclusivamente para receber, ao querer
aprovação alheia e à exigência exercida sobre pensamentos,
comportamentos e sentimentos dos outros.
A desintoxicação da
auto-piedade pode ser facilitada através de doses diárias de princípios
espirituais, como humildade, honestidade e coragem para se permitir um
auto conhecimento e buscar seus valores mais genuínos de auto respeito e
amor próprio, pois a vida espiritual está no “lá dentro de cada um” e
se reflete no “lá fora de todos nós”. O “lá dentro” é a casa do nosso
espírito, onde podemos estar sozinhos e em paz, o que é bom e saudável,
mas se ela for invadida pela sombra de sentimentos como o da
auto-piedade, o estar sozinho vira solidão e a paz em angústia, e o “lá
fora” fica ingovernável". (Ricardo Sola, terapeuta)
Vale a pena refletir! :)
Saúde e paz para todos nós!
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013
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| Foto: reprodução internet |
Tenham força e coragem!!!
Em 2014 vamos iniciar os encontros do grupo de apoio a portadores de pânico aqui no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca. Vai ser um passo muito importante de um belo projeto de conscientização e superação que tenho em mente.
Um grande abraço e todo meu carinho,
Karen Terahata
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Entenda a ansiedade
O que é ansiedade?
A ansiedade é uma reação normal do organismo que prepara a pessoa para situações de perigo. Se não existisse ansiedade ou medo, as pessoas morreriam, pois não estariam alertas aos perigos da vida. Diante do perigo, as glândulas adrenais liberam adrenalina na corrente sanguínea, que prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga.
Ansiedade é normal?
A ansiedade é normal e faz parte do repertório normal de emoções do ser humano. No entanto, quando exagerada, provoca muito sofrimento e interferência na vida cotidiana e passa a ser considerada patológica.
Quais são os sintomas da ansiedade?
Os sintomas da ansiedade podem ser divididos em mentais e somáticos.
Os sintomas mentais (ou psíquicos) são medo de que ocorra algo ruim, preocupação excessiva e sensação de perigo iminente.
Os sintomas somáticos incluem tensão motora, hiperatividade autonômica e hipervigilância, além de somatização importante. A hiperatividade autonômica se manifesta por meio da descarga de adrenalina, que causa taquicardia (coração acelerado), sudorese, tremores, falta de ar, calafrios ondas de calor, náusea, aperto no peito, tontura, urgência urinária e diarreia. A hipervigilância, que é estar alerta ao perigo, ocasiona dificuldade de concentração e, consequentemente, de memorização.
A ansiedade exagerada é uma doença?
Na realidade, a ansiedade exagerada pode fazer parte de várias doenças. Há os transtornos que são primariamente relacionados à ansiedade, como é o caso do transtorno do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo*, as fobias, entre outros. Em outras doenças, psiquiátricas ou não, também se encontra ansiedade excessiva, por exemplo, na depressão, no hipertireoidismo, entre outras. Por isso, é necessária uma avaliação médica cuidadosa em cada caso de ansiedade, muitas vezes com a solicitação de exames laboratoriais para um diagnóstico diferencial.
Como se trata a ansiedade?
A ansiedade é tratada com medicamentos e psicoterapia. Vários medicamentos aliviam-na, sendo alguns indicados para uma crise e outros para tratamento de longo prazo.
Há várias abordagens psicoterápicas para o tratamento da ansiedade. Por exemplo, uma técnica cognitivo-comportamental que pode ser usada é a exposição com prevenção de resposta. Essa técnica pode ser usada por meio da imaginação ou in vivo.
Outras técnicas para manejo de ansiedade
Dessensibilização sistemática: é uma técnica que pode ser usada nas fobias. O paciente é exposto gradualmente ao objeto temido, de modo que a ansiedade vai diminuindo aos poucos.
Relaxamento aplicado: o paciente é orientado a controlar ou antever os sintomas fisiológicos relacionados à ansiedade e relaxar nos momentos em que se sente ansioso.
Que medidas posso tomar para ajudar no controle da ansiedade?
Existem várias medidas que ajudam a controlar a ansiedade. Todas elas envolvem a busca por uma melhor qualidade de vida (saúdes física e mental): uma mente sã depende de um corpo são.
Como cuidar do corpo?
Texto retirado da publicação Qualidade de Vida - Ansiedade (Mantercorp Farmasa), patrocinada pela Hypermarcas.
Imagens: reprodução internet.
* No DSM-5 (2013), o TOC foi retirado do capítulo dos transtornos de ansiedade e colocado em um novo capítulo com o título de Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtornos Relacionados.
A ansiedade é uma reação normal do organismo que prepara a pessoa para situações de perigo. Se não existisse ansiedade ou medo, as pessoas morreriam, pois não estariam alertas aos perigos da vida. Diante do perigo, as glândulas adrenais liberam adrenalina na corrente sanguínea, que prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga.
Ansiedade é normal?
A ansiedade é normal e faz parte do repertório normal de emoções do ser humano. No entanto, quando exagerada, provoca muito sofrimento e interferência na vida cotidiana e passa a ser considerada patológica.
Quais são os sintomas da ansiedade?
Os sintomas da ansiedade podem ser divididos em mentais e somáticos.
Os sintomas mentais (ou psíquicos) são medo de que ocorra algo ruim, preocupação excessiva e sensação de perigo iminente.
