sábado, 27 de abril de 2013

Famosos Ansiosos - parte 5 (Gisele Bündchen)

   (Frazer Harrison/Getty Images Entertainment)
Continuando nossa série dos famosos que, como qualquer pessoa normal, também passam por problemas com a ansiedade,  vamos ver o caso da supermodel Gisele Bündchen.

Gisele revelou certa vez ao site de notícias JB Online que teve claustrofobia. Ela acredita que o transtorno tenha sido causado por uma crise de ansiedade que sofreu durante um voo para a Espanha.

Segundo a modelo, o avião era muito pequeno, com capacidade para apenas quatro passageiros, e além disso ela precisou  enfrentar uma enorme tempestade. "Foi desesperador, depois daquilo passei uns dias sem poder ficar em lugar fechado".
Gisele decidiu então voltar à pratica da Ioga e garante que, com isso, conseguiu ficar curada sem uso de remédios

A psicóloga Jussara Benatti tem dúvidas se a modelo teve mesmo claustrofobia. "Essa doença não é um trauma passageiro. Normalmente não é manifestada em um período tão curto", esclarece. "Caso contrário, todo mundo que tem um medinho vai sair dizendo que tem uma fobia."


De acordo com a professora do Instituto de Psicologia da USP, Leila Tardivo, a diferença entre o medo e a fobia é a existência de fantasias, ou seja, quando não há um perigo real. "Se a pessoa for bem estruturada emocionalmente, madura, ela pode superar a situação de trauma, assim como fez Gisele", opina. "Mas é importante ressaltar que há graus diferentes. Em casos mais graves, o paciente precisa ser estimulado por amigos, pela família e procurar ajuda médica", explica Leila.

Jussara Benatti explica que, durante o tratamento, o profissional pode inclusive acompanhar o paciente na situação que provoca o medo, combatendo-o progressivamente por meio de exercícios.
Ela afirma ainda que muitas pessoas convivem com a claustrofobia por toda a vida. "Há quem consiga evitar o uso de elevadores. Outras pessoas fazem rotas alternativas para não passarem dentro de túneis", exemplifica.

A professora Leila Tardivo lembra que isso depende muito da profissão da pessoa. "Empresários e modelos como Gisele Bündchen precisam usar o avião como meio de transporte. Nesses casos é preciso um tratamento intensificado, pois esses profissionais não podem evitar determinadas situações". 

Fonte:
JB Online, portal Terra

Veja também:
Famosos Ansiosos - parte 4

sábado, 20 de abril de 2013

Entendendo o TDAH


Ultimamente, e cada vez mais, tenho atribuido grande parte dos meus problemas de ansiedade e depressão ao Déficit de Atenção (TDAH).
 

Na minha infância o TDAH não tinha esse nome pomposo, era mais conhecido por relaxamento, distração e preguiça mesmo. Mas os prejuízos eram os mesmos.

Na minha busca incessante por explicações e novas perspectivas, desta vez sobre o TDAH, encontrei o site do médico neurologista Mario Peres.
Não o conheço pessoalmente, como não conheço a maioria dos profissionais que menciono no blog. Mas procuro divulgar qualquer informação ou mensagem que me toque positivamente de alguma forma e que eu ache que também possa tocar da mesma maneira quem sofra com o mesmo problema que eu.

Os pacientes com TDAH, com certeza, irão se enxergar aqui. Sempre que leio alguma coisa sobre esse assunto, me dá vontade de chorar de tanto que já sofri e ainda sofro com isso.

 
Quem convive com algum portador de TDAH vai se lembrar dele. Mais do que isso, espero que passem a enxergá-lo de forma mais benevolente, com mais compaixão e, por que não, paciência!
Rotular alguém de forma negativa não vai ajudar em nada, pelo contrário, só fará com que essa pessoa se sinta ainda mais incapacitada, desmotivada e deprimida. Para superarmos essas limitações e levarmos uma vida mais feliz, precisamos de compreensão e um pouquinho de generosidade.

Boa leitura, saúde e paz para todos.
:)


O que é o TDAH?

TDAH é o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, uma doença caracterizada por desatenção, inquietude e impulsividade, que acomete crianças e adultos.  


Crianças com TDAH costumam ser vistas como bagunceiras, irrequietas, hiperativas, distraídas, sonhadoras, que vivem no mundo da lua. Geralmente, na idade adulta, a hiperatividade, agitação e impulsividade diminuem de intensidade e a distração fica mais evidente.
O TDAH pode acometer os adultos, apesar de ser uma doença mais conhecida na infância.

Uma característica marcante do Transtorno do Déficit de Atenção é sua alta taxa de associação com outras doenças (comorbidades). Em crianças, calcula-se que mais da metade dos casos ocorrem acompanhados de outros transtornos. Em adultos, estima-se que esse índice seja ainda maior.
Na infância, as comorbidades mais comuns são os distúrbios de aprendizado, de comportamento, os transtornos ansiosos (ansiedade, fobias, TOC, pânico), transtornos depressivos e tiques.
Em adolescentes, além desses transtornos citados, surge o abuso de drogas.

Causas do TDAH adulto

Nas crianças, os sintomas mais comuns são o esquecimento excessivo, desatenção, bem como uma incapacidade de se manter quieto. No adulto, os sintomas do déficit de atenção e hiperatividade se manifestam de maneira diferente, mais sutil. Isto pode tornar mais difícil reconhecer e diagnosticar o TDAH adulto.
Acredita-se que genes podem desempenhar um importante papel. As questões ambientais, como a exposição a cigarros ou álcool, enquanto no útero, também podem ser importantes.
Existe a teoria de que os neurotransmissores no cérebro estejam funcionando mal, como a dopamina, noradrenalina e serotonina, principalmente na região do córtex pré frontal.

Em adultos são também comuns os transtornos ansiosos, os transtornos depressivos, o abuso de drogas (incluindo álcool e tranqüilizantes), transtornos do apetite e do sono.

Os 10 sintomas mais comuns em adultos com déficit de atenção

Sintoma n.º 1: Problemas com a organização

O aumento das responsabilidades da idade adulta – trabalho, contas a pagar, e filhos, para citar algumas – pode causar grandes problemas com a organização em pessoas com TDAH. E embora alguns sintomas do TDAH sejam mais irritantes para as pessoas que convivem com o paciente do que para o próprio paciente, a desorganização é frequentemente identificada por adultos com TDAH como um grande aspecto prejudicial à sua qualidade de vida.

Sintoma n.º 2: Dirigir carro distraidamente (acidentes de trânsito)
O adulto com TDAH tem dificuldade de manter a atenção em uma tarefa. Por esse motivo, algumas pessoas ficam mais suscetíveis a acidentes de trânsito, sem falar nas multas e na consequente perda de pontos na carteira...

