sábado, 27 de setembro de 2014

Mensagens dos leitores

Minas Gerais! :)
A mensagem desta semana veio de Minas Gerais. É curioso como percebemos o estigma, a dificuldade em se falar sobre o assunto mesmo entre pessoas esclarecidas. Mais do que isso, mesmo entre profissionais da saúde. Temos muito a fazer!
Saúde, coragem e paz.

Karen,


Boa noite! Meu nome é Andreia, sou enfermeira, e há aproximadamente sete anos fui diagnosticada com Síndrome do Pânico.
Descobri quando cursava o pré-vestibular, dentro 
de uma sala lotada de estudantes. Tive que interromper meus estudos e o meu sonho da graduação. 

Achei seu blog, Karen, digitando a palavra "claustrofobia" no Google, e resolvi te escrever. 
Bom, pode até parecer estranho, uma vez que sou enfermeira, mas gostaria que você me tirasse algumas dúvidas sobre essa síndrome. Há anos busco pessoas que possam compartilhar comigo um pouquinho de suas experiências com esse mal.
 

Daqui a duas semanas irei me mudar para outro estado e terei que ir de avião, e isso tem me deixado um pouco apreensiva, já que será a primeira vez. 
Sempre que viajo de ônibus comum me sinto um pouco mal, mas
nada que não possa controlar, visto que, mesmo sendo o ônibus um
ambiente fechado, posso pará-lo! Com o avião já é diferente!! rss
Sei que você entende isso muito bem!
 

Tive algumas sessões com a minha psicóloga, mas ainda assim dá um certo pavor! Nunca tive acompanhamento psiquiátrico.Gostaria que você me ajudasse com algumas dicas para que possa passar por esse período de voo um pouco mais tranquila!
Pensei em fazer uso de alguma medicação, quais os métodos ideais que, pela sua experiência, 
dariam certo?
Apesar de conviver com outros colegas no hospital, nunca 
quis expor para eles esse meu mal, até porque as opiniões são diversas.
Ficaria feliz e pudesse me ajudar, Karen!

E quero aqui 
parabenizá-la pela brilhante iniciativa de criar esse blog interativo, que, com certeza, ajudará muitas pessoas como eu.
Abraços!
Andreia, Minas Gerais.

Imagem retirada da internet.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Personal Flyer

Comandante Luiz Bassani
(foto: Cristiano Estrela / Agência RBS *)
Você já ouviu falar em um profissional que acompanhe pessoas que tenham medo de andar de avião?
Pois essa pessoa existe e se autodenomina "Personal Flyer".
Se você é uma dessas pessoas que não conseguem nem pensar em entrar numa aeronave e ficar com os pés a alguns mil metrinhos do chão ou conhece alguém com esse perfil, taí uma alternativa! ;)


Por Giovanna Rossin
Revista Galileu


Todo mundo conhece alguém que morre de medo de viajar de avião. Nos mais de 20 anos em que trabalhou como piloto de voos comerciais, o comandante Luiz Bassani deu de cara com centenas de passageiros apavorados. E, quando se aposentou, ele resolveu transformar o medo dos outros em negócio. Há dez anos, o ex-piloto atua como personal flyer (termo que ele mesmo criou), uma espécie de acompanhante de voo que fica ao lado do passageiro para tranquilizá-lo e esclarecê-lo sobre os aspectos técnicos do avião. "Muitas vezes, o nervosismo surge por conta de coisas que nem existem no avião", diz ele.

Bassani faz até três viagens por mês e cobra R$ 600 por hora. Em alguns casos, são acrescentados os preços das passagens ida e volta, já que ele mora em Florianópolis, além de translado, hotel e alimentação. Já atendeu mais de 200 clientes. O acompanhamento começa uma hora antes do voo, na sala de embarque, e termina uma hora depois do pouso. Já acomodado na poltrona, o trabalho do comandante é, basicamente, bater papo. (...)

Bassani é autor do livro O Mundo do Avião - E Tudo o que Você Precisa Saber para Perder o Medo de Voar (Globo Livros) e nunca ouviu de ninguém que faça o mesmo trabalho que ele: "Quando o passageiro me conta que já viaja sozinho, é missão cumprida".

Com  destino à felicidade 

Relaxa e voa: Para viajar tranquilo, beba um copo de água (200 ml) a cada hora, evite bebidas alcoólicas e use meias medicinais de suave compressão.
Atendimento bilíngue: Bassani fala inglês e acompanha passageiros fora do Brasil. Ele inclusive já atendeu alguns estrangeiros.
A quem interessar possa: Para contratar os serviços do comandante, basta mandar uma mensagem pelo site personalflyer.com.br



Leia também:

Matéria com Luiz Bassani na Folha de S.Paulo

Meu post sobre minha primeira viagem de avião depois de dez anos sem voar :)

* foto retirada do site Hora de Santa Catarina

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Sugestão de leitura: "Respirar, Meditar, Inspirar"

Respirar, Meditar, Inspirar
De Priscilla Warner
Editora Valentina

"Uma jornada de mil milhas com um único passo, disse Lao-Tzu, autor do Tao-Te-Ching, ou Livro do Caminho e da Virtude. E, por vezes, esse único passo é quase o mesmo passo dado várias vezes". A citação escolhida por Priscilla Warner talvez seja a forma mais emblemática de resumir sua trajetória, em busca da cura da Síndrome do Pânico, em Respirar, Meditar, Inspirar. Medicina, religião, terapias alternativas orientais, neurociência, amizades, família. Não faltaram instrumentos da corajosa busca desta autora norte-americana pelo autoconhecimento da alma, espírito e corpo.

Priscilla Warner tinha uma família feliz, boa condição financeira, amigos. Mas um trauma sofrido aos 15 anos a atormentou por mais de 40 anos, a ponto de levá-la à dependência de remédios e bebida. A busca pela paz interior e a luta pela resolução do problema a conduziu a retiros e palestras com líderes budistas, como Dalai Lama, a consultas com médicos, neurocientistas, psicoterapeutas, e até musicoterapeutas.

Em Respirar, Meditar, Inspirar, Priscilla divide um diário de intimidades com o leitor, em tom carinhoso, de amizade e alegria. Trata-se de um guia inspirador para os que estão enfrentando pequenos e grandes desafios diários, para os que buscam uma confortante sensação de paz, autoaceitação e compreensão.