Os sintomas somáticos incluem tensão motora, hiperatividade autonômica e hipervigilância, além de somatização importante. A hiperatividade autonômica se manifesta por meio da descarga de adrenalina, que causa taquicardia (coração acelerado), sudorese, tremores, falta de ar, calafrios ondas de calor, náusea, aperto no peito, tontura, urgência urinária e diarreia. A hipervigilância, que é estar alerta ao perigo, ocasiona dificuldade de concentração e, consequentemente, de memorização.
A ansiedade exagerada é uma doença?
Na realidade, a ansiedade exagerada pode fazer parte de várias doenças. Há os transtornos que são primariamente relacionados à ansiedade, como é o caso do transtorno do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo*, as fobias, entre outros. Em outras doenças, psiquiátricas ou não, também se encontra ansiedade excessiva, por exemplo, na depressão, no hipertireoidismo, entre outras. Por isso, é necessária uma avaliação médica cuidadosa em cada caso de ansiedade, muitas vezes com a solicitação de exames laboratoriais para um diagnóstico diferencial.
Como se trata a ansiedade?A ansiedade é tratada com medicamentos e psicoterapia. Vários medicamentos aliviam-na, sendo alguns indicados para uma crise e outros para tratamento de longo prazo.
Há várias abordagens psicoterápicas para o tratamento da ansiedade. Por exemplo, uma técnica cognitivo-comportamental que pode ser usada é a exposição com prevenção de resposta. Essa técnica pode ser usada por meio da imaginação ou in vivo.
Outras técnicas para manejo de ansiedade
Dessensibilização sistemática: é uma técnica que pode ser usada nas fobias. O paciente é exposto gradualmente ao objeto temido, de modo que a ansiedade vai diminuindo aos poucos.
Relaxamento aplicado: o paciente é orientado a controlar ou antever os sintomas fisiológicos relacionados à ansiedade e relaxar nos momentos em que se sente ansioso.
Que medidas posso tomar para ajudar no controle da ansiedade?
Existem várias medidas que ajudam a controlar a ansiedade. Todas elas envolvem a busca por uma melhor qualidade de vida (saúdes física e mental): uma mente sã depende de um corpo são.
Como cuidar do corpo?
- Mantenha uma dieta saudável;
- Não abuse de bebidas alcoólicas, nem mesmo de "bebedeiras" de fim de semana, pois aumentam o risco de alcoolismo. O álcool também piora a depressão e a ansiedade e pode interferir na qualidade do sono;
- Evite drogas ilícitas. Maconha causa depressão, desencadeia psicoses em pessoas predispostas e pode prejudicar o aprendizado;
- Pratique exercícios: a prática de atividades físicas reduz o estresse e o mau-humor por meio da liberação de endorfinas e outros neurotransmissores no cérebro. Exercícios também aceleram a recuperação de pacientes com depressão;
- Tome sol: o sol estimula a produção de vitamina D no organismo, que fortalece os ossos, músculos e melhora o humor. Use filtro solar.
- Evite situações estressantes. Por exemplo, procure evitar congestionamentos utilizando horários alternativos;
- Aprenda técnicas de respiração e relaxamento, como ioga;
- Uma boa qualidade de sono é fundamental para manter o bom ânimo e a energia para o dia a dia, para consolidar a memória do que se aprende durante o dia e para evitar doenças físicas e mentais, como enxaqueca e depressão.
- Sexo: é relaxante e também uma atividade física. Uma vida sexual saudável contribui para manter a boa saúde mental.
- Lazer: procure dedicar-se ao lazer ou descansar nos fins de semana.
Texto retirado da publicação Qualidade de Vida - Ansiedade (Mantercorp Farmasa), patrocinada pela Hypermarcas.
Imagens: reprodução internet.
* No DSM-5 (2013), o TOC foi retirado do capítulo dos transtornos de ansiedade e colocado em um novo capítulo com o título de Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtornos Relacionados.
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tratamento
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Sugestão de leitura: "A Garota Que Tinha Medo"
Há algumas semanas, uma representante da Editora Schoba entrou em contato comigo para oferecer um de seus últimos lançamentos. Achei muito chique isso e aceitei, claro, a gentileza!
O livro "A Garota Que Tinha Medo", de Breno Melo, conta a história de Marina, uma jovem universitária que sofre de síndrome do pânico.
Como quase todos nós, os chamados "panicosos", Marina teve uma primeira crise traumática e precisou passar por outros ataques aterrorizantes até descobrir que precisava de tratamento mental.
Situações bastante comuns para quem vive ou já viveu a doença, como o pavor nas primeiras crises e o frio afastamento do namorado preconceituoso, são contadas de maneira bastante esclarecedora. Aproxima, dessa forma, um leitor que pouco sabe sobre o assunto e ajuda a diminuir o preconceito.
Algumas referências históricas e religiosas podem ser um pouco cansativas, mas escolhi um desses momentos para compartilhar com vocês. Talvez por refletir uns dos meus mais inquietantes sentimentos.
"Péqui voltou sozinha, não havia conseguido ajuda e viu os momentos finais de meu desespero, quando os sintomas haviam diminuído a ponto de já não caracterizarem um ataque.
- Está melhor?
- Agora, sim. Mas e daqui a cinco minutos?
