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quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Abandono repentino da medicação: o que acontece?

(Imagem: Freepik)

Cerca de 10% da população mundial sofre de transtornos mentais e, entre os países latino-americanos, o Brasil é líder em casos de ansiedade e depressão, atingindo quase 19 milhões de pessoas. Como consequência, a busca por medicamentos psiquiátricos tem aumentado, com um crescimento de 58% nas vendas entre 2017 e 2021, de acordo com o Conselho Federal de Farmácia.

Infelizmente, muitas pessoas interrompem o uso desses medicamentos sem consultar um médico, o que pode levar a sintomas de abstinência e também à recorrência intensificada dos sintomas originais dos transtornos. Especialistas enfatizam a necessidade de um tratamento contínuo, com consultas médicas regulares e abordagens individualizadas.

Esse abandono repentino deve-se em grande parte aos efeitos colaterais dos medicamentos psiquiátricos, como redução da libido, sonolência, ganho de peso e efeitos gastrointestinais, entre outros. Os médicos aconselham os pacientes a relatarem quaisquer efeitos indesejados para que possam encontrar soluções alternativas, mas não simplesmente desistir do tratamento.

Ao parar de tomar medicamentos psiquiátricos, é importante um processo de "desmame" adequado. Esse processo deve ser gradual, sob a supervisão de um médico, e considera fatores como a estabilização dos sintomas e a recuperação do cérebro.


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Sobre o jornalista Luiz Carlos Prates e sua declaração sobre depressão

Não sei em que planeta eu estava para só agora descobrir esta declaração asquerosa que o jornalista Luiz Carlos Prates deu em abril, no jornal SBT Meio Dia, de Santa Catarina.

Também não assistiu? Então só assista se tiver estômago.


Ao comentar o caso do piloto que derrubou um avião da Germanwings nos Alpes Franceses, matando 150 pessoas, Prates - que, inacreditavelmente, ainda por cima é psicólogo - afirmou que quem tem depressão é "um covarde existencial", que deve ser tratado com "desprezo".

Pois bem. O que este senhor fez é desumano, é de uma ignorância e irresponsabilidade imensuráveis, além de totalmente antiético. E pior do que tomar conhecimento dessa declaração infeliz foi ler os comentários na publicação da notícia. Estou muito chocada e triste com a quantidade de pessoas desinformadas e cruéis que constatei existirem por aí.

Por isso, mesmo que tardiamente, quero deixar registrada a minha indignação, o meu repúdio aos danos que este comunicador irresponsável possa ter causado. Espero que ele tenha sido punido. Por mim, deveria ter perdido o registro no Conselho Regional de Psicologia.

Em contrapartida, compartilho também o vídeo resposta feito pelo psiquiatra Fernando Fernandes, do canal Psiquiatria Online. Peço que compartilhem este vídeo e que me ajudem a combater o preconceito que existe contra nós, pacientes de transtornos mentais.


sábado, 30 de maio de 2015

Uma em cada quatro pessoas sofre com ansiedade aguda

Principais sintomas são dor de cabeça, palpitações, falta de foco e suor excessivo

(fonte: jornal O Tempo)


Quando a ansiedade bate, a primeira coisa que Luana Monteiro, 29, sente é dor: nos ombros e na cabeça. A dormência no braço vem em seguida. Depois, a mente fica dispersa, e as mãos começam a suar. Depois de muitos anos sem saber o que ela estava sentindo, a ansiedade aguda que acomete a fotógrafa que mora em Buenos Aires, na Argentina, foi classificada como Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

Luana conta se lembrar dos pensamentos que tinha aos 8 anos. Ela achava que iria morrer e escrevia cartas para a família. Sempre passava mal em pensar na morte da mãe ou da avó. O diagnóstico de TAG, porém, só veio aos 26 anos após um colapso. “As crises ficam em você, fazem parte do seu corpo, mas cabe a você tentar controlar. Elas estão comigo 24 horas por dia”, diz.

Os sintomas sofridos por Luana a colocam com 25% da população mundial que sofre de um de cinco tipos de transtorno de ansiedade: síndrome do pânico, estresse pós-traumático, fobia social, fobias específicas e a TAG. No Brasil, a ansiedade não atinge tanta gente. Em São Paulo, a única cidade brasileira contemplada por uma pesquisa mundial sobre saúde mental da Organização Mundial da Saúde (OMS), 19,9% dos entrevistados disse sofrer com ansiedade.

“A ansiedade é a percepção de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento, é um mecanismo de proteção e de defesa do organismo. O que irá caracterizar os transtornos é a presença de um nível de ansiedade capaz de gerar prejuízos em alguma esfera da vida da pessoa”, explica Michelle Vieira, presidente da Associação dos Portadores de Transtornos de Ansiedade (Aporta).

De acordo com a terapeuta, muitas vezes o problema é confundido com outras doenças, como crise de hipertensão, estresse e depressão e, por isso, o diagnóstico correto pode levar de dois a três anos para ser feito em alguns pacientes.

Diagnóstico 

Michelle explica que cada transtorno tem a sua forma específica de diagnóstico, mas, em geral, os médicos costumam avaliar três aspectos: sintomas físicos (palpitação, sudorese, tremores), cognitivos (pensamentos) e comportamentais (alto nível de ansiedade). A presidente da Aporta ainda diz que não é possível falar em cura quando se trata de ansiedade. 
“A ideia é não curar porque todo mundo precisa desse sentimento. A ansiedade, em um primeiro momento, é positiva, faz a pessoa se movimentar, se organizar e, até determinado limiar, é produtiva. Mas, se o nível fica tão alto a ponto de te paralisar, é preciso investigar”, afirma a especialista.
Grávida. Luana Monteiro, 29, tenta se adaptar
sem os remédios. 

Para Luana, o tratamento ideal não envolve medicamentos. Ela conta que os remédios não faziam bem e ela escolheu “tentar conviver com o transtorno”. “Evito as crises fazendo exercícios físicos, diminuindo o consumo de alimentos como café e carne vermelha, e passei a beber produtos à base de maracujá. Ando de bicicleta e faço muay thai, e isso me ajudou muito”, afirma.


Porém, a fotógrafa descobriu que estava grávida e teve que parar com as atividades físicas. “Sofri duas crises leves e tive um início de depressão. Por conta disso, voltarei a fazer os exercícios para evitar uma crise e me preparei para ter uma gravidez tranquila, já que só o fato de estar grávida já me deixa ansiosa. É imprescindível estar relaxada, evitar situações de estresse, ouvir música, descansar e descarregar a ansiedade em exercícios. Conversar com seu parceiro para que ele tente ser mais paciente nesse período é importante também”, conta Luana.


5 maneiras de alívio

Exercite-se: Faça exercícios físicos regularmente.

Desacelere: Respire fundo e sem pressa.

Acalme a mente: Escute as suas músicas favoritas.

Converse: Compartilhar as emoções com outras pessoas pode fazer bem.