Sintoma n.º 3: Problemas conjugais
Naturalmente, um casamento conturbado não deve ser visto como um sinal de alerta apenas para adultos com TDAH. No entanto, existem alguns problemas que tornam pessoas com TDAH mais suscetíveis a terem problemas em seus relacionamentos. Muitas vezes, seus parceiros se aborrecem com sua dificuldade de escutar pedidos feitos e até da incapacidade de honrar seus compromissos. Se você é a pessoa que sofre de TDAH, pode não entender por que seu parceiro está chateado e ainda sentir-se culpado por algo que, realmente, não é sua culpa.

Sintoma n.º 4: Distração extrema
A pessoa pode ter grande difículdade em focar em alguma coisa e essa distração pode levar a uma história de baixa performance na carreira, especialmente em cargos de alta competitividade. Se você tem TDAH, pode descobrir que telefonemas, e-mails, ruídos ou qualquer solicitação externa afetam a sua atenção, o que torna difícil para você terminar de fazer alguma coisa. É comum ver pessoas com déficit de atenção que começam as coisas e nunca terminam.

Sintoma n.º 5: Dificuldade em ouvir
Você viaja no pensamento durante as longas reuniões? Será que seu marido esqueceu de pegar seu filho na escola, que é melhor fazer purê de batata do que batata frita pro jantar... Problemas com atenção resultam em má compreensão oral em muitos adultos com TDAH, o que conduz a uma série de mal-entendidos.

Sintoma n.º 6: Inquietação, problemas para relaxar
Embora muitas crianças com TDAH sejam hiperativas, este sintoma freqüentemente aparece de forma diferente em adultos. Os adultos com TDAH estão mais propensos a apresentar agitação ou achar que não podem relaxar.

Sintoma n.º 7: Problemas ao iniciar uma tarefa
Assim como as crianças com TDAH frequentemente adiam o início da realização da lição de casa, os adultos com TDAH frequentemente se arrastam para iniciar tarefas que exijam muita atenção. Esta procrastinação agrava muitas vezes os problemas já existentes, incluindo desavenças conjugais, problemas no trabalho e com amigos.

Sintoma n.º 8: Atraso crônico
Existem diversas razões para adultos com déficit de atenção se atrasarem para seus compromissos. Eles são muitas vezes distraídos a caminho de um evento, por exemplo, percebendo que o carro precisa ser lavado e, em seguida, que ele está com pouca gasolina, e que esqueceu de sacar dinheiro, e, antes que se perceba, já passou uma hora.
Pessoas com TDAH também tendem a subestimar o tempo que levam para finalizar uma tarefa, seja ela uma tarefa importante no trabalho ou uma simples tarefa de casa. "Em dez minutinhos eu termino". No final, percebe que não termina e fica angustiado.


Sintoma n.º 9: Ímpetos de raiva
O TDAH frequentemente leva a problemas com o controle das emoções. Muitos adultos com TDAH são explosivos com pequenas questões, tem o chamado pavio curto. Muitas vezes sente como se não tivessem controle sobre suas emoções e a sua raiva aparece mais rapidamente do que a capacidade de controlá-la.

Sintoma n.º 10: Dificuldade para dar prioridade
Pessoas adultas com TDAH têm dificuldade para priorizar as obrigações mais importantes que deverá cumprir, como o término de um trabalho. Enquanto isso, gasta inúmeras horas em algo insignificante, como um jogo no vídeo game.

Tratamento do TDAH no adulto
Existem boas opções de tratamento do adulto. Em primeiro lugar, o tratamento começa com o diagnóstico correto feito por um médico. 

As mesmas medicações usadas na criança podem ser usadas no adulto. O tratamento medicamentoso deve ser reservado para os casos nos quais aconteça algum prejuízo, alguma dificuldade na vida do paciente. Considerando que o TDAH pode estar associado a problemas diversos, como quadros depressivos, ansiedade, problemas com álcool e drogas, estas condições devem ser tratadas também.

Várias linhas de psicoterapia podem ser indicadas. No caso de adultos casados, algumas intervenções necessitam ser realizadas com o cônjuge. No caso de crianças e adolescentes, há programas de orientação e treinamento para pais e professores. Existem propostas muito interessantes de reestruturação do ambiente escolar e doméstico para crianças com TDAH. Existem também várias recomendações que podem ser fornecidas ao paciente de acordo com cada caso em particular, que amenizam suas dificuldades no dia-a-dia (tais como esquecimentos, uso de agenda, foco em uma tarefa, etc). Associação de técnicas Cognitivo Comportamentais com tratamento medicamentoso tem eficácia comprovada.

Pacientes robotizados? Remédio da obediência?
Existem muitos profissionais que prestam um grande desserviço à comunidade quando afirmam em meios de comunicação que os medicamentos “entorpecem” os pacientes, os tornam “robotizados”, “zumbis” e que este é um meio artificial de controle da doença. Provavelmente nunca acompanharam de perto um número suficiente de pessoas com Déficit de Atenção, com ou sem Hiperatividade, antes e depois do tratamento farmacológico, para observar a enorme diferença na vida destes indivíduos.
Existia uma crença de que o uso de estimulantes retardaria o crescimento de crianças e por isso se recomendava os “feriados” (alguns dias ou o final de semana) ou “férias” (meses) terapêuticas. Estudos recentes mostram que isto não acontece.

ATENÇÃO, não se automedique! Consulte sempre um médico para fazer o seu diagnóstico e iniciar o melhor tratamento.

Fonte: Dr. Mario Peres (médico neurologista e pesquisador senior do Hospital Albert Einstein), ABDA (Associação Brasileira do Déficit de Atenção)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)


ilustração: reprodução internet
Um pouco de preocupação não faz mal a ninguém. Pelo contrário. Não somente é normal como necessário para a nossa sobrevivência. Afinal, é essa preocupação (medo, prudência) que nos faz olhar para os dois lados antes de atravessarmos uma rua, por exemplo. Mas e quando essa preocupação é exagerada?

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é basicamente uma preocupação excessiva, com motivos injustificáveis ou em níveis desproporcionais. A pessoa vive num estado de alerta permanente com pensamentos negativos bombardeando sua cabeça o tempo todo: ela pode estar com uma doença grave, pode morrer de repente, pode sofrer um acidente... E como ela não consegue relaxar, acaba se sentindo muito cansada.

Essas preocupações podem ser direcionadas a seus entes queridos também. 

 
Diagnóstico
Como o estado de ansiedade perturba a visão que a pessoa tem a respeito de si mesma e do que acontece em sua volta, é necessário que esse diagnóstico seja sempre feito por um especialista.

