quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Barra tem grupo de ajuda mútua para portadores da síndrome do pânico e ansiedade generalizada

Troca. Karen posa na clínica que cedeu o espaço para os encontros
Foto: Felipe Hanower
Lívia Neder
Publicado: 17/02/14 - 6h00


RIO - Convivendo com a síndrome do pânico há 17 anos, a jornalista Karen Terahata, de 38, conseguiu melhorar sua qualidade de vida desde que passou a levar o tratamento da doença a sério, há dois anos. Neste processo, ela criou o blog Sem Transtorno, no qual passou a relatar suas experiências. Como extensão do trabalho que faz na internet, ela organiza, agora, o Grupo de Apoio a Portadores da Síndrome do Pânico e Ansiedade Generalizada.

A ideia surgiu a partir do contato com o trabalho de Fernando Mineiro, autor do livro “Tenho a síndrome do pânico, mas ela não me tem”, que coordena um grupo de apoio em Belo Horizonte.

— Há anos, buscando informações sobre pânico, encontrei o livro do Fernando, que me ajudou muito. Sempre procurei grupos de ajuda mútua como o que ele coordena. Mas, no Rio, não encontrei nada parecido. Quero trocar experiências com outras pessoas e mostrar que o pânico e os transtornos de ansiedade são doenças como quaisquer outras e podem ser encaradas de uma forma natural, não como aberrações — diz Karen.

Os encontros serão realizados no Núcleo Integrado, onde Karen faz psicoterapia. A partir de abril, eles serão realizados sempre no primeiro sábado de cada mês.

— Minha psicóloga sabia do meu interesse em criar o grupo e falou com a dona da clínica, que cedeu o espaço. Quero reforçar a aceitação das doenças. Muitas pessoas têm dificuldade de enfrentá-las; não querem tomar remédios controlados nem fazer acompanhamento psicológico. Mas, se a pessoa se cuida, pode ter uma vida normal — destaca.


Os interessados em participar das reuniões do grupo de apoio deverão enviar um e-mail para semtranstorno@gmail.com informando nome completo, idade e um telefone para contato.




Fonte: site O Globo
Link da matéria: http://oglobo.globo.com/rio/bairros/barra-tem-grupo-de-ajuda-mutua-para-portadores-da-sindrome-do-panico-ansiedade-generalizada-11597033?topico=barra

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Estigma, preconceito e exclusão


O texto abaixo, prefácio do livro Não é coisa da sua cabeça, define meu objetivo com o projeto Sem Transtorno: "eliminar o estigma, a descriminação e a exclusão social e familiar que envolvem aqueles que sofrem de alguma doença mental".
Através da informação, procuro fazer minha parte a favor dessa mudança. 


Coragem e saúde para todos nós!

"Parece difícil imaginar que pelo menos um em cada três de nós vai, em algum momento de sua vida, apresentar um tipo de transtorno mental. É verdade que fazem parte dessa cifra problemas como as fobias - o medo extremo e irracional de elevadores, multidões, viagens de avião, injeção, certos animais, altura e outras situações cotidianas -, que são bastante prevalentes na população, mas nem sempre causam grandes prejuízos para as pessoas. No entanto, a maior parte daqueles que sofrem de algum transtorno da mente vai ter sua vida profundamente afetada. Isso faz com que as doenças mentais constituam hoje uma das principais causas de incapacitação dos indivíduos, superando outros problemas de saúde comuns, como as doenças cardiovasculares e o câncer. E é provável que esse impacto se intensifique ainda mais, em alguns anos, pois à medida que ganhamos longevidade, os problemas médicos decorrentes das doenças crônicas - que incluem os transtornos mentais - tendem a ganhar proporções maiores


Hoje já sabemos, por meio de pesquisas científicas no campo das neurociências - as diversas áreas de estudo dedicadas a entender o funcionamento do cérebro - e também de prática diária nos consultórios, que as doenças da mente começam a se desenvolver na infância, manifestam-se com mais clareza na juventude e, depois que surgem, tendem a se cronificar. Algumas melhoram com a idade, outras vivem altos e baixos, e há aquelas que evoluem progressivamente, limitando, pouco a pouco, a vida do indivíduo. Mas, apesar de todo o conhecimento que temos acumulado nas últimas décadas, ainda não conseguimos descobrir precisamente as causas de cada transtorno mental nem, consequentemente, como curá-los. Nossos tratamentos, embora sejam efetivos, na maior parte das vezes, para aliviar sofrimentos e permitir que as pessoas levem suas vidas com maior equilíbrio e fluidez, nem sempre são capazes de reverter a doença mental ou estancar seu desenvolvimento. E o que é ainda mais preocupante: esses tratamentos não são acessíveis à parcela mais pobre da população, particularmente em países desiguais como o nosso. (...)

Seguindo o exemplo do que ocorre em outras áreas da medicina, é necessário também avançarmos no campo da prevenção. Ou seja, criar metodologias que permitam identificar indivíduos em risco para o desenvolvimento de transtornos mentais e investir neles com intervenções eficazes, antes de a doença começar. Assim, teremos chances de impedir o surgimento desses problemas ou atenuar sua manifestação de forma significativa. (...)

Para isso, precisamos de transformações substanciais na nossa rede de atendimento à saúde, bem como de estratégias bem testadas de intervenção em larga escala. É necessário treinar e ampliar os nossos recursos humanos nessa área, capacitando profissionais de programas amplos, como o Saúde da Família, para diagnosticarem e tratarem adequadamente os problemas mentais mais comuns, como se faz com outras especialidades médicas.

Para pôr em prática qualquer uma dessas ações, vamos ter de investir em eliminar o estigma, a descriminação e a exclusão social e familiar que envolvem aqueles que sofrem de alguma doença mental. Acredito que esse processo comece com INFORMAÇÃO."


Euripedes Constantino Miguel - Professor titular e Chefe do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Sem Transtorno e Fernando Mineiro do GruPan

Neste final de semana tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o coordenador do GruPan (Grupo de Apoio a Portadores do Transtorno do Pânico) em Belo Horizonte (MG), Fernando Mineiro.

Fernando Mineiro é autor do livro Tenho a Síndrome do Pânico, mas ela não me tem, que há alguns anos comprei pela internet e que, desde então, tem me ajudado bastante. No livro, Fernando, que também é portador do pânico desde a adolescência, nos conta sua história com a doença - foram 35 anos em busca de diagnóstico. Além disso, dá dicas de relaxamento, de alimentação... e o mais importante: nos dá ânimo para enfrentar a doença.