Xô baixo astral: Procure manter o bom humor.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Ex-nadadora Rebeca Gusmão também se manifesta sobre declaração de Padre Marcelo Rossi: "O tratamento com o psiquiatra e o psicólogo são de fundamental importância"

A ex-nadadora Rebeca Gusmão
A recente declaração do padre Marcelo Rossi trouxe à tona um debate sobre depressão. O líder religioso disse que não teve acompanhamento médico e nem recorreu a remédios para curar a doença e que conseguiu superar o problema somente com a fé. Em carta enviada ao jornal EXTRA, a ex-nadadora Rebeca Gusmão* conta sobre a experiência que teve para superar o distúrbio. No texto, Rebeca defende o uso de medicina para a cura da doença.

Confira:

De todas as lesões e problemas que tive na minha vida, a depressão foi a pior. Em 2007, com a minha suspensão do esporte, fiquei transtornada e optei por não procurar ajuda psicológica. Com a opção, ganhei peso e cheguei aos 104 kg. Fui massacrada por muitas pessoas, motivo de chacota nas rodas porque o pior veneno que existe é o ser humano. Minha família me perguntou várias vezes se eu não precisava de um acompanhamento psiquiátrico, mas sempre respondia: ''Eu preciso sentir isso, essa dor, isso vai me ajudar a ser mais forte''. Deus foi um porto para mim naquela época, o que não imaginava era o que aconteceria alguns anos depois...

Já deprimida com a perda do que mais amava e a frustração do meu casamento, com o término entrei em uma depressão profunda. Você entra em um mundo estranho, sem sentido, não consegue ter sentimento por nada e por ninguém, mas sente uma dor que parece ser física e que nunca passa. É aí que você começa a pedir para Deus te levar, te dar força, fazer parar aquele sofrimento. Só quem tem ou teve depressão sabe como é. Antes, eu achava que era frescura, mas é uma coisa química assim como a diabetes, problema de tireoide. Você precisa tratar... Cheguei a pesar 64kg e tenho 1,78m de altura. Estava doente de verdade e foi quando gritei por ajuda e fui internada pela primeira vez.

O tratamento com o psiquiatra e o psicólogo são de fundamental importância. Estava indo para a igreja todos os dias e não tenho dúvida de que Deus esteve comigo em todos os momentos. Mas meu grito por ajuda foi por Ele. Ele que me fez gritar. A depressão é ausência de serotonina no nosso corpo e somente a medicação pode ajudar a melhorar. E ela não tem cura imediata. Devo ficar sempre atenta às pequenas baixas porque cada crise é pior que a outra.

Vi pessoas próximas de mim morrerem... O que muitos acreditam é que você tem que se entupir de remédio e não é verdade. Como todo tratamento, por um tempo você passa, sim, a tomar mais medicamentos, mas com o tempo vai diminuindo. Às vezes me sentia tão bem que pensava: "Pronto estou curada, não preciso tomar mais nada". E ficava duas, três semanas sem medicamento. Depois, começavam a vir pensamentos ruins, aquela tristeza, e quando ia ao psicólogo, ele logo perguntava pelo tratamento. Era só voltar a tomar e alguns dias depois me sentia bem de novo.

Hoje tomo somente um remédio. Acredito que Deus deu o dom da medicina para o homem justamente para isso: ajudar a se sentir bem. Respeito a decisão das pessoas, mas como passei por isso, percebi que ter uma equipe especializada é a melhor coisa do mundo. Assim como o atleta precisa do técnico, do preparador físico. Tenho certeza que se eu tivesse procurado ajuda médica da primeira vez, poderia ter evitado uma segunda crise. Hoje já prefiro evitar uma terceira.

A família e os amigos foram fundamentais porque no início do tratamento, quando você passa a voltar a ter sentimentos, tudo vem como um turbilhão. Raiva, ódio, amor, choro, alegria, euforia (...), tudo misturado de uma vez só. A paciência é fundamental. Minha madrinha ia todos os dias me tirar de cima da cama e me levava para nadar na academia; minhas amigas me pegavam e me levavam para fazer crossfit. E a família também precisa de auxilio psicológico. Minha psicóloga chegou a fazer sessão em família e separada com meus pais e pessoas mais próximas de mim. Nada é fácil. Hoje graças a Deus, à medicina, a minha família e aos meus amigos estou bem. Estou melhor física, mental e espiritualmente. Dou até palestras sobre depressão. Sem dúvida, nos dias de hoje, a doença é a maior "epidemia" que existe. 

* Rebeca Gusmão passou por duas depressões e teve variações de peso após o afastamento do esporte e o término de seu casamento.

(fonte: Jornal Extra; fotos retiradas da internet)

Em resposta à declaração de Padre Marcelo Rossi, especialista é taxativo: "cura espontânea não existe"

Padre Marcelo Rossi
Por Pedro Zuaco
(Jornal Extra) 


A declaração feita por padre Marcelo Rossi em entrevista ao EXTRA, na última segunda-feira, de que não teve acompanhamento médico e nem recorreu a remédios para curar a depressão levantou uma discussão sobre o tema.

O especialista Egídio Nardi*, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, explica que ainda há muito preconceito em relação às doenças mentais e é taxativo a respeito da depressão: "A cura espontânea não existe".
— Quando as pessoas têm um problema no coração, no fígado ou nos rins, não pensam duas vezes antes de procurar tratamento. Mas quando se trata de uma doença psiquiátrica, acham que é fraqueza ou questão de força de vontade — diz o psiquiatra, que faz um alerta: — Depois que a pessoa tem o primeiro episódio depressivo, há 50% de chances de ter o segundo. Após o segundo, as chances de se ter o terceiro são de 75%. Depois do terceiro, certamente outros virão. Só o tratamento diminui essas chances.

A depressão de padre Marcelo foi desencadeada por um acidente na esteira de corrida, em 2010. Ele quebrou a perna, ficou numa cadeira de rodas por seis meses usando anti-inflamatórios e ganhou peso. Diante dos comentários dos fiéis sobre seu sobrepeso, o homem sempre atlético, formado em Educação Física, acabou desenvolvendo uma anorexia: medindo 1,95m, passou dos 125kg para cerca 60kg. Hoje aos 80kg, o padre reconhece que passou por episódios depressivos mas diz que está curado, e atribui a melhora à fé.

“A oração foi a minha salvação. Não tive acompanhamento médico e também não usei remédio antidepressivo, só minha conexão com Deus”, disse ele na entrevista.

Para o dr. Egídio, a religiosidade ajuda no tratamento, mas não basta por si só.
— Fé e pensamentos positivos ajudam não só nas doenças, mas a vencer as dificuldades do dia a dia. A fé é importante, mas o tratamento médico também, e a fé ajuda inclusive no tratamento médico. São coisas que devem se complementar, e não se anular.