Na obra os leitores poderão encontrar dicas de métodos que a autora recomenda para se manterem calmos, felizes e em paz. 

Sobre a autora: Priscilla Warner formou-se na Universidade da Pensilvânia, trabalhou muitos anos em publicidade como diretora de arte, em Boston e em Nova York. Saiu em busca do guia espiritual que todos temos dentro de nós. Aprendeu a meditar e, finalmente, pode dizer que encontrou o caminho que a levou do pânico à paz.
Priscilla também é coautora de 
The Faith Club, best-seller do New York Times com o qual excursionou pelos Estados Unidos por três anos.

(texto adaptado de release enviado pela editora Valentina)

domingo, 21 de setembro de 2014

Mensagens dos leitores

Ilha do Sal, Cabo Verde
A mensagem desta semana vem de bem longe! Da África!
Obrigada, internet, por me proporcionar esse tipo de emoção! :)


Oi pessoal, gosto muito deste blog e tenho marcado na minha barra de favoritos. 
Vivo em Cabo Verde e tenho 23 anos. Toda vez que sinto medo ou estou em crise venho aqui ver que há pessoas iguais a mim e me sinto mais descontraído.... Tenho muito medo de ter um problema no coração, pois sinto palpitações (coração a bater rápido, suor e às vezes um batimento diferente). Sinto muito medo de morrer. 
Já fiz quatro eletrocardiogramas em dois médicos diferentes, um ecocardiograma, um holter e uma prova de esforço e o médico diz sempre que está tudo bem, pra eu esquecer o coração pois não tenho nada...
Eu sempre fui apaixonado pelo desporto e sempre me destaquei no mundo do desporto. Fui da seleção de futebol, basket e handebol do Liceu e na escola primária. Fui campeão de basket nacional sub 18, em Cabo Verde. Joguei futebol nas equipas de renome em Cabo Verde, mas desde que comecei a sentir tais sintomas tudo acabou. Tenho medo de tudo. Agora evito beber, ir a lugares longe de casa, ir à  academia, enfim, é muito triste. Mas só de saber que existem pessoas iguais é como se tirasse um peso das minhas costas. 
Dérick, Cabo Verde.
Imagem retirada da internet.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Compradores compulsivos

Psiquiatra Ana Beatriz Barbosa explica os perigos da compulsão por compras

Fonte: site Mais Você


Ana Beatriz Barbosa (foto: Mais Você/TV Globo)
Sabe quando você abre o guarda-roupas lotado e constata que não tem nada para vestir? A solução é simples e prazerosa: ir às compras! Mas e quando a diversão vira uma compulsão?

Tratada muitas vezes como besteira, a compulsão por compras é uma doença chamada oniomania. O prazer do indivíduo que sofre dessa doença está no ato da compra em si.

O consumista gosta de comprar, mas consegue viver normalmente, já o comprador compulsivo vive apenas para comprar e acaba trazendo problemas para a vida pessoal e profissional.


A psiquiatra e consultora do Mais Você, Ana Beatriz Barbosa, que está lançando o livro "Mentes Consumistas: do consumismo à compulsão por compras" explicou os perigos desse problema. "O consumismo é comum e aumentou muito nos últimos anos. Mas o compulsivo é um viciado. Geralmente são mulheres. Os homens também consomem, mas são coisas que não fazem volume, como relógios. O fato é que a pessoa passa a viver para isso,  é impulsivo e tem um componente obsessivo. A ajuda para esses casos é médica e psicológica."

Todas essas mulheres encontraram ajuda em uma organização chamada Devedores Anônimos, que existe no Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Ela funciona como os "Alcoólatras Anônimos": homens e mulheres se reúnem para trocar experiências e lá encontram o apoio para dar a volta por cima.

Por todo o Brasil existem outras organizações que tratam de diferentes tipos de compulsões. O importante é reconhecer a doença e procurar ajuda.


Saiba mais:
Devedores Anônimos - http://devedoresanonimos-rio.org/


Matéria sobre os Devedores Anônimos no Globo Repórter
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2011/09/devedores-anonimos-tratam-consumidores-obcecados-por-gastar.html


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Psicóloga fala sobre sua experiência clínica com os transtornos de ansiedade

Rosanna Mannarinno foi minha psicóloga durante cerca de dois anos e depois de me ajudar da melhor maneira possível a enfrentar um período bastante difícil com o pânico e a ansiedade generalizada tornou-se minha amiga e parceira no Sem Transtorno. De maneira voluntária, acompanha todas as reuniões do nosso Grupo de Apoio na Barra da Tijuca, no Rio.
Neste bate-papo, ela nos dá suas impressões sobre o tratamento da ansiedade.



ST - Rosanna, quais são as principais queixas dos pacientes que a procuram para tratar transtornos de ansiedade?

O medo por não saber o que está acontecendo com eles, por não conseguirem dar conta de algumas áreas de sua vida devido às crises de pânico. A grande maioria vai em busca de ajuda após várias tentativas, por si só, de darem conta da situação. Entender o que está acontecendo é o principal motivo que os leva à busca de um profissional

ST - Você percebe características em comum entre esses pacientes? 

Percebo algumas características nos clientes com diagnóstico de pânico. São pessoas que sempre, de alguma forma, deram conta de tudo e que estão
disponíveis ao outro. São controladoras. E a atitude de controlar o outro pode aparecer maquiada por um interesse genuíno e sincero de gerar bem estar.

ST - Entre os homens, quais são os traços de personalidade mais marcantes? Você poderia apontar algum?
Percebo que muitos homens ansiosos procuram atividades que envolvem certo grau de estresse e / ou risco. Eles têm como lazer atividades que ativem a adrenalina, como motociclismo, mergulho, grandes viagens. Mesmo que alguns não consigam colocar em prática.

ST - Dentre os transtornos de ansiedade (pânico, ansiedade generalizada, estresse pós traumático, fobias específicas, fobia social), quais são as mais frequentes em seu consultório?

Pânico e TAG (ansiedade generalizada).

ST - Qual a abordagem indicada para tratar pacientes com transtornos de ansiedade, especialmente pânico e ansiedade generalizada? 