A verdade é que eu poderia ter outro ataque a qualquer momento. Alguns panicosos têm vários ao dia.
Lancei lágrimas sobre meu peito como o céu acima lançava pingos sobre o solo. Por que Deus não Se manifestava no meio dessa tempestade para falar comigo? Por que Ele ao menos não me dava uma satisfação? Eu me desmanchava em lágrimas e não sabia exatamente o motivo.
Mas chorar depois das crises era pouco, e eu voltava a chorar pelas crises que havia tido, pelas que poderiam vir e por tudo o que havia perdido devido a elas. (...) Me senti um lixo e tive raiva de Deus, que havia criado este lixo.
(...) Nunca mais fui a mesma depois do primeiro ataque, temendo as pessoas ou os lugares. Tinha medo de passar por outros ataques, que poderiam acontecer a qualquer momento.
Voltar aos lugares onde eu havia tido crises era praticamente impossível. Enfrentar multidões agora me metia medo! E ficar sozinha me deixava ansiosa, porque temia entrar em pânico sem que houvesse alguém de confiança por perto.
Por que eu tinha de sofrer gratuitamente como Jó? Minha raiva de Deus se redobrava, ainda que continuasse menor que meu desespero. Me lembrei das aulas de Filosofia; me lembrei de Hegel. Para ele, Deus não intervém neste mundo, que funciona sozinho. Milagres? Não há milagres. (...)
Refletindo sobre Deus, concluí que Ele era ausente e inativo demais para corresponder ao Ser onipresente e todo-poderoso da Bíblia. Deus não era como eu imaginava e me decepcionei. Eu poderia Lhe agradar ou ofendê-Lo, que Ele não moveria uma palha".
O livro "A Garota Que Tinha Medo", de Breno Melo, conta a história de Marina, uma jovem universitária que sofre de síndrome do pânico.
Como quase todos nós, os chamados "panicosos", Marina teve uma primeira crise traumática e precisou passar por outros ataques aterrorizantes até descobrir que precisava de tratamento mental.
Situações bastante comuns para quem vive ou já viveu a doença, como o pavor nas primeiras crises e o frio afastamento do namorado preconceituoso, são contadas de maneira bastante esclarecedora. Aproxima, dessa forma, um leitor que pouco sabe sobre o assunto e ajuda a diminuir o preconceito.
Algumas referências históricas e religiosas podem ser um pouco cansativas, mas escolhi um desses momentos para compartilhar com vocês. Talvez por refletir uns dos meus mais inquietantes sentimentos.
"Péqui voltou sozinha, não havia conseguido ajuda e viu os momentos finais de meu desespero, quando os sintomas haviam diminuído a ponto de já não caracterizarem um ataque.
- Está melhor?
- Agora, sim. Mas e daqui a cinco minutos?
A verdade é que eu poderia ter outro ataque a qualquer momento. Alguns panicosos têm vários ao dia.
Lancei lágrimas sobre meu peito como o céu acima lançava pingos sobre o solo. Por que Deus não Se manifestava no meio dessa tempestade para falar comigo? Por que Ele ao menos não me dava uma satisfação? Eu me desmanchava em lágrimas e não sabia exatamente o motivo.
Mas chorar depois das crises era pouco, e eu voltava a chorar pelas crises que havia tido, pelas que poderiam vir e por tudo o que havia perdido devido a elas. (...) Me senti um lixo e tive raiva de Deus, que havia criado este lixo.
(...) Nunca mais fui a mesma depois do primeiro ataque, temendo as pessoas ou os lugares. Tinha medo de passar por outros ataques, que poderiam acontecer a qualquer momento.
Voltar aos lugares onde eu havia tido crises era praticamente impossível. Enfrentar multidões agora me metia medo! E ficar sozinha me deixava ansiosa, porque temia entrar em pânico sem que houvesse alguém de confiança por perto.
Por que eu tinha de sofrer gratuitamente como Jó? Minha raiva de Deus se redobrava, ainda que continuasse menor que meu desespero. Me lembrei das aulas de Filosofia; me lembrei de Hegel. Para ele, Deus não intervém neste mundo, que funciona sozinho. Milagres? Não há milagres. (...)
Refletindo sobre Deus, concluí que Ele era ausente e inativo demais para corresponder ao Ser onipresente e todo-poderoso da Bíblia. Deus não era como eu imaginava e me decepcionei. Eu poderia Lhe agradar ou ofendê-Lo, que Ele não moveria uma palha".
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Peço que me desculpem pela ausência, mas estou em período de provas, em busca da realização de um sonho antigo e sem tempo para me dedicar ao blog, esse meu xodó... Queria eu poder somente viver para escrever e escrever para viver...
mas ainda não me dou a esse luxo, e
enquanto esse dia não chega, preciso correr atrás! :)
Em breve tudo se normaliza e volto a postar para vocês com o mesmo carinho de sempre. Grande abraço, saúde, paz e coragem! <3
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
300 MIL!!!
Alcançamos trezentas mil visualizações!
Incrível... muito obrigada a todos vocês, espero poder ajudar cada vez mais.
Muito amor, paz e coragem para todos nós! <3
Incrível... muito obrigada a todos vocês, espero poder ajudar cada vez mais.