Uma das maneiras de diferenciar a ansiedade generalizada da ansiedade normal é através do tempo de duração dos sintomas. A ansiedade normal se restringe a uma determinada situação; mesmo que esta situação problemática persista, a pessoa tende a adaptar-se e a tolerar melhor a tensão. 

Já uma pessoa que permaneça apreensiva, tensa, nervosa por um período superior a seis meses, ainda que tenha um motivo para estar ansiosa, pode estar sofrendo de ansiedade generalizada.

Sintomas

A variação dos sintomas de ansiedade é enorme e muitas vezes pessoais. Ganho de peso, por exemplo, tanto pode não ter nenhuma relação com ansiedade como pode, para determinadas pessoas, ser a manifestação mais freqüente. 

Os sintomas mais comuns são: taquicardia; sudorese; cólicas abdominais; náuseas; arrepios; dores musculares; tremores; ondas de calor ou calafrios; adormecimentos; sensação de asfixia, nó na garganta ou dificuldade para engolir; perturbações do sono, como insônia, dificuldade para adormecer, acordar no meio da noite etc; grande cansaço ou esgotamento; sintomas depressivos.

É muito comum que o TAG esteja associado a outros transtornos mentais, como fobias específicas e pânico. Ele costuma ser crônico, duradouro, com pequenos períodos de remissão dos sintomas, e geralmente leva o paciente a sofrer com estado ansioso elevado durante anos. 
Pode vir a ceder espontaneamente em alguns casos, mas não há meios de se prever quando e se isso acontecerá.

Tratamento

A terapia cognitivo-comportamental é a que mais tem mostrado eficácia no tratamento do TAG. Em alguns casos, a intervenção medicamentosa se faz necessária e a duração do tratamento pode variar de 6, 12 meses a até vários anos. 

Observações da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva:

=> "Uma dose equilibrada e saudável de ansiedade é vital para nossa existência. Sem ela seríamos absolutamente apáticos, sem vontade de conquistas, de marchar sempre em frente para que a vida faça sentido".

=> "Estar num estado permanente de vigília e ansiedade é perder os parâmetros normais da realidade (...), navegar à deriva num mar revolto".

=> "A ansiedade excessiva estabelece uma conexão direta com o futuro que talvez nunca exista".

Vamos pensar nisso? 

Cuidem-se! ;)

Coragem, saúde e paz.
 

Fonte: livro Mentes Ansiosas, Psicosite.



sábado, 13 de abril de 2013

Uma visão mais consciente da síndrome do pânico


Com relação aos tipos de tratamentos, o que é bom para uma pessoa pode até ser bom para outra pessoa. Mas pode não ser tão bom assim para uma terceira pessoa. Ou seja,
antes do tratamento, o mais importante é a escolha do profissional que vai conduzir esse tratamento; que, através da sua sensibilidade, saberá a hora de mudar o rumo das coisas, caso seja necessário.
Estamos todos juntos nesse barco: doentes, parentes, amigos, médicos... 
Um dia essas posições podem se inverter e sempre precisaremos uns dos outros. Da compreensão, da amizade, do respeito, do apoio, do carinho.
 


A síndrome do pânico ou transtorno do pânico é um dos distúrbios de saúde que tem estado em voga ultimamente. Muitas pessoas têm sofrido com o transtorno do pânico, e os tratamentos médicos têm tido resultados positivos com algumas delas. Mas, também têm tido pouco ou nenhum resultado com outras, e isso parece ter relação com o desconhecimento de alguns aspectos essenciais e das prováveis causas subjacentes desse distúrbio por parte dos médicos e de outros profissionais da saúde.

Uma crise de pânico se caracteriza por um conjunto de estados e sintomas relativos ao medo agudo e intenso, que surgem de forma súbita e intensa, deixando a pessoa com a sensação eminente de colapso, de morte, de desespero e de falta de autocontrole. (...) Simultaneamente, ocorre um aumento brusco da produção de adrenalina, da frequência respiratória e cardíaca e outros, que podem vir associados a tremores, boca seca, tontura, mãos frias ou formigando, hiper-transpiração, pressão alta, pressão no peito, dor nas costas, entre outros sintomas.

A partir desse momento e nessa condição, a pessoa já está apresentando um medo profundo e intenso de ter uma mal súbito, um colapso, até de morrer, e fica extremamente ansiosa, agitada, ansiando por uma ajuda competente, com necessidade de espaço amplo e livre, de ar puro e de um ambiente tranquilo e seguro. (...) Depois de experimentar esses estados durante uma crise inicial, a pessoa tende a se apavorar e achar que está com alguma doença grave, que a qualquer hora pode levá-la a um colapso e isso se transforma numa insegurança crônica, que passa a deixá-la preocupada, ansiosa e até deprimida, coisas que podem se tornar gatilhos para novas crises agudas de pânico. (...)

Causas e características

Antes de tudo, precisamos entender que a síndrome do pânico é um estado emocional ou psicológico que tem intensas somatizações; ou seja: a maioria, senão a totalidade dos sintomas físicos que a pessoa experimenta (taquicardia, aperto no peito, tontura, formigamento no peito ou nas extremidades) são o resultado de estados psicológicos intensos e não doenças ou distúrbios que têm origem em más funções orgânicas verdadeiras.

Além disso, é preciso saber que a síndrome do pânico não é um estado definitivo, uma situação sem cura. Pelo contrário, muitas pessoas se compreenderam e amadureceram depois de viverem a síndrome do pânico por um tempo em suas vidas e hoje encontram-se totalmente saudáveis, lidando de forma ainda mais competente com a vida e com os problemas do que antes de terem tido o pânico, e sem precisar de quaisquer remédios.

É claro que existem pessoas que tendo vivido situações muito traumáticas (guerras, acidentes graves, ameaças mortais, catástrofes, torturas) têm muito mais dificuldades em curar-se; mas nada é impossível, e até mesmo essas, com um tratamento humano, multidisciplinar e bastante inteligente podem ter a chance de curar-se.

Os perfis psicológicos mais comuns que podem desenvolver a síndrome do pânico são: as pessoas que são educadas e polidas demais e estão, aparentemente, sempre alegres; os que não sabem dizer não e colocar limites aos outros; os inseguros, medrosos e os que temem a exposição social; os hipocondríacos; os que tiveram experiências muito traumáticas ou abusivas; os que estão sob forte ameaça de perder a vida (com doenças graves, ou ameaçados de morte); os que temem muito pelos entes queridos (e temem morrer repentinamente e deixá-los), e outros casos, onde as pressões e conflitos interiores são grandes e a expressão dos mesmos é quase nula. (...)