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a que apresenta maior eficácia na questão da ansiedade e do pânico, mas também pode-se utilizar outras técnicas que vão 
complementar e auxiliar no tratamento.  

ST - Existe alguma expectativa quanto à duração do tratamento?

Não é possível definir o tempo exato, mas a duração mínima prevista é de 6 meses. Vários fatores interferem nesta previsão, como a resistência do paciente, o grau da 
ansiedade e do pânico, a construção do rapport*, a resistência do paciente para um tratamento medicamentoso quando necessário.

*rapport é um conceito do ramo da psicologia, diz respeito à ligação de sintonia e empatia com outra pessoa.

ST - E qual é a sua opinião sobre o uso de remédios no tratamento?

É importante passar por uma avaliação médica, mas percebe-se que quando o paciente tem dificuldade em aceitar a medicação ele tem maior dificuldade para evoluir 
no tratamento, podendo com isso intensificar a construção de pensamento negativos, de incapacidade, e reforçando o desconforto.

ST - Além do tratamento convencional (terapia + medicação), você teria sugestões para melhorar a qualidade de vida dos pacientes?

O exercício físico é importante; aprender técnicas de relaxamento, ter percepção e cuidado com a respiração também. É importante para aprender a diminuir a 
frequência cardíaca, com isso a respiração torna-se mais lenta e profunda e, consequentemente, os músculos ficam mais relaxados. Procuro orientar que o paciente exercite esse controle da respiração, pois durante a crise de pânico ele não irá conseguir colocar em prática se não tiver criado o hábito. O lazer também é muito importante, assim como uma boa alimentação e beber bastante líquido.


(foto: Karen Terahata)
Rosanna Talarico Mannarino é Psicóloga Clínica, pós-graduada em terapia familiar e em tratamento e prevenção à dependência química. Tem formação em TCC e arte terapia. Contato: (21) 9165-0576 rosanna.talarico@yahoo.com.br (CRP 23434/05)

sábado, 13 de setembro de 2014

Mensagens dos leitores

O Sem Transtorno tem me proporcionado inúmeras realizações, e muitas delas vêm através do retorno que recebo de leitores do blog e de frequentadores das reuniões do Grupo de Apoio. A partir de hoje compartilharei com vocês algumas das mensagens que recebo dessas pessoas, e que me servem como um delicioso combustível para que eu siga adiante com o meu trabalho!

Como gosto de ver e de mostrar o lado bonito das coisas (pessoas, lugares, situações), vou aproveitar para ilustrar essas mensagens com algo de bacana do lugar em que esta pessoa vive. Nesta estreia, o depoimento de um rapaz do Espírito Santo.


Saúde para todos nós! :)



Olá Karen, 
quero lhe contar um bom momento da minha vida, vivido recentemente, no dia 6 de setembro. 
Bem, no final do ano passado, eu e minha esposa recebemos um convite para sermos padrinhos em um casamento, trata-se de uma amiga desde a infância que eu tenho e que é a minha dentista também. De pronto aceitei o pedido, fiquei feliz, porém em abril as crises de ansiedade (TP e TAG) da vida começaram a me atormentar, desencadeadas por situações estressantes. Pensei em desistir desse casamento pelo menos como padrinho. Eu até disse para a minha amiga o problema que tenho e ela falou que eu ficasse livre para desistir, mas resolvi enfrentar. Eu não podia fazer essa desfeita. 
Confesso que momentos antes do casamento estava com uma ansiedade miserável, até levei um ansiolítico no bolso, que felizmente não tomei. 
Dentro daquela roupa alinhada que estava, ui, tremi um pouco, mas conforme fui entrando na igreja senti que era bobagem estar ansioso. Enfrentei o "perigo" e me dei bem, fui me soltando e tive uma noite maravilhosa. Até dancei na festa e tudo! 
Estou lhe contando isso para lhe agradecer pelo blog, que traz um conteúdo reflexivo e que me faz não desistir de viver. Até breve!!! 
M.A. - Vargem Alta, Espírito Santo

Vargem Alta (ES)
imagens retiradas da internet

Cérebro de mulheres ansiosas trabalha mais que o de homens


Por Ana Carolina Prado
Super Interessante

Um estudo da Michigan State University concluiu que, no que diz respeito à ansiedade, há diferenças importantes entre o cérebro masculino e o feminino. A atividade cerebral de mulheres ansiosas é bem maior que a de homens na mesma condição.

Para descobrir isso, pesquisadores pediram a estudantes universitários que fizessem uma série de tarefas simples enquanto usavam uma espécie de touca cheia de eletrodos para medir sua atividade cerebral. Uma das tarefas era identificar a letra do meio de várias séries de cinco letras em uma tela de computador. Algumas vezes a letra do meio era a mesma que as outras quatro (FFFFF), em outras era diferente (EEFEE). Depois, eles responderam a um questionário dizendo o quanto haviam ficado ansiosos e preocupados com o teste.

Embora as mulheres ansiosas tenham acertado, em geral, tanto quanto os homens ansiosos, seu cérebro trabalhou mais que o deles. E esse trabalho extra teve seu preço depois: à medida que o teste ia ficando mais difícil, elas se saíram pior – sugerindo que a preocupação atrapalhou.
Além disso, quanto mais erros as ansiosas cometiam, mais intensamente trabalhava seu cérebro – coisa que não ocorreu com os ansiosos do sexo masculino.

O estudo foi publicado no International Journal of Psychophysiology e é o primeiro a analisar a relação entre a preocupação e as respostas cerebrais a erros entre pessoas de sexos diferentes usando uma amostra válida cientificamente (no caso, 79 mulheres e 70 homens).


Por que o cérebro feminino trabalha mais?


Jason Moser, líder do estudo, acredita que o resultado pode ajudar a identificar garotas com tendência a problemas como transtorno obsessivo-compulsivo ou desordens de ansiedade. “Essa é mais uma peça do quebra-cabeça para descobrir por que as mulheres em geral têm mais problemas de ansiedade”, disse.
Segundo ele, “o cérebro das garotas ansiosas teve de trabalhar mais porque elas tinham preocupações e pensamentos que as distraíam. Como resultado, seus cérebros meio que se atrapalharam por ter que pensar tanto, o que pode levar a dificuldades na escola, por exemplo.”

