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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Mensagens dos leitores

Parque Flamboyant, Goiânia
Olá! Meu nome é André, vi a matéria sobre a Síndrome do Pânico exibida no programa da Fátima Bernardes 
e o interessante é que muitas pessoas, falam, falam, quando na verdade só quem passa por esse tipo de problema é que sabe de fato como é. Respeitando, é claro, os profissionais da área. 

Há um ano exatamente passei por isso, fiquei cerca de dez dias sentindo os piores sintomas, a ponto de não conseguir me locomover até a esquina próxima de casa, sem querer ver ninguém, exceto minha mãe e minha esposa, pessoas em quem 
tivesse total confiança. Tentei resistir, mas ao mesmo tempo fraquejava pensando que não sairia daquela. Procurei então um profissional e enfim... o diagnostico: Transtorno do Pânico. "Medo de tudo"!
Daí então travei uma batalha comigo mesmo, uma vez que já sentia que as pessoas ao meu redor estavam a ponto de surtarem também, devido à tanta preocupação. Foi aí que resolvi levantar a cabeça. Levantar literalmente...

Já fazendo uso da medicação prescrita, mas ainda sem muita melhora, lembro-me que ao levantar em um certo dia, saí no quintal de casa e olhei pro sol já bem quente - coisas simples que não conseguia mais fazer, pois tinha medo da 
luz, e o som do dia também me incomodava bastante.
Enfim... mesmo assim, busquei lá de dentro um resto de força e coragem 
que ainda tinha. Pensei então: vou sair! Dar uma volta, visitar algumas pessoas, conversar, tentar sorrir de novo... 
Mas só eu sabia o quão difícil estava sendo aquele momento.
Imagina só! Um personagem de história de ficção, congelado! 
Começando a andar e o gelo se quebrando. Ou uma engrenagem voltando a funcionar. 

Isso foi tremendamente importante, pois foi nesse momento que parte da angústia passara a se transformar em algum tipo 
de alegria.
Algo que contagiava, vontade de viver outra vez, uma alegria que me dizia que ali seria o recomeço. 


Daí em diante foi um processo de reabilitação, no qual até hoje faço uso de algum medicamento. 
Ainda assim me sinto ótimo, graças a Deus, e diria até que aprendi algo com isso. 
No entanto, o mais importante que pude observar nesses casos é que, como esse trabalho que vocês desenvolvem aí no Rio, a melhor forma de conter esse problema é poder dividir tudo isso com alguém que também já passou ou passa por essa dolorosa experiência. Essa sim é, com toda certeza, a forma mais eficaz de entender que é possível  viver com isso... e o mais importante: viver feliz! 

Parabéns pela iniciativa.

André, Goiânia/GO