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sábado, 9 de novembro de 2013

Rivotril? - Eis a questão

                                                           Imagem: internet
Esta semana, coincidentemente, recebi e-mails e mensagens de várias pessoas em crise de pânico com medo de tomar um ansiolítico - mais precisamente o Rivotril.

Em primeiro lugar, gostaria de lembrar que não sou médica, nem psicóloga. Sou apenas uma portadora de pânico e de ansiedade generalizada há pelo menos 16 anos, que leva a sério seu tratamento com terapia e medicação (inclusive Rivotril, quando necessário). Já comi o pão que o diabo amassou por causa da ansiedade, mas,
com muita força de vontade e acompanhamento profissional adequado, estou conseguindo ter minha vida de volta - de bônus, um estimulante recomeço.

Tendo isso esclarecido, me sinto à vontade em dar minha opinião: Rivotril é coisa séria sim, pode causar dependência sim e deve ser usado com muita responsabilidade, somente com prescrição médica. Mas se houver essa prescrição médica, aconselho que tome.

Quando estamos num período de crises de pânico, principalmente quando temos as primeiras crises e não sabemos como controlá-las, o ansiolítico ajuda muito. Ele relaxa, diminui as sensações ruins da ansiedade.
Ansiedade que acelera o nosso batimento cardíaco e que, com isso, prejudica a nossa respiração e faz a gente sentir falta de ar, além de pressão no peito,
formigamentos...

Eu raramente faço uso de Rivotril. Tomei pela última vez há dois meses, quando viajei de avião depois de passar dez anos me esquivando dessa situação! Como não se pede para parar um avião da mesma forma como se pede para parar um ônibus, eu ficava imaginando o que eu faria se tivesse uma crise de pânico durante o voo. Me sentia mal só de pensar na vergonha que eu poderia passar e fazer minha família passar junto! Mas deu tudo certo, e agradeço por ter levado meu Rivotril na bolsa. Mesmo tendo feito todo um "trabalho de base" com a minha psicóloga e com a minha psiquiatra, me senti bem mais segura. E com a ansiedade controlada, pude curtir a viagem, sem nenhum problema.
(aproveite para ler o post Superação - Férias!, onde falo mais sobre essa minha experiência)


No mês passado, a Veja Rio publicou uma matéria de capa sobre o Rivotril e vou compartilhar com vocês os trechos que achei mais interessantes. Caso queiram ler a reportagem completa, aí vai o link.
 
Cabe a cada um, obviamente, julgar o que é melhor para si. Estou aqui apenas dando minha opinião fundamentada na minha vivência com a doença, ok? Consulte sempre um médico! Não custa lembrar!... ;)


Coragem! Paz! <3


No astral do Rivotril 

Indicado para tratar síndrome do pânico e fobias, o medicamento de tarja preta é adotado por cariocas como panaceia para as tensões do dia a dia
Por Sofia Cerqueira

- De acordo com dados de mercado, trata-se do calmante mais consumido no Rio, à frente de drogas para impotência sexual e hipertensão.

- "Para muita gente funciona como se fosse o velho copinho de água com açúcar, o que evidentemente é um exagero", compara a médica Fátima Vasconcellos, presidente da Associação Psiquiátrica do Estado e chefe de clínica do Serviço de Psiquiatra da Santa Casa.

- Chamado de "pílula da felicidade", "comprimido do relax" ou "gotinha da paz" em sua versão líquida, o Rivotril desfruta uma aura pop incomum para um medicamento. (...) Apenas na internet, há mais de oitenta páginas espalhadas pelas redes sociais fazendo alusão ao uso do remédio ou estampando o seu nome. 

- Boa parte dessa popularidade vem dos efeitos do Rivotril, que desacelera o sistema nervoso central, nocauteando um grupo de neurotransmissores e reduzindo as respostas aos estímulos externos. Como resultado, induz a um relaxamento muscular, a uma sensação de tranquilidade, chegando à sedação leve, no caso de doses mais altas. Quem toma explica que o efeito é parecido com o do consumo de uma ou duas doses de álcool, mas mantendo a clareza dos pensamentos e uma impressão de calma e paz.

- É inegável que uma droga tão bem-sucedida traz benefícios às pessoas que a consomem. A questão central, evidentemente, não é o remédio. O problema aparece quando, sem o monitoramento adequado, ele se transforma em muleta diante da mais prosaica das adversidades.

- Com o ritmo de vida acelerado e a contínua exposição a pressões (sejam pessoais, sejam profissionais), um em cada três moradores de regiões metropolitanas apresenta distúrbios decorrentes da ansiedade. Os problemas com o sono também são muito frequentes: estima-se que atinjam de 15% a 27% da população adulta. Não à toa, suas vendas, somadas às das versões genéricas comercializadas sob o nome de Clonazepam, crescem ao ritmo de 15% ao ano. 


- "Prescrito de forma correta e por um tempo adequado, o remédio é muito seguro e eficaz", defende o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, professor titular da Faculdade de Medicina da UFRJ e uma das maiores autoridades em transtornos de ansiedade no país.