* Antonio Egidio Nardi é Professor Titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina – IPUB/UFRJ, coordenador do LABPR. Graduação em Medicina (UFRJ), mestrado e doutorado em Psiquiatria, Psicanálise e Saúde Mental (UFRJ). Pós-Doutorado no Laboratório de Fisiologia da Respiração (UFRJ). Título Livre-Docente em Psiquiatria (Unirio). Experiência em Medicina/ Psiquiatria, com ênfase em: diagnóstico, diagnóstico diferencial, tratamento, transtornos de ansiedade, transtorno de pânico, depressão e transtorno bipolar. Coordenador da sede Rio de Janeiro do INCT - Translacional em Medicina (CNPq).
(fotos retiradas da internet)

domingo, 19 de outubro de 2014

Remédios psiquiátricos: vilões ou injustiçados?

Por Karen Terahata

Agora há pouco, Padre Marcelo Rossi e o ginasta Diego Hypólito contaram no programa Altas Horas, da TV Globo, que sofreram de depressão. (assista)

Parei para ouvir animada, já que o Padre Marcelo começou falando que devíamos levar a depressão a sério, que não era frescura e que tinha aprendido isso sofrendo na pele e tal... "Uau", pensei, "que legal um padre dando um depoimento desse"!

Aí vem Diego Hypólito dizendo que também sofreu com a doença, que também teve preconceito, e que 
os remédios só o fizeram dormir e se sentir chapado. Que só se sentiu melhor quando teve contato com Deus, graças à ajuda de dois tios que também são padres.
Pronto.
Padre Marcelo pega o gancho e também diz algo como: "vamos viver livres de remédios", antes de começar a cantar.


Diego Hypólito
Diego travou uma dura batalha, de quase um ano, para se curar da patologia. O problema surgiu no período em que ele ficou sem clube e treinava de favor no Pinheiros, em São Paulo. Foram 15 meses entre a demissão no Flamengo até a contratação pelo São Bernardo, em junho deste ano. Depois de inúmeras sessões de terapia e alguns medicamentos, o ginasta de 28 anos de idade está recuperado e pronto para chegar com tudo nas Olimpíadas do Rio 2016 e realizar o sonho de conquistar a sua primeira medalha olímpica. (fonte: Globo Esporte)

O que me preocupa é essa constante menção aos medicamentos psiquiátricos como grandes vilões. 
Certamente, eles só devem ser usados com indicação e acompanhamento de um médico; não é por acaso que a venda é controlada.
Mas, como bem disseram os dois entrevistados, a depressão não é "frescura", é uma doença, e deve ser tratada como uma doença. Inclusive com remédios, quando necessário.

Padre Marcelo no Altas Horas
Em entrevista ao Fantástico, em dezembro de 2013, Padre Marcelo disse que não usou nenhum remédio psiquiátrico e nem procurou psicólogos. No entanto, revelou que toma remédio para calvície. Este tipo de remédio apresenta diversos efeitos colaterais, da mesma forma que anticoncepcionais, analgésicos e diversos outros.

Aliás, de acordo com uma matéria publicada no portal UOL, segundo o IMS Health, consultoria especializada em dados de saúde, até o descongestionante nasal Neosoro, que foi o item mais comercializado em 2012, oferece riscos e não deve ser utilizado por períodos prolongados sem orientação médica.

Leia: Nenhum remédio é livre de efeitos colaterais

"Completamente curado da depressão?", questionou Renata (Vasconcellos). "Graças a Deus, quase completamente", respondeu o padre. "O senhor não pensou em buscar ajuda nesse sentido?", indagou a jornalista. "Eu não busquei nenhum psicólogo, ninguém", retrucou padre Marcelo. "Mas padre faz terapia?", insistiu Renata. "Tem vários padres que eu conheço que fazem", respondeu o religioso. (fonte: Folha de S.Paulo)


Os sintomas da depressão, assim como os de transtornos de ansiedade, são extremamente desagradáveis e incapacitantes se não forem amenizados. Por isso, devemos buscar informação e orientação médica antes de condenarmos o uso de qualquer remédio com essa finalidade.


(imagens retiradas da internet)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Índice de transtorno de ansiedade e depressão em São Paulo é igual a de país em guerra

E aí eu pergunto: como pode ainda termos que conviver com tanto estigma quando o problema é, comprovadamente, cada vez mais recorrente e - como afirma abaixo o pesquisador Wang Yuan Pang, do Hospital das Clínicas de São Paulo - altamente incapacitante?
Ainda há muito trabalho pela frente!! ;)

Saúde, paz e coragem para todos nós!


Transtorno de ansiedade atinge 
19,9% da população da região metropolitana de São Paulo e depressão 11%, diz estudo


A região metropolitana de São Paulo tem índices de depressão e transtornos de ansiedade semelhantes ao de áreas de guerra como o Líbano e a Síria. Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e que integra uma base de dados internacional identificou que 19,9% da população sofre de algum transtorno de ansiedade. Já em relação à depressão, os dados mostram que ela atinge 2,2 milhões, ou 11% dos 20 milhões de pessoas que moram na grande São Paulo.

(...) “Acreditamos que o nível de violência tenha relação com a ansiedade e a depressão”, disse Wang Yuan Pang, pesquisador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e coordenador da pesquisa São Paulo Megacity, que integra um estudo da Organização Mundial da Saúde realizado concomitantemente em vários países.

Wang afirma que 54% dos entrevistados relataram ter vivido pelo menos um evento violento traumatizante. (...) Além do alto índice, outra preocupação dos pesquisadores é o fato de não haver serviço suficiente para atender a demanda. “A gente não tem pessoal suficiente para atender esta população” disse.

No estudo, os problemas de saúde mental foram divididos em três níveis de acordo com a gravidade. Apenas um terço destes 10% de pessoas na categoria grave de fato receberam tratamento.


A taxa de depressão está entre as maiores do mundo. (...) Mas são os casos mais sérios de transtornos de ansiedade que deixaram os pesquisadores alarmados, aqueles que englobam casos como fobias e até síndrome do pânico.

Só a síndrome do pânico, um grave transtorno de ansiedade, atinge 1,1% da população, ou 220 mil pessoas só na região metropolitana de São Paulo. De acordo com Wang, no entanto, ela é mais percebida do que a depressão, por exemplo, porque é mais difícil de esconder. “Ela é extremamente incapacitante. O indivíduo não consegue sair de casa, pegar o metrô cheio."

O estudo também mapeou os locais onde há mais casos de ansiedade e depressão. Percebeu-se que as áreas periféricas, onde há menos segurança e saneamento - as chamadas áreas de privação social -, são justamente aquelas com menos casos de depressão e transtornos de ansiedade. “Não quer dizer que as pessoas são mais felizes, não é isso. O que acontece é que nessas áreas periféricas há um alto número de migrantes, que se mudam para São Paulo para trabalhar. Quem não está saudável, com boa saúde mental, não aguenta e volta. Nessas áreas os problemas são outros: há muitos casos de alcoolismo e uso de drogas.”

(fonte: Ig, reportagem de Maria Fernanda Ziegler, 16/05/2014) 

Leia ainda:
São Paulo lidera as estatísticas mundiais de transtornos mentais

Cerca de 30% dos paulistas apresentam algum distúrbio mental, de acordo com um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 24 países. A prevalência é a maior em relação a pesquisas semelhantes feitas em outros lugares do mundo.