Mas, temos que continuar com nossas vidas cotidianas, mantendo um certo comportamento normal e socialmente adequado. Porém, no fundo, estamos angustiados, apavorados, tensos, com tremenda tristeza ou sentindo-nos incapazes de suportar a situação por mais tempo.

Nessa situação, vamos ficando cada vez mais tensos, com a mente acelerada, acumulando e acumulando sentimentos. Nossa mente se torna extremamente agitada, ansiosa, e, às vezes até caótica e meio aturdida.
Como estamos com a nossa mente voltada quase que exclusivamente para a resolução desses conflitos internos, ficamos menos atentos ao mundo, menos sensíveis e até um pouco atordoados, devido a tantos pensamentos e sentimentos confusos. (...)

Ainda assim tentamos segurar as coisas, o que só faz aumentar as pressões internas até o ponto que estamos por explodir. Então, começa a sensação de mal estar profundo, de colapso eminente, a necessidade de sair a qualquer momento do ambiente e buscar desafogo, respirar, sentar e deixar-se ir. Como a maioria das pessoas não tem consciência efetiva desse processo interior, quando os estados internos alterados chegam ao ápice, vem um profundo medo de que se esteja tendo um mal súbito, um colapso, um algo desconhecido que pode levar à nossa morte. Eis a crise de pânico.

O que fazer e como tratar a síndrome do pânico

(...) Muitos profissionais apenas receitam remédios ou estratégias que acalmam, refreiam ou entorpecem as pessoas, restringindo a sua superfície, sem dar-lhes um auxílio real e curativo. Mas o uso isolado de remédios não cura as pessoas. As estratégias bem sucedidas no tratamento da síndrome do pânico são aquelas que transmitem confiança humana, segurança e sentido de orientação sólida e coerente. E, junto com isso, são as que trazem consciência à pessoa – revelando suas posturas e conflitos internos -, que a ajudam a conhecer-se, a entender-se, a educar-se e desenvolver-se psicologicamente, tornando-a madura e competente para lidar com as diversas situações da vida e, inclusive, com alguma situação momentânea específica e difícil.

Um psicoterapeuta ou uma psicóloga competentes e humanos são ótimos profissionais para esse processo. Eles têm de ter interesse genuíno pelo paciente e serem sinceros para auxiliar no menor tempo possível o amadurecimento do indivíduo e a sua cura. Da mesma forma, um terapeuta floral ou um terapeuta corporal experientes, que compreendam os conteúdos psicológicos e as somatizações, podem ser fundamentais para a cura da pessoa. (...) Muitos outros recursos naturais podem ser utilizados com excelente proveito para o auxílio da estabilização do indivíduo durante o tratamento da síndrome do pânico: as ervas medicinais, a acupuntura, a homeopatia, as massagens terapêuticas e outros.

Porém, em todos eles é preciso ter humanidade, interesse pelo ser humano, empatia, apoio, disposição e integridade, para que assim estabeleça-se uma confiança mútua e uma possibilidade de caminho de recuperação saudável.

Antes de qualquer técnica, droga ou terapia, o acolhimento humano é ainda o melhor remédio: com apenas um toque de humanidade, verdadeiro e amoroso, é possível dissolver grandes conflitos, dores e males, que talvez os remédios levem anos para resolver.


Alberto Giovanni Fiaschitello é terapeuta naturalista e cientista social.
Publicado no The Epoch Times, edição em português.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dialogando com a dor

"Ler é o diálogo silencioso com nossos fantasmas"
Por Martha Medeiros

Não simpatizo nada com a ideia de sentir dor. Para minha sorte, elas foram raras. Vivi dois partos normais que pareceram um passeio no parque, nada doeu, sobrou relaxamento e prazer. Quando penso em dor física, o que me vem à lembrança são as idas ao dentista quando era criança. Começava a sofrer já na noite anterior, sentia enjôos fortíssimos, não conseguia dormir, passava a madrugada chorando só de imaginar que no dia seguinte teria que enfrentar a broca e seu barulho aterrorizante. Estou falando de uma época em que crianças tinham cárie - hoje muitas nem sabem o que é isso, bendito flúor. Mas o que fazer em relação a esse tipo de dor?

Se nos pega de surpresa (um tombo, uma cabeçada, um corte), suportar. Se for uma dor interna, tomar um analgésico e esperar que passe. Não se pode dialogar com a dor física. Músculos, nervos, órgãos, pele, essa turma não escuta ninguém. Ainda bem que não são dores constantes, e sim pontuais. De repente, somem.

Já a dor psíquica não é tão breve. Pode durar semanas. Meses. Sem querer ser alarmista, pode durar uma vida. Porém, é mais elegante que a dor física: nos dá a chance de duelar com ela, ao contrário da outra, que é um ataque covarde. A dor psíquica possibilita um diálogo, e isso torna a luta menos desigual. São dois pesos-pesados, sendo que você é o favorito. Escolha suas armas para vencê-la.
Armas?

Por exemplo: redija cartas para si mesmo. Console-se escrevendo sobre o que você sente e depois planeje seus próximos passos. Escrever exorcisa, invoca energia. Cartas e cartas para si mesmo, estabelecendo uma relação íntima entre você e sua dor - amanse-a.

Terapia. A cura pela fala. Você buscando explicar em palavras como foi que permitiu que ela ganhasse espaço para se instalar, de onde você imagina que ela veio, quem a ajudou a se apoderar de você. Uma investigação minuciosa sobre como ela se desenvolveu e sobre a acolhida que recebeu: sim, nós e nossas dores muitas vezes nos tornamos um só. É difícil a gente se apartar do que nos dói, pois às vezes é a única coisa que que dá sentido a nossa vida.

Livros. O mais deslumbrante canal de comunicação com a dor, pois através de histórias alheias reescrevemos a nossa própria e suavizamos os efeitos colaterais de estar vivo. Ler é o diálogo silencioso com nossos fantasmas. A leitura subverte nossas certezas, redimensiona nossos dramas, nos emociona, faz rir, pensar, lembrar. Catarses intimidam a dor. 

Meditação. Religião. Contato com a natureza. Viagens. Amigos. Solidão. Você decide por qual caminho irá dialogar com a sua dor, num enfrentamento que, mesmo que você não saia vitorioso, ao menos fortalecerá seu caráter.

Quem não dialoga com sua dor psíquica não a reconhece como a inimiga admirável que é, capaz de torná-lo um ser humano melhor. A reduz a uma simples dor de dente e, como uma criança, desespera-se sozinho no escuro.