Karen Terahata, Fernando Mineiro e Rosanna Talarico

"Aqui em casa não tem espaço para pensamento negativo", ele diz. "A gente tem sempre que pensar no lado bom das coisas, como a Pollyana no seu jogo do contente".

No livro
Tenho a Síndrome do Pânico, mas ela não me tem, Mineiro também estimula a criação de grupos de apoio. Devo a ele, portanto, grande parte do meu desejo em ter meu próprio grupo e poder ajudar outras pessoas. 

Hoje aposentado, Fernando Mineiro dedica seu tempo e energia aos portadores de pânico que o procuram. Explica tudo o que sabe sobre o transtorno e ensina com muita calma alguns exercícios de relaxamento, assim como a respiração diafragmática que ele já incorporou ao seu dia-a-dia e que, garante, não o deixa ter crises há cerca de sete anos.

Foi inspirador poder conhecer pessoalmente o Fernando Mineiro, conhecer o espaço do GruPan e alguns de seus frequentadores. Agradeço pela gentileza com que nos recebeu e gostaria de dizer à dona Rúbia, sua gentil esposa, que o suco de pêssego dela estava divino! :)

Ao meu lado nessa aventura estava a psicóloga Rosanna Talarico Mannarino, uma
grande incentivadora e parceira no projeto Sem Transtorno. Devo dizer que perdi uma ótima terapeuta, mas ganhei uma amiga melhor ainda!

Saúde e coragem para todos nós!!!

Obs.: Depois do encontro no GruPan, fui presenteada com uma bela surpresa do meu marido, que foi até BH para me buscar. Acabamos passando mais um dia em Minas e conhecemos a cidade histórica de Ouro Preto. Foi tudo lindo, leve! Brindamos com um delicioso capuccino no agradabilíssimo Café Cultural Ouro Preto e voltamos para casa esperançosos por dias melhores.

Sim, a vida não é perfeita, mas pode ser mais bonita e divertida! ;)


* Para comprar o livro de Fernando Mineiro, entre em contato com ele através do e-mail: fmineiro@yahoo.com.br



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Fobia Social - entrevista com o Prof. Sergio Machado

Em sua segunda participação no Sem Transtorno, o professor Sergio Machado nos fala sobre a Fobia Social e faz um novo convite aos pacientes que queiram participar das pesquisas do núcleo de neurociências do laboratório de Pânico e Respiração (LABPR) do IPUB/UFRJ.



ST - Professor Sergio, o que é Fobia Social?
SM - A Fobia Social (FS) consiste em uma apreensão e ansiedade diante de situações sociais devido ao medo exagerado de ser avaliado de maneira negativa por outras pessoas. O portador sente um medo intenso de ser humilhado ou ficar embaraçado em situações sociais, que passam a ser evitadas ou suportadas com desgaste. Somado a isso, existe uma sensibilidade a críticas e rejeição, preocupação em relação à opinião das pessoas, dificuldade em ser assertivo e baixa autoestima.

ST - Quais são os sintomas da Fobia Social?
Os sintomas são rubor, urgência em urinar e evacuar, porém, a queixa inicial é o automonitoramento durante uma situação social, ou seja, é uma atenção exagerada voltada para seu desempenho, que o impede de se comportar adequadamente.


ST - Não poderíamos chamar a Fobia Social simplesmente de timidez?
SM - Não. A Fobia Social não é timidez, pois a timidez é transitória e não está ligada ao comprometimento significativo da vida do sujeito. A Fobia Social, se não tratada, pode ser incapacitante.

ST - Qual é o quadro atual da doença?

SM - A Fobia Social é o terceiro transtorno mental mais comum, ficando atrás do alcoolismo e da depressão. Ela varia entre 3 e 13%, ou seja, um grupo de pessoas tem a chance de desenvolvê-la como patologia de 3 a 13%.
Foi demonstrado, em 2008, que a Fobia Social é um fator predisponente para transtorno de humor, como a depressão e abuso de substâncias. Um estudo sobre comorbidades feito com 71 pacientes com Fobia Social, realizado por Turner em 1991, concluiu que ela é frequentemente associada a outros transtornos, como: transtorno de ansiedade generalizada (33%), seguido pela fobia simples (8%), transtorno evitativo de personalidade (22%), seguido pelo transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo (9%).

ST - Existe uma possível causa para a Fobia Social?
SM - A causa da Fobia Social é multifatorial. Ela pode ser devido à predisposição genética, traços de personalidade, experiências de vida, disfunções cognitivas entre outros fatores que resultarão no surgimento da doença e em sua intensidade.

ST - Qual seria o tratamento adequado para a Fobia Social?

SM - Eu recomendo a psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC) combinada com tratamento medicamentoso. 

ST - Explique, por favor, para os nossos leitores o que é psicoterapia cognitivo-comportamental.
SM - Psicoterapia cognitivo-comportamental é um tipo de psicoterapia baseada em métodos específicos para a modificação de pensamentos, emoções e comportamentos, com o intuito de conseguir contornar as queixas dos pacientes.

ST - E como ela é aplicada no tratamento da Fobia Social?
SM - Normalmente são utilizadas 4 técnicas: a de habilidades sociais, a exposição, a reestruturação cognitiva e a de relaxamento. A técnica de habilidades sociais trabalha a habilidade de se comunicar e interagir com as outras pessoas de uma forma eficaz e apropriada, levando em consideração o contexto sócio-cultural vivido, uma vez que ser socialmente hábil em um determinado lugar pode não ter o mesmo significado que em outro.
A de exposição pode ser pela imaginação, quando requer que o paciente imagine a situação, ou ao vivo, quando este indivíduo confronta realmente a realidade.
A reestrutura cognitiva é formada por uma série de intervenções em que os pacientes são ensinados a identificar pensamentos que geram ansiedade e que normalmente têm como tema situações sociais. Já as técnicas de relaxamento têm a função de ajudar o paciente a controlar sintomas fisiológicos e a reduzir sintomas de ansiedade que estejam presentes antes e durante os eventos sociais temidos. 

Além do tratamento combinado com TCC, recomendo também a estimulação magnética transcraniana, que é um trabalho inédito no mundo e que o núcleo de neurociências do laboratório de Pânico e Respiração (LABPR) do IPUB/UFRJ vem desenvolvendo sob minha coordenação e do psiquiatria Prof. Dr. Antônio Egidio Nardi, coordenador do LABPR e do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) do IPUB/UFRJ.

ST - O que é a estimulação magnética transcraniana?

