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quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Abandono repentino da medicação: o que acontece?

(Imagem: Freepik)

Cerca de 10% da população mundial sofre de transtornos mentais e, entre os países latino-americanos, o Brasil é líder em casos de ansiedade e depressão, atingindo quase 19 milhões de pessoas. Como consequência, a busca por medicamentos psiquiátricos tem aumentado, com um crescimento de 58% nas vendas entre 2017 e 2021, de acordo com o Conselho Federal de Farmácia.

Infelizmente, muitas pessoas interrompem o uso desses medicamentos sem consultar um médico, o que pode levar a sintomas de abstinência e também à recorrência intensificada dos sintomas originais dos transtornos. Especialistas enfatizam a necessidade de um tratamento contínuo, com consultas médicas regulares e abordagens individualizadas.

Esse abandono repentino deve-se em grande parte aos efeitos colaterais dos medicamentos psiquiátricos, como redução da libido, sonolência, ganho de peso e efeitos gastrointestinais, entre outros. Os médicos aconselham os pacientes a relatarem quaisquer efeitos indesejados para que possam encontrar soluções alternativas, mas não simplesmente desistir do tratamento.

Ao parar de tomar medicamentos psiquiátricos, é importante um processo de "desmame" adequado. Esse processo deve ser gradual, sob a supervisão de um médico, e considera fatores como a estabilização dos sintomas e a recuperação do cérebro.


domingo, 19 de outubro de 2014

Remédios psiquiátricos: vilões ou injustiçados?

Por Karen Terahata

Agora há pouco, Padre Marcelo Rossi e o ginasta Diego Hypólito contaram no programa Altas Horas, da TV Globo, que sofreram de depressão. (assista)

Parei para ouvir animada, já que o Padre Marcelo começou falando que devíamos levar a depressão a sério, que não era frescura e que tinha aprendido isso sofrendo na pele e tal... "Uau", pensei, "que legal um padre dando um depoimento desse"!

Aí vem Diego Hypólito dizendo que também sofreu com a doença, que também teve preconceito, e que 
os remédios só o fizeram dormir e se sentir chapado. Que só se sentiu melhor quando teve contato com Deus, graças à ajuda de dois tios que também são padres.
Pronto.
Padre Marcelo pega o gancho e também diz algo como: "vamos viver livres de remédios", antes de começar a cantar.


Diego Hypólito
Diego travou uma dura batalha, de quase um ano, para se curar da patologia. O problema surgiu no período em que ele ficou sem clube e treinava de favor no Pinheiros, em São Paulo. Foram 15 meses entre a demissão no Flamengo até a contratação pelo São Bernardo, em junho deste ano. Depois de inúmeras sessões de terapia e alguns medicamentos, o ginasta de 28 anos de idade está recuperado e pronto para chegar com tudo nas Olimpíadas do Rio 2016 e realizar o sonho de conquistar a sua primeira medalha olímpica. (fonte: Globo Esporte)

O que me preocupa é essa constante menção aos medicamentos psiquiátricos como grandes vilões. 
Certamente, eles só devem ser usados com indicação e acompanhamento de um médico; não é por acaso que a venda é controlada.
Mas, como bem disseram os dois entrevistados, a depressão não é "frescura", é uma doença, e deve ser tratada como uma doença. Inclusive com remédios, quando necessário.

Padre Marcelo no Altas Horas
Em entrevista ao Fantástico, em dezembro de 2013, Padre Marcelo disse que não usou nenhum remédio psiquiátrico e nem procurou psicólogos. No entanto, revelou que toma remédio para calvície. Este tipo de remédio apresenta diversos efeitos colaterais, da mesma forma que anticoncepcionais, analgésicos e diversos outros.

Aliás, de acordo com uma matéria publicada no portal UOL, segundo o IMS Health, consultoria especializada em dados de saúde, até o descongestionante nasal Neosoro, que foi o item mais comercializado em 2012, oferece riscos e não deve ser utilizado por períodos prolongados sem orientação médica.

Leia: Nenhum remédio é livre de efeitos colaterais

"Completamente curado da depressão?", questionou Renata (Vasconcellos). "Graças a Deus, quase completamente", respondeu o padre. "O senhor não pensou em buscar ajuda nesse sentido?", indagou a jornalista. "Eu não busquei nenhum psicólogo, ninguém", retrucou padre Marcelo. "Mas padre faz terapia?", insistiu Renata. "Tem vários padres que eu conheço que fazem", respondeu o religioso. (fonte: Folha de S.Paulo)


Os sintomas da depressão, assim como os de transtornos de ansiedade, são extremamente desagradáveis e incapacitantes se não forem amenizados. Por isso, devemos buscar informação e orientação médica antes de condenarmos o uso de qualquer remédio com essa finalidade.


(imagens retiradas da internet)