O estudo foi coordenado pelo sociólogo Ronald Kessler, da Universidade Harvard e publicado na revista PLoS One em fevereiro, no artigo São Paulo Megacity Mental Health Survey e aqui no Brasil realizado no âmbito do Projeto Temático “Estudos epidemiológicos dos transtornos psiquiátricos na região metropolitana de São Paulo: prevalências, fatores de risco e sobrecarga social e econômica”, financiado pela FAPESP e encerrado em 2009. 
Entre os autores do artigo está Laura Helena Andrade, professora do Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade de São Paulo (USP).

(...) Eles descobriram que os transtornos de ansiedade foram os mais frequentes, acometendo cerca de 20% das pessoas, seguido do transtorno de humor (11%), impulsividade (4,3%) e uso de substâncias (3,6%). É previsto que o crescimento da população mundial se concentre nas grandes cidades, especialmente nos países em desenvolvimento. São Paulo fornece um aviso prévio sobre a carga de transtornos mentais associados ao aumento de desigualdades sociais, econômicas, estressores ligados à rápida urbanização e deterioração da saúde.

(...) Ao cruzar as variáveis, os pesquisadores concluíram que as mulheres que vivem em regiões de alta privação, são as que mais sofrem de transtorno de humor, enquanto que homens migrantes têm mais transtornos de ansiedade.
“É necessário que haja rápida expansão no sistema brasileiro de saúde do setor primário e trabalho focado na promoção da saúde mental. Essa estratégia pode se tornar um modelo diante de poucos recursos em uma área altamente habitada como São Paulo”, diz Kessler.


Para Laura, não é possível ter um serviço especializado em todas as unidades, por isso é preciso equipar a rede com pacotes de diagnóstico e de conduta a serem utilizados pelos profissionais de cuidados primários. É preciso capacitar não só os médicos, mas também os agentes comunitários, que devem ser orientados para identificar casos não tão comuns como os quadros psicóticos, levando em conta os fatores de risco associados aos transtornos mentais.


(fonte: site Psicologado.com; imagem retirada da internet)


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Fibromialgia - O que é, quais os sintomas e como afeta a qualidade de vida do indivíduo

O tratamento deve ser multiprofissional, envolvendo: o educador físico, o médico psiquiatra, os analgésicos e o psicólogo. Depressão e ansiedade crônicas fazem parte dos sintomas.

Fonte: Clínica Plenamente

Antigamente, as queixas relacionadas à dor generalizada e a indisposições mal definidas eram negligenciadas, além de muitas vezes serem consideradas “apenas” como consequência de problemas emocionais.
Assim, a falta de informação e o preconceito elevavam o sofrimento de alguns indivíduos e não favoreciam o surgimento de estratégias terapêuticas para melhorar sua qualidade de vida.
 

Foi a partir da década de 1980 que a fibromialgia começou a ser melhor investigada, sendo então construídos critérios diagnósticos que auxiliam na identificação dessa síndrome. 

Atualmente, o conceito de fibromialgia é definido por uma condição complexa e crônica que engloba dor musculoesquelética, fadiga, indisposição generalizada e transtornos do sono. A dor é intensa, presente por no mínimo três meses, e atinge os músculos, ligamentos e tendões, no mínimo em 11 dos 18 pontos padronizados. 

Pesquisas internacionais apontam uma prevalência de 1 a 5% na população geral. Estudos realizados na população brasileira indicam uma prevalência de cerca de 10%, e ressaltam a influência de fatores socioeconômicos que possam justificar esse índice tão elevado.
Cerca de 80% dos casos de fibromialgia corresponde às pacientes do sexo feminino. 


O termo fibromialgia vem de “fibro” (tecidos fibrosos, como tendões e ligamentos), “mi” (músculos) e “algia” (dor).
Ao contrário da artrite, a fibromialgia não causa dor ou inchaço nas juntas, e sim a dor consiste nos tecidos que envolvem as juntas, a pele e outros órgãos pelo corpo.  


Os sintomas mais comuns são: 

 - dor generalizada pelo corpo por no mínimo três meses;

 - má qualidade do sono;

 - cansaço, perda de energia e diminuição da resistência a exercícios físicos;

 - cólon irritado (diarreia alternada com prisões de ventre) e outras disfunções intestinais;

 - formigamento e dormência nos braços, pernas, rosto e, sobretudo, nas mãos e nos pés;

 - depressão e ansiedade crônicas;

 - cefaleia (dor de cabeça);

 - sensação de inchaço nas articulações;

 - rigidez muscular.

A depressão e a ansiedade são os quadros psicológicos mais frequentemente associados à fibromialgia. A dor é percebida como um sinal de alerta no corpo, mostrando que algo não está bem. O indivíduo quando experimenta esse sentimento, apresenta ansiedade, e todas as manifestações psicológicas e fisiológicas correspondentes.
Nos quadros de dor crônica, esse estado psíquico é intenso e acompanha o indivíduo por muitos anos, podendo inclusive gerar algum transtorno de ansiedade ou depressão. Há indícios de que essa situação se agrava de forma significativa quando o paciente se procura a diversos profissionais sem obter um diagnóstico preciso, o que ocorre em muitos casos de fibromialgia. 


Essa síndrome também pode provocar mudanças importantes na vida social, afetiva e ocupacional dos indivíduos, uma vez que a interação social diminui, o trabalho é prejudicado, e aspectos cognitivos como a atenção e a motivação mostram-se reduzidos. Sob esse aspecto, a fibromialgia coloca o paciente muito mais predisposto a um quadro de depressão.

As emoções não são vistas apenas como consequências desse quadro de dor crônica, mas elas também podem servir como retro alimentação para a dor. Uma vez que o indivíduo com a síndrome apresenta esses fenômenos psíquicos e comportamentais, consequentemente ele tem sua qualidade de vida prejudicada, e vivencia apenas a dor em sua vida, não depositando suas energias em experiências mais positivas e gratificantes.

Causas


Embora sua etiologia ainda não seja totalmente esclarecida, um grande número de pesquisas realizadas levantou hipóteses sobre as causas da fibromialgia. Algumas dessas pesquisas sustentam que o desenvolvimento da síndrome se dá sempre após a exposição de um indivíduo pré-disposto a algum tipo de trauma (por exemplo, acidentes ou doenças graves). Outros estudos sugerem que existe uma influência genética significativa que coloca as mulheres mais suscetíveis ao acometimento da síndrome.

Pesquisas realizadas com técnicas de neuroimagem levantaram a hipótese de que a fibromialgia pode estar associada a falhas no equilíbrio dos neurotransmissores no sistema nervoso central, e não por problemas musculares nas áreas periféricas do corpo. Ainda sustentando essa última hipótese, um estudo mostrou que um neurotransmissor que sinaliza ao cérebro um foco de dor existe em três vezes maior quantidade em pacientes com fibromialgia. 


Tratamento

O tratamento atualmente conhecido para fibromialgia permite que muitos dos sintomas sejam minimizados significativamente para melhorar a qualidade de vida do individuo.