SM - A EMT é um método não-invasivo, seguro e indolor, baseado na lei de Faraday de indução eletromagnética, onde uma corrente elétrica é induzida no tecido cortical através de um campo magnético gerado por uma bobina colocada sobre o escalpo, despolarizando ou hiperpolarizando os neurônios. É considerado um tratamento de neuromodulação devido a seu foco nos circuitos neurais dos transtornos. A EMT altera a neuroquímica nas sinapses cerebrais, alterando ou modulando a função dos circuitos neurais no cérebro que se acredita estar desorganizada nos transtornos.

ST - Como pacientes com Fobia Social podem ter acesso a esse procedimento?

SM - Pacientes com Fobia Social, assim como qualquer outro transtorno de ansiedade e de humor, que queiram participar de nossa pesquisa no núcleo de neurociência do LABPR no IPUB/UFRJ devem entrar em contato comigo via email: secm80@gmail.com
O tratamento em nossa pesquisa é totalmente gratuito.


* Sergio Machado é neurocientista, Ph.D., graduado em Educação Física (UNESA), Mestrado e Doutorado pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ), Pós-Doutorado em Neurofilosofia pelo Instituto de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia (IFILO/UFU), é professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) do IPUB/UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). É pesquisador na área de transtornos de humor e ansiedade.


Imagem retirada da internet.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Hoje recebi um belo presente do site Mais Focadas: uma matéria muito bacana sobre o pânico e o Sem Transtorno! Fiquei muito feliz!!!

Obrigada, Luciana Salgado e equipe, por essa linda surpresa!



UM ENCONTRO SEM TRANSTORNO
Em 05 Fevereiro, 2014 

Falta de ar, formigamento e uma sensação de estar infartando são alguns dos sintomas da Síndrome do Pânico, assunto sério e muito mais comum do que se imagina. A boa notícia é que existe tratamento e suporte para quem passa por esse problema. Foque aqui em uma iniciativa muito bacana, organizada pela Karen Terahata, a super focada jornalista e produtora de TV que está ajudando muita gente a ser mais feliz!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Núcleo Integrado apoia o Sem Transtorno!


Muito obrigada, Ana Café e Núcleo Integrado por todo apoio e confiança!!!! Não tenho palavras para traduzir a minha gratidão!!!!!!!!! Nosso grupo de apoio vai ser um sucesso!!!! :)





terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Matéria sobre o Sem Transtorno no Conexão Jornalismo

Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

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Saúde - Bem Estar

Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

Blogueira organiza o primeiro encontro de pacientes de Síndrome do Pânico do Rio

Da Redação
Karen Terahata: dedicação aos portadores da síndrome
Karen Terahata: dedicação aos portadores da síndrome
Jornalista, produtora de TV e blogueira, Karen Terahata organiza para o próximo dia 22 de fevereiro, na Barra, no Rio, o primeiro encontro de pacientes, parentes e amigos de vítimas das chamadas síndromes do Pânico e ansiedade generalizada. O encontro está sendo organizado via Internet e Karen espera reunir alguns dos seus 1.500 seguidores que acompanham o seu blog na Internet. Saiba mais.

A síndrome do Pânico é uma doença de difícil diagnóstico e, em geral, muitas vezes é confundida com problemas cardíacos graves. "a dormência no braço esquerdo, dores no peito e falta de ar muitas vezes confundem médicos e pacientes com um ataque cardíaco". Entretanto, com a impossibilidade de determina-la por meios de equipamentos, o diagnóstico muitas vezes só chega a partir de uma avaliação psicológica. Karen mantém na Internet o blog Semtranstorno.blogspot.com que recebe 15 mil visitas/mês.

Karen Terahata experimentou seu problema há nove anos. Durante o período ela teve altos e baixos até aprender a conviver com o problema: "o acompanhamento psicológico e medicamento são fundamentais", diz.

Os interessados em participar do encontro deverão enviar e-mail para semtranstorno@gmail.com . O encontro será no dia 22 de fevereiro, sábado, das 9 às 11 horas.


Ouça a entrevista completa com Karen Terahata.

O que são os Transtornos de Ansiedade? - Entrevista com o professor Sergio Machado

A partir de hoje, o Sem Transtorno conta com o auxílio luxuoso do professor e pesquisador Sergio Machado. Nesta primeira entrevista, ele nos explica o que são os transtornos de ansiedade, suas principais características, e afirma que estamos diante de um dos maiores problemas de saúde pública dos últimos anos.


ST - Professor Sergio, o que são os transtornos de ansiedade?
SM - Se não sentíssemos ansiedade, estaríamos vulneráveis aos perigos e ao desconhecido. A ansiedade é um sinal de alerta que nos faz ficarmos atentos a um perigo iminente e, assim, tomarmos as decisões corretas e necessárias frente a uma ameaça. Dessa forma, a ansiedade pode ser considerada um sentimento de grande utilidade para nós seres humanos. Ela faz parte de nosso desenvolvimento normal, das mudanças e das novas experiências que vivemos. A ansiedade é considerada um transtorno quando ela se dá em situações que não se justificam ou quando ela passa a interferir em nossas vidas devido à sua intensidade e duração constantes.

ST - E o que é a síndrome do pânico (ou transtorno do pânico)?
SM - O transtorno do pânico é um dos transtornos de ansiedade mais comuns, juntamente com a ansiedade social, o estresse pós-traumático e a ansiedade generalizada. O transtorno de pânico tem como manifestação central o ataque de pânico, que é um conjunto de manifestações de ansiedade com diversos sintomas físicos que dura em torno de 10 minutos. Normalmente, os primeiros ataques vêm inesperadamente, sem nenhum tipo de aviso. Após certo tempo, os ataques surgem por meio de um maior nível de ansiedade, ansiedade antecipatória ou podem ser desencadeados por algum tipo de situação específica.

ST - Quais são os sintomas mais comuns?
SM - Os sintomas mais comuns são taquicardia, dor torácica, hiperventilação (ritmo de respiração acelerado), medo de morrer, boca ressecada, sensação de sufocação, tonteiras, sudorese, tremores, sensação de perda do controle ou de "ficar louco".

ST - Por que o pânico atinge determinadas pessoas?
SM - Até o presente momento não se sabe a causa para o transtorno de pânico. A causa genética é um possível fator. Embora pesquisas como as de gêmeos idênticos indiquem que em 40% dos casos se um dos gêmeos tiver síndrome do pânico o outro também terá, em geral a síndrome ocorre sem que haja nenhum histórico familiar.