Os pesquisadores agora estão pesquisando se o estrogênio, um dos principais hormônios sexuais femininos, pode ser o culpado pelo aumento da resposta cerebral. As suspeitas estão sobre ele porque já se sabe, por exemplo, que afeta a liberação de dopamina, um neurotransmissor responsável pelo aprendizado e pelo processamento de erros na parte da frente do cérebro.


Mas se você é mulher e ansiosa, não se desespere. Jason Moser deu dicas para ajudar a reduzir a preocupação e aumentar o foco: escreva suas preocupações em um diário em vez de ficar remoendo tudo em sua cabeça e resolva jogos criados para melhorar a memória e concentração.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Transtorno de Ansiedade por excesso de informação

Sou do tipo de ansiosa que não é muito agitada, que não precisa estar sempre fazendo alguma coisa, que não é ligada no 220. Ao contrário disso, costumo ser bem leeenta no meu dia a dia. :)
Minha ansiedade é mais interiorizada, e vem muito da angústia de não poder abraçar o mundo. Ou de pelo menos não saber por onde começar a abraçá-lo. Eu explico.

Quando criança, lá pelos anos 1980, eu entendia e decorava tudo com muita facilidade. Sabia o nome de todas as marcas e modelos de carros existentes na vida, dos artistas da TV e da música, dos filmes que estavam em cartaz, e sabia todas as revistas que poderia encontrar na banca do seu Miro.
Tudo parecia acessível e limitado.

Mas com o passar do tempo, com a evolução das tecnologias, da informática, e com a chegada da TV a cabo e da internet, e com a globalização... a quantidade de "itens" aumentou muito e acho que aconteceu um tilt no meu sistema. E veio um cansaço mental, uma preguiça; e a resignação frente à dura realidade: eu jamais conseguiria ter acesso a todas essas informações, muito menos assimilá-las. Era coisa demais pro meu antiquado HD. 


Me sinto esgotada, e angustiada, só de pensar em tudo que existe hoje para conhecer e entender! E pra que tanto esforço se esse "tudo" será rapidamente descartado e se tornará obsoleto antes mesmo que eu consiga compreender?

O mundo está numa velocidade insandecidamente mais veloz do que a minha.
Como não se sentir desanimado sendo toda vez o perdedor?
Eu adoro video game, mas detesto jogar futebol no Playstation, por exemplo, porque SEM-PRE perco. E nada mais desestimulante do que não poder se sentir competitivo, concorda?
Então. É assim que me sinto nessa disputa com a velocidade do mundo. Estou sempre atrás! rss


Leia esta matéria e compreenda melhor meu drama! ;)
Saúde, coragem e equilíbrio para todos nós!!! :)


Você está sempre conectado e lê imediatamente todos os e-mails que chegam na sua caixa postal? Mesmo assim, tem a sensação de que precisa estar mais atualizado? Saiba que esses são alguns sinais de quem sofre de ansiedade de informação, descubra como prevenir e combater esse tipo de transtorno.
Por: Fabiana Fontainha/ Adaptação: Letícia Maciel

Para se ter uma ideia do potencial do problema, hoje produzimos milhares de vezes mais informações em um ano do que todas as gerações que nos antecederam e, provavelmente, você recebe em um mês mais informação do que o seu tataravô teve acesso durante toda a vida.

Muitas pessoas podem estar vivendo o que se convencionou chamar ansiedade de informação. Esse transtorno é causado pela avalanche de informações que recebemos todos os dias sem sermos capazes de entendê-las ou selecioná-las.


Usar ou ser usado

Apesar de ainda não ser classificada como uma patologia, especialistas são unânimes em dizer que essa ansiedade afeta a saúde e a qualidade de vida das pessoas, principalmente devido ao ritmo acelerado e à abundância de dados proporcionados pelas novas tecnologias. “Nossa capacidade de seleção tem de fazer parte do nosso aprendizado. Temos de perguntar: eu uso a tecnologia ou é ela que está me usando? Se ela não trouxer conforto, então fizemos alguma coisa errada. Não ao inventá-la, mas em como lidamos com ela”, analisa o médico Roberto Cardoso, coordenador de medicina comportamental do Femme Laboratório da Mulher (SP).

Atenção aos sinais

Os sintomas mais comuns são: frustração por não manter-se atualizado, saber pouco ou com atraso; necessidade de checar a mesma coisa em diversas fontes; e estresse pela dificuldade de lidar com tanta informação. Essa ansiedade prejudica o desempenho. “Você fica distraído, agitado, não para de balançar o corpo, tem lapsos de memória e pode até ter problemas de concentração”, diz Cardoso.

Para a psicóloga Juliana, trata-se de um comportamento de dependência. “É como se a pessoa precisasse daquilo para sobreviver."
Ela explica que três pontos mostram que algo está errado. “A primeira coisa é quando a pessoa só gosta de estar conectada. Não lê, não conversa com ninguém, só fica ligada, como se isso fosse a única fonte de prazer”, diz. A segunda coisa é quando o indivíduo começa a ter perdas no trabalho e nas relações. “A pessoa deixa de sair de casa para entrar na internet, perde o horário, não dorme porque se conecta às duas horas da manhã, perde o tempo que tinha de estar trabalhando para ficar on-line”, analisa. Já o terceiro ponto é querer parar com o comportamento, mas não conseguir. “Existem pessoas que acordam no meio da noite para ver se tem alguma atualização e não conseguem dormir”, observa.


Aprenda a identificar as “doenças” da era digital

Cybercondríacos: São aquelas pessoas reconhecidas como hipocondríacas que pesquisam o tempo todo sobre doenças na internet e começam a acreditar que estão doentes.
Dataholics: São os fissurados por informação, que precisam checar o mesmo dado em diversas fontes para estarem seguros. Mas sentem-se ansiosos por não preencherem essa busca desenfreada por informação.
Bulimia informacional: É a necessidade compulsiva de coletar informações em grande quantidade, sem critério, seleção ou preocupação com a qualidade e confiabilidade dos dados.
Obesidade informacional: Pode ser uma consequência da bulimia informacional e ocorre quando se tem excesso de informações desnecessárias e irrelevantes que, quando acumuladas, prejudicam o aprendizado que poderia ser útil.

Tem jeito?