O tratamento deve ser multiprofissional, envolvendo: o educador físico, que vai orientar o paciente na prática de exercícios físicos de baixa intensidade e de alongamentos; o médico psiquiatra, capacitado a receitar medicamentos que favoreçam a qualidade do sono e o controle da depressão e da ansiedade; os analgésicos que aliviam a dor; e o psicólogo, cujo papel no tratamento é de suma importância no sentido de buscar mudanças na relação do indivíduo consigo mesmo e com seus sintomas.

Veja também:
Fibromialgia - Causas, sintomas e tratamentos
Fibromialgia.com.br

Ilustração retirada da internet.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Assista: TV ALERJ entrevista a psiquiatra Moema Costa dos Reis e Karen Terahata

 http://www.tvalerj.tv/PlayMediaInPortfolio.do?mediaId=16756#Neste programa "TV ALERJ Debate", as chamadas "doenças modernas", como os transtornos de ansiedade e a depressão, estão em pauta.A entrevista foi gravada na última segunda-feira, dia 7 de julho, no belíssimo Palácio Tiradentes, que abriga a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e a TV ALERJ.
Esta entrevista será exibida pela TV ALERJ amanhã, dia 12 de julho, às 22:30h, e no domingo, às 15:30h.


TV ALERJ via cabo (NET):

CIDADE CANAL
NITERÓI 03
NOVA FRIBURGO 97
RIO DE JANEIRO 12
TERESÓPOLIS 41
TRÊS RIOS 96
VOLTA REDONDA 13
ANGRA dos REIS 14
BARRA MANSA 96
CABO FRIO 34
CAMPOS DOS GOYTACAZES 10
ITAPERUNA 99
MACAÉ 10
PETRÓPOLIS 95
RESENDE 96
SÃO GONÇALO 12
RIO BARRA 12
RIO ITAPERÚ 12
PATY DOS ALFERES 96

Informação para recepção via parabólica:

Satélite Brasilsat - B4 at 84° W
Taxa de Símbolos = 3,0 MSps 
- Frequência Banda-C = 3816,0 MHz 
- FEC = 3/4
- Frequência Banda-L = 1334,0 MHz 
- Polarização= Horizontal


sexta-feira, 4 de julho de 2014

Fotógrafo faz ensaio divertido para tirar avó da depressão

(Fonte: Catraca Livre)

Em 2010, o fotógrafo francês Sacha Goldberger estava preocupado com sua avó Frederika, que apresentava sinais de depressão aos 91 anos de idade. Para ajudar a melhorar sua saúde, ele resolveu criar, junto com ela, alguns ensaios de fotos divertidas.

Na primeira sessão, dona Frederika aparece fantasiada como vários super-heróis. Esse trabalho foi divulgado ao redor do mundo e chegou a ser compilado em um livro. As fotos foram expostas no Brasil no ano passado.

Após isso, Sasha fez outro ensaio, intitulado “Mamika” (significa avó em húngaro e é a nacionalidade de Frederika), no qual revela sua avó em situações cotidianas ao lado de seu galo Bob.

sábado, 14 de junho de 2014

A depressão e o cachorro preto (The black dog)


Desconsiderem os erros de tradução. A mensagem é muito bacana!
Coragem, saúde e força para todos nós!!!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Acabe com sete mitos sobre o uso de antidepressivos

Ainda sobre antidepressivos, encontrei uma matéria da repórter Laura Tavares, no site Minha Vida, que se propõe a derrubar alguns mitos relacionados ao uso desse tipo de remédio. 

Entenda como esse medicamento age no seu organismo e evite surpresas

Os sintomas da depressão ainda fazem desta doença um dos problemas mais difíceis de ser diagnosticado - o desafio começa no próprio paciente que, ao se defrontar com a sensação de tristeza, pessimismo e baixa autoestima, nem sempre consegue identificar quando tudo isso sinaliza um estado passageiro, causado por frustrações de rotina, ou um transtorno de humor que merece - e exige! - tratamento. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão, dos níveis mais leves aos mais severos, atinge cerca de 121 milhões de pessoas no mundo, hoje em dia*. Parte desse grupo é tratada com medicamentos genericamente conhecidos por antidepressivos. "Eles estimulam a produção de neurotransmissores que estão em falta e inibem a produção daqueles em excesso, gerando um equilíbrio que permite o bom funcionamento cerebral", afirma o psiquiatra e psicoterapeuta Fernando Portela Câmara, da Associação Brasileira de Psiquiatria.

A disposição para lidar com dificuldades, a melhora do humor e o aumento da tolerância em situações de conflito (alguns dos efeitos possíveis do consumo desse tipo de remédio), no entanto, acabam fazendo com que muita gente faça o consumo sem necessidade. "A prescrição médica é indispensável no caso dos antidepressivos, que têm uma enxurrada de efeitos colaterais capazes de prejudicar a saúde física e mental do paciente se o uso não for realizado com os cuidados adequados", diz o especialista. Entre os principais riscos, estão o erro na dose e na frequência de ingestão, a combinação com outros medicamentos (quando uma das fórmulas pode perder a eficiência ), além da associação com bebidas alcoólicas.

Por outro lado, muitos pacientes torcem o nariz quando saem do consultório do psiquiatra com uma receita médica. "O medo de ficar viciado em antidepressivos ou perder a vitalidade sexual sempre aparece nas consultas", afirma o professor de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Marcelo Fleck, editor da Revista Brasileira de Psiquiatria. Com a ajuda dele e de outros especialistas, tire suas dúvidas sobre esse tipo de medicamento.

Danificam o cérebro
Segundo o professor de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Marcelo Fleck, editor da Revista Brasileira de Psiquiatria, não há qualquer evidência de que o uso de antidepressivos danifique o cérebro. Na verdade, estudos apontam exatamente para a ideia oposta. "Pessoas que ficaram expostas a sintomas depressivos por muito tempo costumam apresentar alterações cerebrais, como a diminuição da ramificação dos neurônios, o que atrapalha a troca de informações nervosas", explica. Assim, como os antidepressivos tendem a combater os sintomas da depressão, eles são aliados do bom funcionamento do cérebro. "Para colher esses benefícios, entretanto, é fundamental seguir a prescrição médica", afirma.

Causam dependência
Antidepressivos não têm potencial para provocar dependência no usuário. "Ao contrário dos chamados ansiolíticos, drogas tranquilizantes que exigem receituário na cor azul, os antidepressivos são medicamentos psicoativos, que não possuem tarja preta e são prescritos em receituário branco especial", afirma o psiquiatra Fernando Portela Câmara. Mesmo assim, esses medicamentos não devem ser abandonados de maneira abrupta. "Apenas a retirada gradual possibilita a reorganização do organismo sem as substâncias fornecidas pelo antidepressivo", explica.

Alteram a personalidade
Para Fernando Câmara, antidepressivos não alteram a personalidade de quem faz uso deles, mas permitem que o paciente tenha mais ânimo para tomar decisões. "Quem convive com os sintomas da depressão costuma ser reprimido e tende a se isolar da sociedade. O uso desses medicamentos ajuda você a sentir prazer novamente", afirma. A confusão, nesse caso, aparece quando os sintomas da doença são interpretados como características pessoais - o que, realmente, é difícil de delimitar. Como definir se alguém é reprimido ou apenas tímido? Fazer essa distinção é apenas um dos desafios dos psiquiatras, o problema é que eles só podem ajudar quando o próprio paciente desconfia que precisa de ajuda e procura um médico.