ST - Como os transtornos ansiosos têm afetado a nossa sociedade?
SM - Bom, os transtornos de ansiedade são os mais comuns dentre todos os transtornos psiquiátricos, com prevalência de 20%, e vem se tornando juntamente com a depressão um dos maiores problemas de saúde pública nos últimos anos.
ST - Existe uma faixa etária mais propensa às primeiras crises?

SM - O transtorno de pânico é mais comum em adolescentes e jovens adultos. Desses indivíduos, cerca de metade deles tem o primeiro ataque entre os 15 e os 30 anos. As mulheres são duas vezes mais propensas a desenvolverem o transtorno do pânico do que os homens.

ST - Qual deve ser o primeiro passo a ser tomado quando temos a primeira crise ansiosa?
SM - Quando acontecer de um indivíduo ter a primeira crise, e isso vale para todas, deve manter-se calmo e procurar atendimento médico com um psiquiatra.

ST - Qual seria o tratamento adequado?
SM - Depende sempre do nível do transtorno de ansiedade. O tratamento primário é o farmacológico, com medicamentos. De forma adicional, normalmente os pacientes fazem psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC), atividade física, exposição por meio de realidade virtual, e atualmente alguns consultórios médicos vem realizando estimulação magnética transcraniana e estimulação transcraniana de corrente contínua.

ST - O senhor acredita em cura para a síndrome de pânico?
SM - Não. Não acredito em cura para transtornos psiquiátricos, como o pânico por exemplo. O que há são tratamentos que podem levar a remissão dos sintomas, ou seja, a redução no nível dos sintomas a um ponto que não incomode ou incapacite o indivíduo.


* Sergio Machado é neurocientista, Ph.D., graduado em Educação Física (UNESA), Mestrado e Doutorado pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ), Pós-Doutorado em Neurofilosofia pelo Instituto de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia (IFILO/UFU), é professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) do IPUB/UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). É pesquisador na área de transtornos de humor e ansiedade.

Envie suas dúvidas e sugestões para semtranstorno@gmail.com

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Sem Transtorno inicia atividades de grupo de apoio no Rio de Janeiro

Amigos,

É com muita alegria, muita emoção, muito orgulho e muitos outros sentimentos mais que convido vocês para a primeira reunião do nosso Grupo de Apoio a Portadores da Síndrome do Pânico e Ansiedade Generalizada.


Este tão aguardado encontro acontecerá no dia 22 de fevereiro, sábado, de 9h às 11h da manhã, na Barra da Tijuca. A partir de então, nos reuniremos em todo primeiro sábado de cada mês, no mesmo horário.

A ideia do grupo de apoio é ajudar através de informação, orientação, convívio e troca de experiências com outros portadores de transtornos de ansiedade num ambiente descontraído, que nos permita
tirar o foco dos sintomas e do medo. Tudo isso sem interferir na relação médico / paciente.

Será um prazer receber também familiares e amigos de portadores, assim como pessoas interessadas em entender melhor o problema.

É importante lembrar que não teremos qualquer vínculo ou influência religiosa.

Os interessados deverão enviar um e-mail para semtranstorno@gmail.com informando nome completo, idade e telefone para contato.

Gostaria de agradecer à psicóloga Ana Café e ao Núcleo Integrado pela confiança e apoio irrestrito ao projeto. Ao Fernando Mineiro, do GruPan de Belo Horizonte, pelas orientações e incentivo à criação do grupo. Às preciosas profissionais que cuidam de mim, minha psicóloga e minha psiquiatra, por todo o incentivo e parceria. À minha família e aos meus amigos, pela compreensão e respeito à minha causa. E àqueles que nunca entenderam meu problema também, meu agradecimento; não deixou de ser um grande estímulo. ;)


Um grande abraço! Esperamos por vocês!

Saúde, paz e coragem!



Karen Terahata
Sem Transtorno - www.semtranstorno.blogspot.com.br
semtranstorno@gmail.com

twitter: @semtranstorno


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Queridos,

Quero agradecer pela confiança que vocês têm depositado em mim, por todos os e-mails, comentários deixados aqui e mensagens no facebook que tenho recebido. Peço desculpas por não responder a todos prontamente, é humanamente impossível!

Infelizmente este não é meu trabalho, não ganho meu sustento me dedicando ao Sem Transtorno (ainda!), faço por amor, e com muito amor, sempre que consigo um tempinho. Mas responderei a todos, sem falta, ok?
Tardo, mas não falho! 

Caso seja urgente, por favor, insistam. 

Um grande abraço, contem comigo. Conto com vocês também. <3

Karen

sábado, 18 de janeiro de 2014

Será que desenhando certas pessoas compreendem?


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Professor da UFRJ recruta voluntários para pesquisas relacionadas à ansiedade

Amigos,

Acabo de receber esta mensagem do professor Sergio Machado, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
Caso tenham interesse em participar de pesquisas relacionadas aos transtornos de ansiedade e de humor, entrem em contato com ele.
Eu já me ofereci! :)


Grande abraço, saúde a todos e paz!
   
Neurociência Da Atividade Física postou na linha do tempo de Sem Transtorno
"Novos tratamentos vêm sendo desenvolvidos para o tratamento dos transtornos de ansiedade, como exercício físico, estimulação magnética transcraniana, realidade virtual e outros.
A Neurociência é a responsável por isso, já que nos fornece muitos conhecimentos sobre o funcionamento cerebral em psiquiatria. É com muito prazer, que eu Prof. Sergio Machado, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e do departamento de Ciências da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira, venho oferecer a oportunidade de participação de pessoas com transtornos de ansiedade e humor de meus projetos de pesquisa em tratamentos para essas doenças.
Para maiores informações: secm80@gmail.com
Parabéns pelo espaço criado para discussões sobre os transtornos!"

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Dicas preciosas e não medicamentosas para superar a ansiedade - última parte

TÉCNICAS DE RELAXAMENTO

- Incluir exercícios de relaxamento no tratamento da ansiedade e do estresse tem dado um feedback muito positivo. A grande maioria dos pacientes relata uma sensação de maior bem-estar com utilização das técnicas de relaxamento e também assinala melhoras significativas em sua saúde física.
- As pessoas com sintomas constantes de ansiedade e tensão nervosa são invadidas por um fluxo contínuo de ideias negativas. Ao longo do dia, sua mente consciente é inundada por pensamentos e fantasias que geram sentimentos conturbados. A maioria desses sentimentos refere-se aos problemas de saúde, de finanças ou de relações pessoais e de trabalho. Essa implacável repetição mental de questões não resolvidas pode reforçar os sintomas de ansiedade e ser algo extenuante. É fundamental, para essas pessoas, aprender como deter esse constante diálogo interior e aquietar a mente. 