Muito amor, paz e coragem para todos nós! <3
sábado, 9 de novembro de 2013
Rivotril? - Eis a questão
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| Imagem: internet |
Em primeiro lugar, gostaria de lembrar que não sou médica, nem psicóloga. Sou apenas uma portadora de pânico e de ansiedade generalizada há pelo menos 16 anos, que leva a sério seu tratamento com terapia e medicação (inclusive Rivotril, quando necessário). Já comi o pão que o diabo amassou por causa da ansiedade, mas, com muita força de vontade e acompanhamento profissional adequado, estou conseguindo ter minha vida de volta - de bônus, um estimulante recomeço.
Tendo isso esclarecido, me sinto à vontade em dar minha opinião: Rivotril é coisa séria sim, pode causar dependência sim e deve ser usado com muita responsabilidade, somente com prescrição médica. Mas se houver essa prescrição médica, aconselho que tome.
Quando estamos num período de crises de pânico, principalmente quando temos as primeiras crises e não sabemos como controlá-las, o ansiolítico ajuda muito. Ele relaxa, diminui as sensações ruins da ansiedade.
Ansiedade que acelera o nosso batimento cardíaco e que, com isso, prejudica a nossa respiração e faz a gente sentir falta de ar, além de pressão no peito, formigamentos...
Eu raramente faço uso de Rivotril. Tomei pela última vez há dois meses, quando viajei de avião depois de passar dez anos me esquivando dessa situação! Como não se pede para parar um avião da mesma forma como se pede para parar um ônibus, eu ficava imaginando o que eu faria se tivesse uma crise de pânico durante o voo. Me sentia mal só de pensar na vergonha que eu poderia passar e fazer minha família passar junto! Mas deu tudo certo, e agradeço por ter levado meu Rivotril na bolsa. Mesmo tendo feito todo um "trabalho de base" com a minha psicóloga e com a minha psiquiatra, me senti bem mais segura. E com a ansiedade controlada, pude curtir a viagem, sem nenhum problema.
(aproveite para ler o post Superação - Férias!, onde falo mais sobre essa minha experiência)
No mês passado, a Veja Rio publicou uma matéria de capa sobre o Rivotril e vou compartilhar com vocês os trechos que achei mais interessantes. Caso queiram ler a reportagem completa, aí vai o link.
Cabe a cada um, obviamente, julgar o que é melhor para si. Estou aqui apenas dando minha opinião fundamentada na minha vivência com a doença, ok? Consulte sempre um médico! Não custa lembrar!... ;)
Coragem! Paz! <3
No astral do Rivotril
Indicado para tratar síndrome do pânico e fobias, o medicamento de tarja preta é adotado por cariocas como panaceia para as tensões do dia a dia
Por Sofia Cerqueira
- De acordo com dados de mercado, trata-se do calmante mais consumido no Rio, à frente de drogas para impotência sexual e hipertensão.
- "Para muita gente funciona como se fosse o velho copinho de água com açúcar, o que evidentemente é um exagero", compara a médica Fátima Vasconcellos, presidente da Associação Psiquiátrica do Estado e chefe de clínica do Serviço de Psiquiatra da Santa Casa.
- Chamado de "pílula da felicidade", "comprimido do relax" ou "gotinha da paz" em sua versão líquida, o Rivotril desfruta uma aura pop incomum para um medicamento. (...) Apenas na internet, há mais de oitenta páginas espalhadas pelas redes sociais fazendo alusão ao uso do remédio ou estampando o seu nome.
- Boa parte dessa popularidade vem dos efeitos do Rivotril, que desacelera o sistema nervoso central, nocauteando um grupo de neurotransmissores e reduzindo as respostas aos estímulos externos. Como resultado, induz a um relaxamento muscular, a uma sensação de tranquilidade, chegando à sedação leve, no caso de doses mais altas. Quem toma explica que o efeito é parecido com o do consumo de uma ou duas doses de álcool, mas mantendo a clareza dos pensamentos e uma impressão de calma e paz.
- É inegável que uma droga tão bem-sucedida traz benefícios às pessoas que a consomem. A questão central, evidentemente, não é o remédio. O problema aparece quando, sem o monitoramento adequado, ele se transforma em muleta diante da mais prosaica das adversidades.
- Com o ritmo de vida acelerado e a contínua exposição a pressões (sejam pessoais, sejam profissionais), um em cada três moradores de regiões metropolitanas apresenta distúrbios decorrentes da ansiedade. Os problemas com o sono também são muito frequentes: estima-se que atinjam de 15% a 27% da população adulta. Não à toa, suas vendas, somadas às das versões genéricas comercializadas sob o nome de Clonazepam, crescem ao ritmo de 15% ao ano.
- "Prescrito de forma correta e por um tempo adequado, o remédio é muito seguro e eficaz", defende o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, professor titular da Faculdade de Medicina da UFRJ e uma das maiores autoridades em transtornos de ansiedade no país.
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Veja Rio
domingo, 3 de novembro de 2013
Por uma infância saudável e um adulto são
Um dos meus objetivos com o Sem Transtorno é conscientizar pais e educadores sobre a importância de proporcionar à criança uma infância saudável para que, no futuro, essa criança se torne um adulto psicologicamente seguro.
A minha experiência me serve de motivação para clamar por isso e tentar evitar que outras tantas crianças sofram as consequências de uma negligência - mesmo que essa negligência seja involuntária. Por isso, gostaria de contar um pouco da minha história para vocês.