Benefícios são decorrentes do efeito placebo
"Se o paciente foi devidamente diagnosticado, basta um antidepressivo para reverter a situação", afirma o professor de psiquiatria Marcelo Fleck. Mas os efeitos do medicamento, de fato, são difíceis de medir no caso de uma depressão leve, quando uma terapia ou até o início de uma atividade física também trazem resultados. O efeito terapêutico do antidepressivo aparece mais claramente em depressões graves, de acordo com o especialista.

Curam a depressão
Assim como o diabetes e outras doenças crônicas, a depressão não tem cura, mas pode ser controlada. "Isso significa que o tratamento regular reduz ou zera os sintomas, que podem ou não reaparecer com o tempo", afirma o psiquiatra Fernando Câmara. Por esse motivo, o acompanhamento médico é fundamental, dispensando os remédios ou fazendo ajustes na dose. Uma visita mensal ao psiquiatra, pelo menos, é indicada para avaliação do caso.

Tem o mesmo efeito para todas as pessoas
"A mesma dose de um antidepressivo pode ter efeitos diversos em diferentes pessoas, como ocorre com qualquer medicamento", afirma o professor de psiquiatria Marcelo. Por isso, a prescrição desse medicamento, mesmo que para problemas similares, deve ser individualizada. Afinal, o médico precisa levar em conta ainda a idade do indivíduo, os outros medicamentos que ele toma, se mora com algum familiar, entre outros pontos.

São a única forma de tratamento
De acordo com Marcelo Fleck, a ingestão de antidepressivos não é a única maneira de tratar a depressão. "Uma dieta equilibrada e a prática regular de exercícios, por exemplo, podem funcionar como coadjuvantes no tratamento, pois são medidas diretamente ligadas ao bem-estar físico e mental", explica. O especialista aconselha ainda a adotar tais hábitos como forma de se prevenir contra o transtorno. "Principalmente quem apresenta predisposição genética para desenvolver a depressão deve ficar atento a um estilo de vida saudável para reduzir suas chances de ter o mesmo problema que seus familiares", alerta.

(* 
dados de 2012; ilustração: Mafalda, by Quino - reprodução internet)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Tratamento sem remédio

Vira e mexe alguém me pergunta se acredito na "cura" do pânico sem uso de remédios.

Em primeiro lugar, não sei realmente se existe cura para o pânico nem para outros transtornos de ansiedade. O que sei é que é possível controlar os sintomas e conviver bem com eles.

Ao longo desses mais de 17 anos de convivência com o pânico, já usei florais, Maracujina, passiflora, chá de camomila, de erva-doce, e várias outras alternativas fitoterápicas.
Nenhuma delas fez efeito comigo.

Isso não significa que não ache que possam ter bons resultados com outras pessoas. Minha mãe, por exemplo, sempre tomou Maracujina e Passiflorine nos dias mais punks e até hoje, no alto de seus 80 anos, nunca precisou recorrer a um tarja preta.
Por outro lado, uma simpática senhora septuagenária que esteve em uma das reuniões do meu grupo de apoio nos contou que tomava antidepressivo há uns 20 anos: "Todos os dias tomo uns 15 comprimidos. Para pressão, colesterol, osteoporose, incontinência urinária... o antidepressivo é só mais um deles! E nem penso em deixar de tomar. Ando de bicicleta todos os dias, faço minhas coisas, me sinto muito bem!".  


É claro que isso depende do nível de ansiedade. Em alguns casos, quando se trata de uma ansiedade branda ou ocasionada por uma situação específica, a solução pode ser apenas mudar alguns hábitos ou buscar uma yoga, ou uma terapia - que, aliás, faz bem em qualquer fase da vida!
Se a solução é fitoterápica, homeopática ou alopática não importa. O que importa, na minha opinião, é que a gente não sofra com os sintomas. Que os ataques de ansiedade e a depressão não nos tire o sono, a fome, a vontade de sair, de produzir, de se divertir, de namorar, de estudar, de viver!


Se estivermos sentindo algum - ou vários - desses sintomas, devemos procurar um médico e tomar medicação SIM, sem medo de ficarmos dependentes. Isso não importa! O importante é que a gente tenha uma vida com qualidade! E daí se precisarmos tomar remédio todos os dias pro resto da vida? Quanta gente precisa?!

Inclusive, muitas de nós, mulheres, tomamos anticoncepcionais durante boa parte da vida e eles, apesar dos evidentes benefícios que nos trazem, também podem causar diversos danos à nossa saúde.
É uma questão a ser avaliada, não acha?
Pois ninguém melhor do que o seu médico para fazer essa avaliação com você. ;)

Não deixe pra depois! 


Saúde, coragem e paz! :)

(imagem retirada da internet)



quarta-feira, 12 de março de 2014

Programa Trocando Ideias - Síndrome do Pânico e Depressão



Muito boa entrevista com a psicóloga Elaine Ribeiro no programa Trocando Ideias, da TV Canção Nova.

Pânico, depressão, preconceito, dificuldade de atendimento pelo sistema público...
Seria bom que outros profissionais da área de saúde tivessem essa mesma compreensão sobre a doença e seus pacientes.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Entenda a ansiedade

O que é ansiedade?

A ansiedade é uma reação normal do organismo que prepara a pessoa para situações de perigo. Se não existisse ansiedade ou medo, as pessoas morreriam, pois não estariam alertas aos perigos da vida. Diante do perigo, as glândulas adrenais liberam adrenalina na corrente sanguínea, que prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga.

Ansiedade é normal?

A ansiedade é normal e faz parte do repertório normal de emoções do ser humano. No entanto, quando exagerada, provoca muito sofrimento e interferência na vida cotidiana e passa a ser considerada patológica. 

Quais são os sintomas da ansiedade?

Os sintomas da ansiedade podem ser divididos em mentais e somáticos.
Os sintomas mentais (ou psíquicos) são medo de que ocorra algo ruim, preocupação excessiva e sensação de perigo iminente. 
Os sintomas somáticos incluem tensão motora, hiperatividade autonômica e hipervigilância, além de somatização importante. A hiperatividade autonômica se manifesta por meio da descarga de adrenalina, que causa taquicardia (coração acelerado), sudorese, tremores, falta de ar, calafrios ondas de calor, náusea, aperto no peito, tontura, urgência urinária e diarreia. A hipervigilância, que é estar alerta ao perigo, ocasiona dificuldade de concentração e, consequentemente, de memorização.

A ansiedade exagerada é uma doença?