- Existe uma série de exercícios e técnicas de relaxamento, todas muito boas e recomendadas. O mais importante é que você utilize aquela que lhe possibilite atingir paz física e mental. Experimente algumas e observe o resultado: se sua mente começar a se esvaziar e depois de algum tempo permanecer quieta, como se nada mais importasse na vida, a não ser aquele estado mágico de paz e harmonia, saiba que você encontrou a sua técnica ideal.

EXERCÍCIOS FÍSICOS

- O exercício físico é uma parte importante em um programa de redução de ansiedade e do estresse. A descarga de tensão física e emocional, que acompanha uma vigorosa sessão de exercícios, reduz direta e imediatamente a ansiedade e o estresse. Além disso, os benefícios físicos reforçam a sua resistência ao estresse e promovem mudanças psicológicas benéficas.
- Além de melhorar o funcionamento cardiovascular, o exercício regular também reduz a ansiedade pelo aperfeiçoamento do funcionamento cerebral. O exercício desobstrui e dilata os vasos sanguíneos do corpo e do cérebro, favorecendo a oxigenação e a circulação. Assim, mais nutrientes podem fluir para a execução das funções cerebrais e mais tóxicos podem ser removidos do cérebro. 

- O exercício regular não só induz progressos funcionais no cérebro, mas também altera de forma surpreendente a própria química cerebral de um modo muito positivo, através das endorfinas beta. Estas substâncias, além de possuírem efeito sedativo para a dor, apresentam um efeito espetacular sobre a disposição e o ânimo. Reduzem também a ansiedade e a tensão nervosa.
- Muitas pessoas transformam a prática de exercícios físicos em um bom hábito. E isso é muito salutar, pois substituem, conscientemente, os modos mais prejudiciais como lidavam com o estresse no passado, como abusar do álcool, comer em excesso ou adotar um comportamento agressivo.
- Exercitar-se regularmente, entre três e cinco vezes por semana, pode até ser considerado um "vício" para alguns, mas ninguém pode negar que se trata de um vício muito positivo que acarreta efeitos benéficos para a saúde. 


TERAPIAS COMPLEMENTARES

- Ouse buscar outras técnicas terapêuticas como coadjuvantes no processo da sua recuperação. Dentre elas, destacamos a ioga, a meditação, a acupuntura, o shiatsu, entre muitas outras disponíveis e aprovadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
- A procura por outras técnicas traz resultados bastante satisfatórios quando associadas ao tratamento estabelecido. Em geral, as terapias complementares estão voltadas para o bem-estar do indivíduo como um todo (corpo, mente e alma), proporcionando conforto, autoconhecimento e, consequentemente, autocontrole.
- E por fim, reforce os laços afetivos com as pessoas queridas, procure ser generoso e não se descuide da sua espiritualidade, seja qual for a sua fé!



(texto retirado do livro Mentes Ansiosas, de Ana Beatriz Barbosa Silva; imagens: reprodução internet)


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Dicas preciosas e não medicamentosas para superar a ansiedade - alimentos que aliviam a ansiedade

Certos grupos de alimentos são tolerados por quase todas as pessoas, até mesmo por aquelas que são ansiosas ou extremamente preocupadas. Esses alimentos incluem a maioria das verduras, frutas, féculas, alguns cereais, quinoa, amaranto, milho, arroz e nozes. No início do tratamento, eles devem constituir o núcleo de sua alimentação. À medida que você se sentir melhor, podem-se adicionar mais frutas, cereais, óleos, peixes, aves e carnes (com moderação).

Verduras

- São alimentos excepcionais para o alívio da tensão e do estresse. Muitas são ricas em minerais importantes para melhorar o vigor físico, a resistência e a vitalidade, como o cálcio, o magnésio e o potássio. Algumas das melhores fontes desses minerais incluem a acelga, o espinafre, o brócolis, a couve, as folhas de beterraba e as folhas de mostarda.
- Muitas verduras são ricas em vitamina C, que é uma importante substância antiestresse. As verduras ricas em vitamina C incluem a couve-de-bruxelas, o brócolis, a couve-flor, a couve-manteiga e a salsa.

Frutas

- As frutas também possuem uma ampla gama de nutrientes que podem aliviar a tensão e o estresse. Morangos, amoras, framboesas, melões e laranjas são excelentes fontes de vitamina C.
- As uvas, amoras e bananas são ricas em cálcio e magnésio, dois minerais essenciais ao funcionamento adequado do sistema nervoso e da função muscular. As uvas e as bananas são também fontes excepcionais de potássio, que é muito bom para a fadiga excessiva e o inchaço.
- Em fase de muito estresse, consuma a fruta e evite os sucos de fruta. O suco de frutas não contém o volume de fibras da fruta inteira, dessa forma age mais como o açúcar de mesa, desestabilizando o nível de glicose no sangue quando consumido em excesso. Isso pode exacerbar a ansiedade, fadiga e as variações de humor.

Féculas

- Batatas, batatas-doces e inhames são carboidratos leves, bem-tolerados, fontes adicionais de proteínas de fácil digestão para pessoas com ansiedade e tensão nervosa. 

- Tal como os carboidratos complexos, as féculas são calmantes, pois ajudam a regularizar o nível de açúcar no sangue.

Legumes

- Feijões e ervilhas são excelentes fontes de cálcio, magnésio e potássio, necessários ao funcionamento saudável do sistema nervoso, e têm propriedades de relaxamento emocional e muscular.
- Os legumes também são fontes de proteínas que podem ser facilmente utilizadas e, por isso mesmo, substituem as carnes em muitas refeições.

Cereais integrais

- Os cereais integrais são fontes de nutrientes estabilizadores do humor, como o complexo da vitamina B, a vitamina E, muitos minerais essenciais, carboidratos complexos, proteínas, ácidos graxos essenciais e fibra. Os cereais integrais ajudam a estabilizar o nível de açúcar no sangue e, dessa forma, previnem os sintomas de ansiedade desencadeados pela hipoglicemia.
- O arroz integral e o milho são boas escolhas para pessoas com sintomas moderados de ansiedade. Nessa categoria estão também o trigo sarraceno e as alternativas exóticas, como a quinoa e o amaranto.