Dessa vez não serei tão "branda" como de costume. O assunto é hard e não tenho como florear muito, espero que compreendam!
Sou filha única de pais tardios. Quando nasci, minha mãe tinha 42 anos e meu pai 44. Ela japonesa, ele filho de espanhóis; machista e moralista. Nos dias de hoje isso pode não fazer muita diferença, várias amigas minhas decidiram ser mães aos 40 por diversos motivos. Mas na minha infância, lembro que fazia diferença sim. Além da diferença de idade entre nós, havia a diferença cultural também. Minha mãe veio criança para o Brasil, mas agia como se ainda vivesse no Japão. Quando criança, eu não podia pintar as unhas nem de esmalte clarinho, usar batom mesmo que fosse clarinho também, falar palavras feias ("droga", por exemplo, era um palavrão pra ela), só fui furar as orelhas pré-adolescente e porque insisti muito. E isso, pra uma criança, não é fácil de administrar. Criança quer ser aceita, fazer parte da turma, ser igual ou melhor do que os coleguinhas. O problema é que qualquer coisa boba pode se tornar motivo para ser descriminado e virar chacota. Certas crianças saberão lidar bem com isso, outras sofrerão mais do que o necessário. Eu até que me virava bem.
Sempre fui muito mimada. Tinha os melhores brinquedos, as melhores roupas, bastava dizer "eu quero" que conseguia qualquer coisa. Meus pais trabalhavam fora de segunda a sábado, o dia todo, ambos no comércio.
Meu pai era sócio em duas joalherias em Copacabana e minha mãe era vendedora em uma joalheria muito famosa, em Ipanema. Por ser uma das únicas japonesas e tão competente no que fazia, era muito requisitada (os japoneses eram ótimos compradores). Ela diversas vezes trabalhava aos domingos e feriados também. E para compensar a ausência, presentes e mais presentes fora de hora para mim.
Nada de apanhar, nada de ficar de castigo, nada de limites. Se tirava notas boas, ótimo. Se não tirava, também. Nada mudava.
Minha rotina era acompanhada de perto pelas empregadas da nossa casa e por uma tia, irmã do meu pai, que morava com a gente, a tia Yvonne. Ela era como uma avó pra mim. Quando morreu, eu tinha 19 anos e sofri demais.
Ela e as empregadas é quem me levavam pra escola, me buscavam, me levavam pro balé, pro jazz, pra natação, pra aula de piano, de inglês, japonês... e também ao cinema e à Casa de Rui Barbosa, onde cresci brincando.
Talvez por ter mais tempo do que minha mãe, meu pai me acompanhava mais. Ele costumava me levar para nadar no clube - o Fluminense - e até hoje adora narrar minhas travessuras na piscina. Ele gostava também de me ver jogando handebol nas olimpíadas escolares, principalmente quando elas aconteciam dentro do Forte São João, na Urca. Conta cheio de orgulho que os outros pais diziam: "Essa menina é danada"!
E na minha primeira audição de piano ele foi e, pra ele, eu fui a mais aplaudida. Já minha mãe não foi, ficou com receio. Passei a vida achando que ela tinha ficado presa no trabalho, mas há pouco tempo ela me confessou que não foi porque achou que eu não iria tocar bem... Santa cobrança, Batman...
Abuso aos 12 anos
Fiquei menstruada pela primeira vez aos dez anos. Com isso, meu corpo se desenvolveu rapidamente, precisei usar sutiã e me tornei a garota mais alta da turma. Quando eu estava na 6ª série - hoje o 7º ano do ensino médio -, comecei a ser assediada por um professor. Ele era jovem, devia ter 25 ou 26 anos, não era bonito, mas praticava esportes radicais, andava com roupas de grife e, acho que por isso, chamava a atenção de algumas meninas.
Um dia, durante o recreio, um grupo de amigas presenciou uma dessas investidas. Ele mandava recados por elas, dizia que era apaixonado por mim, que queria namorar comigo. Isso me deixou muito envergonhada.
Mas como a maioria das crianças que sofrem algum tipo de abuso, eu me sentia culpada também; achava que de alguma forma eu tinha provocado aquela situação. Pedi então para a minha mãe me tirar da escola - a escola onde estudava desde o pré-escolar, onde tinha todos os meus amigos, onde era representante de turma, capitã do time de handebol... Ela estranhou o pedido, mas não a ponto de impedir que eu tomasse a decisão. Acho que ali faltou diálogo, sensibilidade, entrosamento entre meus pais e eu. Se eles tivessem forçado a barra, talvez tivessem descoberto a tempo o que estava acontecendo comigo.
Mudei de escola, mas os problemas não pararam. O tal professor descobriu meu novo colégio e passou a me esperar do outro lado da calçada na hora da saída. Me esperava também na porta da academia onde eu malhava e às vezes me seguia até em casa. Eu sempre andava acompanhada de uma empregada, mas isso não o intimidava. Um dia me colocou dentro do carro dele e me levou para um "passeio". Nesse passeio, abusou de mim.
Eu ainda era muito ingênua, continuava sendo a menina que não falava palavrão e nem usava maquiagem. Mas a partir daquele dia, sei que alguma coisa dentro de mim mudou. Mudou pra pior.