A mudança de estilo de vida é a melhor maneira de prevenir e tratar o problema, aprendendo a colocar limites e priorizar as informações. Mas se você percebeu que a ansiedade está afetando a sua vida, vale a pena procurar a ajuda de um profissional de saúde, como de um psicólogo, psicoterapeuta ou psiquiatra, que orientará sobre a intervenção mais adequada. Nos casos em que o nível de ansiedade está bastante elevado, o psiquiatra pode indicar o uso de medicamentos ansiolíticos ou até antidepressivos, sempre com acompanhamento médico.

Fonte: revista Viva Saúde
Imagem retirada da internet.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Fibromialgia - O que é, quais os sintomas e como afeta a qualidade de vida do indivíduo

O tratamento deve ser multiprofissional, envolvendo: o educador físico, o médico psiquiatra, os analgésicos e o psicólogo. Depressão e ansiedade crônicas fazem parte dos sintomas.

Fonte: Clínica Plenamente

Antigamente, as queixas relacionadas à dor generalizada e a indisposições mal definidas eram negligenciadas, além de muitas vezes serem consideradas “apenas” como consequência de problemas emocionais.
Assim, a falta de informação e o preconceito elevavam o sofrimento de alguns indivíduos e não favoreciam o surgimento de estratégias terapêuticas para melhorar sua qualidade de vida.
 

Foi a partir da década de 1980 que a fibromialgia começou a ser melhor investigada, sendo então construídos critérios diagnósticos que auxiliam na identificação dessa síndrome. 

Atualmente, o conceito de fibromialgia é definido por uma condição complexa e crônica que engloba dor musculoesquelética, fadiga, indisposição generalizada e transtornos do sono. A dor é intensa, presente por no mínimo três meses, e atinge os músculos, ligamentos e tendões, no mínimo em 11 dos 18 pontos padronizados. 

Pesquisas internacionais apontam uma prevalência de 1 a 5% na população geral. Estudos realizados na população brasileira indicam uma prevalência de cerca de 10%, e ressaltam a influência de fatores socioeconômicos que possam justificar esse índice tão elevado.
Cerca de 80% dos casos de fibromialgia corresponde às pacientes do sexo feminino. 


O termo fibromialgia vem de “fibro” (tecidos fibrosos, como tendões e ligamentos), “mi” (músculos) e “algia” (dor).
Ao contrário da artrite, a fibromialgia não causa dor ou inchaço nas juntas, e sim a dor consiste nos tecidos que envolvem as juntas, a pele e outros órgãos pelo corpo.  


Os sintomas mais comuns são: 

 - dor generalizada pelo corpo por no mínimo três meses;

 - má qualidade do sono;

 - cansaço, perda de energia e diminuição da resistência a exercícios físicos;

 - cólon irritado (diarreia alternada com prisões de ventre) e outras disfunções intestinais;

 - formigamento e dormência nos braços, pernas, rosto e, sobretudo, nas mãos e nos pés;

 - depressão e ansiedade crônicas;

 - cefaleia (dor de cabeça);

 - sensação de inchaço nas articulações;

 - rigidez muscular.

A depressão e a ansiedade são os quadros psicológicos mais frequentemente associados à fibromialgia. A dor é percebida como um sinal de alerta no corpo, mostrando que algo não está bem. O indivíduo quando experimenta esse sentimento, apresenta ansiedade, e todas as manifestações psicológicas e fisiológicas correspondentes.
Nos quadros de dor crônica, esse estado psíquico é intenso e acompanha o indivíduo por muitos anos, podendo inclusive gerar algum transtorno de ansiedade ou depressão. Há indícios de que essa situação se agrava de forma significativa quando o paciente se procura a diversos profissionais sem obter um diagnóstico preciso, o que ocorre em muitos casos de fibromialgia. 


Essa síndrome também pode provocar mudanças importantes na vida social, afetiva e ocupacional dos indivíduos, uma vez que a interação social diminui, o trabalho é prejudicado, e aspectos cognitivos como a atenção e a motivação mostram-se reduzidos. Sob esse aspecto, a fibromialgia coloca o paciente muito mais predisposto a um quadro de depressão.

As emoções não são vistas apenas como consequências desse quadro de dor crônica, mas elas também podem servir como retro alimentação para a dor. Uma vez que o indivíduo com a síndrome apresenta esses fenômenos psíquicos e comportamentais, consequentemente ele tem sua qualidade de vida prejudicada, e vivencia apenas a dor em sua vida, não depositando suas energias em experiências mais positivas e gratificantes.

Causas


Embora sua etiologia ainda não seja totalmente esclarecida, um grande número de pesquisas realizadas levantou hipóteses sobre as causas da fibromialgia. Algumas dessas pesquisas sustentam que o desenvolvimento da síndrome se dá sempre após a exposição de um indivíduo pré-disposto a algum tipo de trauma (por exemplo, acidentes ou doenças graves). Outros estudos sugerem que existe uma influência genética significativa que coloca as mulheres mais suscetíveis ao acometimento da síndrome.

Pesquisas realizadas com técnicas de neuroimagem levantaram a hipótese de que a fibromialgia pode estar associada a falhas no equilíbrio dos neurotransmissores no sistema nervoso central, e não por problemas musculares nas áreas periféricas do corpo. Ainda sustentando essa última hipótese, um estudo mostrou que um neurotransmissor que sinaliza ao cérebro um foco de dor existe em três vezes maior quantidade em pacientes com fibromialgia. 


Tratamento

O tratamento atualmente conhecido para fibromialgia permite que muitos dos sintomas sejam minimizados significativamente para melhorar a qualidade de vida do individuo.

O tratamento deve ser multiprofissional, envolvendo: o educador físico, que vai orientar o paciente na prática de exercícios físicos de baixa intensidade e de alongamentos; o médico psiquiatra, capacitado a receitar medicamentos que favoreçam a qualidade do sono e o controle da depressão e da ansiedade; os analgésicos que aliviam a dor; e o psicólogo, cujo papel no tratamento é de suma importância no sentido de buscar mudanças na relação do indivíduo consigo mesmo e com seus sintomas.