Sementes e nozes

- Sementes e nozes são as melhores fontes dos dois ácidos graxos essenciais, o ácido linoico e ácido linolênico.
- Níveis elevados de ácidos graxos essenciais em uma dieta são muito importantes na prevenção dos sintomas físicos da TPM, menopausa, transtornos emocionais e alergias.
- As sementes que possuem ambos os ácidos graxos são a linhaça e as sementes de abóbora. As sementes de gergelim e de girassol são excelentes fontes de ácido linolênico. 

- Nozes e sementes são extremamente ricas em calorias e podem ser de difícil digestão, principalmente se forem torradas e salgadas. Portanto, devem ser ingeridas somente em pequenas quantidades.

Carnes, aves e peixes

- As carnes vermelhas e as aves devem ser comidas em pequenas quantidade. A melhor escolha é o peixe. Ao contrário das demais carnes, o peixe contém ácido linolênico, ajudando a relaxar o estado de ânimo, assim como os músculos tensos. 
- O peixe é também uma excelente fonte de minerais, sobretudo de iodo e potássio. Escolhas particularmente boas para pessoas ansiosas são o salmão, o atum, a cavala e a truta.


(texto retirado do livro Mentes Ansiosas, de Ana Beatriz Barbosa Silva; imagens: reprodução internet)

domingo, 12 de janeiro de 2014

Dicas preciosas e não medicamentosas para superar a ansiedade - alimentos a serem evitados

Princípios dietéticos

Muitas pessoas
não se dão conta do importante papel que a seleção de alimentos pode desempenhar na intensificação ou na redução de sintomas de ansiedade, pânico e estresse excessivo. As pesquisas médicas nas áreas de dieta e nutrição, nos últimos trinta anos, demonstraram que muitos alimentos, bebidas e suplementos alimentares podem agravar ou desencadear sentimentos de ansiedade. Em contrapartida, outros estudos concluíram que certos alimentos são benéficos por suas propriedades calmantes e estabilizadoras do estado de ânimo ou humor.


ALIMENTOS A SEREM EVITADOS

Cafeína (café, chá preto, refrigerante à base de cola etc.)

- A cafeína deflagra ansiedade e até mesmo sintomas de pânico porque excita diretamente vários mecanismos de estimulação do corpo. Eleva o nível de noradrenalina do cérebro, um neurotransmissor que aumenta a vivacidade. Além disso, a cafeína estimula a descarga de hormônios do estresse, principalmente o cortisol, a partir da estimulação das glândulas suprarrenais, intensificando ainda mais os sintomas de nervosismo e agitação.
- Se você sofre de sintomas de ansiedade, independente da causa, recomendo que reduza o seu consumo de café a uma xícara diária e tente eliminar os refrigerantes à base de cola e chás que contenham cafeína. Muitos chás de ervas como camomila, cidreira, erva-doce e hortelã-pimenta podem exercer um efeito relaxante sobre o corpo, ajudando a reduzir a ansiedade.

Açúcar

- A glicose é uma forma simples de açúcar que proporciona ao corpo a sua principal fonte de energia. (...) Entretanto, a forma como introduzimos esse importante alimento em nosso organismo pode afetar de maneira profunda nosso estado de humor. - O ideal é ingerir maiores quantidades de carboidratos (açúcares) complexos, como cereais integrais, batatas, legumes e frutas. Os açúcares desses alimentos são digeridos lentamente e liberados na circulação sanguínea de forma muito gradual. Assim, a quantidade de glicose obtida com a digestão desses alimentos não sobrecarrega a capacidade do corpo para absorvê-la.
- A excessiva ingestão de açúcar pode ser um importante fator no surgimento de sintomas de ansiedade. 
- A pessoa pode se sentir inicialmente eufórica após ingerir açúcar, e depois sentir um rápido choque e uma redução profunda em seu nível de energia. Quando o nível de açúcar no sangue fica demasiadamente baixo, a pessoa sente-se ansiosa, agitada e confusa porque o cérebro é privado do seu combustível maior.
- Não há dúvidas de que o excesso de açúcar estressa muitos sistemas do organismo, o que piora a saúde e intensifica a ansiedade, a tensão nervosa e a fadiga. Procure satisfazer seu desejo de doce mudando para alimentos mais saudáveis. Prefira as sobremesas baseadas em frutas ou cereais, como biscoitos de farinha de aveia com suco de fruta ou mel. Peça também orientações a um bom nutricionista, pois ele conhece várias opções saborosas e saudáveis de sobremesas que poderão satisfazer seus desejos sem perturbar o seu humor e a sua disposição física.


Álcool

- Tal como os açúcares, o álcool aumenta os sintomas de hipoglicemia, e o seu uso excessivo pode aumentar a ansiedade e as oscilações de humor.
- O álcool pode causar profundas mudanças comportamentais quando consumido em excesso. Os principais sintomas incluem a ansiedade, a depressão, os acessos irracionais de cólera, a baixa capacidade de julgamento, a perda de memória, vertigens e a coordenação motora deficiente. 

- Mediante essas informações, recomenda-se que as pessoas com sintomas de ansiedade usem muito raramente bebidas alcoólicas e, quando o fizerem, que seja de forma cuidadosa: nunca exceder duas taças de vinho, duas latinhas de cerveja ou apenas uma dose de qualquer destilado (uísque, vodka, aguardente etc.)

Suplementos alimentares

- Podem produzir sintomas alérgicos e desencadear ansiedade em muitas pessoas. - Alguns pacientes se queixaram de que o uso do adoçante artificial aspartame precipitara neles sintomas pré-pânico, tais como taquicardia, respiração superficial, dores de cabeça, ansiedade e vertigem.
- Glutamato monossódico: algumas pessoas reclamam de dores de cabeça e ansiedade quando consomem alimentos preparados com esse tempero.

Laticínios e carnes vermelhas

- Devem fazer parte da dieta de forma moderada, uma vez que ambos os tipos alimentares são de digestão extremamente difícil para o organismo. Por essa razão, podem agravar a depressão e a fadiga que coexistem em muitas pessoas com sintomas de ansiedade.







(texto retirado do livro "Mentes Ansiosas", de Ana Beatriz Barbosa Silva; imagens: reprodução internet)


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Dicas preciosas e não medicamentosas para superar a ansiedade



Não escondo de ninguém que tenho como bíblia os livros da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, principalmente o Mentes Ansiosas, que trata o medo "além dos limites". Adoro a forma simples e sensível como ela explica os transtornos. Mais do que isso, adoro o otimismo dela quando fala sobre a superação dos transtornos.