Corri para a casa de uma amiga e contei o que tinha acontecido. Ela me explicou calmamente tudo o que sabia, já que tinha um irmão. "Meninos fazem coisas estranhas mesmo, meio nojentas, mas se fizeram com você é porque te acham bonita". Quanta ingenuidade...
Meu pesadelo só acabou quando criei coragem de contar pra minha mãe. Naquele dia, ele ligou pra minha casa e ficou dizendo coisas obscenas pra mim, coisas que na época eu não entendi, mas sabia que eram "inadequadas". Chamei minha mãe e pedi para ela escutar a conversa na extensão. Uma frase foi suficiente para deixá-la transtornada. Lembro que ela gritava: "Se você procurar a minha filha de novo, eu te mato!" Felizmente, não precisou matar. Ele me deixou em paz.
Em paz é modo de dizer porque carreguei esse trauma comigo durante anos e anos. E a isso, mais tarde, somatizou-se o alcoolismo do meu pai, a aposentadoria da minha mãe e a consequente queda no nosso padrão de vida, a minha entrada na faculdade, a preocupação com o meu futuro... e de uma menina tranquila e estudiosa, passei a me comportar mal, a beber, fumar, repeti de ano, fiquei completamente desconcentrada, sem foco e agressiva. Me sentia perdida, desprotegida, um barco à deriva. E é assim que se sente um jovem sem um direcionamento, sem limitações, sem a segurança que só uma família pode proporcionar.
Aos 21, a primeira crise de pânico e o início da minha luta por sanidade.
Somente há dois anos mais ou menos é que levei esse assunto para a minha terapia e comecei a enfrentá-lo. Não omiti propositalmente, era como se eu tivesse colocado essa "sujeira" embaixo do tapete e esquecido por lá.
Quando esse assunto veio à tona, passei mal, chorei muito, mas minha psicóloga me convenceu de que era necessário falarmos sobre isso. Então seguimos em frente. Hoje, relembrando tudo, minhas mãos suam frio e meu coração bate disparado. É claro que não me faz bem, mas achei que era o momento de falar abertamente sobre isso com vocês e alertar sobre a necessidade de se manter um bom relacionamento com os filhos, com os netos, com os alunos. De prestar atenção em mudanças bruscas de comportamento, em uma tristeza aparentemente sem motivo. Queria acrescentar ainda que não me faltou amor dos meus pais, eles sempre foram carinhosos e dedicados dentro das possibilidades deles. Me faltou atenção, esclarecimento por parte deles. E hoje temos muita informação ao nosso alcance, profissionais bem mais preparados para ajudar nesse tipo de situação, remédios e terapias eficazes. Temos muito mais chance de evitar que isso aconteça.
Gostaria de dividir com vocês também um trecho do livro que estou lendo e que tem tudo a ver com o que acabei de relatar. Um grande abraço a todos, coragem, força, amor e paz!
Vítimas de maus-tratos na infância
"Alguém que tenha sido o predileto incontestável de sua mãe carrega pela vida afora um sentimento de vitória e uma certeza de ser bem-sucedido, que frequentemente levam de fato ao sucesso." A frase é do pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939). Ela mostra como o cuidado e o amor na primeira infância são fundamentais para o desenvolvimento saudável e a trajetória de uma pessoa ao longo da vida. Pessoas que foram abandonadas, negligenciadas, sofreram violência física e psicológica ou abuso sexual quando crianças têm mais chances de desenvolver transtornos psíquicos na vida adulta. Os traumas na infância podem predispor a uma série de problemas, como depressão, ansiedade, uso excessivo de álcool e outras drogas, distúrbios alimentares e transtornos de personalidade. Estudos estatísticos permitem estimar que entre 25% e 35% das crianças vítimas de maus-tratos terão depressão quando chegarem aos 20 anos de idade.
(...) Em seu livro O inimigo no meu quarto, o psiquiatra e psicanalista Yoram Yovell explica em detalhes como os mecanismos da memória atuam nos eventos traumáticos. "Em momentos de tensão elevada, é possível que o hipocampo, que registra a memória explícita do que está ocorrendo, pare de funcionar. Ao mesmo tempo, a amígdala funciona muito bem, exercendo sua função de memorizar de modo implícito e inconsciente as reações de medo e os estímulos que as provocam". O resultado é o seguinte: "o trauma , em si mesmo, não é lembrado, apesar de ser possível, em certos casos, recordá-lo. Mas o medo e a angústia do trauma são muito bem memorizados, assim como os estímulos ligados a eles".
Há ainda outros mecanismos envolvidos na relação entre o trauma da infância e os transtornos mentais que surgem na vida adulta. Yovell explica que bebês e crianças que passam por situações de tensão emocional com muita frequência tendem a ter os circuitos cerebrais ligados ao estresse alterados, o que as coloca num estado de "emergência permanente" e as torna mais vulneráveis a episódios de depressão e pânico na vida adulta.
(...) Os prejuízos causados pelos maus-tratos na infância não ocorrem apenas nos casos graves de abandono, violência física ou abuso sexual. Situações mais sutis também podem causar danos no futuro".
(trecho do livro Não é coisa da sua cabeça, de Naiara Magalhães e José Alberto de Camargo - editora Gutenberg, 2012)
Imagens: internet
A minha experiência me serve de motivação para clamar por isso e tentar evitar que outras tantas crianças sofram as consequências de uma negligência - mesmo que essa negligência seja involuntária. Por isso, gostaria de contar um pouco da minha história para vocês.