Na realidade, a ansiedade exagerada pode fazer parte de várias doenças. Há os transtornos que são primariamente relacionados à ansiedade, como é o caso do transtorno do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo*, as fobias, entre outros. Em outras doenças, psiquiátricas ou não, também se encontra ansiedade excessiva, por exemplo, na depressão, no hipertireoidismo, entre outras. Por isso, é necessária uma avaliação médica cuidadosa em cada caso de ansiedade, muitas vezes com a solicitação de exames laboratoriais para um diagnóstico diferencial. 

Como se trata a ansiedade?

A ansiedade é tratada com medicamentos e psicoterapia. Vários medicamentos aliviam-na, sendo alguns indicados para uma crise e outros para tratamento de longo prazo. 

Há várias abordagens psicoterápicas para o tratamento da ansiedade. Por exemplo, uma técnica cognitivo-comportamental que pode ser usada é a exposição com prevenção de resposta. Essa técnica pode ser usada por meio da imaginação ou in vivo.

Outras técnicas para manejo de ansiedade


Dessensibilização sistemática: é uma técnica que pode ser usada nas fobias. O paciente é exposto gradualmente ao objeto temido, de modo que a ansiedade vai diminuindo aos poucos. 

Relaxamento aplicado: o paciente é orientado a controlar ou antever os sintomas fisiológicos relacionados à ansiedade e relaxar nos momentos em que se sente ansioso.

Que medidas posso tomar para ajudar no controle da ansiedade?

Existem várias medidas que ajudam a controlar a ansiedade. Todas elas envolvem a busca por uma melhor qualidade de vida (saúdes física e mental): uma mente sã depende de um corpo são.

Como cuidar do corpo?


  • Mantenha uma dieta saudável;
  • Não abuse de bebidas alcoólicas, nem mesmo de "bebedeiras" de fim de semana, pois aumentam o risco de alcoolismo. O álcool também piora a depressão e a ansiedade e pode interferir na qualidade do sono;
  • Evite drogas ilícitas. Maconha causa depressão, desencadeia psicoses em pessoas predispostas e pode prejudicar o aprendizado;
  • Pratique exercícios: a prática de atividades físicas reduz o estresse e o mau-humor por meio da liberação de endorfinas e outros neurotransmissores no cérebro. Exercícios também aceleram a recuperação de pacientes com depressão;
  • Tome sol: o sol estimula a produção de vitamina D no organismo, que fortalece os ossos, músculos e melhora o humor. Use filtro solar.
  • Evite situações estressantes. Por exemplo, procure evitar congestionamentos utilizando horários alternativos;
  • Aprenda técnicas de respiração e relaxamento, como ioga;
  • Uma boa qualidade de sono é fundamental para manter o bom ânimo e a energia para o dia a dia, para consolidar a memória do que se aprende durante o dia e para evitar doenças físicas e mentais, como enxaqueca e depressão.
  • Sexo: é relaxante e também uma atividade física. Uma vida sexual saudável contribui para manter a boa saúde mental.
  • Lazer: procure dedicar-se ao lazer ou descansar nos fins de semana. 

Texto retirado da publicação Qualidade de Vida - Ansiedade (Mantercorp Farmasa), patrocinada pela Hypermarcas.
Imagens: reprodução internet.


* No DSM-5 (2013), o TOC foi retirado do capítulo dos transtornos de ansiedade e colocado em um novo capítulo com o título de Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtornos Relacionados.

domingo, 3 de novembro de 2013

Por uma infância saudável e um adulto são

Um dos meus objetivos com o Sem Transtorno é conscientizar pais e educadores sobre a importância de proporcionar à criança uma infância saudável para que, no futuro, essa criança se torne um adulto psicologicamente seguro. 

A minha experiência me serve de motivação para clamar por isso e tentar evitar que outras tantas crianças sofram as consequências de uma negligência - mesmo que essa negligência seja involuntária. Por isso, gostaria de contar um pouco da minha história para vocês.
Dessa vez não serei tão "branda" como de costume. O assunto é hard e não tenho como florear muito, espero que compreendam!


Sou filha única de pais tardios. Quando nasci, minha mãe tinha 42 anos e meu pai 44. Ela japonesa, ele filho de espanhóis; machista e moralista. Nos dias de hoje isso pode não fazer muita diferença, várias amigas minhas decidiram ser mães aos 40 por diversos motivos. Mas na minha infância, lembro que fazia diferença sim. Além da diferença de idade entre nós, havia a diferença cultural também. Minha mãe veio criança para o Brasil, mas agia como se ainda vivesse no Japão. Quando criança, eu não podia pintar as unhas nem de esmalte clarinho, usar batom mesmo que fosse clarinho também, falar palavras feias ("droga", por exemplo, era um palavrão pra ela), só fui furar as orelhas pré-adolescente e porque insisti muito. E isso, pra uma criança, não é fácil de administrar. Criança quer ser aceita, fazer parte da turma, ser igual ou melhor do que os coleguinhas. O problema é que qualquer coisa boba pode se tornar motivo para ser descriminado e virar chacota. Certas crianças saberão lidar bem com isso, outras sofrerão mais do que o necessário. Eu até que me virava bem.

Sempre fui muito mimada. Tinha os melhores brinquedos, as melhores roupas, bastava dizer "eu quero" que conseguia qualquer coisa. Meus pais trabalhavam fora de segunda a sábado, o dia todo, ambos no comércio. 
Meu pai era sócio em duas joalherias em Copacabana e minha mãe era vendedora em uma joalheria muito famosa, em Ipanema. Por ser uma das únicas japonesas e tão competente no que fazia, era muito requisitada (os japoneses eram ótimos compradores). Ela diversas vezes trabalhava aos domingos e feriados também. E para compensar a ausência, presentes e mais presentes fora de hora para mim.
Nada de apanhar, nada de ficar de castigo, nada de limites. Se tirava notas boas, ótimo. Se não tirava, também. Nada mudava.


Minha rotina era acompanhada de perto pelas empregadas da nossa casa e por uma tia, irmã do meu pai, que morava com a gente, a tia Yvonne. Ela era como uma avó pra mim. Quando morreu, eu tinha 19 anos e sofri demais.
Ela e as empregadas é quem me levavam pra escola, me buscavam, me levavam pro balé, pro jazz, pra natação, pra aula de piano, de inglês, japonês... e também ao cinema e à Casa de Rui Barbosa, onde cresci brincando. 
 

Talvez por ter mais tempo do que minha mãe, meu pai me acompanhava mais. Ele costumava me levar para nadar no clube - o Fluminense - e até hoje adora narrar minhas travessuras na piscina. Ele gostava também de me ver jogando handebol nas olimpíadas escolares, principalmente quando elas aconteciam dentro do Forte São João, na Urca. Conta cheio de orgulho que os outros pais diziam: "Essa menina é danada"! 
E na minha primeira audição de piano ele foi e, pra ele, eu fui a mais aplaudida. Já minha mãe não foi, ficou com receio. Passei a vida achando que ela tinha ficado presa no trabalho, mas há pouco tempo ela me confessou que não foi porque achou que eu não iria tocar bem... Santa cobrança, Batman...