Este texto foi presente de um respeitado repórter; meu ex-professor e hoje querido amigo.
Um solidário transtornado como nós. ;)


Coragem, saúde e força a todos!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

sexta-feira, 29 de março de 2013

Boa Páscoa! Bom feriado a todos! ;)

quarta-feira, 27 de março de 2013

O esporte para superar o pânico

Sandro Torres em uma prova de triatlo
O carioca Sandro Torres, de 39 anos, foi atleta de natação nos anos 90, mas deixou o esporte de lado no início de 2000. Depois de se casar, parou com tudo para assumir o compromisso de tentar estabilizar a renda de casa. (...) 

Após se tornar vítima de assalto em um ônibus, quando teve inclusive uma arma apontada para a barriga da esposa, Sandro passou meses tentando lidar com a síndrome do pânico. O esporte se transformou na saída para terminar com o medo que o impedia de sair às ruas. (...)

Confira abaixo o relato de Sandro sobre a história de superação através do esporte:

Quando minha esposa ficou grávida do segundo filho (Gabriel), em 2012, sofremos um assalto dentro de um coletivo. (...) Foi um trauma terrível: fiquei oito meses sofrendo (...) Perdi as contas de quantas madrugadas passei acordado olhando para a porta de casa com medo do bandido voltar e tentar fazer alguma coisa com a minha família. Ir e voltar do trabalho era uma tortura para mim, chegava sempre com muito medo e saía em pânico, porque teria que entrar em um coletivo. (...)

Resolvi ir a um clínico geral, contei todo o problema para ele, e foi ali naquele momento que a minha vida começou a tomar novos rumos. Fui encaminhado a uma psicóloga, a Dra. Patrícia Barretto, que me encorajou, através do esporte. (...) No inicio, o meu grande desafio era vencer o medo de sair na rua para praticar esporte. Me sentia uma pessoa assustada com tudo ao meu redor, no entanto, também sentia uma grande vontade de estar ali podendo fazer coisas normais como todos. (...) Pesquisei na internet um esporte diferente e li uma matéria do apresentador Luciano Huck, que havia feito o primeiro triatlo ao completar 40 anos. Achei isso o máximo, até porque já estou beirando os 40 também.

Isso foi o primeiro passo no esporte, procurei uma assessoria esportiva para começar a treinar e me dedicar. Minha rotina de vida mudou completamente. Hoje, acordo todos os dias às 4h da manhã para treinar com a minha equipe em Copacabana, levo as crianças para a escola e tenho que estar às 9h no trabalho. (...) Sou uma pessoa feliz e mais confiante.

Agora, posso compartilhar com a minha família, amigos e, principalmente, com meus filhos a alegria de poder mostrar que consegui superar o medo através do esporte e me tornar um atleta de triatlo. Tento disponibilizar o tempo perdido nos finais de semana para levá-los para praticar esporte. Seja correndo, nadando e pedalando. Assim, eles vão crescer praticando atividade física e me acompanhando também nas competições, como já fazem".



Sandro com a família e a paixão pelo triatlo


Fonte: globoesporte.com
(reportagem: Bebel Clark e Igor Christ / fotos: arquivo pessoal Sandro Torres)

segunda-feira, 25 de março de 2013

"Males da Alma", última parte (transtorno bipolar)


Isadora sofria há 11 anos sem saber o porquê
No último episódio da série "Males da Alma", o tema abordado foi o transtorno bipolar. É comum confundir transtorno bipolar com depressão. Erro grave porque os tratamentos são diferentes. Nesse período, não é raro procurar refúgio no álcool e nas drogas proibidas. Sem entender o que se passa, a pessoa se afasta dos amigos e da família. (G1) Assista.



domingo, 24 de março de 2013

Dicas para relaxar

Independente de crenças e religiões, somos todos compostos de matéria e espírito, certo? E se para o nosso bem estar devemos cuidar do nosso corpo com atividades físicas, devemos reservar um tempinho para cuidar do nosso espírito também.Esse cuidado pode acontecer durante um momento de oração, meditação, reza, alongamento... de várias maneiras. O importante é que a gente consiga um tempo para esvaziar a mente e aliviar a tensão.

"Toda vez que passamos por uma situação estressante, muitos sintomas se manifestam fisicamente, causando incômodos, irritações e mal estar. Por isso, técnicas de respiração e concentração ajudam a controlar os sintomas da ansiedade", diz a psicóloga Adriana de Araújo, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia.
Então aí vão algumas dicas para nos ajudar a relaxar em um minuto! Experimente! :)


1) Faça contagem regressiva olhando para cima 

Mesmo que seja bastante simples, essa técnica ajuda a relaxar, já que aumenta a concentração em uma tarefa e tira a atenção do que está causando ansiedade. "É preciso se concentrar em algo para relaxar. Fazer contagem regressiva, a partir do 60, bem devagar, vai ajudar", explica a psicóloga Adriana de Araújo. 

Além disso, olhar para cima estimula o sistema nervoso, o que ajuda a reduzir a pressão arterial e diminui o ritmo da respiração, causando a sensação de relaxamento. "Tudo que fizermos para diminuir os batimentos cardíacos ajudará a controlar a ansiedade, inclusive adotar técnicas de postura e concentração", diz a psicóloga Giovanna Tessaro, de Curitiba.

2) Anote as preocupações em um caderno


Esse método aumenta a concentração, evita distrações e avisa o cérebro que é preciso desacelerar. "Quando fazemos isso, a mente entende que as preocupações estão 'guardadas' e não devem ser resolvidas naquele momento, diminuindo a ansiedade", diz Adriana Araújo. 

Segundo a psicóloga, anotar as preocupações em um caderno também ajuda a acabar com a insônia. "Algumas vezes, muitas tarefas que não conseguimos realizar durante o dia nos impedem de relaxar e dormir. Colocar tudo no papel vai ajudar a nos livrarmos daquilo até o dia seguinte".

3) Controle a respiração por um minuto


Um dos principais efeitos da ansiedade é o aumento do ritmo cardíaco. Segundo a psicóloga Giovanna Tessaro, algumas técnicas simples de respiração ajudam a controlar o ritmo cardíaco, diminuindo a sensação de ansiedade. "Basta inspirar profundamente com o nariz e segurar o ar por alguns segundos, repetindo esse processo várias vezes", explica.

4) Relaxe os músculos


Outra manifestação física da ansiedade é a contração involuntária dos músculos, que causam tensão e muito desconforto. Os músculos que mais sofrem com o estresse são os do pescoço, costas e pernas. "A ansiedade, por mais que seja psicológica, se manifesta fisicamente. É comum cruzar as pernas e deixar os músculos das costas e do pescoço enrijecidos", explica Adriana Araújo.Para desfazer os nós dessas regiões, é importante fazer pequenas seções de alongamento. Aposte em movimentos circulares, realizados lentamente, com o pescoço, pulsos e tornozelos, para aliviar as tensões da musculatura.