Dessa vez não serei tão "branda" como de costume. O assunto é hard e não tenho como florear muito, espero que compreendam!
Sou filha única de pais tardios. Quando nasci, minha mãe tinha 42 anos e meu pai 44. Ela japonesa, ele filho de espanhóis; machista e moralista. Nos dias de hoje isso pode não fazer muita diferença, várias amigas minhas decidiram ser mães aos 40 por diversos motivos. Mas na minha infância, lembro que fazia diferença sim. Além da diferença de idade entre nós, havia a diferença cultural também. Minha mãe veio criança para o Brasil, mas agia como se ainda vivesse no Japão. Quando criança, eu não podia pintar as unhas nem de esmalte clarinho, usar batom mesmo que fosse clarinho também, falar palavras feias ("droga", por exemplo, era um palavrão pra ela), só fui furar as orelhas pré-adolescente e porque insisti muito. E isso, pra uma criança, não é fácil de administrar. Criança quer ser aceita, fazer parte da turma, ser igual ou melhor do que os coleguinhas. O problema é que qualquer coisa boba pode se tornar motivo para ser descriminado e virar chacota. Certas crianças saberão lidar bem com isso, outras sofrerão mais do que o necessário. Eu até que me virava bem.
Sempre fui muito mimada. Tinha os melhores brinquedos, as melhores roupas, bastava dizer "eu quero" que conseguia qualquer coisa. Meus pais trabalhavam fora de segunda a sábado, o dia todo, ambos no comércio.
Meu pai era sócio em duas joalherias em Copacabana e minha mãe era vendedora em uma joalheria muito famosa, em Ipanema. Por ser uma das únicas japonesas e tão competente no que fazia, era muito requisitada (os japoneses eram ótimos compradores). Ela diversas vezes trabalhava aos domingos e feriados também. E para compensar a ausência, presentes e mais presentes fora de hora para mim.
Nada de apanhar, nada de ficar de castigo, nada de limites. Se tirava notas boas, ótimo. Se não tirava, também. Nada mudava.
Minha rotina era acompanhada de perto pelas empregadas da nossa casa e por uma tia, irmã do meu pai, que morava com a gente, a tia Yvonne. Ela era como uma avó pra mim. Quando morreu, eu tinha 19 anos e sofri demais.
Ela e as empregadas é quem me levavam pra escola, me buscavam, me levavam pro balé, pro jazz, pra natação, pra aula de piano, de inglês, japonês... e também ao cinema e à Casa de Rui Barbosa, onde cresci brincando.
Talvez por ter mais tempo do que minha mãe, meu pai me acompanhava mais. Ele costumava me levar para nadar no clube - o Fluminense - e até hoje adora narrar minhas travessuras na piscina. Ele gostava também de me ver jogando handebol nas olimpíadas escolares, principalmente quando elas aconteciam dentro do Forte São João, na Urca. Conta cheio de orgulho que os outros pais diziam: "Essa menina é danada"!
E na minha primeira audição de piano ele foi e, pra ele, eu fui a mais aplaudida. Já minha mãe não foi, ficou com receio. Passei a vida achando que ela tinha ficado presa no trabalho, mas há pouco tempo ela me confessou que não foi porque achou que eu não iria tocar bem... Santa cobrança, Batman...
Abuso aos 12 anos
Fiquei menstruada pela primeira vez aos dez anos. Com isso, meu corpo se desenvolveu rapidamente, precisei usar sutiã e me tornei a garota mais alta da turma. Quando eu estava na 6ª série - hoje o 7º ano do ensino médio -, comecei a ser assediada por um professor. Ele era jovem, devia ter 25 ou 26 anos, não era bonito, mas praticava esportes radicais, andava com roupas de grife e, acho que por isso, chamava a atenção de algumas meninas.
Um dia, durante o recreio, um grupo de amigas presenciou uma dessas investidas. Ele mandava recados por elas, dizia que era apaixonado por mim, que queria namorar comigo. Isso me deixou muito envergonhada. Mas como a maioria das crianças que sofrem algum tipo de abuso, eu me sentia culpada também; achava que de alguma forma eu tinha provocado aquela situação. Pedi então para a minha mãe me tirar da escola - a escola onde estudava desde o pré-escolar, onde tinha todos os meus amigos, onde era representante de turma, capitã do time de handebol... Ela estranhou o pedido, mas não a ponto de impedir que eu tomasse a decisão. Acho que ali faltou diálogo, sensibilidade, entrosamento entre meus pais e eu. Se eles tivessem forçado a barra, talvez tivessem descoberto a tempo o que estava acontecendo comigo.
Mudei de escola, mas os problemas não pararam. O tal professor descobriu meu novo colégio e passou a me esperar do outro lado da calçada na hora da saída. Me esperava também na porta da academia onde eu malhava e às vezes me seguia até em casa. Eu sempre andava acompanhada de uma empregada, mas isso não o intimidava. Um dia me colocou dentro do carro dele e me levou para um "passeio". Nesse passeio, abusou de mim.
Eu ainda era muito ingênua, continuava sendo a menina que não falava palavrão e nem usava maquiagem. Mas a partir daquele dia, sei que alguma coisa dentro de mim mudou. Mudou pra pior.