Veja também:
Fibromialgia - Causas, sintomas e tratamentos
Fibromialgia.com.br

Ilustração retirada da internet.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Karen Terahata no programa Sem Censura

No dia 14 de julho de 2014, tive o privilégio de ser entrevistada pela jornalista Leda Nagle no programa Sem Censura. Assista!
Dor no peito, tontura e medo de morrer são algumas características da síndrome do pânico. A jornalista Karen Terahata superou a síndrome, criou um blog e um grupo para ajudar outros portadores da doença. O psiquiatra Marco André Mezzasalma participa do programa e explica o transtorno do pânico.

Apresentação: Leda Nagle
Exibido em: 14/07/2014
Bloco 1



Bloco 2



Bloco 3



Sabemos muito bem o quanto é importante visitar o dentista ou o clínico geral com certa regularidade. Se nosso estômago dói, vamos ao gastroentereologista, se não enxergamos muito bem, ao oftalmologista. Porém não estamos muito acostumados a escutar sem espanto quando alguém fala que vai ao psiquiatra ou ao psicólogo. É senso comum acreditar que estes profissionais só cuidam de pessoas “loucas”, portanto se alguém precisa ir a eles logo é taxado como tal.

Desde pequenos somos ensinados a lidar com números, com palavras, temos aulas de educação física, aprendemos a conviver em sociedade; somos preparados para a vida prática do dia-a-dia. 
Os sentimentos e as emoções, que são nossos companheiros inseparáveis, são postos de lado de tal forma que se apresentam através de dores e mal-estar.

As doenças psicossomáticas dão vazão a sentimentos negligenciados por anos e um evento estressante pode desencadear o processo de adoecimento. Dores constantes, insônia podem não ter causa orgânica alguma para o seu aparecimento. Frequentemente, após extensa investigação através de exames laboratoriais e consultas com diferentes especialistas não se acha a causa para o problema. A procura por um profissional que cuida das emoções, psiquiatra e psicólogo, é adiada o quanto se pode. Muito sofrimento desnecessário é prorrogado e intensificado por medo de se sentir “louco”.

Falar sobre os sentimentos não é algo fácil, mas possível de ser aprendido e essencial para o equilíbrio e bem-estar. Temos horário para trabalhar, passear; abrimos os e-mails… 
Quando cuidamos da nossa mente e do que sentimos? Simplesmente não cuidamos. 
Não há tempo na agenda para elaborar os afetos, fatos marcantes; entendermos as nossas relações; se estas estão saudáveis ou doentes.

Dar este tempo a si próprio tendo alguém que possa ouvi-lo, sem crítica ou julgamento, acolhendo e compreendendo o que está sendo dito, é algo realmente profundo e transformador. Capaz de tornar a vida de qualquer pessoa que está disposta a mudar muito melhor. Não se trata de não ter problemas, mas sim de lidar com eles de forma mais tranquila, equilibrada e madura.

(Patricia Adnet - psicóloga. Texto Publicado no Jornal Correio Carioca Ano VII – nº 63)

domingo, 24 de agosto de 2014

Participe! Workshop "Mulheres Que Transformam Mais", de Fernando Torquatto


O projeto "Mulheres que Transformam Mais" vai lhe mostrar que a vida pode dar certo quando se redescobre a autoconfiança, quando se tem sonhos que são transformados em metas e quando se coloca foco naquilo que realmente importa!
 


Faça como eu e participe deste workshop promovido pelo maquiador Fernando Torquatto. 
Tive um final de semana maravilhoso mergulhada em mim mesma, nos meus desejos, identificando minhas qualidades e pontos fracos, e adquirindo ferramentas para desenvolver meus projetos. (Leia: http://semtranstorno.blogspot.com.br/2014/06/sem-transtorno-no-workshop-mulheres-que.html)

Quatro novas edições já estão confirmadas e as leitoras do Sem Transtorno terão condições especiais para pagamento.

Próximas turmas:
Rio de Janeiro - 06 e 07 de setembro
Belo Horizonte - 08 e 09 de novembro
Curitiba - 22 e 23 de novembro
São Paulo - 29 e 30 de novembro


Conheça: 
www.mulheresquetransformammais.com.br

Para se inscrever, ligue: (21) 3228-3244 ou (21) 99391-2030.
Não esqueça de dizer que é leitora do Sem Transtorno!

Aprenda a assumir a direção de seus sonhos e construa uma felicidade auto-inclusiva.
Lembre-se: você é a única responsável pela sua vida. Por isso, coloque-se em primeiro plano sem abandonar tudo aquilo que você ama!

Participe. Inspire-se. Transforme-se. 

  
Fernando Torquatto entre os coachs José Luiz Lordello, Rodolfo Santos e Caê Nóbrega 

Primeira turma do MQT+ (Hotel Sheraton Rio - 7 de junho de 2014)

Fernando Torquatto e eu :)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O remédio para depressão vicia?

                                                                   imagem: ABP
Não, não vicia.
Veja a resposta do médico Rodrigo Machado Vieira para o Canal da Psiquiatria.
Dr. Rodrigo Machado Vieira - Graduado em Medicina pela PUCRS, Residência Médica em Psiquiatria pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Mestrado, e Doutorado em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo- USP (2005). Pós-Doutorado em Psiquiatria pelo LMP, National Institute of Mental Health (NIMH), NIH, EUA (2006-2009) . Membro Titular do Clinical Center Medical Staff e Senior Fellow, NIMH-National Institutes of Health (2009-2010). Prêmios incluindo o Award for Research Excellence pelo National Institutes of Health e ABP. É Professor orientador credenciado do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e Fundador e Ex-Coordenador do Programa de Transtornos de Humor, LIM27, IPq, USP. É Review Editor do periódico Frontiers in Neuropharmacology. Atualmente e' Diretor do Translational Research Clinic in Mood Disorders e Staff Scientist no Experimental Therapeutics and Pathophysiology Branch do National Institute of Mental Health, NIH, EUA. Fator h=24, citações 1.650 (Texto informado pelo autor) - fonte CNPq

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Saúde Mental no SUS

Uma visão panorâmica do atual cenário da assistência psiquiátrica no sistema público de saúde (o SUS) no Brasil

Quase 150 milhões de brasileiros e brasileiras dependem do serviço público de saúde para terem supridas desde as suas necessidades mais básicas de bem-estar, como o tratamento de simples viroses, até cuidados complexos, como os da área de saúde mental, que envolvem o trabalho conjunto de médicos psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, assistentes sociais e profissionais de diversas outras áreas. (...)