5) Leia um gibi 


O hábito da leitura leve, como a de um gibi, é uma boa saída para relaxar em momentos de tensão. "Outras leituras mais complexas e longas podem causar muita distração, o que, após alguns minutos, faz a ansiedade e o estresse voltarem ainda mais intensos", diz Adriana Araújo. Ler uma revista ou notícias curtas de um jornal (ou o Sem Transtorno! rss) também ajuda a evitar pensamentos que trazem angústia.

6) Carregue o lanche certo

Experimente parar para fazer um lanchinho. Nos momentos de ansiedade, a mastigação ajuda a relaxar alguns músculos do pescoço. No entanto, escolher o lanche certo é essencial para afastar a ansiedade e o estresse. "Alimentos bastante práticos e fáceis de transportar, como castanhas e laranja, contém selênio e vitamina C, respectivamente. Esses dois nutrientes melhoraram o funcionamento do sistema nervoso, evitando a ansiedade", explica a nutricionista Daniela Cyrulin, do Instituto Saúde Plena, em São Paulo.

7) Bolinha de tênis


Caso esteja em casa, coloque a bolinha de tênis entre as suas costas e uma parede. Inicie a massagem nos pontos em que a tensão é maior. Depois, passe a massagear o ombro e toda a região próxima do pescoço, para relaxar os músculos dessa área.
A nossa bola suíça :)

Aqui em casa temos uma bolona para nos alongarmos, a bola suíça (foto à direita). Ela é uma delícia para relaxar e se exercitar também. Recomendo!

Saúde, coragem, paz!!!










Fonte: site Minha Vida - saúde, alimentação e bem-estar.












sábado, 23 de março de 2013

"Males da Alma": último episódio será sobre o transtorno bipolar


No último episódio da série "Males da Alma", o doutor Drauzio Varella irá explicar o que é o transtorno bipolar e como tratá-lo. 

Neste domingo, no Fantástico.

Assista à chamada do programa. 


quarta-feira, 20 de março de 2013

A síndrome do desânimo profissional - Burnout


Pessoal,
Preciso compartilhar com vocês esse artigo que acabei de ler. E gostaria que todos os profissionais de RH e todos os gestores de empresas (particularmente da empresa onde trabalho há mais de 13 anos) também tivessem acesso a este texto - além de interesse por ele, claro - e aprendessem um pouco sobre como incentivar um profissional, proporcionar oportunidades de crescimento e um ambiente saudável para seus funcionários, ao invés de sugar suas energias, cortar suas asas e fazer com que eles não sintam mais desejo de voar nem em pensamento!

Tenho certeza de que muitos de vocês também irão se reconhecer nas próximas linhas. 

Como o texto é longo e alguns não terão paciência para ler tudo (conheço meu gado... rss), destaquei alguns trechos importantes.

Saúde a todos, paz e coragem.

 
A síndrome do desânimo profissional


O trabalho pode ser fonte de prazer ou de dor, mas, quando a motivação desaparece, é preciso ter cautela. Aprender a lidar com as próprias emoções pode ser a saída para evitar doenças, a exaustão física e mental.

Ganhar o pão de cada dia com o suor do próprio rosto já foi considerado uma pena a ser cumprida. Com o passar dos anos, o trabalho foi perdendo essa característica e incorporou valores capazes de conferir às pessoas dignidade, respeito e admiração: o homem é o que ele faz. Quando alguém escolhe uma profissão não deseja apenas obter um bom salário e um padrão de vida compatível, ou mesmo um futuro bem estruturado. O que o move, para além das vantagens econômicas de determinada carreira, é o desejo de se realizar como indivíduo. 


Superados os desafios da conquista de um bom emprego, pode acontecer que a repetição das tarefas diárias desencadeie um mal-estar que se manifesta por meio de uma profunda insatisfação. Primeiro vem o desânimo. Depois, a motivação desaparece, seguida do completo desinteresse pelas relações no trabalho. Um processo de isolamento se inicia e são comuns estados de tensão e ansiedade, que estimulam as faltas ao emprego. O que parecia ser um cansaço passageiro pode ser a sídrome de Burnout ou exaustão física e emocional crônica, decorrente da constante exposição ao estresse no ambiente laborativo.
   
A síndrome se manifesta por meio de diversos sintomas, podendo ser físicos (mal-estar geral, distúrbios do sono, problemas gastrointestinais, cefaléia intermitente e/ou dificuldades sexuais); comportamentais (impaciência excessiva, impulsividade, irritabilidade e agressividade, uso excessivo de medicamentos, conflitos em família ou com o parceiro) ou cognitivo-afetivos (destacamento afetivo, incapacidade de concentração e de ouvir o que as pessoas dizem, rigidez de pensamento e resistência a mudanças, sensação de falência, raiva, ressentimento, senso de culpa e perturbação do humor/da tonalidade afetiva). O resultado é um esgotamento físico e mental que mina todas as energias do sujeito, levando-o à perda do interesse pela vida em geral, comprometendo sua identidade, motivação e produtividade.
   
Nenhuma profissão está livre, porque o Burnout é inerente à atividade laborativa. Entretanto, nas atividades em que as pessoas se colocam diretamente em ação, utilizando as habilidades sociais e psíquicas para satisfazer as necessidades dos outros, que, por sua vez, nem sempre expressam gratidão ou reconhecimento, a síndrome tende a aparecer com maior frequência.
  
A vulnerabilidade aos sintomas dependerá da forma como cada indivíduo reage ao estresse – situação que varia conforme o sexo e a idade (pessoas com idade avançada ou jovens que esperam demais da própria carreira são perfis de risco). Personalidades em que se identificam o que o especialista denomina de ansiedade neurótica (característica típica de quem se impõe metas impossíveis que, não alcançadas, estimulam a autopunição), baixa auto estima, excessiva idealização da profissão e rigidez (incapacidade de adaptação às demandas, sempre mutáveis do ambiente externo), além de introversão também estão mais predispostas.
   
Uma vez identificada a síndrome, muitas pessoas tomam decisão de mudar de emprego. Como terapeuta holístico digo que esta estratégia funciona por determinado tempo (no outro emprego vai encontrar os mesmos problemas): a longo prazo pode agravar os sintomas pois é preciso entender por que determinada situação é prejudicial para aprender técnicas que diminuam essas reações negativas ao estresse.
   
A melhor forma de prevenir o Burnout é por meio de terapia holística, pois potencializará seu auto conhecimento através da abordagem psicológica, social, profissional, familiar e física aprendendo a traçar limites entre a vida pessoal e profissional, equilibrando os próprios sentimentos. O aprendizado de técnicas de relaxamento físico e mental, além da freqüência a grupos de apoio que permitam ajuda direta, conforto, compreensão e comparação são muito úteis e devem envolver toda a comunidade corporativa.
   