Por isso, compartilho com vocês alguns trechos do meu livro de cabeceira e espero que os ajudem, assim como tem me ajudado.

- O primeiro e decisivo passo para superar a ansiedade e o medo excessivos é reconhecer e aceitar os seus próprios medos. Todos, sem exceção, têm medos - grandes ou pequenos -, e você não fica de fora. Se isso estiver trazendo prejuízos significativos em diversos setores da sua vida, o segundo passo é procurar ajuda especializada. Você de fato pode estar sofrendo de um transtorno de ansiedade e necessitará de diagnóstico e tratamento adequados. 

- Caso o diagnóstico seja dado, leve o problema e os tratamentos a sério. Os tratamentos de ansiedade devem ser encarados como qualquer outra doença (hipertensão, diabetes, enfisema etc.). Não se envergonhe nem esconda o seu problema, pois isso só faz o "monstro" interno crescer. 

- Aprenda tudo sobre os seus medos e os transtornos que eles podem lhe causar. Procure literaturas especializadas, troque experiências com outras pessoas, assista a filmes que retratem o problema. Quanto mais souber sobre o assunto, mais aumentará sua munição contra o "inimigo".

- Procure suporte de outras pessoas. Tentar melhorar sozinho é sempre muito mais difícil. Familiares, amigos próximos e associações de portadores de transtornos de ansiedade podem ser bases de apoio importantes e ajudam bastante no tratamento.

- Participe ativamente do processo da sua recuperação. Busque alternativas de melhora, empenhe-se nas tarefas propostas por seu terapeuta e mantenha sempre um diálogo franco e aberto com o seu médico. Esperar passivamente que os sintomas aliviem não é suficiente. 

- Vencer os medos depende de você querer se ajudar e, lembre-se, ninguém poderá fazer isso por você.

Grande abraço a todos! Saúde e coragem!

(imagem: reprodução internet)

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Auto-piedade

                                      Imagem: reprodução internet
Costumo dizer que nós, portadores de transtornos de ansiedade, deveríamos ser enxergados sim como vítimas: vítimas de uma doença real, que merece ser encarada com respeito, seriedade e tratamento adequado.
Por outro lado, digo que não devemos nos vitimizar...
 
"A auto-piedade é um alimento venenoso, uma espécie de erva daninha que intoxica por completo o espírito, dificulta as relações e promove medo, desconfiança, solidão e melancolia.
É filha do egoísmo e da lamentação, afilhada do orgulho e irmã da necessidade de aprovação e de atenção especial. O auto-piedoso teme o futuro e lamenta-se do passado, reclama do que não tem, não percebe a vida e não vive o hoje. Faz-se vítima, a pior possível, até se tornar único em seu sofrimento. Também tem o hábito de responsabilizar os outros por sua dor, justificando seu estado, retro-alimentando-se e escondendo-se no sentimento de menos valia.

Depois, quando plenamente tomado por essa toxina, e por não suportá-la, passa a distribuí-la gratuitamente às pessoas que mais ama, através do pessimismo,do derrotismo e às vezes da vingança.
É bom estar atento, pois este sentimento pode tomar posse de qualquer um. É democrático, não tendo preferência por idade, sexo ou raça e geralmente vai surgindo devagarinho, assim como a noite sobre o dia, tomando conta da gente, expulsando a alegria de viver e podendo durar muito.

Os sintomas iniciais podem estar relacionados à necessidade de atenção especial, ao dar exclusivamente para receber, ao querer aprovação alheia e à exigência exercida sobre pensamentos, comportamentos e sentimentos dos outros.

A desintoxicação da auto-piedade pode ser facilitada através de doses diárias de princípios espirituais, como humildade, honestidade e coragem para se permitir um auto conhecimento e buscar seus valores mais genuínos de auto respeito e amor próprio, pois a vida espiritual está no “lá dentro de cada um” e se reflete no “lá fora de todos nós”. O “lá dentro” é a casa do nosso espírito, onde podemos estar sozinhos e em paz, o que é bom e saudável, mas se ela for invadida pela sombra de sentimentos como o da auto-piedade, o estar sozinho vira solidão e a paz em angústia, e o “lá fora” fica ingovernável". (Ricardo Sola, terapeuta)

Vale a pena refletir! :)
Saúde e paz para todos nós! 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Pode parecer antipático, ou que sou do contra, mas o fato é que eu nunca liguei para essas festas de final de ano. Acho gostoso pelo clima afetuoso que paira no ar, por reunirmos a família e os amigos - quando os temos e quando podemos -, mas não chego a me empolgar. Ano novo pra mim pode ser todo dia. Todo dia pode ser dia de recomeço, de um novo início. Então o que desejo para todos vocês é que sintam a vida com menos medo, com menos sofrimento, e com mais alegria. 
                                                       Foto: reprodução internet
E se isso não acontecer a partir de amanhã, primeiro dia do ano, acontecerá em um dos muitos outros dias que virão! :)

Tenham força e coragem!!!


Em 2014 vamos iniciar os encontros do grupo de apoio a portadores de pânico aqui no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca. Vai ser um passo muito importante de um belo projeto de conscientização e superação que tenho em mente.


Um grande abraço e todo meu carinho,

Karen Terahata



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Entenda a ansiedade

O que é ansiedade?

A ansiedade é uma reação normal do organismo que prepara a pessoa para situações de perigo. Se não existisse ansiedade ou medo, as pessoas morreriam, pois não estariam alertas aos perigos da vida. Diante do perigo, as glândulas adrenais liberam adrenalina na corrente sanguínea, que prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga.

Ansiedade é normal?

A ansiedade é normal e faz parte do repertório normal de emoções do ser humano. No entanto, quando exagerada, provoca muito sofrimento e interferência na vida cotidiana e passa a ser considerada patológica. 

Quais são os sintomas da ansiedade?

Os sintomas da ansiedade podem ser divididos em mentais e somáticos.
Os sintomas mentais (ou psíquicos) são medo de que ocorra algo ruim, preocupação excessiva e sensação de perigo iminente. 
Os sintomas somáticos incluem tensão motora, hiperatividade autonômica e hipervigilância, além de somatização importante. A hiperatividade autonômica se manifesta por meio da descarga de adrenalina, que causa taquicardia (coração acelerado), sudorese, tremores, falta de ar, calafrios ondas de calor, náusea, aperto no peito, tontura, urgência urinária e diarreia. A hipervigilância, que é estar alerta ao perigo, ocasiona dificuldade de concentração e, consequentemente, de memorização.