Embora fosse necessário e urgente coibir os abusos ocorridos nos manicômios, houve um fechamento brusco das instituições destinadas à internação psiquiátrica (a partir dos anos 1980), o que resultou - e ainda resulta - na falta de leitos para receber doentes mentais graves quando têm uma crise e precisam de atenção médica intensiva. "Confundiu-se o que era má internação, feita em condições ruins, com a necessidade das internações em si", analisa o psiquiatra Sergio Tamai, um dos diretores da Associação Brasileira de Psiquiatria. Nas últimas duas décadas, enquanto a população brasileira passou de 145 milhões para 190 milhões de pessoas, o número de leitos para internação psiquiátrica passou de 120 mil para 32 mil.

Para substituir o atendimento anteriormente 
feito nos manicômios, o Ministério da Saúde do governo brasileiro concebeu uma política de assistência extra-hospitalar, a exemplo do que aconteceu no exterior. A nova política propõe que as pessoas com transtornos mentais sejam tratadas em instituições de saúde abertas, inseridas nas comunidades dos pacientes, permitindo que eles mantenham o convívio com suas famílias e amigos e participem da vida em sociedade tanto quanto possível. (...)

Como principal dispositivo da assistência extra-hospitalar, o governo criou os Centros de Atenção Psicossocial, ou CAPS, pela sigla, como são mais conhecidos. Os CAPS se propõem a atender pessoas com transtornos mentais graves e crônicos, como os adultos com esquizofrenia e transtorno bipolar, as crianças e adolescentes com autismo e psicoses e os usuários de álcool e drogas (ilícitas), que, ao todo, representam um universo de aproximadamente 17 milhões de pessoas, em todo o país. Cabe a esses centros prestar atendimento médico e psicológico aos pacientes; fornecer-lhes medicamentos quando necessário; e, principalmente, fazer um trabalho de reabilitação psicossocial, que significa ajudar essas pessoas a recuperar o convívio saudável com suas famílias e reintegrar-se a suas comunidades, voltando a estudar e a trabalhar ou simplesmente convivendo com outras pessoas em atividades de lazer, cultura e esporte. (...) No entanto, a vasta lista de funções atribuídas aos CAPS deixa claro que há um excesso de responsabilidades concentradas nesses serviços. O resultado é que muitos dos propósitos definidos para eles acabam não sendo cumpridos. (...)

De acordo com o promotor (de Justiça Reynaldo Mapelli Júnior), muitas pessoas não conseguem vagas para internar seus familiares no SUS, mesmo tendo um laudo médico solicitando a internação (...). Então, procuram a ajuda do Ministério Público. (...) Diz o promotor: "O ideal seria que as pessoas não entrassem no sistema de saúde pela porta da Justiça, mas isso vem acontecendo com frequência porque a omissão do poder público é enorme".

"As famílias de posses continuam a pôr seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos". (Ferreira Gullar, poeta, pai de dois filhos com esquizofrenia)

A falta de assistência psiquiátrica às populações pobres tem mesmo esse triste desdobramento. Estudos indicam que até metade das pessoas que vivem nas ruas sofrem de algum problema mental. (...) É preciso deixar claro que a prática de internação deve, sim, ser o último recurso terapêutico empregado, como preconiza o Ministério da Saúde. Ninguém quer um familiar passando os dias no hospital se há maneiras de tratá-lo junto da família. A ideia é que, a exemplo do que acontece m outras especialidades médicas, cada vez mais se invista em prevenção, a cada dia os diagnósticos sejam feitos mais cedo, e, mais e mais, os remédios e outros recursos de tratamento ganhem eficiência, a ponto de que a necessidade de hospitalização seja mínima. Isso já acontece, em boa medida, nos serviços particulares. (...) "Resumindo: se houver um atendimento de base que funcione, quase não é preciso internação". (Mauro Aranha, psiquiatra)

Mas, enquanto esse ganho de eficiência não ocorre no sistema público de saúde como um todo, é preciso preservar uma quantidade suficiente de leitos destinados à internação psiquiátrica, para que não haja desassistência. Para deixar claro mais uma vez: fala-se aqui de internações que duram cerca de um mês, apenas para estabilizar o quadro, como se pratica hoje, não hospitalizações de anos a fio, como se fazia antigamente. Além disso, é necessário seguir investindo na construção de uma rede de atendimento em saúde mental que funcione de fato como uma rede. Segundo os especialistas, para ter um sistema mais efetivo, é preciso descentralizar o atendimentos dos CAPS, liberando-os do excesso de funções e permitindo que exerçam sua vocação primordial - o trabalho de reabilitação psicossocial -, além de cobrir os "buracos" da rede de assistência, oferecendo outros serviços que ainda estão deficientes: ambulatórios especializados em saúde mental, para cuidar das consultas médicas e psicológicas dos quadros agudos; treinar os profissionais do Programa Saúde da Família e dos postos de saúde para tratar os transtornos mais simples na base, evitando que se agravem e cronifiquem e precisem de internações; e criar unidades psiquiátricas em hospitais gerais, para fazer a internação, quando necessário, sem que haja o estigma dos manicômios.

Fonte: livro Não é coisa da sua cabeça, de Naiara Magalhães e José Alberto de Camargo (editora Gutenberg)

Leia também:


SUS desativou quase 13 mil leitos entre 2010 e 2014 - A psiquiatria, com 7.449 leitos a menos, foi a especialidade com maior queda.

Em Juiz de Fora, Minas Gerais, pacientes do SUS reclamam de falta de psiquiatras e remédios.