As organizações precisam desenvolver projetos preventivos: o ideal seria que as empresas mantivessem programas de treinamento para levar os funcionários a importantes mudanças comportamentais, como novas propostas para trabalhar menos e melhor, traçar objetivos realistas, chegando até a implantação de estratégias administrativas que pudessem auxiliar a redução do estresse emocional.  A falta de liderança é a principal causa do aumento de estresse no ambiente profissional. O resultado é que as habilidades da equipe adormecem, o interesse míngua, e tudo se transforma numa tarefa desagradável. Os métodos tradicionais de liderança e motivação parecem não funcionar mais. Daí a importância de encontrar novas formas de vivenciar o trabalho.

Hoje as pessoas esperam e anseiam serem vistas e tratadas como peças necessárias para que as empresas alcancem seus objetivos. Tudo depende da forma como se avalia a relação com o trabalho, superiores e/ou colegas. Nesse universo de expectativas, existem muitas coisas que podem causar frustração e, consequentemente, a perda de motivação. Assim como o corpo precisa de vitaminas e proteínas para ter boa saúde, certos nutrientes também são essenciais para sustentar o entusiasmo no ambiente de trabalho. Quando a pessoa obtém resultados positivos em suas ações, alcança um bom equilíbrio entre profissão e sentimento. É assim que ela evita o risco de se “apagar”.
   

Quando as iniciativas profissionais não resultam em recompensas positivas, especialmente aquelas esperadas, a motivação desvanece. Quando a pessoa acha que não há mais nada a fazer, experimenta emoções como frustração, raiva, ansiedade, culpa e, às vezes, depressão e desespero. Mesmo que as condições mudem, ela não consegue enxergar e aprender com a experiência e continua agindo de forma negativa.
   
O único caminho para superar o Burnout é libertar-se de idéias mágicas e onipotentes no ambiente de trabalho. Isso significa saber que é desnecessário ser amado por todos, ou mesmo ter a simpatia irrestrita dos superiores. Também é importante entender que ninguém precisa ser sempre competente e ter sucesso, nem é imprescindível ocupar-se de todos os problemas. Um profissional para ser eficiente e não se apagar deve se sentir responsável exclusivamente por si mesmo. Deve saber que seu trabalho é difícil e que não receberá muita ajuda, que precisará lidar com situações e pessoas desagradáveis, com ponto de vista diferentes do seu. É bom que aceite o fato de ser absolutamente imperfeito, assim como todos os demais, e que renuncie à vontade de salvar o mundo, procurando apenas elaborar e realizar metas realistas, ressaltando mais os sucessos que as derrotas, e focando mais nos processos que nos resultados.    

DE QUE MANEIRA O BURNOUT AFETA A SUA SAÚDE:
1) Sintomas físicos: fadiga constante e progressiva; Dores musculares ou dor na nuca, transtornos cardiovasculares (hipertensão arterial, infartos); Distúrbios do sistema respiratório (bronquite, asma, suspiros profundos); impotência, alterações menstruais) etc.

2) Sintomas comportamentais: Impaciência; Sentimento de impotência; Agressividade; Perda de iniciativa; Comportamento de alto risco etc.

3) Sintomas cognitivos-afetivos: Falta de concentração; Alteração da memória; Lentidão dos pensamentos; Sentimento de solidão; Desânimo; Baixa auto-estima; Dificuldade para relaxar e aceitar mudanças etc.


FORMAS DE EVITAR O BURNOUT:
1) Administre as emoções: Estabeleça objetivos, programando um passo por vez, dando créditos a si mesmo por apoiar seu próprio progresso. Desenvolva o senso de competência e eficiência, que nada mais é do que a certeza de que você pode fazer.

2) Controle o estresse: Quando você consegue administrá-lo, entende que é possível lidar com situações difíceis sem ser intimidado por elas. Isso aprimora o “eu posso fazer”.

3) Adquira habilidades: Se você sabe que é possível adquirir as habilidades necessárias para enfrentar desafios, sente-se poderoso e decidido para vivenciar problemas, ficando mais disponível para avançar e alcançar o sucesso.

4) Desenvolva bom suporte social: Uma forte rede social ajuda a diminuir os efeitos do Burnout. Existem associações profissionais que fornecem sistemas de suporte para seus membros.

5) Encontre um trabalho que se ajuste a você: O trabalho é elástico e não fixo. Existem várias formas de alcançar seus objetivos. Até o mais rígido deles pode ser adaptado ao seu próprio estilo.

6) Mudança de emprego: Essa é uma técnica clássica para prevenir a síndrome. Entretanto, é importante aprimorar a forma de lidar com a situação no trabalho atual. Em primeiro lugar, lembre-se de que você é mais valioso para sua empresa do que outra pessoa com as mesmas qualificações: você sabe como as coisas funcionam ali; conhece a cultura da empresa e os outros funcionários; sabe como as coisas são feitas.

7) Pense Positivo: A forma como você pensa influencia sua motivação. As pessoas que lutam com o Burnout tendem a enxergar tudo como sem importância. Outra pessoa que pense positivo responderá de forma diferente. Uma situação com possibilidades é mais motivadora do que outra que parece ser inútil.

8) Desenvolva o desapego: Esse é um comportamento zen para a prevenção ou superação da síndrome. Trata-se de esquecer os resultados. É um pouco como ter espírito esportivo: O bom esportista entra em campo e trabalha duro para vencer, deixando de lado a vitória; já o mau esportista, quando perde, desconta no outro time.   

 
*Jorge Machado é escritor, ontoterapeuta e terapeuta - RH Formado pela UERJ. Autor dos livros:“Cronologia da Filosofia”, “Ontoarte, a arte do ser”, “Empreendedorismo, uma questão de vontade”, “Como se precaver do Bullying & do Cyberbullying”, entre outros.
Contato: jorgemachadorh@gmail.com.
Tel.: (21) 9372-9628, consultório (21) 3592-6649 (Barra da Tijuca, Rio de Janeiro)

Texto retirado do site da revista Saúde e Lazer.

segunda-feira, 18 de março de 2013

"Males da Alma", parte 5 (anorexia, bulimia e vigorexia)

Muitas vezes, a forma como nos enxergamos no espelho não condiz com a realidade. Gostaríamos de ser mais bonitos, mais magros, mais musculosos do que de fato somos. Quando esse desejo é levado ao extremo, há uma distorção da imagem que fazemos de nós mesmos. A autoimagem distorcida é causa de transtornos como anorexia, bulimia e vigorexia

Quando a vida se resume a uma busca permanente do corpo ideal, chegou a hora de pedir ajuda.