A ansiedade exagerada é uma doença?

Na realidade, a ansiedade exagerada pode fazer parte de várias doenças. Há os transtornos que são primariamente relacionados à ansiedade, como é o caso do transtorno do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo*, as fobias, entre outros. Em outras doenças, psiquiátricas ou não, também se encontra ansiedade excessiva, por exemplo, na depressão, no hipertireoidismo, entre outras. Por isso, é necessária uma avaliação médica cuidadosa em cada caso de ansiedade, muitas vezes com a solicitação de exames laboratoriais para um diagnóstico diferencial. 

Como se trata a ansiedade?

A ansiedade é tratada com medicamentos e psicoterapia. Vários medicamentos aliviam-na, sendo alguns indicados para uma crise e outros para tratamento de longo prazo. 

Há várias abordagens psicoterápicas para o tratamento da ansiedade. Por exemplo, uma técnica cognitivo-comportamental que pode ser usada é a exposição com prevenção de resposta. Essa técnica pode ser usada por meio da imaginação ou in vivo.

Outras técnicas para manejo de ansiedade


Dessensibilização sistemática: é uma técnica que pode ser usada nas fobias. O paciente é exposto gradualmente ao objeto temido, de modo que a ansiedade vai diminuindo aos poucos. 

Relaxamento aplicado: o paciente é orientado a controlar ou antever os sintomas fisiológicos relacionados à ansiedade e relaxar nos momentos em que se sente ansioso.

Que medidas posso tomar para ajudar no controle da ansiedade?

Existem várias medidas que ajudam a controlar a ansiedade. Todas elas envolvem a busca por uma melhor qualidade de vida (saúdes física e mental): uma mente sã depende de um corpo são.

Como cuidar do corpo?


  • Mantenha uma dieta saudável;
  • Não abuse de bebidas alcoólicas, nem mesmo de "bebedeiras" de fim de semana, pois aumentam o risco de alcoolismo. O álcool também piora a depressão e a ansiedade e pode interferir na qualidade do sono;
  • Evite drogas ilícitas. Maconha causa depressão, desencadeia psicoses em pessoas predispostas e pode prejudicar o aprendizado;
  • Pratique exercícios: a prática de atividades físicas reduz o estresse e o mau-humor por meio da liberação de endorfinas e outros neurotransmissores no cérebro. Exercícios também aceleram a recuperação de pacientes com depressão;
  • Tome sol: o sol estimula a produção de vitamina D no organismo, que fortalece os ossos, músculos e melhora o humor. Use filtro solar.
  • Evite situações estressantes. Por exemplo, procure evitar congestionamentos utilizando horários alternativos;
  • Aprenda técnicas de respiração e relaxamento, como ioga;
  • Uma boa qualidade de sono é fundamental para manter o bom ânimo e a energia para o dia a dia, para consolidar a memória do que se aprende durante o dia e para evitar doenças físicas e mentais, como enxaqueca e depressão.
  • Sexo: é relaxante e também uma atividade física. Uma vida sexual saudável contribui para manter a boa saúde mental.
  • Lazer: procure dedicar-se ao lazer ou descansar nos fins de semana. 

Texto retirado da publicação Qualidade de Vida - Ansiedade (Mantercorp Farmasa), patrocinada pela Hypermarcas.
Imagens: reprodução internet.


* No DSM-5 (2013), o TOC foi retirado do capítulo dos transtornos de ansiedade e colocado em um novo capítulo com o título de Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtornos Relacionados.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sugestão de leitura: "A Garota Que Tinha Medo"

Há algumas semanas, uma representante da Editora Schoba entrou em contato comigo para oferecer um de seus últimos lançamentos. Achei muito chique isso e aceitei, claro, a gentileza!

O livro "A Garota Que Tinha Medo", de Breno Melo, conta a história de Marina, uma jovem universitária que sofre de síndrome do pânico.

Como quase todos nós, os chamados "panicosos", Marina teve uma primeira crise traumática e precisou passar por outros ataques aterrorizantes até descobrir que precisava de tratamento mental.

Situações bastante comuns para quem vive ou já viveu a doença, como o pavor nas primeiras crises e o frio afastamento do namorado preconceituoso, são contadas
de maneira bastante esclarecedora. Aproxima, dessa forma, um leitor que pouco sabe sobre o assunto e ajuda a diminuir o preconceito.

A
lgumas referências históricas e religiosas podem ser um pouco cansativas, mas escolhi um desses momentos para compartilhar com vocês. Talvez por refletir uns dos meus mais inquietantes sentimentos. 

       "Péqui voltou sozinha, não havia conseguido ajuda e viu os momentos finais de meu desespero, quando os sintomas haviam diminuído a ponto de já não caracterizarem um ataque.
- Está melhor?

- Agora, sim. Mas e daqui a cinco minutos?
       A verdade é que eu poderia ter outro ataque a qualquer momento. Alguns panicosos têm vários ao dia. 

       Lancei lágrimas sobre meu peito como o céu acima lançava pingos sobre o solo. Por que Deus não Se manifestava no meio dessa tempestade para falar comigo? Por que Ele ao menos não me dava uma satisfação? Eu me desmanchava em lágrimas e não sabia exatamente o motivo.
       Mas chorar depois das crises era pouco, e eu voltava a chorar pelas crises que havia tido, pelas que poderiam vir e por tudo o que havia perdido devido a elas. (...) Me senti um lixo e tive raiva de Deus, que havia criado este lixo.
       (...) Nunca mais fui a mesma depois do primeiro ataque, temendo as pessoas ou os lugares. Tinha medo de passar por outros ataques, que poderiam acontecer a qualquer momento.
       Voltar aos lugares onde eu havia tido crises era praticamente impossível. Enfrentar multidões agora me metia medo! E ficar sozinha me deixava ansiosa, porque temia entrar em pânico sem que houvesse alguém de confiança por perto.

       Por que eu tinha de sofrer gratuitamente como Jó? Minha raiva de Deus se redobrava, ainda que continuasse menor que meu desespero. Me lembrei das aulas de Filosofia; me lembrei de Hegel. Para ele, Deus não intervém neste mundo, que funciona sozinho. Milagres? Não há milagres. (...)
       Refletindo sobre Deus, concluí que Ele era ausente e inativo demais para corresponder ao Ser onipresente e todo-poderoso da Bíblia. Deus não era como eu imaginava e me decepcionei. Eu poderia Lhe agradar ou ofendê-Lo, que Ele não moveria uma palha".