Sabemos que conseguir atendimento psiquiátrico ou psicológico no sistema público de saúde é muito difícil. Se você já procurou, fez ou faz tratamento pelo SUS, nos fale sobre a sua experiência.

domingo, 10 de agosto de 2014

Colaboração: Psicóloga Rosanna Mannarino explica os ataques de pânico

Quando um indivíduo passa por uma situação de possível ou de real perigo, o organismo se mobiliza e se prepara para fuga ou agressão, apresentando uma reação de alerta nomeada de "resposta de emergência", podendo ressaltar algumas atividades como:

- dilatação das pupilas
-vasoconstrição periférica
-taquicardia e broncodilatação
-taquipneia
-atividade mental aumentada
-aumento da pressão arterial

No ataque de pânico, o medo e a ansiedade aceleram-se rapidamente e o pensamento racional é prejudicado quando a resposta de emergência é ativada. A capacidade de enfrentamento é subestimada e o indivíduo tem suas avaliações distorcidas.
As sensações, pensamentos, imagens, emoções e impulsos que ocorrem durante o ataque de pânico têm interpretações errôneas e exageradas, trazendo a sensação de despersonalização e iminência de morte.
Por temer essa crise, o indivíduo passa a evitar possíveis situações e lugares que possa ter uma crise de pânico,
 evoluindo até o surgimento de ansiedade antecipatória, que é a constante expectativa da próxima crise e que por si só é bastante desagradável.
O tempo, a prioridade das crises e suas consequências não se apresentam em um padrão.
Klein e Klein (1989) distingue três padrões de ocorrência para ataques do pânico:

1 - O ataque de pânico espontâneo, que ocorre em um momento inesperado;

2 - O ataque de pânico provocado por um estímulo, que é um medo súbito disparado por exposição a um estímulo fóbico ou antecipação de tal exposição (segundo Klein, esses ataques são comuns das fobias específicas);

3 - Os ataques de pânico predispostos, que ocorrem mais em certas situações do que em outras - aumentam a possibilidade de um ataque, mas não o provocam.

O principal foco no tratamento psicológico do transtorno do pânico, da ansiedade, é a identificação de interpretações errôneas de pensamentos e imagens dos sintomas para poder redefinir essas ideias equivocadas.

Rosanna Talarico Mannarino
Psicóloga Clínica CRP 23434/05
Cel. (21) 99165-0576
rosanna.talarico@yahoo.com.br

Programa sobre Síndrome do Pânico exibido pelo canal Boas Novas (1/08/2014)

Eu, Claudio Roberto de Oliveira Silva (psicólogo), a apresentadora
Celeste Fernandes, do programa "Cabeça pra cima", e Miriam Alice Ferreira (psicóloga)

Como o canal Boas Novas é um veículo cristão, aceitei o convite para participar do programa "Cabeça pra cima", em primeiro lugar, com muita alegria por poder falar para esse público. Por outro lado, com um pouco de receio quanto à abordagem que seria feita. Afinal, muitos cristãos, assim como outros religiosos, não acreditam que os transtornos de ansiedade e a depressão sejam realmente problemas de saúde (mentais, físicos), mas unicamente espirituais. 

Felizmente, tive uma grata surpresa e adorei participar do programa. Tivemos - eu e os dois psicólogos convidados - a oportunidade de defender nossos pontos de vista abertamente, sem qualquer restrição ou preconceito.
Agradeço à produção do programa pelo convite e pela bela pesquisa que fizeram sobre o tema. Agradeço também à apresentadora Celeste pela gentileza com que nos recebeu e ainda por endossar a importância de se buscar tratamento adequado. Assistam:


Bloco 1


Bloco 2

Bloco 3

Bloco 4


sábado, 9 de agosto de 2014

Somatização é tema do programa Ligado em Saúde, na segunda-feira (11/8)

Fonte: Canal Saúde/Fiocruz 

Somatizar significa desenvolver uma determinada doença ou sintoma por causa de problemas emocionais. Em outras palavras, pode-se dizer poeticamente que somatização é quando as dores da alma doem no corpo. Mas o que fazer quando sentimentos e emoções dão origem a sintomas físicos?


Este será o tema do programa Ligado em Saúde, do 
Canal Saúde, desta segunda-feira (11/8), às 11 horas. A apresentadora Marcela Morato receberá a psiquiatra Sandra Fortes, professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Além das dificuldades enfrentadas por quem sofre com problemas físicos de origem emocional, o programa abordará o despreparo de grande parte dos profissionais da saúde para lidar com queixas que não podem ser confirmadas por exames.

Participação do público


O Ligado em Saúde é um programa de entrevista e serviço sobre temas de saúde, que tem como ponto de partida sugestões de pauta do público. Aborda assuntos relacionados à promoção da saúde, prevenção e esclarecimento sobre doenças. Os temas são divulgados nas redes sociais do 
Canal Saúde e o público pode enviar perguntas antecipadamente. Vai ao ar às segundas e quartas-feiras, de 11 horas às 11h30, sendo gravado geralmente com uma ou duas semanas de antecedência.
Sugestões e perguntas para a produção devem ser enviadas para o e-mail 
ligado@canalsaude.fiocruz.br ou do telefone 0800 701 8122. É possível interagir também por meio de comentários na Fan Page do Ligado em Saúde e do Canal Saúde ou pelo Twitter .

Como assistir


Internet: acesse 
www.canalsaude.fiocruz.br e clique na WEB TV, na página principal. 
Televisão: parabólica digital (freqüência 3690) ou TVs parceiras de veiculação. Consulte a página Como Assistir no site do Canal Saúde. Os conselheiros de saúde em todo o Brasil podem assistir pela Oi TV, canal 910.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Tico Santa Cruz envia um recado para os leitores do Sem Transtorno

O vocalista da banda Detonautas teve uma crise de pânico há dez anos.


Sem Transtorno no Sem Censura

Minha participação hoje no programa Sem Censura foi muito bacana.
Leda Nagle foi extremamente generosa comigo e com o tema que tratamos. Falar sobre o transtorno do pânico para tanta gente, e ao vivo, foi uma experiência incrível, que sensação boa de superação...

O programa contou com a participação de Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, que revelou ter sofrido uma crise de pânico há dez anos e aproveitou para gravar uma mensagem para os leitores do Sem Transtorno.

De acordo com a programação da emissora, o programa será reprisado daqui a pouco, às duas e meia da manhã. De qualquer forma, assim que disponibilizarem o vídeo, compartilho aqui com vocês.

Dedico este dia especial ao meu marido, Marcelo, que está sempre do meu lado me incentivando a batalhar pelo Sem Transtorno. Obrigada, meu amor, meu pensamento esteve o tempo todo com você.
Um abraço a todos, saúde e paz.

Tico Santa Cruz: parceria
Eu, Leda e minha mãe tietando no estúdio ;)