O maior desafio é convencer quem sofre desse mal a procurar tratamento. A intervenção da família e dos amigos é absolutamente fundamental.

No penúltimo episódio de "Males da Alma", o doutor Drauzio Varella conta a história de Renata, que aos 12 anos desenvolveu um quadro bulímico que se transformou em anorexia. A jovem está em acompanhamento médico há dois anos e batalha diariamente para ingerir mais calorias.

O episódio mostra ainda a história de Vivian, que sofre de vigorexia, um transtorno que faz com que o paciente tenha pavor de emagrecer e desenvolve uma obsessão por músculos definidos. Drauzio acompanhou o primeiro passeio de Vivian com o marido e a filha depois de meses sem sair de casa por vergonha do seu próprio corpo.
(G1)

Assista


sexta-feira, 15 de março de 2013

PRECONCEITO




NÃO TENHA PRECONCEITO COM PORTADORES DO TRANSTORNO DO PÂNICO, VOCÊ TAMBÉM CORRE O RISCO DE SENTI-LO UM DIA.

Qualquer pessoa está sujeita a desenvolver o Transtorno do Pânico. Considerando que nos dias de hoje a violência, o desemprego, a corrupção e a falta de perspectiva de dias melhores já tomaram conta dos noticiários, fica difícil não se sentir estressado ou tenso. Por outro lado, ninguém sabe se tem ou não a predisposição genética, o que torna toda pessoa passível de desenvolvê-lo. Como você também corre esse risco, procure dar todo apoio ao portador, seja ele de sua família, seu vizinho ou seu colega de trabalho. O que mais o portador precisa, é sentir que não está sozinho e que tem a quem recorrer nos momentos de crise. Seja solidário, ninguém sabe o dia de amanhã... (GruPan - Grupo de Apoio aos Portadores de Transtorno do Pânico)

quarta-feira, 13 de março de 2013

Até onde vai a culpa dos pais?



Quando a gente vê uma criança na rua fazendo o maior escândalo porque quer ou porque não quer alguma coisa, o que passa pela nossa cabeça? 
"Ah, coitado dos pais"!!! Ou então: "Que criança mal-educada, os pais não deram educação"!!! 
Não é verdade?! 
De alguma forma a gente sempre pensa nos pais da criança birrenta.

Um dia desses, minha mãe estava toda cabisbaixa, dizendo que errou comigo, que devia ter prestado mais atenção em mim, que não quis enxergar que eu tinha um problema "de cabeça"... (rs)

Bom, eu acho que os pais, ou os responsáveis, enfim, que quem cria uma criança tem responsabilidade sim sobre o desenvolvimento saudável ou não dessa criança. Não total responsabilidade. Mas tem.

No meu caso, acho que vários fatores contribuíram para que eu me tornasse uma pessoa ansiosa e depressiva. E um dos fatores, certamente, foi o meio em que cresci. 

Não quero entrar em detalhes para não expor outras pessoas que não eu, mas posso dizer que não fui criada num ambiente totalmente positivo e benéfico. 
Minha mãe era workaholic, trabalhava muito, de domingo a domingo, praticamente sem folga, sem feriado, sem férias muito menos. Era carinhosa, dedicada, mas tinha pouco tempo pra mim.
 
Meu pai também trabalhava o dia todo, de segunda a sábado. Também era carinhoso, brincalhão, mas nem um pouco chegado a diálogo
Então eu ficava muito tempo sozinha, já que sou filha única e meus familiares moram distante. Minhas companhias eram os brinquedos, os desenhos animados e as empregadas lá de casa. Nem todas muito carinhosas, digamos assim.

Não culpo os meus pais não. Tenho algumas mágoas, é verdade, mas não os culpo. Nesse dia eu disse pra minha mãe que tenho certeza de que se ela errou comigo de alguma forma, foi tentando acertar. Assim como hoje eu tento acertar com o meu filho, e por mais que eu me esforce muito e que o ame mais do que tudo, sei que não vou conseguir acertar cem por cento. 
Só fico atenta para não repetir os mesmos erros dos meus pais. Que eu pelo menos erre em outras coisas! ;)

Minha mãe diz que muitas crianças passam por situações bem piores do que a minha e que não desenvolvem nenhum tipo de trauma, nem transtorno.
Só que nem todo mundo reage da mesma maneira, né, mãe!? Cada um é cada um, sabemos disso!

 
Esses traumas precisam ser superados e a terapia tem me ajudado muito nesse sentido. Não quero culpar a minha mãe nem ninguém pelo que passei. Quero só pensar no passado se for para resolvê-lo dentro de mim e viver melhor o meu presente. Sem mágoas, sem raiva. 

De qualquer forma, peço que fiquem atentos aos seus filhos e pessoas próximas. Muitas vezes precisamos de ajuda, mas não sabemos como pedir.

Pra finalizar, uma frase que adoro:
"É mais fácil criar crianças fortes do que consertar homens quebrados".

Coragem, saúde e paz para todos nós! 

segunda-feira, 11 de março de 2013

"Males da Alma", parte 4 (TDAH)

Maurício adotou novos hábitos para driblar o TDAH
No quarto episódio da série, o Dr. Drauzio Varella explica o que é o TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. 

Gostei bastante do programa. Além de conhecermos o caso de duas crianças que receberam o diagnóstico de TDAH, uma delas de forma equivocada, o personagem adulto escolhido é ótimo. 

Maurício Araújo, professor de português, vivia atrasado para seus compromissos e não conseguia terminar o que começava. Seus projetos sempre acabavam esquecidos e ficavam todos pela metade. Depois de muito tempo de busca por ajuda para consertar seu "defeito", Maurício descobriu que tinha um problema neurológico: o TDAH. Hoje ele está em tratamento e garante que sua vida melhorou bastante. É interessante, já que, como falei no meu post sobre o TDAH, o tratamento para adultos é considerado pouco eficaz. 

Assista e comente aqui no Sem Transtorno! 

Paz!!! E coragem!!! :)

 

sábado, 9 de março de 2013

"Males da Alma": quarto episódio fala sobre o TDAH (Déficit de Atenção)


No programa deste domingo, a série irá abordar o TDAH - o Transtorno do Déficit de Atenção, do qual falei no meu post mais recente. (É isso mesmo? Dei um furo no Fantástico?? rss)


Vamos conhecer a história de um professor que se atrapalhava com os compromissos e não conseguia se concentrar, mas que agora está superando o transtorno. 

Como dizem que os adultos têm muito mais dificuldade para tratar o TDAH do que crianças, estou muito curiosa para conhecer este caso!

Vejam a chamada do programa.

Saúde a todos, paz, e, como diz uma querida amiga, "fé na missão"!!!!!! :)