Corri para a casa de uma amiga e contei o que tinha acontecido. Ela me explicou calmamente tudo o que sabia, já que tinha um irmão. "Meninos fazem coisas estranhas mesmo, meio nojentas, mas se fizeram com você é porque te acham bonita". Quanta ingenuidade...
Meu pesadelo só acabou quando criei coragem de contar pra minha mãe. Naquele dia, ele ligou pra minha casa e ficou dizendo coisas obscenas pra mim, coisas que na época eu não entendi, mas sabia que eram "inadequadas". Chamei minha mãe e pedi para ela escutar a conversa na extensão. Uma frase foi suficiente para deixá-la transtornada. Lembro que ela gritava: "Se você procurar a minha filha de novo, eu te mato!" Felizmente, não precisou matar. Ele me deixou em paz.
Em paz é modo de dizer porque carreguei esse trauma comigo durante anos e anos. E a isso, mais tarde, somatizou-se o alcoolismo do meu pai, a aposentadoria da minha mãe e a consequente queda no nosso padrão de vida, a minha entrada na faculdade, a preocupação com o meu futuro... e de uma menina tranquila e estudiosa, passei a me comportar mal, a beber, fumar, repeti de ano, fiquei completamente desconcentrada, sem foco e agressiva. Me sentia perdida, desprotegida, um barco à deriva. E é assim que se sente um jovem sem um direcionamento, sem limitações, sem a segurança que só uma família pode proporcionar.
Aos 21, a primeira crise de pânico e o início da minha luta por sanidade.
Somente há dois anos mais ou menos é que levei esse assunto para a minha terapia e comecei a enfrentá-lo. Não omiti propositalmente, era como se eu tivesse colocado essa "sujeira" embaixo do tapete e esquecido por lá.
Quando esse assunto veio à tona, passei mal, chorei muito, mas minha psicóloga me convenceu de que era necessário falarmos sobre isso. Então seguimos em frente. Hoje, relembrando tudo, minhas mãos suam frio e meu coração bate disparado. É claro que não me faz bem, mas achei que era o momento de falar abertamente sobre isso com vocês e alertar sobre a necessidade de se manter um bom relacionamento com os filhos, com os netos, com os alunos. De prestar atenção em mudanças bruscas de comportamento, em uma tristeza aparentemente sem motivo. Queria acrescentar ainda que não me faltou amor dos meus pais, eles sempre foram carinhosos e dedicados dentro das possibilidades deles. Me faltou atenção, esclarecimento por parte deles. E hoje temos muita informação ao nosso alcance, profissionais bem mais preparados para ajudar nesse tipo de situação, remédios e terapias eficazes. Temos muito mais chance de evitar que isso aconteça.
Gostaria de dividir com vocês também um trecho do livro que estou lendo e que tem tudo a ver com o que acabei de relatar. Um grande abraço a todos, coragem, força, amor e paz!
Vítimas de maus-tratos na infância
"Alguém que tenha sido o predileto incontestável de sua mãe carrega pela vida afora um sentimento de vitória e uma certeza de ser bem-sucedido, que frequentemente levam de fato ao sucesso." A frase é do pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939). Ela mostra como o cuidado e o amor na primeira infância são fundamentais para o desenvolvimento saudável e a trajetória de uma pessoa ao longo da vida. Pessoas que foram abandonadas, negligenciadas, sofreram violência física e psicológica ou abuso sexual quando crianças têm mais chances de desenvolver transtornos psíquicos na vida adulta. Os traumas na infância podem predispor a uma série de problemas, como depressão, ansiedade, uso excessivo de álcool e outras drogas, distúrbios alimentares e transtornos de personalidade. Estudos estatísticos permitem estimar que entre 25% e 35% das crianças vítimas de maus-tratos terão depressão quando chegarem aos 20 anos de idade.
(...) Em seu livro O inimigo no meu quarto, o psiquiatra e psicanalista Yoram Yovell explica em detalhes como os mecanismos da memória atuam nos eventos traumáticos. "Em momentos de tensão elevada, é possível que o hipocampo, que registra a memória explícita do que está ocorrendo, pare de funcionar. Ao mesmo tempo, a amígdala funciona muito bem, exercendo sua função de memorizar de modo implícito e inconsciente as reações de medo e os estímulos que as provocam". O resultado é o seguinte: "o trauma , em si mesmo, não é lembrado, apesar de ser possível, em certos casos, recordá-lo. Mas o medo e a angústia do trauma são muito bem memorizados, assim como os estímulos ligados a eles".
Há ainda outros mecanismos envolvidos na relação entre o trauma da infância e os transtornos mentais que surgem na vida adulta. Yovell explica que bebês e crianças que passam por situações de tensão emocional com muita frequência tendem a ter os circuitos cerebrais ligados ao estresse alterados, o que as coloca num estado de "emergência permanente" e as torna mais vulneráveis a episódios de depressão e pânico na vida adulta.
(...) Os prejuízos causados pelos maus-tratos na infância não ocorrem apenas nos casos graves de abandono, violência física ou abuso sexual. Situações mais sutis também podem causar danos no futuro".
(trecho do livro Não é coisa da sua cabeça, de Naiara Magalhães e José Alberto de Camargo - editora Gutenberg, 2012)
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