Abuso aos 12 anos

Fiquei menstruada pela primeira vez aos dez anos. Com isso, meu corpo se desenvolveu rapidamente, precisei usar sutiã e me tornei a garota mais alta da turma. Quando eu estava na 6ª série - hoje o 7º ano do ensino médio -, comecei a ser assediada por um professor. Ele era jovem, devia ter 25 ou 26 anos, não era bonito, mas praticava esportes radicais, andava com roupas de grife e, acho que por isso, chamava a atenção de algumas meninas.
  
Um dia, durante o recreio, um grupo de amigas presenciou uma dessas investidas. Ele mandava recados por elas, dizia que era apaixonado por mim, que queria namorar comigo. Isso me deixou muito envergonhada.
Mas como a maioria das crianças que sofrem algum tipo de abuso, eu me sentia culpada também; achava que de alguma forma eu tinha provocado aquela situação. Pedi então para a minha mãe me tirar da escola - a escola onde estudava desde o pré-escolar, onde tinha todos os meus amigos, onde era representante de turma, capitã do time de handebol...
Ela estranhou o pedido, mas não a ponto de impedir que eu tomasse a decisão. Acho que ali faltou diálogo, sensibilidade, entrosamento entre meus pais e eu. Se eles tivessem forçado a barra, talvez tivessem descoberto a tempo o que estava acontecendo comigo.

Mudei de escola, mas os problemas não pararam. O tal professor descobriu meu novo colégio e passou a me esperar do outro lado da calçada na hora da saída. Me esperava também na porta da academia onde eu malhava e às vezes me seguia até em casa. Eu sempre andava acompanhada de uma empregada, mas isso não o intimidava. Um dia me colocou dentro do carro dele e me levou para um "passeio". Nesse passeio, abusou de mim. 

Eu ainda era muito ingênua, continuava sendo a menina que não falava palavrão e nem usava maquiagem. Mas a partir daquele dia, sei que alguma coisa dentro de mim mudou. Mudou pra pior.

Corri para a casa de uma amiga e contei o que tinha acontecido. Ela me explicou calmamente tudo o que sabia, já que tinha um irmão. "Meninos fazem coisas estranhas mesmo, meio nojentas, mas se fizeram com você é porque te acham bonita". Quanta ingenuidade...

Meu pesadelo só acabou quando criei coragem de contar pra minha mãe. Naquele dia, ele ligou pra minha casa e ficou dizendo coisas obscenas pra mim, coisas que na época eu não entendi, mas sabia que eram "inadequadas". Chamei minha mãe e pedi para ela escutar a conversa na extensão. Uma frase foi suficiente para deixá-la transtornada. Lembro que ela gritava: "Se você procurar a minha filha de novo, eu te mato!" Felizmente, não precisou matar. Ele me deixou em paz.

Em paz é modo de dizer porque carreguei esse trauma comigo durante anos e anos. E a isso, mais tarde, somatizou-se o alcoolismo do meu pai, a aposentadoria da minha mãe e a consequente queda no nosso padrão de vida, a minha entrada na faculdade, a preocupação com o meu futuro... e de uma menina tranquila e estudiosa, passei a me comportar mal, a beber, fumar, repeti de ano, fiquei completamente desconcentrada, sem foco e agressiva. Me sentia perdida, desprotegida, um barco à deriva. E é assim que se sente um jovem sem um direcionamento, sem limitações, sem a segurança que só uma família pode proporcionar.

Aos 21, a primeira crise de pânico e o início da minha luta por sanidade.

Somente há dois anos mais ou menos é que levei esse assunto para a minha terapia e comecei a enfrentá-lo. Não omiti propositalmente, era como se eu tivesse colocado essa "sujeira" embaixo do tapete e esquecido por lá.
Quando esse assunto veio à tona, passei mal, chorei muito, mas minha psicóloga me convenceu de que era necessário falarmos sobre isso. Então seguimos em frente. Hoje, relembrando tudo, minhas mãos suam frio e meu coração bate disparado. É claro que não me faz bem, mas achei que era o momento de falar abertamente sobre isso com vocês e alertar sobre a necessidade de se manter um bom relacionamento com os filhos, com os netos, com os alunos. De prestar atenção em mudanças bruscas de comportamento, em uma tristeza aparentemente sem motivo. Queria acrescentar ainda que não me faltou amor dos meus pais, eles sempre foram carinhosos e dedicados dentro das possibilidades deles. Me faltou atenção, esclarecimento por parte deles. E h
oje temos muita informação ao nosso alcance, profissionais bem mais preparados para ajudar nesse tipo de situação, remédios e terapias eficazes. Temos muito mais chance de evitar que isso aconteça.

Gostaria de dividir com vocês também um trecho do livro que estou lendo e que tem tudo a ver com o que acabei de relatar. Um grande abraço a todos, coragem, força, amor e paz!

Vítimas de maus-tratos na infância

"Alguém que tenha sido o predileto incontestável de sua mãe carrega pela vida afora um sentimento de vitória e uma certeza de ser bem-sucedido, que frequentemente levam de fato ao sucesso." A frase é do pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939). Ela mostra como o cuidado e o amor na primeira infância são fundamentais para o desenvolvimento saudável e a trajetória de uma pessoa ao longo da vida. Pessoas que foram abandonadas, negligenciadas, sofreram violência física e psicológica ou abuso sexual quando crianças têm mais chances de desenvolver transtornos psíquicos na vida adulta. Os traumas na infância podem predispor a uma série de problemas, como depressão, ansiedade, uso excessivo de álcool e outras drogas, distúrbios alimentares e transtornos de personalidade. Estudos estatísticos permitem estimar que entre 25% e 35% das crianças vítimas de maus-tratos terão depressão quando chegarem aos 20 anos de idade.

(...) Em seu livro O inimigo no meu quarto, o psiquiatra e psicanalista Yoram Yovell explica em detalhes como os mecanismos da memória atuam nos eventos traumáticos. "Em momentos de tensão elevada, é possível que o hipocampo, que registra a memória explícita do que está ocorrendo, pare de funcionar. Ao mesmo tempo, a amígdala funciona muito bem, exercendo sua função de memorizar de modo implícito e inconsciente as reações de medo e os estímulos que as provocam". O resultado é o seguinte: "o trauma , em si mesmo, não é lembrado, apesar de ser possível, em certos casos, recordá-lo. Mas o medo e a angústia do trauma são muito bem memorizados, assim como os estímulos ligados a eles". 

Há ainda outros mecanismos envolvidos na relação entre o trauma da infância e os transtornos mentais que surgem na vida adulta. Yovell explica que bebês e crianças que passam por situações de tensão emocional com muita frequência tendem a ter os circuitos cerebrais ligados ao estresse alterados, o que as coloca num estado de "emergência permanente" e as torna mais vulneráveis a episódios de depressão e pânico na vida adulta. 

(...) Os prejuízos causados pelos maus-tratos na infância não ocorrem apenas nos casos graves de abandono, violência física ou abuso sexual. Situações mais sutis também podem causar danos no futuro".

(trecho do livro Não é coisa da sua cabeça, de Naiara Magalhães e José Alberto de Camargo - editora Gutenberg, 2012)

Imagens: internet